sábado, 4 de abril de 2015

Hoje é o Dia do Jeep. Concessionárias comemoram a antiga marca do utilitário americano fora de estrada

Uma homenagem ao rústico carro de quatro portas com tração nas quatro rodas

José Vanilson Julião
Jornalista

Ao começar a navegar na rede mundial de computadores, no final da manhã deste sábado, e clicar no “Yahoo” para ver a correspondência eletrônica, com o fim de vasculhar assuntos para o blog, me deparo com uma propaganda ou publicidade certamente encomendada pela fabricante multinacional de automóveis norte-americana e pelos 120 concessionários da empresa montadora espalhados por este país continental com 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

O comercial na internet trata, entre outros assuntos, do que eu não sabia e nem imaginava existir. Hoje é o “Dia do Jeep”. Não sei, ainda, se oficialmente está no calendário brasileiro, como outras datas festivas nacionais, profanas, religiosas ou sobre qualquer assunto, inclusive lembrando profissões de toda ordem, que um deputado federal ou senador qualquer decide colocar para comemoração por meio de projeto de lei.

O certo é que decidi, também, homenagear o famoso carro fora de estrada, pois com ele tenho familiaridade desde meados dos anos 60, já que foi nele, como passageiro, claro, que perambulei pelos sítios da zona rural do município em que nasci, Cerro Corá (Região do Seridó) e cidades vizinhas. Pelo Rio Potengi, em São Tomé. Para feira livre de Currais Novos. Indo para a vaquejada em Santana dos Matos. Ou para a festa de São Francisco, padroeiro de Lagoa Nova. Como também visitar as minas de “xelita”, mineral do tungstênio, em Cafuca ou Bodó.

Foi num deles que vim a Natal para assistir meu primeiro jogo no Estádio Castelo Branco, depois “João Machado” (deu lugar a Arena das Dunas). A partida foi ABC 0 a 0 Flamengo do Rio de Janeiro, em 1972, pelo campeonato nacional. Com grande atuação do meia atacante,  camisa 10 alvinegro, Alberi José Ferreira de Matos, que acabou ganhando o Troféu Bola de Prata, da revista semanal PLACAR, como o melhor da posição na competição daquele ano.

Histórico

O carro utilitário foi produzido no inicialmente pela Willys Overland (1957 - 1968) e posteriormente pela Ford (1968 - 1983). Tem diversas configurações de carroceria, distância entre eixos, motorizações, câmbio e transmissões. Há versões de 2 e 4 portas, 4 x 2 e 4 x 4, com rodas livres manuais e automáticas entre outros.
A montadora surgiu nos Estados Unidos da América na primeira metade do século XX e ficou famosa, principalmente, por ter criado e produzido, em parceria com a montadora de Henry Ford, o lendário Jeep da Segunda Guerra Mundial.
Pouco antes de encerrar as atividades (1963) a empresa abriu uma filial brasileira (1962), que se tornou importante personagem na nascente indústria automobilística local e, também em conseqüência, no esporte de corridas, o automobilismo.
A marca existiu até 1975, quando o último veículo ‘Willys’ deixou a linha de montagem da montadora American Motor Company (AMC), mesmo período em que a Ford do Brasil ainda produzia veículos originalmente criados pela subsidiária brasileira.
As raízes da Willys estão na Standard Wheel Company, uma fábrica de automóveis de um e de dois cilindros criada em 1902 na cidade de Terre Haute, no estado de Indiana. Ao migrar para a capital, Indianápolis, em1905, a empresa mudou o nome para Overland Company (over = fora; land = terra).
Uma crise financeira dois anos depois possibilitou que o controle acionário fosse adquirido por um bem-sucedido representante comercial, que havia vendido bicicletas e automóveis de diversas marcas, chamado John Willys. Rebatizada como Willys-Overland logo lançou um carro pequeno com motor de quatro cilindros, conseguindo boas vendas no mercado.
A firma produziu também dois modelos de luxo com motor de seis cilindros, porém sem êxito comercial. O primeiro campeão de sucesso da marca foi o modelo 79 (1914), que, com preço abaixo dos mil dólares, vendeu 80 mil unidades já no primeiro ano de produção.
Foi também em 1914 que a Willys apostou na tecnologia de camisas deslizantes criada por Charles Knight para fabricação de motores de quatro tempos sem válvulas, dando origem à subsidiária Willys-Knight que produziu modelos de sucesso satisfatório.
A crise de 1929 afetou a Willys e em 1933 a a produção foi concentrada em apenas um modelo, o 77, de quatro cilindros, com o preço mais baixo da história da montadora (U$ 445). Esse modelo bem-sucedido garantiu a sobrevivência até a II Guerra, quando surgiu o principal marco da história da montadora.
Em 1940 venceu a licitação para construir, ao lado da Ford, o carro destinado às linhas de combate do Exército norte-americano. O nome do veículo vem de general purpose, veículo de uso geral, abreviado para suas iniciais gp, pronunciadas em inglês como jeep.
Em 1946 surgiram versões voltadas ao mercado civil (Utility Wagon), que ficaria conhecida mais tarde no Brasil como Rural, e a versão pic-up (picape). Chegou a ser criada uma versão, chamada de "Agri-Jeep", com o objetivo de substituir os tratores nas fazendas, mas não teve êxito comercial por ser leve demais para o trabalho no campo.
A Willys produziu apenas veículos da linha Jeep até 1951, quando foram lançados novos modelos, como o carro de passeio Aero, destinado exatamente às famílias do pós-guerra. Em 1953 a firma passou pela primeira de uma série de aquisições, sendo comprada pela Kaiser Motors e tendo seu nome alterado para Willys Motor Company.
Mas as vendas dos carros de passeio da Willys e da Kaiser continuaram em declínio e, em 1955, a fabricação de carros cessou e todo o maquinário para fabricação do Aero foi mandado para o Brasil.
Em 1963, a firma passou a se chamar Kaiser-Jeep, até a sua aquisição em 1970 pela AMC. Em 1975 a nova proprietária ressuscitou o nome Willys, porém apenas como fábrica de peças sobressalentes.
A AMC continuaria a produzir o maior legado da Willys, o Jeep, até 1986, mesmo depois de ser comprada pela francesa Renault em 1979. A linha Jeep original, com o nome oficial de CJ, foi substituída pela nova linha Jeep Wrangler, que apesar da marca Jeep e da semelhança com o antecessor, trazia muitas mudanças mecânicas. A Renault vendeu a AMC para a americana Chrysler em 1987, que por sua vez se uniu à alemã Mercedes-Benz em 1998.
Curiosamente, após toda essa série de aquisições, a marca Jeep continua viva e, em 2002, a Daimler/Chrysler trouxe de volta a marca Overland, utilizada no Jeep Grand Cherokee.

Brasil

A subsidiária no Brasil foi fundada em 26 de agosto de 1952, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Em 1954 a linhas de montagem começar a pôr na rua o Jeep, ainda montado com peças americanas importadas  e comercializados com o nome de jipe Universal.
A versão Rural surgiu em 1956. Em 1957 as partes do veículo passaram a ser fabricadas no Brasil e em 1959 o motor também passou a ser brasileiro --- um seis cilindros de 2.638 cilindradas e 90 cavalos de potência, que viria a ser adotado na maioria dos veículos da montadora.
Apesar de a filial ter recebido as ferramentas para montagem do modelo Aero quando a matriz norte-americana encerrou a produção de veículos de passeio, o primeiro carro urbano da Willys brasileira foi o pequeno Dauphine, em 1959, produzido sob licença da Renault.
O econômico veículo foi um dos maiores rivais do Volkswagen Fusca no mercado brasileiro dos anos 60, em suas várias versões que surgiram nos anos seguintes, e também foi a base de uma série de vitórias da Equipe Willys de competições no automobilismo brasileiro, com pilotos como Christian Heins, Emerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi Júnior e Luiz Bueno.
Em 1960 foi finalmente lançado o Aero, ainda com a carroceria arredondada do modelo norte-americano, que rendeu a esta primeira versão o apelido de "Aero-Bola". Em termos de mecânica, o Aero era simplesmente o Jeep com carroceria urbana. Pesava 1.440 kg e atingia 120 km/h de velocidade máxima, com aceleração de 0 a 100 km/h em 17,8 segundos. O consumo de combustível era da ordem de 7 km/litro.
Em 1961 é lançando mais um veículo produzido sob licença da Renault, o Interlagos, cópia do Renault Alpine, e primeiro veículo esportivo de série do Brasil, com carroceria em fibra de vidro em três versões de estilo (cupê, berlineta e conversível) e mecânica baseada no Dauphine, mas com várias opções de carburação e potência.
Em 1962 foi feita uma completa re-estilização da carroceria do Aero, liderada pelo projetista americano Brooks Stevens, e foi lançado em dezembro o modelo Aero 2600, com linhas retas, modernas para a época, e algumas alterações no motor que aumentaram a potência para 110cv. Este novo Aero deu origem a uma versão de luxo em 1966 que era vendida como um veículo diferente, o Itamaraty.
Ainda em 1965, a Willys começou a estudar um sucessor para a linha Dauphine/Gordini e novamente em parceria com a Renault criou o "Projeto M". Porém, por razões hoje apontadas como administração empresarial ineficiente e gastos excessivos com o departamento esportivo, a Willys entrou em crise financeira, e em1967 a Ford assumiu o controle acionário da empresa.
O Projeto M, já bastante avançado, foi concluído e deu origem ao Ford Corcel --- os primeiros exemplares ainda saíram de fábrica com vidros timbrados com a marca da Willys. Os carros das linhas Jeep e Aero continuaram sendo produzidos, sob a marca Ford-Willys até1970, e posteriormente, por mais alguns anos, apenas com a marca Ford. (A partir do parágrafo HISTÓRICO é um ‘resumão’ da Wikipedia)



Nenhum comentário:

Postar um comentário