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domingo, 31 de março de 2024

Goleiro potiguar imita gol contra de Valdir Appel (VI)

Zé Luiz, César e Luizito, o segundo reserva, proporcionaram poucas chances para Petrarca

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Sem contar com a apresentação do time recheado de juvenis, reservas e titulares no interior do RN (1976), em cinco temporadas, desde o ano anterior, Petrarca Aquino Filho soma sete partidas pelo América.

A contagem relaciona dois amistosos e cinco jogos oficiais, destes dois pelo campeonato estadual e três pelo campeonato brasileiro ou nacional (somente muito depois Série A).

Todas estas aparições com a camisa cinzenta número um aconteceram em 1979. Com a chegada do Alagoano Zé Luiz perde espaço como substituto imediato.

E ainda mais, no começo de 1980, com a contratação de mais um goleiro: o gaúcho César Augusto Etcheverry Silveira.

Mais a sombra do terceiro goleiro, "Luizito", vindo de um dos clubes pequenos da capital. Assim acaba indo para o Alecrim. Permanece no alviverde até a próxima temporada. 

Goleiro potiguar imita gol contra de Valdir Appel (V)

Os primeiros jogos de Petrarca como titular americano e a oportunidade no campeonato brasileiro

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Petrarca Aquino Filho

Além dos goleiros mencionados nas temporadas anteriores o jovem arqueiro Petrarca tem mais um concorrente a partir do segundo semestre de 1978.

Quando é contratado o alagoano José Luiz Albuquerque, com passagens pelo CSA, Bahia e Vasco da Gama.

Enquanto ele ver o aparecimento temporário de mais dois novos goleiros da base: Ossian e Pedrinho, de Pedro Velho.

Mesmo assim ele estreia no elenco principal pelo primeiro turno do campeonato estadual: 7 x 0 Ferroviário (domingo, 30/7/1978).

No ano seguinte participa do amistoso América 3 x 0 Força e Luz (quarta-feira, 22 de fevereiro).

Em 9 de maio, uma quarta-feira, a segunda aparição oficial ainda pelo Estadual: 0 x 1 Potiguar (Mossoró).

Depois presencia o goleiro Ivo, vindo do Corintians (Caicó), entrar em amistoso contra o alvirrubro mossoroense.

Posteriormente veste a camisa cinza número um novamente no campeonato local: 7 x 0 Macau (quarta-feira, 7/8).

O grande momento no segundo semestre (campeonato nacional). Entra contra o Leônico (Salvador), Fortaleza e Ferroviário, também da capital cearense.

sábado, 30 de março de 2024

Goleiro potiguar imita gol contra de Valdir Appel (IV)

Petrarca no Atlético

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira menção ao adolescente goleiro Petrarca na imprensa vem de uma rodada dupla do campeonato juvenil no Estádio Juvenal Lamartine. O Atlético goleia o Ferroviário (5 x 0). Jogo principal de um sábado à tarde (14 de junho de 1973).

O rubro-negro: Petrarca (Dival), Ninha, Everto, Roberto, Paulo, Diá (o futuro treinador Francisco de Assis), Batista, José Augusto (depois Alecrim e Baraúnas), José Santos, Mário (depois América) – substituído por Luizinho (depois América), e Aluízio.

Petrarca somente volta a aparece no “Diário de Natal’, dois anos depois, no América, quando participa, pelo “misto quente” (reservas e titulares), e perde para o ABC, o alvinegro amador do município de Arês (domingo, 25 de maio de 1975).

O zagueiro carioca Zé Emídio, no elenco há algum tempo, perde uma penalidade máxima. 2 x 1 o resultado do amistoso. O gol alvirrubro é marcado pelo ponta-esquerda João Bosco, também conhecido somente como Bosco ou pelo apelido desde o juvenil: “Juritinga”.

O América forma com Petrarca, Souza, Emídio, Henrique, Lula, Soares, Urubatão, Sérgio David (ponta-direita gaúcho oriundo do Grêmio de Porto Alegre e falecido em decorrência do Covid 19 em Natal), Tonho, Gilson Porto (o conhecido baiano do Corinthians e Internacional) e Juritinga.

- Nossa intenção é levar o América ao interior do Rio Grande do Norte, onde, também, temos muitos torcedores e, além de promovermos uma tarde festiva, fazendo um serviço de relacionamento, com possibilidade de descobrir novos valores.

Foi o que disse ao repórter Associado o então novo diretor de futebol do América, o empresário Boris Tupinambá Marinho.

No ano seguinte, pelo juvenil, Petrarca é o goleiro na goleada de 9 a 0 sobre o Riachuelo. Eis o time: Petrarca, Fábio, Chiquinho, Nilton, Lula (Delgado), Rogério (Nininho), Soares, Luiz Carlos, Américo, Toinho e Cabral.

Goleiro potiguar imita gol contra de Valdir Appel (III)

O goleiro com pinta de galã de cinema e telenovela, Valdir Appel, no Rio Grande do Norte

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Miron Vieira

Ao chegar no América, aos 20 anos, primeiro para compor o quadro juvenil (não se chamava Junior na época) – consequentemente e eventualmente reserva para o quadro principal – o goleiro potiguar Petrarca de Aquino Filho encontra uma concorrência de peso.

No quadriênio 1976/79, reversando na titularidade, se encontram os cariocas Ubirajara Dias Ribeiro (sai logo depois para o Ferroviário de Fortaleza no primeiro semestre de 1976) e Otávio César Correia Filho, já em final de carreira. E Antônio Ferreira, o “Sombra”, vindo desde 1973.

Otávio César, no final do segundo semestre do mesmo ano, perto de terminar o Torneio José Américo de Oliveira Filho, treina o elenco como interino com a saída do técnico Sebastião Leônidas após três anos e meio no comando.

Em 1977, para substituir estes arqueiros, chegam o excelente goleiro piauiense João Batista Crispim, titular no Potiguar de Mossoró na boa campanha do ano anterior, e o conhecido cearense Cícero Soares de Mattos, o “Capacete”, pela vistosa cabeleireira “black power” (“poder negro”).

E para dificultar mais ainda a pretensão de Petrarca vestir a camisa número um no time de cima quem retorna ao América, em 1977, é o Valdir Appel, o famoso arqueiro do Vasco da Gama, aquele mesmo que ele acaba imitando, Seis anos depois, com o gol contra.

O catarinense Valdir, que começa a carreira no alviverde Paysandu (Brusque), já havia sido contratado uma primeira vez por um clube do Rio Grande do Norte, em 1974, quando vestiu a camisa alviverde do Alecrim no Estadual.

E está era a segunda passagem pela agremiação vermelha e branca, pois era o goleiro titular no famoso jogo pelo campeonato nacional (1975), América 1 X 0 Vasco da Gama (Washington, no segundo tempo), em São Januário.

A zebra da Loteria Esportiva, organizada pela Caixa Econômica Federal, e que se tornou uma febre para os apostadores nos anos 70, fez milionário o agricultor goiano Miron Vieira de Souza, ao cravar a vitória americana.

 

FONTES/IMAGEM

Diário de Natal

O Popular

Placar

Tribuna do Norte

O Gol

Súmulas Tchê

Na Boca do Gol

Acervo Ribamar Cavalcante

Goleiro potiguar imita gol contra de Valdir Appel (II)

Petrarca, de camisa azul, no elenco campeão potiguar de 1977 em decisão com o ABC

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Petrarca de Aquino Filho, nascido na capital do RN, em 8 de junho de 1956, começou a aparecer no juvenil do Clube Atlético Potiguar em 1975.

E não na base do América de Natal. Como anunciou na nota o jornalista Madson Fernandes, compreensível pelo fato de que na época não existia as facilidades de pesquisa pela Internet.

Do rubro-negro seguiu para o alvirrubro, aí sim, no ano seguinte, permanecendo no clube da Rua Rodrigues Alves até 1979 começo da década de 80.

Petrarca, no começo dos anos 80, veste a camisa alviverde do Alecrim em pelo menos duas temporadas.

Somente depois retorna ao pequeno clube de origem. Para entrar na história do futebol com o gol contra idêntico ao do arqueiro catarinense Valdir Appel.

 

FONTES/IMAGEM

Diário de Natal

Revista Placar

Tribuna do Norte

Na Boca do Gol

Goleiro potiguar imita gol contra de Valdir Appel (I)

M. Fernandes teve o cuidado do registro

JOSÉ VANILSON JULIÃO

“O goleiro do Atlético, Petrarca, conseguiu com muito mérito, entrar para a história do futebol. Fez um gol todo especial no Castelão, contra, no jogo com o América. Depois de fazer uma defesa, ele pegou a bola, e, por incrível que pareça, jogou para dentro de sua própria trave. Inacreditável, não? Principalmente se levarmos em conta que ele é “cria” do próprio rubro.”

Se não fosse a competência e a perspicácia de repórter antenado, o jornalista Madson Fernandes, na “Tribuna do Norte”, autor da nota acima, na coluna de responsabilidade dele, a “Retranca” (edição da terça-feira, 25 de outubro de 1983), o inusitado caso desapareceria para sempre dos anais do futebol e da imprensa potiguar.

Esta era uma das sete notas, a terceira, do jornalista Madson Fernandes, ex-goleiro do ABC.

Do que se tornou, provavelmente, até então, o segundo caso de gol contra de arqueiro.

O curioso é que o “Diário de Natal não faz o registro na edição da mesma terça-feira, nem mesmo na coluna “Numeradas”, do afamado repórter esportivo Everaldo Lopes Cardoso.

Somente um mês depois, quando contabiliza a corrida pela artilharia da competição, com o atacante do ABC, o pernambucano Marinho Apolônio (ex-América na década anterior vindo do Sport Recife), na liderança.

E o jornal da cadeia dos Diários Associados relaciona os gols contra, inclusive o do goleiro Petrarca, saído do alvirrubro para o rubro-negro Clube Atlético Potiguar.

terça-feira, 26 de março de 2024

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (X)

O jornalista, deputado federal e prefeito Djalma Maranhão com o amigo Jorge Rodrigues

O jovem estudante José Mussoline Fernandes se envolve com a nata da intelectualidade e imprensa potiguar

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Humberto Nesi, colega de redação

Aos 21 anos José Mussoline Fernandes está envolvido com a reorganização do "Centro Estudantal", que passa a "União Norte-rio-grandense dos Estudantes".

A reunião para reformulação da entidade estudantil (quinta-feira, 3/2/1944) é presidida pelo diretor do Colégio Estadual (Atheneu), o professor e advogado Alvamar Furtado de Mendonça.

E acontece em um dos salões do tradicional estabelecimento de ensino público. É eleita a diretoria:

Eider Furtado (presidente), Leonardo de Oliveira Bezerra (vice), Mário Leitão (primeiro-secretário), Miguel Maciel (segundo-secretário), Murilo Melo Filho (orador) e Mussoline Fernandes (tesoureiro).

Membros do Conselho Superior: Rivaldo Pinheiro, Paulo Luz, Veríssimo de Melo, Luiz Maranhão Filho e João Wilson Mendes Melo.

No ano seguinte já está envolvido com a imprensa. Na cúpula diretiva do "Diário de Natal" como subgerente.

Ao lado de José Bezerra Gomes, Humberto Nesi, Sílvio de Souza, Paulo Luz, Djalma Maranhão, Geraldo Serrano, Durval Paiva e Rômulo Wanderley.

Murilo Melo Filho, companheiro estudantil

Totalmente ambientado no meio jornalístico, faz parte da diretoria da Associação Norte-rio-grandense de Imprensa (sexta-feira, 25/10/1946).

A assembleia geral (19h30), presidida pelo advogado paraibano João Medeiros Filho, escolhe os diretores entre duas chapas concorrentes.

São candidatos principais, para presidente, os jornalistas Américo de Oliveira Costa (secretário de "O Diário) e Luiz Maranhão Filho (redator de "A República").

Com escrutínio secreto foi eleito Américo Costa. Otto de Brito Guerra, por um voto, vence o candidato oposicionista para a vice-presidência: Edgar Barbosa.

Rômulo Wanderley, colega da ANRI

Djalma Maranhão é escolhido primeiro-secretário. Para segundo-secretário empatam Veríssimo de Melo e Rômulo Vanderlei.

Joaquim Meira Lima, por um voto, é eleito tesoureiro, frente a Durval Paiva. Para bibliotecário, a mesma votação, Leonardo de Oliveira Bezerra e Eider Furtado.

Da mesma forma acontece na escolha do assistente jurídico: Edilson Cid Varela e Raimundo Nonato Fernandes.

Comissão Fiscal: Rui Moreira Paiva, Valdemar Araújo e Rivaldo Pinheiro. Suplentes: José Ferreira Marinho e Jaime dos Guimarães Wanderley.

Conselho Deliberativo: Sílvio de Souza, Paulo Viveiros, Mussoline Fernandes, Aderbal de França, Gumercindo Saraiva, Sandoval Wanderley, João Medeiros e Edilson Varela.

Os jornalistas associados fazem um acordo amigável para solucionar o desempate.

Em seguida marcam a posse da diretoria recém eleita.

FONTES

A Ordem

Diário de Natal

 

segunda-feira, 25 de março de 2024

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (IX)

Mussoline faz do jornalismo ponte para divulgar o colecionismo de selos postais

José Vanilson Julião

Selo americano "retrata" Hitler

Cinco anos após a fundação (setembro de 1939) - pelos idealistas Valdemar Araújo, Djalma Maranhão, Aderbal de França e Rivaldo Pinheiro - e depois repassado ao empresario Rui Moreira Paiva, "O Diário" é comprado pelo jornalista paraibano Assis Chateaubriand.

A negociação em 1944 é conduzida pelo diretor do grupo Associado em Fortaleza, o capixaba João Calmon, futuro senador da polêmica da Rede Globo e o grupo de mídia americano Time Life.

Em 1945 o jovem de 22 anos, José Mussoline Fernandes (1923 – 1997) já está agregado ao staff redacional e burocrático condutor do periódico somado ao condomínio famoso liderado pelo “O Jornal”, o cabeça da cadeia desde o final dos anos 20.

Somente em 1947 o impresso adquirido acrescenta o "de Natal" no cabeçalho, frontispício ou linha data da capa (primeira página).

Justamente no mesmo ano em que Mussoline Fernandes e o amazonense Luiz Maria Alves, diretor a partir dos anos 60 com a saída de Edilson Cid Varela para a mais nova cria de A. Chateaubriand, o "Correio Braziliense", na recém fundada capital federal, Brasília, em 1960.

Fernandes e Alves são os repórteres fotografados na recepção, no aeroporto de Parnamirim (distrito da capital potiguar), ator de cinema americano Tyrone Power, que acaba passando 48 horas no RN quando se destinava de férias ao continente africano.

Se as cinco reportagens (uma em agosto) da cobertura da estadia do astro de Hollywood não teve as assinaturas de nenhum dos dois, a essa altura, na primeira quinzena de setembro de 1947, Mussoline já assinava pelo menos por uma terceira vez uma coluna sobre filatelia (colecionismo). O título: "No Mundo dos Selos".

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (VIII)

Cobertura da estadia do astro do cinema Tyrone Power pode ter sido feita a quatro mãos

Futuro diretor Luiz Maria Alves (de chapéu)

A fotografia rara do ator norte-americano Tyrone Power, com as presenças dos repórteres José Mussoline Fernandes (terno escuro mais a direita) e Luiz Maria Alves (de terno branco e chapéu ao lado do astro do cinema), pode indicar que a série de reportagens do “Diário de Natal” teria sido realizada a quatro mãos.

Outro indício: naquele tempo, anos 40, era raro, raríssimo, excepcional, qualquer reportagem, por importante que fosse, ou com ineditismo de furo, ter assinatura do autor do texto. Este privilégio era deixado para os articulistas, comentaristas e os responsáveis pelas colunas especializadas ou autorais.

Prova disso é que nas quatro edições do jornal da cadeia Associada, sobre a cobertura da estadia de Tyrone Power, nenhuma delas tem assinatura de autoria. O que se ver, sempre, são a coluna assinada do escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo, e do dono do jornal, o jornalista paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo.

Como também material de opinião distribuído pelos D. A. (Diários Associados) ou pela Agência Meridional, também pertencente ao grupo ou cadeia de imprensa fundada por aquele jornalista paraibano. Caso de Murilo Marroquim, que escrevia para o carioca “O JORNAL”, cabeça de rede na capital federal. (VANILSON JULIÃO)

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (VII)

Exemplo de um avião Douglas (DC3) pilotado pelo astro de cinema americano Tyrone Power

A partida da capital potiguar, rumo a África, da comitiva do ator norte-americano Tyrone Power

José Vanilson Julião

O rescaldo da passagem da estrela cinematográfica hollywoodiana continua na imprensa da capital potiguar.

Principalmente nas páginas do “Diário de Natal”. Na segunda e terça-feira (segunda semana de setembro de 1947).

Principalmente pelo aparecimento de um probleminha de última hora a viagem somente acontece na tarde de segunda-feira.

O prolongamento da estadia da estrela do cinema é provocado por um pequeno desarranjo em um dos motores do Douglas.

No sábado, a noite, Tyrone Power toma um drinque com o prefeito Silvio Piza Pedrosa na residência oficial da Avenida Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol. Conversam por mais de uma hora.

Na manhã dominical assiste o desfile militar do Dia da Independência. Depois visita a Matriz e o Cine São Luiz (Alecrim).

Finalmente, após as esticadas 48 horas de permanência em solo potiguar, Power levanta as asas em direção ao continente africano.

O DN ainda informa que o cinegrafista Firmo Neto, da Empresa Técnica Cinematográfica, pernambucana da gema, filma a estadia do astro, sob encomenda da Fox, da qual é contratado.

Ainda: o avião DC3 está consignado a Panair do Brasil, a quem o ator agradece, por meio do representante da empresa de aviação em Natal, Procópio de Moura.

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (VI)

O repórter Mussoline Fernandes (último a direita/paletó escuro) na chegada do ator astro Tyrone Power

José Mussoline Fernandes e a entrevista coletiva com o ator de cinema Tyrone Power

José Vanilson Julião

"Vai à África em viagem de turismo". A manchete de capa do "Diário de Natal" (domingo, 7/9/1947).

Com a reportagem dedicada a passagem do ator norte-americano Tyrone Power pelo aeroporto de Parnamirim, e consequentemente, as 24 horas passadas em Natal.

A comitiva do astro do cinema de Hollywood - arredores de Los Angeles (Califórnia) - havia chegado na tarde do sábado e partido no mesmo período do dia seguinte.

A matéria dominical Associada de quatro colunas - ilustrada com uma fotografia promocional do filme "O Fio da Navalha" - prossegue com os detalhes da estadia da estrela.

Por ter almoçado no ar, durante o trajeto EUA/Brasil, Tyrone Power declina do lanche especial preparado no bar da estação de passageiros, mas assina o cardápio.

Logo segue para o cassino dos oficiais, edifício 1408, apartamento A, como hóspede do comandante da base aérea do então distrito de Parnamirim, major Vaz da Silva.

Ocupa o mesmo espaço das visitas de Eleonora Roosevelt (primeira-dama americana), madame "Chiang Kai Shequi" e o ministro Trompowski, diz a imprensa.

Quando dá autógrafos a alguns fãs e que concede entrevista coletiva e toma cervejas sob a vista dos jornalistas.

O DN relata outros pormenores de somenos importância, coisas de trajeto e motivação do destino africano.

Porém destaca que ele quase não deixou fazerem perguntas. "Preferindo falar livremente sobre assuntos que corriam ao sabor da palestra."

Acompanham: R.N. Buck (copiloto), R. E Stevens (navegador), W. M. Agner (mecânico), R. L. Ritter (operador de rádio), James Denton (comissário) e William Adams Gallagher (tesoureiro).

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (V)


José Vanilson Julião

“A Ordem” não sequência o noticiário sobre a passagem do ator Tyrone Power, mas o “Diário de Natal” (sábado, 6/9) explica o adiamento da chegada do dia 3 do mesmo mês para a tarde desta mesma edição.

O atraso aconteceu pela decisão da partida na manhã da sexta-feira de Miami, no Estado da Flórida (Estados Unidos da América). Quando é suprimida escala em Trinidad (Caribe) com voo direto para Belém (Pará).

Agora o astro, que esteve em Porto Alegre no mesmo ano, no primeiro semestre, se faz acompanhar de cinco tripulantes e dois acompanhantes.

No bojo da reportagem, mas para o final, o jornal Associado aborda uma pequena biografia do astro do cinema, nascido em Cincinatti, no Estado de Ohio (meio oeste), em 5 de maio de 1914 e casado com a atriz francesa Annabella.

Na edição dominical o “Diário” é meticuloso. Declina a aterrisagem da aeronave (14h33) e o número de matrícula do “aparelho”: NC 88783!

A reportagem não assinada prossegue com detalhes. TP, que desce a escadinha do avião portando uma “pasta de documentos de bordo”, calça sapato marrom, veste calça de casemira cinzenta e camisa esporte de manga curta, de lã, marrom, com listras verticais e horizontais.

“Tudo muito justo, fazendo sobressair a musculatura.” Relógio no pulso esquerdo e casquete de pano creme, tipo jóquei, completam a indumentária, diz o excelente e detalhista repórter.

No aeroporto Power foi recebido pelo gerente do cinema São Luiz, Heitor Varela, e pelo representante da Fox no Brasil, Jorge Anastassiadis.

Na qualidade de comandante do avião ele assina nos balcões do DAC (Departamento de Aviação Civil), Imigração e “demais autoridades”, todos os documentos de viagem, se expressando em francês fluente ou inglês.

 

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (IV)

Ator norte-americano esteve em Natal dois anos após a II Guerra Mundial

José Vanilson Julião


"Passará por Natal o astro Tyrone Power": a manchete de uma nota em "A Ordem" (quinta-feira, 21/8/1947).

A partir de informação de Heitor Varela, dono do Cine São Luís, que havia recebido um telegrama da Western, do gerente da Twenty Century Fox em São Paulo, Alberto Rezende.

O comunicado esclarecia que o ator norte-americano passaria pelo aeroporto de Parnamirim a 3 de setembro.

Como escala para o destino final, Leopoldvile, no Congo belga, possessão no continente africano. O artista do cinema pilota um avião Douglas (DC3) da "TransWorld American" (TWA).

Com os tripulantes Denton e Gallagher. Os redatores do jornal católico são convidados ao desembarque.

No rodapé da página (segunda-feira, 8/9) reportagem em duas colunas: - Em trânsito por Natal o astro Tyrone Power".

O diário do Centro de Imprensa informa que T. Power visita a catedral (Cidade Alta), visita o prefeito Sílvio Piza Pedrosa e passa pelo "Grande Ponto".

Sempre acompanhado do representante da companhia cinematográfica no Brasil, Harry Anastassiadis.

Segundo o jornal, Power deveria ter prosseguido viagem no final da tarde do dia anterior (por volta das 17h). Mas que o deveria fazer a partir das 15 da segunda.

O "Diário de Natal", já pertencente ao condomínio fundado pelo jornalista paraibano Assis Chateuabriand, também noticia a curta passagem do astro americano.

Quando entra em cena José Mussoline Fernandes, o repórter do grupo ou cadeia dos Diários Associados.


domingo, 24 de março de 2024

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (III)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

A parte a indumentária ao modelo Charlie Chaplin, o “Carlitos” – calça frouxa e esvoaçante com o cinturão escondido sob a camisa – logo achei a performance de José Mussolini Fernandes idêntica a um outro personagem da mídia norte-americana.

A cabeça chata e o rosto redondo, lembra os vizinhos dele do Ceará, pois JMF era natural de Caraúbas, na região oeste do Rio Grande do Norte.

Para reforçar o queixo fino, as bochechas e o óculos fundo de garrafa dançando sobre o narizinho com uma bolota na ponta.

A expressão facial, para um apreciador das tirinhas dos jornais ou de história em quadrinhos, logo chama a atenção para a semelhança com o famoso personagem de desenho animado das sessões matutinas e vespertinas da TV.

Trata-se do “Mister Magoo”. O “senhor” Magoo foi criado no estúdio de animação da “United Productions of América” em 1949.

Ele é um aposentado rico, de baixa estatura, que se mete em confusões como resultado da extrema miopia. Agravadas pela teimosia em recusar admitir os cômicos problemas causados pela deficiente visão.

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (II)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

Não sei como é hoje.

Para se chegar à redação do diário fundado por Aluízio Alves o sujeito primeiro se apresentava na portaria a recepcionista Núbia para informar o que desejava fazer nos andares de cima.

Com a autorização. ela, do balcão de mármore, apontava a porta logo a direita após a escadaria de entrada. Do lado oposto era o pequeno cubículo da central telefônica, que ligava a cidade a redação.

O visitante então partia para subir uma escada em caracol. No primeiro andar ficava as salas da burocracia e da diretoria. Em seguida se descia, não se subia, um pequeno lance de escada a direita.

Daí o novato já se encontrava no andar da redação, da sala refúgio do colunista Woden Coutinho Madruga, uma outra sala do pessoal administrativo, e o arquivo de José Mussolini Fernandes.

Todos estes setores eram interligados por um amplo salão anterior a redação. Onde Mussolini, aparecia para saber das novidades e atender os pedidos de fotos para o fechamento das páginas das respectivas editorias.

Me chamou a atenção, repito, o cigarro sempre apoiado no canto dos lábios, ou entre os dedos, com a calça frouxa e esvoaçante, camisa de manga curta ensacada, roupas seguras por um costumeiro cinturão fino marrom ou preto.

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (I)

Marco Antônio Antunes, o recém chegado

JOSE VANILSON JULIÃO

Quando comecei o estágio de repórter na editoria de polícia do diário matutino "Tribuna do Norte", na primeira semana de agosto de 1982, não me impressionaram as escadarias e becos estreitos do térreo aos andares superiores, até chegar a fervilhante e barulhenta redação.

O estágio surgiu pela necessidade da editoria recompor o quadro de repórteres nas visitas diárias as delegacias, pois o polêmico pernambucano e radialista Ubiratan Camilo de Souza, setorista e do quadro do programa “Patrulha da Cidade” (Rádio Cabugi), se encontrava em tratamento médico.

O certo é que a “vaga” saiu da “TN” aos ouvidos do professor universitário Edilson Braga, botafoguense de quatro costados, e ele anunciou na sala de aula, quando meu irmão escutou e me avisou.

Edilson Braga, deu a dica

Conhecia o labirinto desde 1977, quando subi ao andar de cima para falar com o narrador gaúcho Marco Antônio Antunes, recém chegado, sobre o suposto anúncio de vaga de estagiário para plantão esportivo.

O que ficou gravado na recordação foram os primeiros contatos com os parceiros da página específica da cobertura do setor de segurança pública. Com a acolhida me pareceu que a turma se conhecia.

Logo procurei me enturmar, prestando atenção nas dicas, do editor Natanael Virginio, e do repórter fotográfico Anderson Lino. Deste me impressionou o fino e aparado bigodinho de cantor de tango ou ator americano.

Esse contato com a imprensa escrita – depois de estagiar em dois períodos (1977 e 1978) no plantão esportivo da Rádio Nordeste – também me deixou na lembrança a primeira visão com um decano do jornalismo potiguar.

O chefe do setor de pesquisa e do arquivo fotográfico da "Tribuna do Norte", José Mussolini Fernandes. Baixinho, com o cigarro pendurado no bico, entrando na redação para perguntar as novidades.

 

FONTES

A Ordem

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Simplória e improvisada hemeroteca e biblioteca esportiva (final)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

Como torcedor da “Estrela Solitária”, desde que me entendo de gente, lá por volta dos sete ou oito anos, não poderia faltar na minha “estante” a biografia de Manoel Francisco dos Santos:

“Estrela Solitária – um Brasileiro chamado Garrincha” (Ruy Castro). Presente do mano José Valdir Julião, também torcedor do alvinegro carioca, claro, herança e influência paterna.

Da mesma forma, como torcedor americano desde 1969, a biografia de Carlos Moura Dourado, “O Príncipe Negro” (Bruno Araújo), uma publicação da genuína potiguar Editora Primeiro Lugar.

Ainda na lista das doações o presente do meu amigo jornalista Fred Carvalho: “História do Riachuelo no Campeonato Potiguar – 1949/1993” (Júlio Bovi Diogo, Marcos Trindade e Rodolfo Pedro Stella Júnior).


No rol das aquisições de ordem pessoal o “Almanaque do Fortaleza” (Davi Barboza e José Renato Santiago S. Júnior), “Treze Futebol clube: 80 Anos de História” (Mário Vinícius Carneiro Medeiros), “História do Campeonato Potiguar – 1918/1920” (Júlio Bovi Diogo).

Do pesquisador Marcos Trindade, em PDF, são cedidos os “Almanaques da Lusa” (Portuguesa de Desportos), fruto de tese acadêmica (Érico Faria Loreto, Márcio Monteiro de Alencar, Rafael Ribeiro Emiliano e Thiago Vasconcelos Teixeira de Azevedo);

Além do “Almanaque Colorado” (Alessandro Moraes), do Internacional de Porto Alegre, e do “Almanaque do Ferrão” (Evandro Ferreira Gomes), dedicado, claro, ao tricolor Ferroviário de Fortaleza.

A última aquisição aconteceu no “Sebo Vermelho”,


por ocasião do lançamento de um livro de Osair Vasconcelos. O alvo foi o livro depoimento e memórias do presidente do América, o ítalo-potiguar Humberto Pignataro.

Para encerrar com chave de ouro o meu colecionismo cito outros dois excelentes livros de Rubens Lemos Filho:

“Memórias Póstumas do Estádio Assassinado” (Castelo Branco/João Machado) e “Juvenal Lamartine – Primeiro Estádio Minha Versão”.

E também não posso deixar de relacionar o único emprestado: “Futebol: A Arte de Um Nômade II”, a continuidade da autobiografia do ex-jogador e professor paraibano de Campina Grande, Manoel Luiz Melo, o “Luizinho Bola Cheia”, campeão invicto pelo Alecrim (1968), recentemente falecido.