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quinta-feira, 31 de março de 2022

Ciro Pedroza: “A gente sai da Rocas, as Rocas não sai da gente”

Ciro Pedroza, 'roqueiro de nascença'

Jornalista lança Uma história das Rocas, com memórias e estórias do bairro onde cresceu

                Ele nasceu na Cidade Alta, mas chegou às Rocas engatinhando e saiu de lá quase adulto, mas o bairro onde viveu e cresceu nunca saiu dele. “De mim e de todos os que moraram lá, que mudaram de lá, mas não esqueceram as lições que as Rocas nos ensinou”, filosofa o jornalista, radialista e pesquisador Ciro Pedroza.
         Nascido xaria e convertido canguleiro, pela convivência com o bairro e por descendência dos pais, que trocaram a rua Fontes Galvão, próximo ao Colégio Marista, pela rua São Jorge, no alto da igreja da Sagrada Família, com ele nos braços.
              Ciro lança nos próximos dias seu mais novo livro, Uma História das Rocas, o 580ª título da coleção José Nicodemos de Lima, da editora Sebo Vermelho.
               “São histórias e estórias sobre o tradicional bairro que já deu ao Brasil um presidente da República, João Café Filho, muitos artistas de renome e jogadores de futebol suficientes para formar todos os times do campeonato brasileiro, amparo espiritual e afetivo, diversão e arte para todos os gostos”, revela o pesquisador.
                Uma história das Rocas é fruto da memória prodigiosa do jornalista, que é capaz de lembrar de um sem número de fatos e personagens do bairro e resgata muitas dessas histórias ao longo das 190 páginas do livro, Ciro também reúne vasto material de pesquisa histórica sobre a história das Rocas.
                “Eu deixei as Rocas no final dos anos 1970 e volto raramente por lá, mas ela nunca saiu de mim. Esse livro é a reunião de tudo o que guardei em meu acervo sentimental de fatos e feitos que vi, ouvi, vivi, conheci e lembrei. Saldo com ele uma dívida com a minha própria história”, confidencia.

MAIS QUE UM BAIRRO
                Há nessa história das Rocas contada por Ciro um esforço que vai além do resgate da memória do bairro ou de uma cronologia sobre a formação, a consolidação e o desenvolvimento desse pedaço de Natal que representa pouco mais de 0,5% da área da cidade e reúne pouco mais de 10 mil moradores.
                “Tento explicar, para quem não é de lá e cresceu ouvindo histórias pejorativas sobre as Rocas e seus personagens, que sempre foram invisíveis aos olhos da cidade, que há uma tradição, uma espécie de vírus do bem que leva a gente pra frente e a gente leva para sempre”, revela o escritor.
                No prefácio do livro, o livre docente em Geografia Humana da Universidade de São Paulo, Manoel Fernandes Neto, resume e justifica a importância da pesquisa realizada por Ciro Pedroza numa frase: “quem não sabe das Rocas, jamais entenderá Natal”.
                E é esse esforço que Ciro empreende, revirando o passado para encontrar os primeiros registros sobre o surgimento do bairro das Rocas e sobre a vida de seus primeiros habitantes, passando pelo processo de ocupação das dunas e mangues do extremo leste da capital do Rio Grande do Norte.
                A história das Rocas contada por Ciro, percorre “dezessete estações de prosa muito boa, recheada de fatos e prenhe de lirismo”, observa Manoel Fernandes Neto e revela muito sobre esse bairro marcado pela pujante vida cultural, pela sociabilidade e pela solidariedade de seus habitantes.
                “As Rocas é muito mais que um bairro, é um estado de espírito, porque transcende aos limites geográficos de espacialidade para se revelar bem maior, graças ao jeito de ser e de viver de seus moradores”, escreve Ciro em sua definição do bairro onde cresceu.

CABRA DAS ROCAS
                A inspiração para essa empreitada de contar a história e as histórias reais das Rocas nasceu do reencontro, durante uma leitura de verão, com os personagens e as histórias vividas pelo menino Joãozinho, personagem de Homero Homem no seu livro Cabra das Rocas.
                Na ficção, João Brás Bicudo foi o primeiro estudante do bairro a estudar no Atheneu Norteriograndense, território sagrado do conhecimento, reservado apenas aos filhos da elite natalense, e cruzar a linha que separava a cidade baixa da cidade alta.
                “Estava relendo Cabra das Rocas, de Homero Homem, há uns cinco anos, quando começaram a surgir memórias do tempo em que eu vivi nas Rocas e comecei a anotar tudo, como se estivesse recebendo uma psicografia”, explica Ciro.
                Depois, ele foi complementando suas lembranças com a pesquisa em livros, jornais e depoimentos de antigos moradores do bairro e assim foi se estruturando Uma História da Rocas, espécie de passeio pela geografia, pela história, pelos costumes e pela vida do bairro.
                Ciro foi se deparando com novos personagens e muitas histórias, corrigiu datas e versões, escutou novas histórias e complementou sua narrativa. “Ainda falta muita gente, muitas histórias, mas chega uma hora que ou você coloca um ponto final e entrega o livro para a editora, ou o livro não sai. Outras edições virão”, acredita.
CANGULEIROS
                Durante a pesquisa, o jornalista descobriu que o bairro das Rocas já abrigou, entre outros empreendimentos, até uma fábrica de refrigerantes (Jade) e resgatou personagens que fizeram história na vida da cidade e que muita gente não sabe que eles viveram do bairro.
                São nomes reconhecidos em todos os campos, como Zé Areia, Severina Embaixatriz do Brasil, Glorinha Oliveira, Luiza de Paula, Paulo Tito, Eduardo Medeiros (autor de Praieira), o mastro K-ximbinho, o jogador Lula Soberano e o jovem Rodriguinho, entre outros destacados cabras das Rocas.
                Ciro também dedica um capítulo de sua história à tradição do samba e do carnaval, que nasceu no bairro e se espraiou pela cidade e resgata personagens importantes dessa manifestação cultural, como Chico de Carlos, Antonio Melé, Lucarino Roberto, Mestre Zorro, Debinha Ramos e Carlos Zens, entre outros carnavalescos.
                No livro, o pesquisador também resgata a memória dos restaurantes que marcaram época no bairro e atraiam comensais de toda cidade pela simplicidade de sua “baixa gastronomia, como a Carne Assada do Lira e o restaurante do Marinho, a Peixada da Comadre e a Galinha de Mãe, entre outros”.
                O pesquisador também identifica as origens dos cultos religiosos no bairro, relembra a efervescência das campanhas eleitorais, recuperando a memória e a tradição política das Rocas e revelando fatos pitorescos sobre as movimentações políticas pelas ruas do bairro.
                A paixão do povo das Rocas por seus times do coração (Racing e Palmeiras) ou pelas principais escolas de samba da cidade (Malandros do Samba e Balanço do Morro) é, também, outra marca do bairro retratada por Ciro em seu livro.
                Ele também reconhece a importância da educação como instrumento de transformação de vidas, expressa no pioneirismo da escola De Pé no Chão também se aprende a ler, do prefeito Djalma Maranhão e da Escola Técnica de Comércio, que funcionou no Colégio Isabel Gondim.
                Para completar o passeio pela vida das Rocas, a história narrada por Ciro Pedroza reúne uma pequena coletânea de lendas urbanas com personagens do bairro que rendem boas risadas, como as presepadas de Zé Areia, da santa que chorava ou do barbeiro que saia para o almoço e deixava o cliente esperando na cadeira, entre várias.
                Uma história das Rocas de Ciro Pedroza tem capa de Alexandre Oliveira, ilustrações do artista plástico Silvano Quazza, fotos de Giovanni Sérgio Rêgo e impressão da Offset Gráfica.

Capa do livro de Pedroza
Pré-venda:  
Pedidos no Sebo Vermelho (av. Rio Branco, 705 – Cidade Alta) ou pela internet https://www.sebovermelhoedicoes.com.br/  Preço R$ 50,00 (entrega grátis para todo Rio Grande do Norte durante o pré-lançamento).
               
Lançamento
Sessões de Autógrafos
Quinta – 31/03/2022 – 18:00h - Themis Bar – Sede social do América FC – Av. Rodrigues Alves, 950 - Tirol
Sábado – 02/04/2022 – 10:00h - Mercado das Rocas – Av. Duque de Caxias – Praça do Pátio da Feira – Rocas

domingo, 20 de março de 2022

Homenagem ao primeiro plantão esportivo: Mirocem Ferreira Lima

Mirocem F. Lima foi pioneiro no
 radiojornalismo de esportes

José Vanilson Julião 

Com a inauguração da Rádio Nordeste em agosto de 1954 Mirocem Ferreira Lima logo está agregado a equipe como um dos primeiros plantões esportivos, antes mesmo do que José Joaquim da Lira (começa a carreira em 1959). Em julho do mesmo ano é lançado o diário "O Poti" (semanário a partir de 1959).

Um ano e cinco meses após o lançamento do jornal Associado "irmão" do "Diário de Natal" ele estréia a coluna "Subúrbio em Revista" (domingo, 18/12/1955). São pelo menos sete inserções esparsadas até o ano seguinte. "O Poti" (domingo, 16/12/1956) antecipa a relação dos promotores da homenagem ao jornalista Aluisio Menezes de Melo, recém formado em Direito pela Faculdade de Alagoas. 

Ao jantar na noite seguinte, em uma peixada de Areia Preta, comparecem personalidades ligadas ao rádio, imprensa, dirigentes e ao futebol. 

Entre eles: João Cláudio Machado (orador), Amauri Dantas Emerenciano, Araken Barbosa (misto de atacante do Alecrim e repórter associado), Brígido Ferreira Pinto (ex-goleiro do Atlético), Djalma Maranhão, Érico de Souza Hacrakdt, Erildo L. Monteiro, Ernani Alves da Silveira, Eugenio Neto e Eugenio Silva (árbitro de futebol, Evaldo Maia, Firmino Moura, Francisco Chagas de Souza, Garibaldi Alves e Hélio Santa Rosa. 

Mais: Humberto Nesi, João Antonio de Brito (ex-presidente alecrinense), João Bastos Santana, João Maria Meira Pires, João Neto, José Alexandre Garcia, Luiz Gonzaga Meira Bezerra, Marcino Dias de Oliveira, Mirocem Ferreira Lima, Moisés Dieb, Orlando Braga (treinador do América), Paulo Pinheiro de Viveiros, Raimundo Ubirajara Macedo e Roberval Pinheiro Borges, Rossine de Azevedo (ex-goleiro americano).

O Poti (quarta-feira, 11/6/1958) publica foto da "festa de despedida" pela aposentadoria do amazonense Luiz Maria Alves da "Western Telegrafh", após 36 anos de serviços nas agências em Belém, Recife e Natal. O jantar (dia 8) oferecido pelos funcionários acontece na residência do gerente Arthur Henry Palmer, na Rua Trairi (Cirolandia). 

Na ocasião a funcionária Leda Freire de Azevedo entrega ao Alves um relógio de ouro. Participam da homenagem: Amaury Dantas, Silvino Sinedino de Oliveira, Francisco Sinedino de Oliveira, Hélio Siqueira Silva, Paula Frassinetti de Oliveira, Maria do Rosário Costa, Milton Silva, Mirocem Ferreira Lima, Irapuan Bonifácio do Nascimento (parente do ex-zagueiro americano e ferroviário Leonidas), Geraldo de Souza, Creuza Pereira da Silva, Sydnei Sinedino de Oliveira, Paulo de Souza Vasconcelos, João Galvão Filho e José Cruz. 

Em dezembro de 1961 compõe a cabeça da chapa única registrada que concorre a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádiotelefonia. Ao lado de Amauri Dantas, Maria Nísia Freire de Azevedo, João Galvão, Sydnei Oliveira e Irapuan Bonifácio.