domingo, 14 de junho de 2026

O médio da escola de "Dequinha" e "Piromba" (VI)

Campeão estadual uma vez (1958) e
extinto em 1962/Imagem: História do
Futebol/Arte: jornalista Sérgio Mello

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Após as exibições contra o Ceará e Fortaleza na primeira semana de fevereiro de 1960 no restante do mês a excursão começa para valer na Região Norte.

Em Manaus o Sport enfrenta: 4 x 0 São Raimundo (sábado 13/2), 7 x 0 Nacional (domingo 14), 10 x 1 Santos (sábado 20 ) e 0 x 0 Seleção/AM (domingo 21).

Do Estado do Amazonas a delegação rubro-negra parte para Santarém (Pará) com os amistosos: 6 x 1 São Francisco (23) e 2 x 0 América (25).

Do interior paraense segue até Macapá, capital do então território do Amapá: 2 x 2 Juventus (sábado 27), 1 x 0 Santana (domingo 28) e 2 x 0 Trem (terça-feira, 1/3).

O médio potiguar Luís Marques entra como titular na maioria dos jogos e, devido forte gripe, fica de fora, pelo menos, do antepenúltimo e do penúltimo em São Luís/MA. E soma cinco gols na excursão.

Como curiosidade o redator aponta a confusão que faria com o clube amazonense homônimo do Santos paulista. Caso tivesse se abstido de consultar fontes primárias e confiado apenas nas secundárias.


FONTES/IMAGEM

Diário de Pernambuco

Jornal do Commercio (AM)

Futebol 80

História do Futebol

Wikipedia



ABC confirma liderança do grupo na Série D

Charles inaugura o placar em cobrança de penalidade máxima no primeiro tempo

Neste domingo a última rodada da fase de classificação da Série D: ABC 1 x 0 Maguary, Souza 0 x 2 América/RN e Central 2 x 1 Laguna.

Os resultados definiram a colocação final e os adversários piauienses de cada potiguar: ABC x Alto e América x Fluminense (Teresina).

Classificação: ABC (23 pontos), América (21), Maguari/PE (13), Central (13), Sousa (10) e Laguna/RN (dois pontos).

No jogo o Sousa reclama de um toque de mão do zagueiro americano na área antes da abertura de contagem (19 minutos).

Na etapa complementar, outro toque, e desta vez o goleiro Renan Bragança defende a cobrança de Everton Heleno (5'47).

O ABC fez o gol da vitória aos 34 minutos do segundo tempo (José Vanilson Julião)


FICHA TÉCNICA

América 2 x 0 Sousa

Estádio: Governador Antônio Mariz

Árbitro: Jailton Moura Silva Filho/BA

Público: 442

Renda: R$ 3.960,00

Gol: Charles 28'36 (pênalti) e Matheus Régis 48'47

América: Renan Bragança, Elias (Antônio Villa), Pedro Jorge, Renzo, Charles, Wagner Balotelli, Judson, Alisson Taddei (Ítalo Silva), Cassiano, Nycollas Lopo (Josiel), Matheus Régis (Henrique) e Luiz Thiago (Wellington Tanque). Treinador: Ranielle Ribeiro

Sousa: Moisés Freitas, Iranilson (Kiko), Guizão (Guimarães), Marcelo Duarte, Fernando Ceará, Hebert, Felipe Jacaré, Natalício (Matheus Bambu), Crystian Souza, Mateuzinho (Diego Viana) e Marcos Papa (Everton Heleno). Treinador: Tardelly Abrantes



O médio da escola de "Dequinha" e "Piromba" (V)

História do Futebol/Arte: Sérgio Mello

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O centromédio, médio ou volante potiguar Luís Marques, 23, foi apresentado para a torcida rubro-negra no Estádio da Ilha do Retiro em amistoso do Sport Recife (4 x 0) diante do tricampeão suburbano Yolanda Futebol Clube (domingo, 10/1/1960).
O ex-jogador do Santa Cruz/RN, América/RN e Campinense entra nos três amistosos restantes antes da excursão pelas regiões Nordeste e Norte: 0 x 0 Paulo Afonso (Alagoas), 1 x 3 Leão XIII ("campeão das usinas" no município pernambucano de Catende) e 0 x 0 Auto Esporte de João Pessoa/PB (domingo, 31/1).
A primeira parada na excursão acontece na capital cearense para dois jogos seguidos no Estádio Presidente Vargas: 4 x 2 Ceará Sporting (sábado 6) e 2 x 2 Fortaleza (domingo 7), respectivamente vice e campeão estadual.
Contra o alvinegro Marques marca o primeiro dos seis gols com a camisa do Sport em duas temporadas (1960/61).
No empate com o tricolor do Pici um dos gols do adversário é de autoria do mossoroense Francisco Gervásio Filho, o "Becece", que viria a ser artilheiro da Taça Brasil.
O blog deixa de abordar a novelinha de duas reportagens enviado especial do Nilton Oliveira para o Diário de Pernambuco sobre a briga generalizada no PV envolvendo torcedores do "Vovô" e torcedores cearenses. Uma vergonha...!

sábado, 13 de junho de 2026

Piauienses x potiguares na segunda fase da Série D

Esse time deixou boas recordações para os americanos. Vamos completar a escalação...! Edson Silva, Wallace Pernambucano, Bruno Pianissola, Norberto Neto, Tessio Caja, Alvinho...

Três jogos neste sábado (13) definiram os adversários dos potiguares na próxima fase da Série D: Ferroviário/CE 1 x 0 Fluminense/PI, Piauí 2 x 1 Tirol/CE e Altos/PI 3 x 2 Atlético/CE.

A classificação: Ferroviário (21 pontos), Piauí (17), Fluminense (14) e Altos (11). O tricolor piauiense e o Altos vão enfrentar ABC e América.

Neste domingo ABC x Maguary em casa e América x Sousa fora. O alvinegro (20 pontos) luta para continuar na liderança. O alvirrubro (18) precisa vencer e esperar pelo tropeço do rival.

O primeiro colocado enfrenta o Altos e o segundo o Fluminense. Ida e volta. Com o melhor colocado decidindo em casa a classificação.

O radialista Marcos Avelino da Trindade antecipou os possíveis adversários dos clubes norte-rio-grandenses na terceira fase: Marabá/PA, Parnahyba/PI, Trem/AP ou Sampaio Corrêa/MA.

O médio da escola de "Dequinha" e "Piromba" (IV)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

O médio potiguar Luís Marques participa de quatro amistosos, três domésticos e um interestadual (janeiro/1960), antes da excursão pela Região Norte, mas iniciada por Fortaleza e encerrada no Maranhão.

O Leão da Ilha do Retiro enfrenta o Iolanda em Recife (0 x 4), com o time amador comemorando com a entrega de faixa o tricampeonato suburbano (chega ao penta em 1962); Seleção de Paulo Afonso (0 x 0), Leão XIII de Catende (3 x 1), ambos no interior do estado, e o Auto Esporte de João Pessoa (0 x 0), dia 31 de janeiro, na capital paraibana.

Marques havia embarcado (sexta-feira, 5/fevereiro) com mais 18 jogadores e no sábado (6) o Sport Clube Recife estreia na capital cearense com vitória sobre o Ceará Sporting (4 x 2) no Estádio Presidente Vargas, com um "sururu" entre os jogadores e os torcedores alvinegros. No domingo (7) empata com o tricolor Fortaleza (2 x 2) no "PV".


FONTES/IMAGEM

Diário da Manhã

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Diário de Pernambuco

Futebol 80

História do Futebol (Sérgio Mello)








O médio da escola de "Dequinha" e "Piromba" (III)

A rara foto do Sport Clube Recife em Macapá (Amapá): Bria, Cazuza, Sinval, Luís Marques, Tomires, Ney Bezerra de Andrade, Ramos, Bé, Jandir, Raúl Bentancour (uruguaio) e Elcy Goulart de Freitas/Acervo: Franselmo George

"Marques deseja brilhar: entrou no time e não quer mais sair". O título da reportagem  (página nove) do Diário de Pernambuco (sexta-feira, 5/2/1960).

- Luiz Marques, 23 anos, 1,75m, 72 quilos, é a mais nova figura do Sport, o quarto clube. Veio do Campinense. Médio de apoio, tem carreira curta. Teve uma chance na Portuguesa santista (1956), porém não se adaptou ao clima.

Em resumo este é o primeiro perfil do jogador potiguar encontrado na imprensa recifense. Seis meses antes da entrevista para a extinta publicação semanal do Rio de Janeiro: Revista do Esporte (edição 77 - 27/7/1960).

A reportagem não assinada põe os pontos nos "i" e esclarece o período em que Marques esteve no futebol paulista, depois de duas temporadas no licenciado Santa Cruz/RN (1954/55), da passagem pelo América/RN em 1958 (21 jogos oficiais e amistosos) e uma curta permanência no Campinense (1959).

Na mesma edição (página sete) o jornal da cadeia Associada reporta o embarque no mesmo dia do aeroporto dos Guararapes em DC-4 do Loide da delegação com 23 pessoas (19 jogadores) do rubro-negro para a Região Norte.

Entre os quais o enviado especial e repórter Nilton Oliveira (Diário de Pernambuco e Rádio Clube), o massagista José Ramos, o treinador José Mariano Carneiro Pessoa ("Palmeira") e o dirigente e presidente da delegação Pedro Maul.

Os jogadores: Dick, Cazuza (goleiro), Bria, Alemão, Sinval, Tomires, Gilberto, Dedé, Ney Bezerra de Andrade, Luís Marques da Silva (potiguares), Preta, Ramos, Bé, Raúl Higino Bentancour Ferraro (uruguaio), Djalma, Nilton Adrião, Pedrinho, Jandir e Elcy Goulart de Freitas. (José Vanilson Julião)

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O médio da escola de "Dequinha" e "Piromba" (II)

Campinense na temporada da profissionalização com o zagueiro Arlindo (penúltimo) parecido com Marques

- ELE QUASE MORREU LINCHADO PELA TORCIDA!

- O MÉDIO MARQUES RELEMBRA PASSAGENS DRAMÁTICAS DA CARREIRA E REVELA QUE DEQUINHA O CONVIDOU PARA OCUPAR O SEU POSTO NO FLAMENGO

- Marques afirma que dá tudo para vencer quando joga. Por isso é temido pelos adversários, que não combatem com ele...

O título da reportagem, seguido do complemento e da legenda de uma das três fotografias da reportagem podem retratar muito bem o perfil do personagem na semanal Revista do Esporte (edição 77, 27/8/1960).

Na ocasião o norte-rio-grandense Luís Marques (Natal, 19/3/1936) já se poderia considerar um veterano com passagens pelo Santa Cruz/RN (1954), América/RN (1958) e Campinense (1959).

A abertura da reportagem não assinada contém erros: um de que teria iniciado a carreira no alvirrubro natalense ao lado do médio Edmilson "Piromba" Silva Araújo e do zagueiro Ney Bezerra de Andrade.

Em parte a afirmação está correta, pois "Piromba" começou no tricolor da capital potiguar, mas somente depois passou ao ABC, para compor a zaga ao lado de Ney, este sim, também alvinegro.

Outra informação, ainda não confirmada, é a de que esteve no São Paulo e posteriormente na Portuguesa de Santos, mas teve que retornar para Natal. E existe a explicação:

- Sou filho único. Mamãe é viúva. E não se adaptou bem ao clima de São Paulo... Disse o jogador do Sport Clube Recife. (José Vanilson Julião)

O médio da escola de "Dequinha" e "Piromba" (I)

O centromédio Luiz Marques, antepenúltimo em pé, contratado em abril, após passagem pelo América de Natal/RN

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O personagem estava na agenda de pautas há bastante tempo pela entrevista de duas páginas publicada na edição 77 da extinta Revista do Esporte (27/8/1960).

No pensamento do repórter a abordagem seria em um momento isolado considerado mais adequado. Porém os últimos acontecimentos apressaram esta agora reportagem seriada sobre o jogador potiguar.

Um dos fatores é o acúmulo de fotografias postadas nestes seis primeiros meses do ano em que o atleta aparece no paraibano rubro-negro Campinense e no ABC de Natal.

E para acionar de vez a reportagem o centromédio ou volante natalense Luís Marques, nascido em 19 de março de 1936, aparece na imagem rara do Sport Clube Recife na excursão a Região Norte (1960).

Uma das fotos raras dele na "Raposa" de Campina de Grande refere-se ao jogo amistoso interestadual no Estádio Municipal Plínio Lemos: Campinense 2 x 2 Flamengo (RJ).

A imagem foi publicada recentemente, mês passado (domingo 10), na quarta reportagem da série inédita "A goleada histórica do Campinense sobre o América", ocorrida no mesmo período da profissionalização do clube.

A partir de momento o leitor passa a conhecer o polêmico player que começou em 1954 no eterno licenciado Santa Cruz Esporte e Cultura e passou pelo América/RN.


FONTES/IMAGENS

Diário da Manhã

Diário de Natal

Diário de Pernambuco

O Poti

Tribuna do Norte

Revista do Esporte

Futebol 80

Globo Esporte

Súmulas Tchê

Blog do Marcão

História do Futebol

Retalhos Históricos de Campina Grande



quinta-feira, 11 de junho de 2026

O potiguar abecedista na lista da seleção "Cacareco" (V)

Rara foto do Sport em Macapá: Bria, Cazuza, Sinval, Luís Marques (potiguar ex-América-/RN), Tomires, Ney Andrade, Ramos, Bé, Jandir, Bentancour e Elcy/Acervo: Franselmo George/Globo Esporte (AP)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O Sport termina o ano e passa os primeiros quatro meses da temporada seguinte envolvido em amistosos domésticos e interestaduais.

A estadia mais longa na excursão para dois estados e mais um território da Região Norte: Pará, Amazonas e Amapá.

As apresentações do rubro-negro começam mesmo pelo Nordeste. Em Fortaleza (capital cearense).

E no retorno passa pelo "Meio-Norte": em São Luís do Maranhão. O "Leão" da Ilha faz 17 jogos: 12 vitórias e cinco empates.

Destaque para três jogos em Macapá, capital do então território e atual estado do Amapá (Região Norte), na última semana de fevereiro eprimeira de março/1960.

No mesmo mês do ano anterior faz dois jogos contra o Juventus e Santana, os mesmos da segunda passagem, mais o Trem.

E finalizando a curta série: o redator Viriato Rodrigues disse em artigo (final de dezembro/1959) que o apelido da seleção "Cacareco" foi posto por um repórter conterrâneo e não paulista ou carioca...


FONTES/IMAGEM

Diário de Pernambuco

Almanaque do Futebol Amapaense

Futebol 80

Globo Esporte

O potiguar abecedista na lista da seleção "Cacareco" (IV)

SELEÇÃO "CACARECO" no segundo jogo do campeonato extra: Edson, Waldemar, Geroldo, Biu, Givaldo, Zé Maria, Traçaia, Zé de Melo, Paulo, Geraldo José e Elias

Da lista dos 35 convocados e sem o potiguar Ney Bezerra de Andrade (Sport Clube Recife) a delegação pernambucana embarca com os 22 jogadores escolhidos pelo treinador Gentil Alves Cardoso:
Os goleiros Waldemar e Walter, Geroldo, Bria, Zequinha, Edson, Dodô, Givaldo, Servilio,  Clóvis, Biu, Zé Maria, Geraldo José, Zé de Melo, Moacir, Goiano, Traçaia, Tião, Paulo, Elcy, Fernando e Elias.
O atacante Paulo Pisaneschi (Clube Náutico Capibaribe) termina vice-artilheiro do campeonato com quatro gols ao lado do uruguaio Mário Ludovico BERGARA Medina.
O selecionado "Cacareco" de Pernambuco termina em terceiro lugar com a seguinte campanha e todos os jogos no Estádio Modelo (Quaiaquil):
3 x 2 Paraguai (domingo, 5/12/1959), 0 x 3 Uruguai (domingo 12), 3 x 1 Equador (domingo 19) e 1 x 4 Argentina (quarta-feira 22).

O potiguar abecedista na lista da seleção "Cacareco" (III)

Uma das formações do selecionado pernambucano sem o potiguar Ney Bezerra Andrade

O XXVII 
Campeonato Sul-Americano de Futebol de 1959 é a segunda edição no ano pela única vez na história. Ocorre na equatoriana Guaiaquil: 5 a 25 de dezembro.
Participam cinco seleções: Argentina, Brasil, Equador, Paraguai e Uruguai. As seleções jogaram entre si em turno único. O Uruguai foi o campeão.
A competição extra se realizou devido ao pedido da cidade, que inaugurou um novo estádio e solicitou a organização do torneio para a Confederação Sul-Americana.
O Brasil é representado pelo selecionado pernambucano. Apelidada de Cacareco pela imprensa paulista.
A conquista do título foi tratada como o ressurgimento da celeste olímpica pela imprensa uruguaia.
A Seleção Pernambucana é convocada pelo técnico pernambucano Gentil Alves Cardoso.
Foram 22 atletas do Sport, Náutico e Santa Cruz. Eles saíram de uma pré-lista com 35 jogadores.

A GRANDE LISTA

Santa Cruz (nove): Walter Serafim, Jorge Carvalho, Edson Santos, Biu (Severino Silva), Servilio (José de Lucas), Dodô (Haroldo Silva), Tião (Sebastião dos Santos), Moacir Francisco dos Santos, Mainha (Rinaldo Amorim Maia), Zé de Melo (José Inácio de Melo), Goiano (Clemilton Ataíde Cavalcanti) e Clóvis Pinheiro Santos.

Náutico (sete): Paulo Pisaneshi, Waldemar Chiarelli, Givaldo Cordeiro, Zequinha (José Pereira Miná), Nancildo Nepomuceno, Hémilton Freitas, Geraldo José da Silva, Elias Oliveira e Fernando Salvador.

Sport (sete): Bria (Cosme Rodrigue de Mélo), Nei Bezerra Andrade, Zé Maria (José Maria Salles), Tomires de Souza Galvão, Bé (Roberto Bocaelli), Oswaldo Martins e Zeca (José Cardoso Reis).

Ferroviário (três): Zeca (José Carlos Reis), Neco (Manuel Pereira dos Santos) e Amâncio (José Américo Silva).

Ibis (três): Vantu (Vantil Santos), Paraíba (Inaldo Lima Silva) e Jovelino Candido Fernandes. Asas: Manoelzinho (Manoel Bezerra).


FONTES/IMAGEM

Diário de Pernambuco

Fernando Machado

Futebol da Seleção Brasileira

Futebol 80

Globo Esporte

História do Futebol Amapaense

Superesportes

Wikipedia

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O potiguar abecedista na lista da seleção "Cacareco" (II)

O elenco alvinegro campeão de 1954 no primeiro estádio com o nome de Maria Lamas Farache, a falecida esposa, em 1948, do eterno diretor Vicente F. Neto

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A seleção pernambucana apelidada de "Cacareco" já havia sido mencionada neste espaço em cinco reportagens seriadas sobre temas diversos.

A mais recente menção ocorre na reprodução de um artigo do blog pertencente ao veterano e conceituado repórter pernambucano Lenivaldo Morais Aragão.

Na oportunidade o jornalista Lenivaldo Aragão lembra o aniversário do ex-jogador norte-rio-grandense Ney Bezerra de Andrade e aproveita para contar um pouco da carreira do atleta.

O texto é ilustrado com a imagem de Ney Andrade no Sport e também reproduzida nestes dias na reportagem sobre um jogador amador caicoense que fez um rápido teste no rubro-negro em amistoso no interior paraibano.

MEMORIAL ALVINEGRO

Da página social conduzida pelo torcedor e relações públicas Carlos Magno Oliveira é extraída a imagem com a diretoria e o elenco nos 90 anos de Ney ano passado (22/6).

Revelado no "Abecezinho", time alternativo durante o licenciamento de um ano (1952), Ney foi um dos esteios da série de títulos estaduais 53/54/55.

Na foto, no primeiro estádio "Maria Lamas Farache", no bairro de Petrópolis, o craque é o último sentado, da esquerda para direita, na fila logo abaixo dos dirigentes.

É tio da jornalista Rosa Lúcia Andrade e primo do médico Ives Bezerra, ex-presidente do Conselho Deliberativo, com raízes em Currais Novos/RN. Isolado no degrau mais inferior, uma rara aparição do técnico pernambucano de Igarassu, Edésio Leitão.


O potiguar abecedista na lista da seleção "Cacareco" (|)

Repórter Nivaldo de Souza, da
"Poti", entrevista Ney Andrade
no "Juvenal Lamartine" nos
anos 50/Carlos Magno Oliveira

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Três dias antes da estreia do selecionado nacional diante da seleção marroquina (sábado 13) o jornalista e escritor Kolberg Luna Freire me lança o desafio com uma sugestão de pauta sobre jogadores que passaram por ABC e América que foram a Copa do Mundo.

Entre os alvinegros ele aponta o mossoroense José Mendonça dos Santos (Dequinha), o natalense Francisco das Chagas Marinho e o pernambucano Rildo da Costa Menezes. Do alvirrubro o exemplo é a recente convocação do goleiro Weverton Pereira da Silva.

Kolberg Freire ainda salientou que se fosse estender para treinadores a pesquisa seria maior. "Lembro apenas de Danilo Alvim no ABC e uma curtíssima passagem de Tita pelo América", frisou.

Respondi que o tema já havia sido alvo de uma reportagem recentemente em um site local e que abordaria o assunto de norte-rio-grandense na Seleção caso encontrasse uma brecha para não ser repetitivo.

E encontrei. Apesar do personagem não ter entrado em campo oficialmente pela "Canarinha". E no caso mais um abecedista: o zagueiro Ney Bezerra de Andrade, residente em Salvador, capital baiana, com 90 anos.

Com passagens pelo Sport Recife, Bahia e América/PE, entre os pré-convocados da seleção pernambucana "Cacareco" que representou o Brasil no Sul-Americano extra no final do segundo semestre de 1959 no Equador.


FONTES/IMAGEM

Diário de Natal

Diário de Pernambuco

Tribuna do Norte

Bahea na História

Fernando Machado

Futebol 80

Globo Esporte

Lenivaldo Aragão

Jornal da Grande Natal

O Gol


O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XIX)

Cinco atletas do elenco campeão estadual estiveram em campo contra o selecionado caicoense

O Alecrim era o vice-campeão da "cidade", no dizer da "Tribuna do Norte", quando perde, de virada com placar de primeiro tempo (1 x 2), para a Seleção de Caicó 4 x 2 (domingo, 27/8/1961).

O jornal de Aluízio Alves acha injusto o resultado, com o favorecimento do árbitro ao selecionado, por uma penalidade máxima inexistente a oito minutos do fim da etapa complementar.

Aquela altura estava empatado o jogo (2 a 2). Na confusão o time esmeraldino decide deixar o campo, mas desiste pela intervenção enérgica do ex-zagueiro americano Maurício, irmão de outro alvirrubro: Mauro.

Somente o meia Wallace, outro antigo integrante "pele-vermelha", continua fora e o alviverde segue com dez homens. Milton (dois), Chagas, Garrido (pênalti), do selecionado, Deraldo e Galdino, os goleadores. Renda: 25 mil cruzeiros.

O vespertino "Diário de Natal" havia noticiado a partida na edição da segunda-feira e na terça é quase idêntica a nota do concorrente. Neste somente não sai o nome do soprador de apito identificado como Manoelzinho (e não é o goleiro alecrinense).

O disse me disse na região seridoense no quadro visitante rende a saída do treinador Pedro Teixeira da Silva, o "Quarenta", mas preenche o vazio o técnico José Djalma ("Tenente"), campeão do primeiro turno do campeonato de aspirantes pelo Alecrim (da série de três ou quatro títulos, a conferir, na categoria).

OS TIMES

SELEÇÃO: Quincas, Balão (Barrinha), Damião, Dinda (Norberto), Zé Ataíde, Imagem, Nilton, Chagas, Garrido, Dario e Mansinho.

Alecrim: Edilson (Manoelzinho), Ivan (Monteiro), Orlado, Petit, Maurício, Cadinha, Dedé (Dedeca), Zezé (Cláudio), Deraldo (Miltinho), Wallace e Galdino

terça-feira, 9 de junho de 2026

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XVIII)

O jogador apelidado de "Isqueiro" é um dos citados por um internauta caicoense 

Ciduca Barros em lançamento de um dos
seus livros com o amigo Lenilson Antunes

O
bancário aposentado e escritor caicoense Francisco de Assis Barros, o "Ciduca", veio a falecer na pandemia da Covid-19, em 2020, dois dias depois do vírus vitimar, fatalmente, a esposa.
Os internautas comentaram em rede social a morte do memorialista, fundamental para o resgate do astro do futebol amador local, em artigo no blog do "Ferreirinha" e republicado na página do Facebook.
Além das fontes primárias impressas, potiguares e pernambucana, o jogador Francisco Cunegundes das CHAGAS é retratado fielmente pelo comentário postado neste JORNAL DA GRANDE NATAL.
Por ocasião da republicação na rede destacamos alguns comentários daqueles que viram o personagem em campo pelo selecionado municipal ou pelo rubro-negro Caicó Esporte Clube na primeira metade dos anos 60.

JOSÉ BRILHANTE
Tive a oportunidade de jogar contra ele diversas vezes - Caicó x Corinthians e pude ver de perto toda a magia de seu futebol, mesmo já em fim de carreira. Era um jogador fantástico.

GILDO TEIXEIRA DE ARAÚJO
Chagas foi um craque inesquecível. Em 1962 assisti ele jogar pelo Sport Club do Recife em Patos-PB. Foi a partir deste jogo que tornei-me torcedor do Sport.

JANDI SOUZA
Nunca trabalhei em Caicó, mas estudei entre 53 e 59 e vi, muitas vezes, esse monstro sagrado do futebol jogar. Quando Currais Novos e Caicó jogavam era o jogador que temia. Gênio.

PAULO RICARDO OLIVEIRA
Eu era pequeno e meu pai, Inácio Gomes de Oliveira, me levava a todos os jogos no velho campo do Colégio Diocesano Seridoense.
E aprendi a apreciar o vistoso futebol de Chagas, diferente naquela época de muitos outros.
O Alecrim tinha sido campeão em Natal e foi a Caicó fazer um jogo das faixas.
Chagas bateu uma falta da intermediária e a bola foi no ângulo - o goleiro está procurando até hoje. O Caicó venceu de 4 a 1.
Chagas era muito simples mesmo, tanto que não quis ficar no Sport (jogou 15 minutos nesse jogo em Patos e foi um dos melhores). Na madrugada fugiu de volta para Caicó.

FRANKS PANDA COSTA
Nasci e me criei na vizinhança do craque Chagas, Veinho, Inaldo (Isqueiro), Arlindo, Antonio Silva, por isso não poderia ser diferente, aprendi a torcer e a amar o Caicó Esporte Clube.

TEMILSON COSTA
Lembro de Chagas desde a minha infância, pois, além de ter sido "mascote" do Caicó Esporte Clube, meu pai, o "Gago Tercino" - Diretor de Esporte do Caicó na década de 60, sempre foi um grande amigo do "Nego Chagas" e sua sapataria era ponto de encontro quando vínhamos em Caicó depois da primeira transferência do meu pai junto com o BEC...
Depois de tempos, idas e vindas, em 1977 vim estudar em Caicó e painho ficou em Picos e quem frequentava a sapataria era eu levando para Chagas notícias do meu pai...
Tenho excelentes lembranças desse grande amigo do meu pai... 



O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XVII)

Francisco de Assis Barros, o "Ciduca"

O artigo "Negro Chagas, um craque", publicado em 2016 no Blog do "Ferreirinha" (veja no blog), é republicado pelo autor em rede social, o bancário aposentado e escritor Francisco de Assis Barros, o "Ciduca", pelo desaparecimento do personagem, com a seguinte nota de abertura.

- Faleceu hoje (18/11/2017) um dos melhores jogadores de futebol que eu vi jogar.

Carinhosamente conhecido como "Nego Chagas", morreu simples e humilde como sempre foi.

Ele nos proporcionou várias alegrias, responsável que foi pelas inúmeras vitórias do Caicó Esporte Clube da minha juventude.

Transcrevo abaixo um texto de minha lavra, publicado o ano passado no Blog do Bar de Ferreirinha, sobre a genialidade de Chagas.

Obrigado, "Nego Chagas", pelas belas jogadas e gols que você marcou e pelas vitórias monumentais do Caicó E. C. do nosso tempo. 

Que Deus o receba! - Ciduca Barros


segunda-feira, 8 de junho de 2026

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XVI)

Escudo anos 40/Arte: Sérgio Mello/Blog
História do Futebol

O Diário de Natal (terça-feira, 28/8/1962) noticia o interesse do alvirrubro Globo Esporte Clube em reforçar o elenco com o caicoense Francisco Cunegundes das CHAGAS.

A terceira participação do "time fabril" no campeonato potiguar já estava em andamento com o primeiro turno.

E o jornal Associado informava o teste do jogador amador no interior paraibano pelo rubro-negro pernambucano.

Primeiro com a chamada no alto da página em seis colunas com dez palavras: - Chagas (Caicó) resolveu realizar testes no Sport Clube do Recife.

E na segunda metade da página a reportagem com o título do extinto impresso: "CHAGAS RESOLVEU PRIMEIRO ATENDER CONVITE DO SPORT, DEPOIS O GLOBO".

No primeiro dos cinco curtos parágrafos diz que o assunto já havia sido alvo de notícia do DN. No segundo informa o interesse do treinador Eugênio Vieira Barros (Globo) no atleta interiorano.

Segundo o jornal, eram boas as informações sobre o Chagas, e este, como se antecipasse o sumiço logo após o jogo em Patos (domingo, 9 de setembro), havia dito que faria somente um teste. (JVJ)




O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XV)

Uma formação do Caicó (2011). Vamos identificar os campeões internautas?

JOSE VANILSON JULIÃO

O jogador do futebol amador caicoense Francisco Cunegundes das CHAGAS, desde que se retirou dos campos seridoense no final dos anos 60, passou a está sempre presente no imaginário popular da cidade.
Uma prova disso acontece durante a conquista do campeonato potiguar da segunda divisão pelo Caicó Esporte Clube, que,  assim, retorna a divisão principal após sete anos.
No segundo semestre de 2011 (sábado, 8/10) o rubro-negro caicoense vence o Potyguar (Currais Novos), no Estádio Coronel Bezerra.
Gol isolado do ídolo Didi Potiguar, aos três minutos do segundo tempo, dá o título antecipado e consequente acesso ao campeonato potiguar da Série A (2012).
No mesmo dia Centenário/Parelhas (Região do Seridó) havia empatado sem abertura de contagem diante do ABC/B (convidado) e não poderia alcançar o Caicó.
O time vermelho e preto podia até perder os últimos dois jogos e o Centenário igualar o número de pontos (nove).
Mas a Raposa tinha a vantagem no primeiro critério de desempate (número de vitórias.
Com os resultados o rubro-negro confirma dois caicoenses na então competição vencida pelo América de Natal: ao lado do alvinegro Corintians, o "Galo".
E um internauta, identificado como "Devoto de Santana", comemora em um dos blogs noticiosos da cidade:
- ... Parabéns a torcida, em especial ao Rei Chagas, o maior que vi jogar ao vivo... E olhem que vi Rivelino, Paulo César Caju, Dinamite, Alberi… Mas o Rei Chagas com a bola nos pés era demais… E olhem que era em campo de barro…

FONTES
Chico Gregório
Escrete de Ouro
Futebol sem Fronteiras
História do Futebol
Niltinho Ferreira
Robson Pires
Tatutom Sports
Terra da Xelita

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XIV)

A rainha da
Boêmia

A
o ler a reportagem sobre o perfil do jogador amador caicoense Francisco Cunegundes das Chagas, aquele que participou de um único amistoso no interior paraibano nos anos 60, pelo Sport Recife, um detalhe chamou de pronto a atenção do repórter.
Apesar da remota memória resgatar a raridade a curiosidade fica aguçada com o estranho sobrenome "Cunegundes", visto alguma vez desde a alfabetização. E o desejo de conhecer a origem é posta na pauta para a reta final da sequência.
O personagem, de profissão sapateiro, ficou na memória afetiva dos torcedores como CHAGAS de "Biinha" (apelido doméstico da mamãe), mas ninguém relata nada a cerca do tal "Cunegundes" familiar.
Para adiantar o serviço da pesquisa a pergunta é destinada a IA (inteligência artificial): - Qual a origem do nome Cunegundes?
Resposta: - Cunegundes é um nome próprio feminino de origem germânica. Ele deriva da união dos elementos kunni (que significa "família", "estirpe" ou "clã") e gund (que significa "combate" ou "guerra"). Portanto, seu significado literal é "guerreira da família" ou "combatente do clã".
E acrescenta: "Origem Religiosa: O nome tornou-se muito conhecido devido a Santa Cunegundes (nascida por volta do ano 978), que foi esposa do Imperador Henrique II e mais tarde se tornou uma religiosa beneditina."
Está explicado em resumo (bem curto) o sobrenome de origem alemã, do primeiro milênio depois de Cristo, para um negro brasileiro nascido no século XX. (José Vanilson Julião)

domingo, 7 de junho de 2026

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XIII)

O artigo é uma definição singular do atleta amador "fugitivo"

Do blog do "Bar de Ferreirinha" (Caicó / 2016)

O NEGRO CHAGAS, UM CRAQUE

FRANCISCO DE ASSIS BARROS (CIDUCA)

Atualmente o futebol brasileiro vem atravessando uma longa entressafra de bons jogadores, consequentemente, amargando um grande jejum de títulos internacionais e nos causando muita vergonha (vide o vexame do famoso 7 x 1 na decisão com a Alemanha).

Assistir na tevê a uma partida de futebol do maior campeonato do país – Campeonato Brasileiro –, mesmo sendo da primeira divisão, é, para nós que já vimos grandes clássicos no passado, um doloroso exercício de paciência.

Recentemente, assistindo ao jogo Flamengo x Vasco da Gama, tive o desprazer de ver um atleta envergando o uniforme que grandes craques já vestiram (Ademir Menezes foi um deles), bater um lateral para fora.

Quando eu escrevo “para fora” não significa dizer que a bola saiu lá do outro lado do campo, não; a bola “pererecou”, pegou um efeito esquisito e saiu na mesma linha que o batedor estava. 

Sintetizando: o futebol brasileiro está cheio de pernas de pau. E esta carência de craques vai demorar a passar. Quais são as promessas que atualmente vemos no futebol do Brasil?

À vista da péssima qualidade do futebol brasileiro, venho me lembrando de um dos maiores jogadores de futebol que eu vi jogar: o Negro Chagas, do Caicó Esporte Clube, nas décadas de 1950/1960.

Desculpem os censores de plantão, sei que é politicamente incorreto, mas não posso dissociar o adjetivo “negro” do nome daquele craque, pois era assim mesmo que, carinhosamente, ele era chamado por seus inúmeros fãs: Negro Chagas.

Chagas, um moreno baixo, com longos braços e com um andar balançante, parecia ter molas nos membros inferiores.

Ele jogava de meia-esquerda, driblava como ninguém, habilidoso, versátil, chutava forte e fintava magistralmente, por isso era muito difícil de ser marcado.

Era excelente batedor de faltas, fez muitos gols de fora da área e quando o grande Didi, também meia-esquerda, criou a imbatível folha-seca, possivelmente teve nele o seu mais aplicado seguidor. Ou será que ele começou a folha-seca antes de Didi?

Era de baixa estatura, mas, com muita impulsão, eu o vi marcar gols de cabeça.

Eu e todos os jovens daquela época, amantes do futebol praticado em Caicó, tínhamos no Negro Chagas o nosso ídolo maior.

Lembro-me bem de que colecionávamos as revistas de futebol daquele tempo “Esporte Ilustrado” e “Revista do Esporte”, ansiosamente esperadas, pois vinham semanalmente de Natal, nos ônibus de Artur Dias, trazendo as reportagens dos grandes jogos realizados no Rio de Janeiro e São Paulo, bem como as fotos dos bons jogadores daquela época.

Tínhamos certeza de que as jogadas do Negro Chagas e seus inúmeros gols apenas não eram registrados naquelas revistas porque ele jogava na distante Caicó, lá no nosso Seridó.

Particularmente eu sempre achei que aquele moreno humilde, sapateiro de profissão, com um molejo no andar, exímio com uma bola nos pés, seria capaz de jogar em qualquer time do Brasil. E, posteriormente, eu comprovei isto.

Em 1964, eu chegava em São Paulo, pela primeira vez. Fui diversas vezes ao Morumbi e assisti ali a vários jogos com a participação de atletas daquela época. Eu vi o Palmeiras de Ademir da Guia. Eu vi o Santos de Pelé.

Nas frias noites paulistanas, assistindo aos jogos naquele estádio com um gramado impecável e um público que não parava de gritar o nome dos seus ídolos, vinha sempre à minha memória a lembrança do Negro Chagas.

Ele tinha futebol de sobra para jogar ali. E naquele momento, eu dizia para mim mesmo: “Chagas jogaria, sem favor nenhum, em qualquer desses grandes times aqui de São Paulo! ”.

Em 1971, fui para o Rio de Janeiro. O país vivia a euforia de ter sido, merecidamente, Tricampeão Mundial de Futebol, no México. Eu ia ao velho Maracanã, semanalmente. Vi grandes clássicos e grandes jogadas realizadas por jogadores de renome.

Eu vi o Vasco de Brito. Eu vi o Flamengo de Zico. Eu vi o Botafogo de Jairzinho. Mas, infelizmente, também vi muitos jogadores de grandes times bater na bola com a canela.

E sempre falava com meus botões: “O Negro Chagas seria tranquilamente titular absoluto em qualquer desses times cariocas”.

Ultimamente tenho me lembrado daquele craque caicoense do passado, quando vejo, na tevê, as entrevistas de alguns jogadores de futebol de hoje ou de seus treinadores (hoje chamados de professores. Professores de quê?) tentando justificar as “merdas” que fizeram em campo:  

 – Nosso desempenho não foi o esperado porque a grama estava muito alta! – disse um.

E eu comigo: “conheci um cara que no velho e desconfortável campo de futebol do Ginásio Diocesano Seridoense, onde havia mais pedra e areia do que gramado, botava a bola onde ele queria. O que ele não faria numa grama alta?’ 

 – Tivemos problemas porque o clima não nos ajudou! – falou um certo técnico (professor?).

E eu pensei: “vi um craque que fazia jogadas monumentais no sol escaldante do Seridó! ”

Certa feita, um atleta, “perna de pau” milionário, desculpando-se de suas “cagadas”:

 – Eu estava com as chuteiras erradas. Deveria ter posto chuteiras de travas altas”.

Estarrecido, voltei a minha memória, mais uma vez, para Caicó do passado: “calçando um desconfortável e duro par de chuteiras, feito lá mesmo em Caicó, conheci determinado jogador de futebol que fazia jogadas incríveis”.

Para mim esta é a maior de todas as aberrações:

 – Não estávamos acostumados com aquela bola. Ela é mais leve do que...

Esta frase não é uma verdadeira “diarreia mental”? O peso da bola influenciando nas jogadas? E o peso dos dólares no bolso?

Não pude deixar de pensar: “com uma bola (capotão?), que nunca ninguém sabia o peso, que ainda tinha um pito que, muitas vezes, lhe dava um efeito traiçoeiro, eu conheci um craque que ‘comia aquela bola’ sem se importar quanto pesava”.

Recentemente, assisti a uma entrevista inteligente do magistral Rivelino. A certa altura o entrevistador lhe perguntou qual, na opinião dele, seria o diferencial de um craque de futebol para um jogador comum.

Brilhante como ele sempre foi, sintetizou dizendo: “o jogador comum, quando recebe a bola, todo mundo já sabe a jogada que ele irá fazer. O craque, não. Este é imprevisível. Toda vez que ele está com a bola, faz uma jogada diferente”. Seria necessária uma maior explicação? 

Chagas chegou a ir para o Sport Club do Recife e dizem que, com saudade da terrinha, ele voltou para o aconchego de Caicó. Se verdade, eu não o condeno por isto, pois eu também pensei, em várias ocasiões, fazer também meu regresso ao lar.

Para você, eu declaro sem medo de errar, Negro Chagas: daquela geração de jogadores de futebol do seu tempo, seja nos tórridos campos do Seridó ou em outras partes do Brasil, eu vi poucos melhores do que você! 

E lhe digo mais, Chagas: atualmente, desses milionários pernas de pau que acumulam milhões em suas contas bancárias e posam de craques, ninguém joga mais do que você jogou, negro velho!


O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XII)

DANÚBIO (1951): Ferrari, Ernesto Lazzatti (argentino), Alejandro Morales, Julio Maceiras, Segundo González, Urbano Rivera, Domingo Sagastume, Hugo Bagnulo (treinador), Carlos Romero, Juan Burgueño, Raúl Bentancor (com o mascote), Armando Olivera e Spósito

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Na diagramação meio confusa daquele tempo a reportagem principal do jogo interestadual no interior paraibano vem abaixo da metade da página e um pouco acima e de lado a matéria secundária.
- NO AMISTOSO EM PATOS O ESPORTE NÃO FOI ALÉM DE UM EMPATE: 1 x 1. Está feita a confusão com o nome do time de Patos, alvirrubro, que leva o mesmo nome do rubro-negro do Recife.
Acima, a direita, na quina do título acima, a "retranca", complemento também assinado pelo enviado especial do Diário de Pernambuco: "CHAGAS FEZ TESTE E DESAPARECEU".
Jogo dominical (2/9/1962) e telegrama do dia seguinte para a edição da terça-feira com o relato da curta participação do jogador amador caicoense Francisco Cunegundes das CHAGAS, que entra no segundo tempo a pedido do vice-presidente do Sport Recife, o patoense Antonio Alexandrino Palmeira.
- A nota curiosa do jogo foi a solicitação para observação pelo técnico Palmeira do atleta Chagas do Esporte Clube de Caicó, no Rio Grande do Norte. O player demonstrou, apesar do curto tempo, bastante agilidade, predicado que poderia ser confirmado.
E segue: - Mas, para surpresa do técnico, o atleta não mais compareceu para os entendimentos para com a chefia da delegação rubro-negra...
Para confirmar: o repórter Viriato Rodrigues escreve que o gol do Sport, de empate aos 14 do segundo, foi do uruguaio Bentancour, com um forte chute, e não de Elcy, com passe do potiguar.
O jornalista ainda destaca a recepção na casa dos genitores do dirigente rubro-negro, irmão do jogador Zéu Palmeira, do clube local.

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (XI)

RAUL HIGINO BENTANCOUR COM O FAMOSO "BIGODE QUE JOGA" NO DANÚBIO DE MONTEVIDEU, A CAPITAL URUGUAIA, EM 1956, ANTES DE CHEGAR NO SPORT 

Lenivaldo Aragão e R. H. B. Ferraro no Recife

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O uruguaio Raúl Higino Bentancour Ferraro (Montevidéu 11/1/1930 - 3/5/2012) é o autor do gol do empate do Sport Recife diante do Esporte de Patos, no interior paraibano (domingo, 2//9/1962).

O astro da República Oriental chegou na capital pernambucana após 10 temporadas (1947/57) no Danúbio de Montevidéu, o clube da faixa diagonal preta da capital do vizinho país.

Ao retornar a cidade natal foi treinador do antigo clube: 1971/72, 1975/76, 1979 e 1985. Depois de treinar o Conquista do interior baiano e o Vitória da capital Salvador.

Para diferenciar as várias fontes secundárias que contam a mesma história da passagem dele pelo Recife o blog publica duas imagens raras dele no Danúbio entre 1954/55.

Pelo Danúbio de Montevideu Bentancour, o penúltimo, fez 280 partidas em 10 anos


FONTES/IMAGENS

Diário de Pernambuco

Futebol 80

Histórias Coperas

Danúbio Histórico (Facebook)


O caicoense que fugiu do Sport Clube Recife (X)

Gildo, Servilio, Vavá, Tupazinho e Elcy no ataque da Sociedade Esportiva Palmeiras

Cronista Arthur Carvalho morou em
Natal (1948/53) e jogou pelada
no "Juvenal Lamartine". É amigo do
colunista Woden Coutinho Madruga

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A entrevista concedida a Revista do Esporte pelo meia ou ponta-esquerda Elcy Goulart de Freitas (Rio de Janeiro, 1938 - Araruama, 2010) resulta em catatau de pouco mais de 15 parágrafos com o desabafo da questão do namoro com a jovem estudante de 18 anos e a desistência do estudo no terceiro ano ginasial com a problemática da aprendizagem com a matemática.
Também deu para retirar o começo da carreira descoberto pelo desportista Arlindo Bezerra de Assis, o "Capuano", que o levou para o infantil do Sport Clube Recife, sendo campeão estadual juvenil invicto (1953/54), em seguida a categoria de aspirante e a subida para o time titular com o retorno ao Rio do jogador carioca "Soca" (Wilson Rodrigues Casquilho), egresso do Bonsucesso do bairro homônimo do Rio de Janeiro.
A permanência do Elcy no rubro-negro da Ilha do Retiro é presença constante na imprensa nos artigos saudosistas do advogado, jornalista e membro da Academia Pernambucana de Letras, o baiano radicado no Recife, Arthur Carvalho, que também foi da base do 'Leão".
Depois de vencer três campeonatos pernambucanos pelo Sport Elcy foi contratado pela Sociedade Esportiva Palmeiras e do alviverde regressa para o rival Clube Náutico Capibaribe (1964/68). Há notícia de uma rápida passagem pelo Bahia de Salvador.
Currículo: Sport: 33 gols (um na Taça Brasil, 12 pelo Pernambucano e 20 em amistosos); dois jogos pelo selecionado pernambucano (um gol); um jogo pelo selecionado brasileiro contra o Uruguai (3 x 0 no campeonato sul-americano extra em 1959); Palmeiras: 10 jogos (três pelo campeonato paulista, dois no Torneio Rio-São Paulo e amistosos, todos em 1963).
Em resumo possível é esta a história do Elcy, apontado como suposto autor do gol de empate do Sport contra o Esporte de Patos, com passe não comprovado do caicoense Francisco Cunigundes das CHAGAS.

FONTES/IMAGENS
Diário de Pernambuco
Jornal do Commércio
Revista do Esporte
Tribuna do Norte
Anotando Futebol
Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol
Futuro Sport
Futebol 80
História do Futebol
Museu do Esporte de Campina Grande
National Football Team
Súmulas Tchê
Verdazzo
Wikipedia

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (IX)

A segunda imagem com Elcyr, Elcy ou Elci, o leitor escolhe, encontrada na rede

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O leitor fiel que acompanha a série sabe e o casual agora fica ciente que, na reportagem de um jornal potiguar não identificado, com o perfil do jogador amador caicoense Francisco Cunegundes das CHAGAS, o ponta-esquerda carioca Elcy Goulart de Freitas (Rio de Janeiro, 5/12/1938 - Araruama/RJ, 15/12/2010) é apontado como suposto autor do gol do Sport Recife no empate (1 x 1) com o Esporte de Patos (domingo, 2/9/1962).

Somente este detalhe já era o bastante para o repórter procurar detalhes sobre a carreira deste atleta atualmente pouco conhecido do rubro-negro. Além disso apareceu a curiosidade de identificar como começou a carreira, pois na rede não há indício de que tenha surgido no futebol carioca.

O mistério foi elucidado pela extinta Revista do Esporte. A primeira pista da "Candinha no Esporte", edição 43 (2/1/1960): - O jogador mais assanhadinho da seleção brasileira que foi ao Equador: Elci. Entretanto, quando o avião levantou voo do Rio e um defeito foi notado, Elci (itálico nosso) precisou logo ser socorrido pelo médico da seleção. O que tem de miudinho, tem de mandão e medroso...

O selecionado nacional havia sido representado no segundo semestre de 1959, no Campeonato Sul-Americano Extra, pela Seleção pernambucana, apelidada de "Cacareco", alusão a um elefante de zoológico que havia recebido os votos dos eleitores numa eleição da época. E Elcy Goulart, claro, estava entre os convocados.

O esclarecimento mesmo na entrevista da publicação semanal do Rio de Janeiro para a edição 47 (30 de janeiro). Para a reportagem de duas páginas com o título "Querem impedi-lo de casar por ser jogador de futebol". Seguido do complemento: - Elci, meia-esquerda da Seleção Cacareco, queixa-se dos pais de sua namorada e revela porque trocou os estudos pela bola.

A reportagem revela que ele era filho de um sargento da Aeronáutica transferido do Rio de Janeiro para a Base Aérea do Recife. E o nome da jovem, Maria Borges Dias, possível acadêmica de Medicina, filha de um jornalista torcedor do rival Santa Cruz.

O curioso é que o repórter, que não assina o texto, coloca o sobrenome dele "Duarte". O personagem é tão interessante e existem mais dados sobre ele que o redator divide a abordagem em duas.

sábado, 6 de junho de 2026

O caicoense que "fugiu" do Sport Clube Recife (VIII)

Olavo Flores, o "Sarará", na primeira temporada paulistana no Tricolor bandeirante

O médio-volante gaúcho Olavo de Souza Flores (Porto Alegre, 4/8/1931 - 6/8/2013), 82, foi quem deu lugar, no segundo tempo do amistoso interestadual Esporte de Patos/PB 1 x 1 Sport Recife/PE (domingo, 2/9/1962), ao caicoense Francisco Cunigundes das CHAGAS.

Apelidado de "Sarará" começou no Grêmio (1948 - 1955) e passou ao São Paulo. Ao pendurar as chuteiras inicia na profissão de corretor de imóveis na capital paulista ou contador (fontes diversas).

Foi casado com dona Maria de Lourdes Flores, pai as filhas (Sandra Regina e Vera Cristina) e tem duas netas (Renata e Fernanda de Lutiis).

No Rio Grande do Sul conquistou pelo Tricolor (206 jogos e 24 gols) gremista um campeonato estadual. Pelo tricolor bandeirante (1956/58) atuou em 71 partidas (38 vitórias, 19 empates, 14 derrotas e cinco gols).

Foi Campeão Paulista (1957) com a final São Paulo 3 x 1 Corinthians. Na decisão substitui Dino Sani contundido.

Currículo

Força e Luz/Porto Alegre, Cruzeiro/Porto Alegre (1946), Grêmio, Vasco da Gama (emprestado em 1951), São Paulo, Botafogo/Ribeirão Preto (empréstimo em 1957), Prudentina/Presidente Prudente, América/MG, Sport Recife (1961/63), Bandeirante (campeão paulista da Série A4), Associação Botucatuense e Monte Alto.

Também esteve na Argentina. E foi do selecionado brasileiro na conquista do Campeonato Pan-Americano (1956), com a Seleção Gaúcha representando o time Canarinho.

"Sarará" é escalado no lugar de Dino Santi pelo treinador húngaro Béla Guttman contra o Corinthians


FONTES

Gremiopedia

O Gol

SPFCpedia

Terceiro Tempo


Imagem rara do Riachuelo Atlético Clube em 1971

O saudoso tenente Castro com o elenco do clube naval e a camisa estilosa

RAC
: Antonio Pereira de 
Castro (dirigente), JACIO Salomão da Silva (quarto), Valdemir GASPAR (último em pé); Polidório, Elmer (terceiro), Estevão (quinto)...

São os jogadores do clube "naval" identificados pelo filho (Willams) do presidente/treinador Castro (tenente da Marinha).

A fotografia do alvo e azul da Base é mais uma imagem sacada do baú do memorialista José Ribamar Cavalcante.

O redator aponta o ano da temporada simplesmente por um detalhe: em dezembro de 1971 o ponta-direita Elmer Meira Cruz (Porto Velho/RO, 9/9/1951), destaque do RAC no campeonato estadual, é anunciado pelo América/RN como reforço para o ano seguinte.

O arisco e individualista Elmer, na opinião do editor de esportes da Tribuna do Norte, Abimael Moraes, permanece para a campanha americana no segundo semestre:

o campeonato brasileiro ou nacional da Divisão Especial, hoje equivalente a Série B (segunda divisão), quando o alvirrubro terminou em quarto lugar na colocação geral. (JVJ)