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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Jogadores do Botafogo defenderam clubes natalenses


José Vanilson Julião

"Dengoso" no Sport Clube Recife nos anos 50

Na mina a céu aberto (internet), para quem entende do riscado, é fácil detectar alguma preciosidade quando se depara com alguma informação interessante ou diferente.

Pode ser um nome, uma data ou um acontecimento qualquer. Até mesmo uma fotografia pode esconder um tema que possa render uma pauta seguida de reportagem.

Caso de uma fotografia do Botafogo de João Pessoa. Na qual estão dois jogadores que vestiram camisas natalenses: uma verde e outra vermelha.

A imagem (1960) do alvinegro da capital paraibana elenca um zagueiro e um atacante, que, respectivamente, jogaram pelo América de Natal e Alecrim em décadas distintas.

O zagueiro alagoano Itamar Lourenço do Nascimento (União dos Palmares, 22/4/1934 - Maceió, 22/11/2018), o “Dengoso”, defende o time americano (1958/59).

Quando sai para o Ferroviário de Fortaleza ainda em 1959, e enfrenta o selecionado potiguar pelo cearense no Brasileiro que termina no ano seguinte.

Passagens: CRB, CSA, América/PE, Atlético/Recife e Sport (de onde veio para o América natalense). O filho, com o mesmo nome, jogou no Regatas nos anos 70.

O atacante paraibano Icário Dantas dos Santos é alecrinense (1968). Inclusive, foi artilheiro no título invicto de 1968.

E quando encerrou a carreira chegou a treinador do Campinense, o rubro-negro de Campina Grande.

Consta no currículo do centroavante cearense (ou paraibano?) passagens pelo Capelense (1960), Treze (1961), Ferroviário/CE (1963) e até o Riachuelo (1970/71).



FONTES/IMAGENS

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Gazeta de Alagoas

Almanaque do Ferroviário

Luiz Sávio de Almeida

Memória do Futebol Alagoano

Museu dos Esportes

Retalhos Históricos de Campina Grande

Súmulas Tchê

domingo, 26 de novembro de 2023

Mistérios das fotografias do América/RN

América e amigos em Jardim

José Vanilson Julião

Duas raras fotos – uma do segundo quinquênio anos 30 e outra do começo da década de 40 – são carentes de informações mais precisas.

A primeira refere-se a um amistoso do elenco americano na cidade de São José do Seridó (1937). Os jogadores alvirrubros posam com os atletas do time local (alvinegro).

Da excursão (21 de abril), de cujo jogo amistoso não conseguimos o resultado, participam:

Rossini (goleiro), Pedrinho, Chorão, Neném, Piancó, Curimã, Sinval, Demóstenes, Stephenson e Barroca, Chico Lamas (goleiro), Floriano, Álvaro e Mulatinho (quatro últimos reservas).

Este jogo no interior é mencionado como legenda da imagem na revista comemorativa ao cinquentenário do clube.

A cópia me foi enviada pelo pesquisador, radialista e blogueiro Marcos Avelino Trindade (“Datatrindade”).

Recentemente aviste em rede social pela segunda vez a foto, bem mais nítida, em rede social, recentemente postada por um dos filhos (George) de um dos “players” americano.

O atacante Stephenson Josué Batista (Caicó, 5/7/1920 – Natal, 2002), que passou um período em Manaus como militar do Exército durante a II Guerra.

A segunda imagem, sem qualquer identificação dos jogadores, foi publicada na revista carioca “Sport Ilustrado”.

O elenco americano no Estádio Juvenal Lamartine em jogo do campeonato estadual (1939/40)


 

"Esquerdinha" defende o América após sair do Rival

O paulistano Sérgio Depercia, o "Esquerdinha", ao lado do ponta-esquerda Burunga

José Vanilson Julião

Atualmente nem o mais fanático, fiel, curioso e atento torcedor, das antigas e novas gerações, talvez não saiba que o atacante paulistano Sérgio Depercia (15/9/1943), o "Esquerdinha", defendeu outro clube natalense.

Encerrada a temporada de 1969 e com ele dispensado do ABC no começo do ano seguinte aparece um "Esquerdinha" treinando no Alecrim, apesar de provável que seja o mesmo que perdeu o gol "feito" nas finais do Estadual.

O certo é que em abril o presidente Dilermando Machado americano nega o interesse na contratação do mesmo "Esquerdinha" do ano anterior ao "Diário de Natal". Deixando a especulação da imprensa em banho maria.

Entretanto na primeira semana de junho o atleta aparece treinando um tempo no América na cidade de Macaíba e já sendo projetada a escalação em um clássico contra o alvinegro pela competição regional (sábado, 20).

Fora esta partida ele estaria escalado, também para a atuação de meio tempo, segundo o jornal, para um jogo contra o extinto tricolor Ferroviário (quarta-feira, 24). Mas a permanência dele na agremiação da Rua Rodrigues Alves não dura 30 dias.

É dispensado um dia após o 1 a 1 contra o Alecrim (domingo, 5/7), pois não teria se adaptado aos métodos de trabalho do falecido preparador físico José Maria Pinto (da Escola Técnica Federal), e que, por curto período, chegou a treinar o elenco principal.

Portanto, de concreto, apenas a participação em único jogo. Os demais carecem de informações e dados precisos: os jornais estavam mais preocupados em fazer a cobertura da primeira Copa do Mundo no México. Principalmente pela campanha brasileira.

No currículo, além do Central, Santa Cruz, ABC e América de Natal, constam passagens pela Portuguesa de Santos (1965), Tuna Luso Brasileiro de Belém (1966/68), América (1968) recifense e Clube de Regatas Brasil (1968/69). Um autêntico andarilho.

ABC: Gaspar, Erandir, Piaba, Cidão, Ivan Matos, Floro, Izulamar, Alberi, João “Galego” Almeida, Esquerdinha e Burunga.

"Esquerdinha" é o segundo agachado no Tricolor do Arruda depois de sair do Central de Caruaru


FONTES/IMAGENS

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Diário de Pernambuco

Cacá Medeiros Filho

Gol de Placa

No Ataque

Súmulas Tchê

sábado, 25 de novembro de 2023

"Esquerdinha", personagem do grande furo de reportagem


Atacante paulista do ABC ficou marcado por perder gol numa final contra o América

José Vanilson Julião

Em 40 anos de jornalismo vi vários furos de reportagem em várias áreas de cobertura (polícia, geral, política e esporte), mas assim, de cabeça, me lembro do maior: a localização do atacante paulista "Esquerdinha".

Aquele que ficou estigmatizado por perder um gol "feito" na terceira das quatro partidas da série final do Estadual vencido pelo América (1969), o segundo após retorno do licenciamento.

O ineditismo da façanha coube ao jornalista Rubens Manoel Lemos Filho e dia desses falei sobre o caso para ele, inclusive que tinha arrecadado na rede umas fotografias do antigo jogador no Central de Caruaru (1964) e Santa Cruz do Recife (1965), antes de vestir a camisa do ABC.

O furo de Rubinho foi tão grande que ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte e repercutiu, com transcrição do texto completo, no blog do jornalista e escritor Lula Falcão (sexta-feira, 12/3/2010), com passagens pelo "O Globo", "Veja" e "O Estado de São Paulo" e também coautor do livro "Frevo - 100 Anos de Folia".

Sérgio Depercia, o nome de batismo do atleta, até se surpreendeu com a perspicácia de Rubens Lemos Filho em localizá-lo, ao ponto de chegar a perguntar, por telefone, como o repórter e hoje colunista do matutino "Tribuna do Norte", conseguiu a extraordinária façanha jornalística.

Desde que saiu de Natal "Esquerdinha" era praticamente uma página virada, mas não para os torcedores saudosistas dos dois clubes potiguares, principalmente os alvirrubros daquela geração, que sempre lembram dos lenços brancos esvoaçantes sendo recolhidos pelos simpatizantes alvinegros no final da partida.

Entretanto a primazia de publicar primeiro a reportagem foi da revista potiguar "Palumbo", lançada em novembro de 2009 e que, na ocasião, até ganha um artigo do falecido jornalista cultural Nelson Patriota, sendo comparada a revista "Piauí" pelas reportagens de fundo e mais trabalhadas.

Entre os fundadores do periódico os jornalistas Osair Vasconcelos, Albimar Furtado, Tarcísio Gurgel, Afonso Laurentino Ramos e Dácio Galvão,


FONTES/IMAGEM

Palumbo

Tribuna do Norte

Cacá Medeiros Filho

Canindé Soares

Esquadrões do Futebol

Lenivaldo Aragão

Lula Falcão


Tio do presidente, não o pai, assina ata da proclamação republicana

O único presidente potiguar, João Fernandes Café Filho, no gabinete de trabalho

João Bosco Campos, parente de Café Filho, divulga informação pela primeira vez na posse como sócio do Instituto Histórico e Geográfico/RN (29/3/1989).

Redator erra na “leitura dinâmica” do histórico documento em Revista oficial da maior instituição cultural potiguar.

A seguir a continuidade dos ascendentes de João Fernandes Café Filho. Do relato original.

“Manoel teve vários filhos. Destaco Lourenço Fernandes Campos. Nome em homenagem ao tio falecido solteiro. Casou as 8h30 (7/4/1930) na Matriz de Natal. Com Josefa Teresa das Virgens, filha de Manoel Inácio Barbosa e Florência Maria de Nazaré.

Do consórcio oficializado pelo padre Bartolomeu da Rocha Fagundes nasce Lourenço Júnior (adota o Café no lugar do Júnior para lembrar a atividade de cafeicultor), casado (8/5/1851) com Feliciana Joaquim Rangel, filha de Boaventura Dias de Sá e Feliciana Joaquina Rangel.

Ganha prestígio na sociedade natalense. Tanto é que são encontrados registros como padrinho de um grande número de afilhados, principalmente na capela de Cana Brava, município de Macaíba.

Em reunião na casa de Moreira Brandão (14/4/1861) é indicado a concorrer à Câmara de Vereadores na capital pelo Partido Liberal.

Compra terras entre Guajirú e Massaranduba (1870). Constrói morada, casa de farinha e engenho de açúcar. Põe o nome de São Miguel.

Do casal não existe descendência. Porém há filhos com Felisminia Carolina de Moura Soares: Joaquim (assina a ata da proclamação da República), casado com Maria Soares Leite (1888); Tertuliano (residente em Macaíba), casado com Francisca Gomes da Silva;

José Joaquim de Moura Café (morador de Natal), casado com Maria Amélia Cordeiro; Eneias, casado, moço, foi residir na capital paraense; e João Fernandes Campos Café (16/4/1861 – 29/7/1931).”

Ascendência do presidente João Café Filho (I)

João Bosco Campos localiza nomes do tetravô, pais e avós na freguesia no Vizeu/Portugal

"Campo" no Vizeu

Na posse como sócio do Instituto Histórico e Geográfico (29/3/1989) o maior legado do historiador João Bosco Campos para a cultura potiguar acontece com palestra sobre os 90 anos de Café Filho e abordagem do tema os ascendentes do ramo Fernandes Campos Café desde o século XVII.

A pesquisa é iniciada no começo dos anos 80. São consultados arquivos paroquiais e cartoriais de Ceará-Mirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, São Paulo do Potengi e Natal; acervo do IHG e do Arquivo Distrital de Vizeu (Portugal). Na ocasião, concluída e não publicado, é divulgada em primeira mão.

Ao mesmo tempo que iniciava outra gigantesca pesquisa sobre o Senado da Câmara: vereadores, juízes ordinários, procuradores e o perfil biográfico dos 500 servidores (1611/1823).

Eis a leitura de João Bosco Campos com pequenas adaptações imperceptíveis:

"Em 26 de abril de 1714 (Freguesia do Campo) o padre cura João de Seixas batiza Domingos, filho de Felipe Francisco e Isabel Fernandes (faria 31 anos dia 10 de junho e completaria dez anos de casamento dois dias depois).

Ele e os irmãos João, Maria e Manoel contam com o carinho do avós paternos Antônio Simão e Izabel Paiz (os maternos, Manoel e Ana Fernandes são falecidos).

Em 25 de agosto de 1718 falece o pai. Chega 1734 e Domingos é encontrado em território potiguar como demarcador de terras.

Quatro anos depois é passada a "Provisão de Meirinho do Mar e Execuções da Fazenda Real. No ano seguinte adota o nome da freguesia natal: Domingos João Campos.

Em Natal enamora-se de Rosa Maria de Mendonça, 18, criada pelo casal Hilário de Castro Rocha e Maria Magdalena de Mendonça, moradores da sesmaria do Jundiaí.

O casamento acontece na capela local, sob invocação de Nossa Senhora da Conceição, em 25 de novembro de 1745, oficiado pelo padre João Gomes Freire.

São testemunhas o capitão-mor Francisco Xavier de Miranda Henriques (governador da Capitania) e o provedor da Fazenda Real Ignácio Souza Branco.

Como demarcador viaja quatro vezes ao Seridó e para Alexandria (Oeste). Vereador por três vezes e na última governa a Capitania interinamente, por ser o vereador mais velho.

Ainda foi juiz ordinário. arrematador de contratos e senhor do engenho Jundiaí (1960) recebe o título ou patente de alferes (similar ao primeiro-tenente).

Pai de dez filhos, nove homens e uma mulher, duas oito chegam a vida adulta e sete constituiem famílias. Falece entre 1794 e 1797, ano do falecimento da esposa.

O terceiro filho, Manoel Fernandes Campos, o testamenteiro, é batizado em 22 de julho de 1749 no Jundiaí.

Por duas vezes vereador em Natal, sargento-mor, morador do "Socavão" (Jundiaí). Onde era grande produtor de farinha de mandioca.

Nunca casou formalmente, porém constitui família com Mariana da Costa, filha de Antônio Melo de Oliveira e Clara Rabelo Vieira, de origem cearense."

(SEGUE NA PRÓXIMA POSTAGEM) 

Historiador baiano sugere homenagem para Café Filho

J. Carlos Martins sugere placa e nome de rua para o potiguar/Foto: Leandro Daniel

Pesquisa sobre esconderijo do futuro presidente no interior do estado nordestino

José Vanilson Julião

O pesquisador baiano José Carlos Martins "descobre" que o único presidente potiguar se homizia durante quatro meses de 1927 em Campo Formoso.

Em entrevista a uma emissora de rádio local (98 FM) disse que Café Filho havia sido condenado a três meses de prisão pelo STF e fugiu do Rio Grande do Norte.

No interior da Bahia usa o nome falso de Senilson Pessoa Cavalcante, ficando hospedado na casa de um tio do amigo Pedro Dias Guimarães, o coletor federal Antônio Pereira Guimarães Filho.

Segundo José Carlos, ele pretendia se aliar à coluna Prestes, mas foi preso por três dias por tropas paulistas que passaram em Campo Formoso.

“Ele deu sorte, pois a polícia não descobriu o verdadeiro nome. Como Antônio era influente, ficou pouco tempo preso”.

A ideia de investigar a passagem de Café Filho começa em 1972. “Estava na biblioteca e o Guimarães comentou: ‘uma coisa em Campo Formoso ninguém sabe, residiu na casa do Catonhé um jovem que se tornou presidente’.

Perguntei: quem foi, Guimarães?’. Ele pegou a xícara e tomou, Café Filho’. E só o ano passado me veio na mente o interesse em fazer a pesquisa. Quem deu o caminho para se chegar a este acontecimento foi o Antônio Guimarães, filho adotivo do Guimarães”, comentou Martins.

O historiador sugeriu que o município fizesse homenagem ao Café Filho. “Esperamos que de alguma forma não passe despercebido esse fato histórico.

Os rotarianos poderiam fazê-lo, pois a casa em que morou hoje é o Rotary, que se coloque uma placa… Pode partir do executivo ou do legislativo, para que seja dado o nome a uma avenida, rua, praça de Café Filho”


NOTA DO REDATOR: a data exata da entrevista do historiador, provavelmente realizada em 2020, não é localizada.