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domingo, 17 de maio de 2026

Veterano jornalista lembra aniversário do jogador potiguar

Ney Bezerra de Andrade, no Sport Recife nos anos 50, é o "galego", último em pé 

PARA SEMPRE NO CORAÇÃO

Ney Andrade espera camisas do América e Sport na festa dos 90 anos

LENIVALDO ARAGÃO

Na foto que ilustra este texto temos uma formação do Sport no Campeonato Pernambucano de 1958: Bria, Manga (o pernambucano), Osmar, Nicolau, Zé Maria, Ney Andrade; Traçaia, Pacoti, Walter (pernambucano, apelidado de Barrão), Soca e Elcy.

O Leão tinha sido campeão (1955) no cinquentenário e bi, comandado, respectivamente, por Gentil Cardoso, pernambucano de vivência carioca, e pelo argentino Dante Bianchi. O esperado tri não veio e o Santa Cruz fez a festa ao levantar o primeiro supercampeonato (1957). 

Em 1958, porém, o Rubro-Negro voltou a levantar a taça, ainda dirigido por Dante Bianchi, depois de uma campanha constante de 26 jogos.

Do grupo que aparece na foto Manga e Elcy foram revelados pelo Leão. Manga era figura carimbada nas peladas do bairro dos Coelhos, e Elcy, carioca, se transferiu com a família para cá, pois o pai pertencia à Aeronáutica.

Bria, baiano de Santo Amaro de Purificação, terra de Caetano Veloso e Maria Betânia – “Conheci os dois quando ainda eram crianças”, dizia, com orgulho – foi descoberto pelo Sport quando estudava, para ser técnico em agricultura, na antiga Escola Agrícola de Areia-PB. Em 1948 deixava o curso para vestir a camisa leonina, o que fez até 1963. Lateral direito e às vezes zagueiro central, destacava-se pelo vigor. Faz parte da história do clube da Ilha do Retiro, como o que jogou mais vezes: 556 atuações.

A sensação do time era o cearense Pacoti, vindo do Ferroviário-CE, e que se tornou o artilheiro recordista do certame estadual, na época, com 36 gols. Logo era contratado pelo Vasco da Gama, de onde saiu para jogar pelo Sporting de Portugal.

O capitão do time era o paraense Zé Maria, volante, muito querido pelos companheiros e pelos adversários. Em 1952, depois de transformar o campo dos Aflitos, num estádio de verdade, o Náutico organizou o Torneio dos Campeões do Norte-Nordeste, para solenizar a inauguração, com a participação dos campeões estaduais Tuna Luso (PA), Ceará (CE), América (RN), CRB (AL), Confiança (SE) e Ypiranga (BA). A Tuna foi vice-campeã, tendo perdido a final para o Náutico. Zé Maria, volante do clube paraense, foi considerado por unanimidade o destaque do torneio e pouco depois deixava sua terra para vir defender o Sport, ao qual esteve vinculado até 1960. Defendeu também o Náutico e o América. Foi da Seleção Pernambucana, a popular Cacareco, que representou o Brasil num Campeonato Sul-Americano (hoje Copa América) em 1959, no Equador.

Outro que marcou indelevelmente a passagem pelo rubro-negro pernambucano foi o mato-grossense Traçaia. Defendeu o Sport de 1955 a 1962 e é o maior goleador da saga leonina, com 202 gols assinalados em 240 partidas. Como Zé Maria, foi da Seleção Cacareco.

Oscar, Nicolau e Soca vieram do Sudeste, enquanto Ney Andrade procedeu do Rio Grande do Norte, onde defendia o ABC. Em Pernambuco defendeu também o América. Virou ídolo do Bahia. Mesmo após descalçar as chuteiras, morou no Recife, trabalhando em banco. Fixou-se definitivamente na Boa Terra, onde ainda é muito festejado. Vinha periodicamente à Terra dos Altos Coqueiros, do Frevo e do Maracatu, a serviço de uma rede bancária à qual era vinculado. Nessas viagens, a resenha com Laxixa, ex-companheiro no Sport e gerente de banco era indispensável. Claro que a situação, boa ou má, do time leonino fazia parte da conversa.

Pelo que sei, desses da foto, o potiguar Ney Andrade é o único que ainda está vivo.

Quanto ao América, aqui está uma escalação do Alvoverde, com Ney Andrade, no Campeonato Pernambucano de 1964, empate com o Náutico por 2 x 2: Lula Vaquez; Cícero, Bria, Gilson Saraiva, Ney Andrade; Zé Maria e Eric; Babá, Ailton, Luiz Carlos e Fernando.

Dentro de alguns dias vai completar 90 anos e na comemoração não faltará um painel com as camisas dos clubes que o ex-lateral esquerdo defendeu, incluindo os pernambucanos Sport e América.


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