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domingo, 14 de julho de 2024

Identificada a miss que posa com atletas tricolores

As 22 candidatas posam na passarela da beleza numa promoção tradicional dos Associados

A representante potiguar Amarilis Gomes Araújo

José Vanilson Julião

O redator errou ao informar que a miss que posa com os jogadores do segundo Santa Cruz da capital potiguar foi representante do tricolor em 1956.

Na verdade Amarilis Gomes Araújo é eleita miss Rio Grande do Norte pela Associação Potiguar de Estudantes.

Representa o estado na segunda participação no concurso Miss Brasil no Hotel Quintadinha, na cidade de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro (16/6/1956).

Concorrendo com jovens do Distrito Federal (a cidade do Rio de Janeiro), território federal do Acre e 20 unidades federativas.

É eleita a catarinense e representante gaúcha Maria José Cardoso. Com o Estado do Rio, Pará, Ceará, Distrito Federal e São Paulo do sexto ao segundo lugar.

A primeira vez do RGN no concurso acontece no ano anterior com Maria José Varela Pacheco. Pela "crônica social" da Rádio Cabugi.

Amarilis, senhora Érico de Souza Hackradt (vereador e presidente da Câmara de Natal) faleceu em 31 de janeiro 2022 (do site do colunista social mossoroense Toinho Silveira).

Para efeito de identificação dos atletas tricolores na fotografia anterior: Ivanildo, Etinha, Laércio, Amarilis (madrinha do time), Severo Câmara, Honorato, Deraldo e Tarcísio.

Outro mistério a ser desvendado é saber se a imagem com os jogadores foi feita antes do concurso ou depois.

O certo é que o Aero Clube (domingo, 23/6), uma semana após o encontro da beleza, realiza uma matiné para homenagear Amarilis.


FONTES/IMAGENS

O Cruzeiro

O Poti

Revista do Rádio

Blog No Ataque

Passarela Cultural

Portal de Memórias Barra de São Miguel/PB

Premiere RN

Acervo José Ribamar Cavalcante

Reportagem analisa 29 anos do segundo Santa Cruz

Amarilis, a miss tricolor, com os
atletas em 1956, 22 anos de fundação

José Vanilson Julião

A melhor reportagem analítica sobre a situação do segundo Santa Cruz do futebol potiguar, entre o interregno do primeiro licenciamento (1960) e o segundo (1967), no segundo ano após o único retorno (1962), está no agora semanário católico "A Ordem" (sábado, 30/3/1963), ainda vinculado ao Centro de Imprensa e que havia circulado como diário vespertino (1935/53).

"No esporte potiguar 1 - Santa Cruz "num fio de esperança" mas com ótimos planos" o título do texto assinado pelo repórter Teixeira Rocha. Quando faz diagnóstico preciso do tricolor em 29 anos de existência "de glórias e tradição... poderia ter sido um dos grandes clubes ao lado de ABC e América, os quais contaram com maior número de abnegados..."

Ainda continua na abertura da histórica reportagem que vai de encontro ao título da primeira série de sete que dá um perfil do clube das três cores (vermelho, preto e branco: - Nos últimos quatro anos foi uma verdadeira luta do tricolor a procura da reabilitação, sem, entretanto, conseguir o ideal,"

Do segundo  parágrafo em diante traça em pinceladas as administrações de dirigentes emblemáticos, como Evaldo Lira Maia (presidente entre 1954/59) e a rápida passagem de Pedro Paulo Bezerra (curiosamente antigo jogador da categoria de aspirantes do ABC).

Entretanto, curiosamente, passa ao largo a administração do professor e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Oscar Nogueira Fernandes, que renuncia, sendo sucedido pelo vice-presidente Pedro Paulo Bezerra.

E de passagem cita o sucessor o capitão Osvaldo Moreira de Souza, o responsável pelo retorno ao campeonato estadual. Finaliza com o presidente Euclides Vidal de Lira, que fica a frente do clube até o licenciamento definitivo.


sexta-feira, 12 de julho de 2024

O segundo Santa Cruz é campeão dos "aspirantes"

Arte do site "História do Futebol" sobre o primeiro
escudo. O mistério é a mudança para "Cultura"

José Vanilson Julião

Se a sede ainda existisse de fato, inclusive com o salão de taças, lá estariam não apenas o "caneco" do único título do campeonato estadual (1943).

Mas também, pelo time principal, o "Torneio Napoleão Laureano" (1951), e o troféu de campeão na categoria aspirantes (1946), decidida no ano seguinte.

Os dois jogos finais envolveram o tricolor (campeão do turno) e o ABC (vencedor do returno em dezembro de 1946).

O primeiro jogo no tradicional Estádio Juvenal Lamartine (quarta-feira, 7 de maio) é vencido pela agremiação das três cores.

E o clube vermelho, preto e branco derrota novamente o alvinegro (sexta-feira, 16 de maio) pela contagem de 3 a 2.

A festa matinal do "expressinho" tricolor ocorre no Brasil Clube (domingo, 3/8) com entrega de medalhas oferecidas pelo dirigente Euclides Vidal de Lira.

Os campeões: Petrônio, Bastinho, Eliezer, Zé Moura, Luci, Jessé, Chico, Altanir, Nilo, Zé Eider e Dete.

Nos dois jogos decisivos os elencos titulares foram as atrações como jogos fundo ou principal.

O detalhe curioso: na última rodada o ex-atacante alvinegro, o pernambucano Hermes Marques Amorim (oriundo do Torre do Recife) foi o árbitro nos dois jogos.

Presidente do segundo Santa Cruz era botafoguense

Geninho (segundo agachado) no elenco de 1947, base do campeão carioca na temporada seguinte

Dirigente Euclides Vital de Lira é nome de rua no bairro Pajuçara na zona norte de Natal

José Vanilson Julião

O antigo auxiliar do comércio alvo de nota sobre o aniversário nas "Sociais" do diário vespertino "A Ordem" (sexta-feira, 28/4/1939), Euclides Vital de Lira, é o mesmo presidente do Santa Cruz Esporte e Cultura no sonho do retorno três anos e cinco meses após o segundo licenciamento na década de 60.

Começa no futebol como presidente do "Sport Club Flamengo", conforme nota do jornal católico (sexta-feira, 26/1/1940), com o construtor Joaquim Victor de Holanda, o jornalista Djalma Maranhão e o chileno Jacó Lamas na "diretoria de honra". 

Em abril de 1943 aparece na imprensa já como funcionária da empresa aérea Panair do Brasil, subsidiária da norte-americana "Pan-American", com escritório na Avenida Duque de Caxias (Ribeira).

Pelo Santa Cruz Esporte e Cultura aparece como representante do tricolor na comissão de recepção (como fiscal de portão ao lado de Hugo de Castro) ao Maguari na temporada do alvinegro de Fortaleza em março/abril de 1945.

Ainda o presidente da Federação, tenente Antonio Fernando Leitão; João de Brito (diretor de esportes); o secretário do ABC, Vicente Farache Neto; capitão Rolindino Manso Maciel (presidente do Alecrim) e Epitácio Fernandes de Oliveira (FND).

O cronista, acadêmico de Farmácia e depois vereador no interior potiguar, Wladimir Limeira, em série sobre os clubes cariocas, o aponta como torcedor botafoguense em "A Ordem" (sexta-feira, 28/2/1947).

Na lista: Humberto Nesi (presidente do América), Altanir Borges (presidente do ABC), Geraldo Serrano (professor de Educação Física e treinador tricolor) e jogadores da época: José Aranha Lins, Geraldo Cabral, João Batista Bezerra ("Dão"), Antonio Fernandes Filho;

Mário Eugenio Lira Filho (rebento do vereador e prefeito com o mesmo nome), Raimundo Ubirajara de Macedo (depois jornalista esportivo e funcionário dos Correios), Rivadavia Guerreiro (ex-jogador do Santa Cruz) e mais uma dezena de nomes...


Crédito da imagem: Sport Ilustrado/História do Futebol



Sonho do "Tricolor" para retornar a primeira divisão

Monte Castelo, do Batalhão de Engenharia e Construção, campeão amador sobe para a elite do futebol

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira notícia sobre o possível retorno do segundo licenciamento na mesma década anterior vem do "Diário de Natal" (sábado, 5/12/1970).

O grande incentivador é o capitão Jorge Vieira com apoio as escolinhas, juvenil e aos adultos com treinos semanais (sábado e domingo) no 16 RI e Vila São José.

A coluna "AMADORISMO", do "DN" (sexta-feira, 5/2/1971), ainda dá corda ao pretensioso sonho do segundo clube com o nome Santa Cruz na capital.

A equipe para tentar a volta ao campeonato da primeira divisão faz amistoso no campo do 16 Regimento de Infantaria (Tirol) com a seleção de sargentos (Exército).

Segundo a nota do jornal Associado o tricolor conta com jogadores do Estrela do Mar, vice-campeão da segunda divisão do ano anterior.

Quando decidiu a competição amadora com o campeão Monte Castelo do Batalhão de Engenharia e Construção (Nova Descoberta).

Monte Castelo 4 x 1 Estrela do Mar decidem o turno da divisão amadora (sábado, 3/10/1970), Nazareno (dois), Jeremias, Tião e Toinho para o rubro-negro.

O campeão antecipado: Biro, Edmilson, Orlando, Erivan II (ex-ABC), Chico, Lourão, Jairo (Jacy), Jeremias, Tião (ex-Alecrim), Nazareno (o macaibense ex-América) e Assis (Freire).

Estrela: Brejinho, Paiva, Zeca, Dé, Arnaldo, Simonetti, Toinho, Miúva, Abel, Lambretinha e Manoelzinho.

Com apoio do capitão Almeida o líder é treinado pelo veteraníssimo José da Rocha Bezerra, o "Papagaio", antigo zagueiro, pela ordem, do América, Alecrim e ABC.

Os classificados para o returno: Monte Castelo, Estrela do Mar, Racing, Palmeiras (estes das Rocas), Treze (Vila Dom Eugênio) e Portuguesa.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Segundo Santa Cruz campeão do Torneio Napoleão Laureano

Fundação hospitalar na capital paraibana tem como patrono o idealizador e médico Napoleão Laureano

Médico paraibano homenageado é nome de rua e travessa no bairro do Bom Pastor

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Napoleão Laureano

O licenciado Santa Cruz Esporte e Cultura, um dos quatro com este nome no futebol potiguar e um dos principais alvos da série que alcançou sete postagens, além de ter sido campeão estadual uma única vez (1943) e segundo colocado em três participações (1941, 1947 e 1950), também é vencedor de um torneio não oficial realizado na segunda quinzena de maio de 1951 e praticamente desconhecido.
A competição leva o nome do médico Napoleão Rodrigues Laureano (Natuba/Umbuzeiro/PB, 22/8/1914 - Rio de Janeiro, 31/5/1951) e que ainda dá nome de logradouros na comunidade da Zona Oeste da capital norte-rio-grandense.
Resultados das rodadas duplas com os quatro "pequenos" da época: Alecrim 0 x 1 Santa Cruz, Riachuelo 0 x 2 Atlético, Santa Cruz 1 x 0 Riachuelo, Atlético 6 x 0 Alecrim, Santa Cruz 1 x - Atlético e Riachuelo 3 x 3 Alecrim.

QUEM FOI

Formado em Medicina no Recife (1943) ficou conhecido como o "médico dos pobres" e em 1945, eleito vereador na capital paraibana pela União Democrática Nacional (UDN), é conduzido para presidente da Câmara (Poder Legislativo municipal).
Na sede do jornal “Diário Carioca” (17/3/1951), no Rio de Janeiro, realizou-se uma Mesa Redonda solicitada pelo doutor Napoleão Laureano, que se esforçava para expressar o desejo de que fosse feita campanha nacional de luta contra o câncer.
Presentes os jornalista Danton Jobim, Pompeu de Souza, Simões Filho (Ministro da Educação e da Saúde), senador Ruy Carneiro, médicos Mário Kroeff (Serviço Nacional de Câncer), Alberto Coutinho, Jorge de Marsillac, Osolando Machado, Antonio Pinto Vieira, Adayr Eiras de Araújo, Sérgio de Azevedo, Turíbio Braz e Fernando Gentil.
Napoleão Laureano: ”Ninguém poderá duvidar das minhas intenções, pois condenado pela medicina, nada pretendo para mim. Profissionalmente me faltarão as forças necessárias para qualquer iniciativa... Mas para milhares de brasileiros vítimas do mesmo mal quero ver fundado pelo menos um centro de combate ao câncer em João Pessoa”.
Em pouco tempo as rádios anunciam que a população carioca se manifesta solidária com a bandeira de Laureano e a arrecadação de donativos atinge elevado valor financeiro. Quando é sugerida a criação de uma Fundação para gerir os recursos doados.
A primeira diretoria: Pompeu de Souza (diretor-presidente), médico Amadeu Fialho (vice), Ruy Carneiro (tesoureiro), Mário Kroeff (Executivo) e Jorge Sampaio Marsillac (secretário).
Na presidência de honra Darcy Vargas e na vice Assis Chateaubriand. Ás 20h30 do dia 31 falece, no Hospital Gafrée e Guinle, Napoleão Laureano.

FONTES
A Ordem
A União
Diário Carioca
Diário de Natal
O Cruzeiro
Tribuna do Norte
Federação Internacional de Estatísticas de Futebol
Futebol Nacional
Hospital Napoleão Laureano
Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba

Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (VII)

Um longo muro e velho para lamentações são os indícios do que restou do tricolor da capital potiguar

Parede sem qualquer identificação: o resto do antigo e tradicional Santa Cruz Esporte e Cultura

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Vista da Praia do Meio no começo da década de 60

Cinco anos após o primeiro licenciamento ocorre a segunda saída da década, agora em definitivo, anuncia o presidente do Santa Cruz Esporte e Cultura, Euclides Lira.

Antes do Torneio Início (10/6) e com a sistêmica crise financeira. Com cobertura da "Tribuna do Norte" (terça-feira, 30/5, e quinta-feira, 8/6/1967) e o "Diário de Natal" (sábado, 3/6).

Até meados dos anos 50 o tricolor, o segundo "Santa Cruz" da capital potiguar, tinha sede na Rua João Pessoa, sobreloja do Natal Club. Com a construção de nova sede transfere-se para a então Avenida Café Filho.

O entorno da "Circular", atual "Presidente Café Filho" (Praia do Meio"), ainda não era tão urbanizada, e somente depois o trecho ou quarteirão da sede passou a se chamar Rua 25 de Dezembro com "Feliciano Coelho", paralela com a "Café Filho".

O clube ainda ensaiou o retorno nos anos 70, mas a sede, no final do mesmo ano, acabou abrigando a "Casa da MPB", uma iniciativa privada do "Grupo Cultural Resistência" liderado pelo acadêmico de Medicina Jaime Calado dos Santos.

A "Casa da Música Popular Brasileira" foi inaugurada na segunda quinzena de novembro com uma apresentação do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga, o "Rei do Baião".

A fachada das instalações, sem identificação, foi o que restou, pela história, duração de atividade no esporte, daquela tradicional agremiação que um dia chegou a ser participante do "clássico dos clássicos" contra o ABC.


FONTES/IMAGENS

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Fatos e Fotos de Natal Antiga

Acervo Chico Potengi


quarta-feira, 10 de julho de 2024

Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (VI)

Alecrim: Leto, Mauricio, Petit, Mauro, Manoelzinho, Petita, Pedro 40, Gilvandro, Macaíba, Bira, Wallace e Canindé

Volta dois anos depois com novo presidente doublé de treinador de voleibol do Centro Feminino

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O boato do licenciamento corre desde maio de 1960, após a competição amistosa caça-níquel "Torneio Brasília", e um mês depois da reportagem especial de Everaldo Lopes Cardoso no semanário "O Poti" o esperado acontece.

No mesmo dia do informe da saída americana pelo presidente Heriberto Bezerra, na "Resenha Esportiva Montilla" (segunda-feira 21/3), na Rádio Poti, é anunciada a posse do presidente tricolor, Oscar Nogueira Fernandes, na noite da quarta-feira (23) no Aero Clube.

Foi o jornalista João Neto, na coluna "Ponto de Vista", também no "Diário de Natal" (sexta-feira, 13 de maio), que anunciou a primeira nota sobre o boato da saída do Santa Cruz, repercutida dois dias depois em reportagem complementar.

O lengalenga continua até o último dia do mês, inclusive com um novo fuxico da imprensa sobre a possibilidade, também, do licenciamento do Riachuelo Atlético Clube, o time "naval" da cidade.

Nos próximos 30 dias a novidade era a filiação do time da movelaria "Globo", do húngaro Imre Fried. Em entrevista a emissora dos Diários Associados Nogueira confirma a debilidade financeira. Dia 6/7 é oficializada pelo Ato número 43.

O Santa Cruz Esporte e Cultura entra janeiro de 1962 com o ex-presidente Pedro Paulo Bezerra rejeitando a possibilidade de terminar o mandato do também ex-presidente Oscar Nogueira Fernandes.

Com isso, sem eleição do Conselho Deliberativo o tricolor é conduzido a título precário pelo abnegado Euclides Lira, surge um novo nome para assumir a batata quente e convoca os sócios-proprietários para uma reunião (domingo, 28/1).

"Não me parece impraticável a volta com um time exclusivamente amadorista", disse o capitão Osvaldo Moreira de Souza, o novo presidente ao "Diário de Natal" (terça-feira, 30/1/1962) e ainda técnico de voleibol do Centro Esportivo Feminino.

O jogo do retorno: Santa Cruz 1 x 2 Ferroviário (domingo, 8/7). Com esta formação: Castor, Gileno, Gilvan, Leto (acima no Alecrim), Olinto, Zacarias, Aristoteles, Gustavo, Codinha, Mucio e Luciano.

No torneio início (domingo, 1/7) o "Santinha" havia sido eliminado pelo ABC nos tiros livres com cobranças do antigo meia americano Wallace Gomes da Costa (3 x 0).


FONTES/IMAGEM

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Acervo José Ribamar Cavalcante

Blog No Ataque


Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (V)

Edmilson Silva Araújo (o terceiro) saiu do Santa Cruz, passou ao ABC e foi para o Tricolor carioca

O segundo Santa Cruz da capital potiguar foi um celeiro para revelar craques locais

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Antes do primeiro licenciamento do Santa Cruz Esporte e Cultura ser homologado o repórter Everaldo Lopes Cardoso assina reportagem especial sobre o assunto no semanário "O Poti" (domingo, 5/6/1960): "O Santa Cruz lutará até o fim".

Em tom catrastófico, muito mais do que o licenciamento americano, admite que seria difícil a permanência do tricolor, após os gastos, e preconiza que a saída seria o fim, realmente efetivado com o segundo licenciamento (1967).

"O ano passado o clube gastou o que não tinha com o presidente Evaldo Maia gastando até os cabelos da cabeça", assegura o jornalista.

E mesmo assim ganha no returno as três categorias (titular, aspirante e juvenil) para perder no final para o ABC (principal e reservas) e América.

Em seguida relaciona um rosário de históricos jogadores desde 1935 (ano da fundação e estreia no campeonato estadual):

Chagas, Dão, Ponciano, Reinaldo Praça, Monte, Hemetério, Cesário, Francisquinho, Rivadávia, Piolho, Varela, Wallace, Murilo, Zeno, Joãozinho, Mário Mota, Luizinho...

Ainda: Oscar Francisco, Gordo, Miranda, Patú, Zé Lins, Piancó, Shelita, Canindé, Osir, Gondim, Luci, Nilo, Marmita, Músico, Lazito...

Muitos, com idas e vindas, com passagens pelos "grandes" ABC, América e como também pelo ainda "suburbano" Alecrim.

Considerado um celeiro de craques, inclusive de oriundos do Racing e Palmeiras, ambos do bairro das Rocas.

Entre os mais famosos o artilheiro americano Rivaldo de Oliveira Paula ("Saquinho") e Edmilson Silva Araújo ("Piromba"), o médio abecedista do Fluminense e Internacional.

Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (IV)

Time do ABC campeão do terceiro turno e vencedor do triangular final do campeonato estadual/1959

O segundo Santa Cruz da capital dentro de campo antes do primeiro licenciamento

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Reportagem do extinto jornal "A República"

O supercampeonato de 1959 foi decidido em triangular final (como se fosse um quarto turno) apelidado como "supercampeonato", imitação do Carioca.

Pela decisão entre Vasco da Gama (campeão), Flamengo e Botafogo em 1958. O América conquista o Turno, o Santa Cruz o returno e o ABC o terceiro.

A decisão em fevereiro/1960 por causa do Campeonato Brasileiro de Seleções com o RN desclassificado pelo Distrito Federal (Rio de Janeiro) com dois jogos em Natal.

A pontuação final do triangular: ABC (seis pontos), América (quatro) e Santa Cruz (dois). Resultados abaixo.

Depois do campeonato estadual o presidente Evaldo Maia dá posse ao sucessor, o professor e bacharel em Direito Oscar Nogueira Fernandes (também conselheiro do Tribunal de Contas do Estado), que acaba licenciando o tricolor.

Mas antes o Santa Cruz Esporte e Cultura, com a sede na praia do Meio (Avenida Presidente Café Filho), ainda participa do "Torneio Brasília", em homenagem a capital federal recém inaugurada no Planalto Central (Região Centro-Oeste).

Eis os resultados da competição amistosa realizada entre abril e maio de 1960, pouco divugada e quase desconhecida pelos torcedores do campeão ABC: 4 x 2 Alecrim (27/4), 3 x 2 Riachuelo (8/5), 8 x 1 Atlético (22/5) e 2 x 1 Santa Cruz (26/5).


TRIANGULAR

Santa Cruz 0 x 1 América (7/2), Neto (contra)

ABC 2 x 0 Santa Cruz (10/2), Paraíba e China

América 1 x 3 ABC (14/2), Cocó (2), Paraíba e Cezimar

América 4 x 0 Santa Cruz (17/2), Saquinho (2), Wallace e Chicó

Santa Cruz 2 x 1 ABC (21/2), Dedeca e Dedé e China

ABC 4 x 3 América (24/2), Paulo Izidro (2), Mota, China, Chicó (2) e Papagaio


FONTES

A República

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Arquivos de Futebol do Brasil

Blog do Marcão

Datatrindade

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol

Diogo, Júlio Bovi - História do Campeonato Potiguar (1918/2020)


terça-feira, 9 de julho de 2024

Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (III)

Conheça o presidente que licenciou pela primeira vez o segundo clube Santa Cruz da capital

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Conselheiro Oscar Nogueira Fernandes

O presidente do Santa Cruz Esporte e Cultura, Oscar Nogueira Fernandes (1929 - 2012), foi conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, criado pela lei 2.152 (22/11/1957) e instalado no Governo de Dinarte de Medeiros Mariz (12/1/1961).

Com sete ministros: Vicente da Mota Neto (presidente), Oscar Nogueira Fernandes, José Borges Montenegro, Lindalva Torquato Fernandes, Aldo Medeiros, Morton Mariz, Romildo Gurgel e como Procurador Geral Múcio Vilar Ribeiro Dantas.

Décimo filho de um total de 11, nascidos em Pereiro, no Ceará, filhos de Christalino Fernandes de Queiroz (1883 - 1931) e Tercina Nogueira Fernandes (1891 - 1988), Oscar Nogueira Fernandes foi levado para Natal ainda criança, em decorrência da morte do pai.

Na capital potiguar estudou no Colégio Marista, Atheneu e Sete de Setembro. Advogado, o primo Hemetério Fernandes, compra o Ginásio Sete de setembro e convidou Oscar e o rmão, Francisco para a administração. Foi o primeiro emprego

Oscar permanece 15 anos na escola (1943/1968), tendo conhecido a esposa Hebe Marinho (filha do deputado federal Djalma Aranha Marinho), no local do trabalho, de tesoureiro a professor.

Faz Direito em Maceió, concluído em 1955, exerce o cargo de procurador jurídico do Departamento Estradas e Rodagens e depois juiz municipal em Natal.  Em 1961, nomeado ministro do TCE.

Em paralelo professor de Direito Municipal e Direito Constitucional da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A aposentadoria em 1988, quando passou a marceneiro, pescador e cultivador de plantas.


FONTES

Diário de Natal

Blog Jota Maria Family Search

Sindicato dos Auditores Fiscais

Tribunal de Contas do Estado/RN

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (II)

Formação do Santa Cruz Esporte e Cultura dois anos antes de pedir o licenciamento definitivo

América e Santa Cruz Esporte e Cultura pedem licenciamentos no mesmo primeiro semestre

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O primeiro dos quatro tricolores, o Sport Club Santa Cruz, realiza quatro jogos em cada uma das primeiras três temporadas (1928/30). Na última (1931) duas partidas. Total: 14.

O segundo com este nome participa sem interrupção de 1935 a 1959. A Imprensa em geral somente fala no licenciamento americano em março de 1960, logo após o encerramento do campeonato anterior.

Entretanto o Santa Cruz Esporte e Cultura toma a mesma iniciativa no primeiro semestre do mesmo ano. Fica de fora duas temporadas (60/61).

No final de junho, confirmado rumor, o presidente recém empossado, Oscar Nogueira Fernandes, anuncia o licenciamento, oficializado na primeira semana do mês seguinte pelo presidente da Federação, Salatiel Silva.

Retorna em 1962, enquanto o alvirrubro volta em 1966, último ano do tricolor, que sai em 1967 para não mais voltar.

O terceiro tricolor com as cores do município (verde, vermelho e branco), portanto sem o preto do segundo e o quarto, é o da cidade de Santa Cruz, a 116 quilômetros da capital potiguar.

Se o primeiro e o segundo não tem grande número de simpatizantes o time da cidade homônima, pela situação local, é o único mesmo a contar com adeptos pela representatividade comunitária.


Ingredientes para "clássico" são títulos, números e torcida (I)

Uma das formações do segundo Santa Cruz (o Esporte e Cultura) sucessor do primeiro com este nome

Parâmetros: Santa Cruz de Natal ainda não tem o tempero de clube tradicional

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Neste domingo comentei o inusitado de parte da imprensa paulista ("Gazeta Esportiva" e "Universo On Line") tratar América/RN 2 x 0 Santa Cruz/RN (rodada 12 da primeira fase da Série D) como um "clássico".

Até se pensa que a "Gazeta" e o 'UOL", basta o leitor conferir na postagem anterior, copia a manchete do excelente site pernambucano "Nordeste 45": "América vence o Santa Cruz e sobe na tabela de classificação..."

Confesso que antes do jogo até pensei: "Este jogo parece que está virando clássico". Mas sem pretensão de nominá-lo e tirar o histórico lugar do alviverde Alecrim ou comparar ao "clássico rei" América x ABC.

A coisa pode resultar nesta situação a depender do narrador gaúcho Marcos Lopes: - A proporção é para ser definitivamente a terceira força e transformar os confrontos contra ABC e América em clássicos, mas não chegou lá ainda.

O tricolor natalense - vermelho, preto e branco (as mesmas cores do tradicional Santa Cruz do Recife) - ainda precisar ralar alguns anos, somar "canecos", realizar mais de 500 partidas e ter torcida para se considerar um membro do restrito clube.

Só para o torcedor entender como o negócio é mais embaixo. Outras três agremiações com o mesmo nome já participaram dos campeonatos "citadinos" e "estadual".

O primeiro deles, Santa Cruz Sport Club, do qual carece maiores dados, conta com quatro participações: 1928/31. Na primeira ao lado do Paissandu, um time azul e branco, dissidência do América e até o Sport Club Natal, o do remo ainda hoje.

O Santa Cruz Esporte e Cultura (com o mesmo colorido do tricolor pernambucano), foi campeão uma única vez (1943 em decisão com o América) e vice-campeão potiguar (1941, 1950 e 1952).

Nas segundas colocações os campeões o ABC (duas primeiras) e América. No segundo lugar de 1941 o alvinegro completa dez títulos consecutivos. Em 1950 o ABC na frente, com manobra de bastidor no tribunal de Justiça Desportiva.

A última grande temporada do segundo "Santinha", que tinha sede na praia do Meio, aconteceu em 1959, quando entra em janeiro/fevereiro do ano seguinte. Acaba em terceiro lugar no quarto turno ou triangular final.

O América venceu o turno, o "Santa" o returno e o ABC o terceiro. Ocasionando um "super super campeonato", a exemplo do que havia ocorrido no Carioca pela época.

Uma escalação do Santa Cruz Esporte e Cultura (1941): Wallace, Zeno, Ferreira, Duda, Edival, Francisquinho, Dão, Barbosa, Clemente, Luizinho e Ponciano.


FONTES

A Ordem

Diário de Natal

O Poti

Sport Ilustrado

Tribuna do Norte

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol

História do Futebol

Nordeste 45


domingo, 7 de julho de 2024

Imprensa paulista denomina América x Santa Cruz como "clássico"

Wenderson marcou um gol "de cinema", o segundo (etapa complementar), na vitória americana

O site da "Gazeta Esportiva" e o portal "Universo On Line" estamparam no mesmo horário (20h2) a mesma manchete neste domingo:

"América-RN vence clássico contra o Santa Cruz de Natal e sobe na tabela do Grupo A3 da Série D".

O redator ainda notou que o titulo sobre a vitória do alvirrubro sobre o tricolor (2 x 0), pela Série D, saiu da redação da "Gazeta", sendo reproduzida pelo UOL.

Também acredita que o jornalismo paulistano não se refere ao Santa Cruz, da cidade do interior do Rio Grande do Norte, que já participou do campeonato potiguar.

Porém acha que a reportagem talvez tenha confundido o atual Santa Cruz com o homônimo fundado em 1934, campeão estadual uma única vez (1943) e vice pelo menos uma vez (1947), e licenciado desde 1967. (JVJ)

A confraria botafoguense nos blogs dedicados ao "Glorioso"

Torcida alvinegra lota o Estádio Nilton Santos/Foto: Vítor Silva

Cláudio Falcão, editor do DATAFOGO, coloca o JORNAL DA GRANDE NATAL entre favoritos

José Vanilson Julião

Quem ler as reportagens inéditas deste espaço deve ter notado que tenho como fontes os conceituados blogs "Datafogo" e "Mundo Botafogo", os quais acesso diariamente para saber assuntos antigos e recentes do Botafogo.

A semana passada, por exemplo, li postagem com o título "Retrospecto atualizado do Botafogo no Maracanã" (quarta-feira, 3/7/2024), com pesquisa de Pedro Varandas, a qual suscita comentários dos internautas, "todos" botafoguenses.

"BFR Números" diz: Excepcional relatório do mestre... A imagem escolhida pelo editor ficou perfeita também... Aguardo com ansiedade o levantamento atualizado do Estádio Nilton Santos.

O responsável pelo DATAFOGO, Cláudio falcão, responde: - Transmitirei seus elogios... foi ele que me enviou a foto para ilustrar a postagem.

Varandas: - O Falcão, Eduardo Santos, Carlos Vilarinho, Caíque, Marcelo Albuquerque, Roberto Nahal, Ruy Moura (MUNDO BOTAFOGO), Sérgio Tinoco, entre outros pesquisadores também sabem muito do Botafogo. Somos um grupo.

Aproveitei para deixar minha mensagem: - Exatamente. Os pesquisadores estudiosos e torcedores são do mesmo grupo "Glorioso". Aproveito para dizer que no meu blog (JORNAL DA GRANDE NATAL) tem material, de alguma forma, com curiosidades, relacionados ao RN e ao Botafogo.

Cláudio: - Acho interessante o paralelo traçado entre o Botafogo e seus atletas e o Rio Grande do Norte e seus clubes.

Respondo: - São coisas do destino. As coincidências da vida. O pai de Nilo e Frederico Murtinho, Emanuel Gomes Braga, foi capitão dos Portos em Natal. Ramiro Gomes Pedrosa, pai de Roberto Gomes Pedrosa, é do RN. Os irmãos trouxeram a primeira bola da Inglaterra para Natal.


NOTA DO REDATOR: para minha surpresa Cláudio Falcão coloca o JORNAL DA GRANDE NATAL entre os favoritos na aba do DATAFOGO. Agradeço.

sábado, 6 de julho de 2024

Jogador "abandona" América/RN e completa dois meses inativo

Matheusinho espera a grana americana em casa

Neste domingo (7) completa exatamente dois meses, após entrar na Justiça Trabalhista e ganhar o direito de romper o contrato com o América/RN, que o meia-atacante paulista Matheus Cotulio Bossa ainda não assinou novo vínculo com nenhum clube brasileiro e sequer estrangeiro.

Cria do Corinthians o Matheusinho, 31, chegou no alvirrubro em junho do ano passado depois que estourou uma guerra interna no Sudão, país do Norte do continente africano, em que se encontrava.

Sendo um dos reforços para o elenco americano na disputa da Serie C (terceira divisão nacional), mas  clube norte-rio-grandense acabou novamente rebaixado para o nível D (última divisão).

O jogador, que reclamava atraso de pagamento, inclusive de bonificações, pela leitura do jogo, pode encerrar a carreira prematuramente. Por decisão unilateral ou falta de interesse do mercado.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Falece o repórter esportivo potiguar Levi Araújo Barreto

Na equipe Levi Araújo é o primeiro, de camisa amarela e branca, ao lado do comentarista Pedro Neto

Agora há pouco o blog recebe a informação do falecimento (aos 68 anos), nesta madrugada, do referido radialista, que ficou conhecido como setorista do ABC.

Ainda não temos informes familiares, mas a triste notícia já corre entre os amigos, entre eles o comentarista e ex-árbitro César Virgílio Pereira, e o jornalista Kolberg Luna Freire.

O ano passado (3 de março) Levi perde em Foz do Iguaçu, no Paraná, o filho Thiago Azevedo Barreto.

Ocasião em que o presidente da FNF, José Vanildo, determinou a realização de um minuto de silêncio na partida ABC e Atlético no "Frasqueirão".

CARREIRA

Levi Araújo passou pelos principais prefixos locais. Esteve militando no rádio cearense

“Não tenho nem forma para mensurar a alegria que estou sentindo por este retorno à Rádio Globo, emissora que me projetou", destaca Levi, em entrevista a "Tribuna do Norte" (2/6/2012).

Ele foi funcionário da Previdência Social e deixou o cargo para seguir carreira no rádio.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (XIII)

Baldomero Carqueja Fuentes e parceiro são autores de uma única peça teatral com compositores

JOSÉ VANILSON JULIÃO

José Francisco de Freitas: musicista

Com a morte de causa natural do pai (um importante personagem a ser abordado) na última semana de dezembro de 1912, pouco mais de um mês depois, aos 21 anos, Baldomero Carqueja Fuentes (irmão do personagem central) já está integrado ao corpo ou quadro redacional do tradicional diário carioca "Jornal do Commercio".

15 anos após entrar para o jornalismo Baldomero Carqueja escreve a peça teatral (a única obra) "Só na Flauta", uma comédia (revista cênica) encenada em 1928.

No palco do Teatro São José, aberto dois anos antes na Praça Tiradentes (centro do Rio de Janeiro), e de propriedade do empresário Pachoal Segreto, e destruído  em incêndio em 1931.

A peça foi escrita em parceria com Judex de Souza, com as músicas dos compositores Francisco de Assis Pacheco (Itu/SP, 8/1/1865 - Rio de Janeiro, 28/2/1937) e José Francisco de Freitas (Rio de Janeiro, 9/3/1897 - 12/2/1956), o "Freitinhas", considerado um dos consolidados do gênero musical carnavalesco "marchinhas".

Assis Pacheco: compositor

Uma pequena nota de três linhas anuncia o prosseguimento dos ensaios da peça ("Jornal do Commercio", sábado, 6/10).

Antecedida de sessão vespertinas de cinema (com a fita americana "Suzanna") a estreia acontece na segunda-feira (15).

De autor para crítico foi um pulo nos anos 40/50. Participando da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), promovendo seminários, congressos e encontros especializados.

E como consequência entra também na burocracia do setor de artes cênicas, como tesoureiro das associações de profissionais da comédia e da tragédia.





FONTES/IMAGENS

Almanaque Laemmert

A Manhã

Diário da Noite

Discolândia

Jornal do Commercio

O Imparcial

Revista do Rádio

Arquivo Marcelo Bonavides - Estrelas que nunca se apagam

Casa do Choro

Dicionário da Música Popular Brasileira Ricardo Cravo Albin

Instituto Moreira Salles - Discografia Brasileira

Instituto Piano Brasileiro

quinta-feira, 4 de julho de 2024

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (XII)

As múltiplas atividades do jornalista e irmão do arqueiro alvinegro Carqueja de Fuentes

JOSÉ VANILSON JULIAO

A fachada imponente do "JC"

Com as duas últimas postagens o leitor ficou sabendo que o engenheiro José Maria Carqueja Fuentes, guarda-meta ocasional do alvinegro entre 1920/22, tem um irmão jornalista.
Este parente bem próximo se trata de Baldomero Carqueja Fuentes, inicialmente redator esportivo do "Jornal do Commercio", fundado no século XIX.
Além do JC, onde entra no primeiro trimestre de 1913, em 1921 também frequentava a redação do diário carioca "O Imparcial", no qual planta a nota do casamento do irmão.
Afora o jornalismo desde 1926 Baldomero Carqueja está metido na cronometragem das partidas de futebol em tudo quanto é de liga, principal ou secundária - até meados dos anos 30.
O curioso: um site especializado em Súmulas técnicas e fichas de jogadores o coloca como atleta do América carioca no começo dos anos 20, sem mencionar posição ou jogos.
Mas a pesquisa não encontra nos jornais da época nenhuma menção neste sentido e acredita ser um erro de levantamento.
O que existe, de fato, é, por exemplo, o acompanhamento dele, como integrante da delegação, numa excursão do alvirrubro para a cidade de Guaratinguetá, no interior paulista.
A multiplicidade de atividades do Baldomero Carqueja não fica somente agregada ao jornalismo e ao esporte.
Também envereda pelo teatro, primeiro como um iniciante autor de peça e depois como crítico da arte cênica. É o que veremos a seguir...

quarta-feira, 3 de julho de 2024

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (XI)

Nota do matrimônio foi plantada na imprensa pelo irmão e repórter Baldomero Carqueja Fuentes

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Mario Pollo, um dos fundadores da ACERJ

A nota sobre o casamento do casal engenheiro José Maria Carqueja Fuentes/Maria da Glória Teixeira ter sido divulgado pelo jornal diário carioca "O Imparcial" (30 de abril de 1921) tem uma razão.

Seguramente foi plantada pelo irmão Baldomero Carqueja Fuentes pela posição privilegiada de fazer parte do corpo redacional do impresso. Assim como do famoso "Jornal do Commércio",  fundado no século XIX.

A inserção na página esportiva também tem um detalhe interessante em comum entre os dois. Amantes do futebol, o primeiro como torcedor do Flamengo; o segundo como redator esportivo do "JC" desde 1914.

Baldomero Carqueja Fuentes é um dos fundadores de um dos primeiros jornais especializados ('O Esporte") e da primeira associação de cronistas esportivos do Rio de Janeiro e do Brasil (5/3/1917). E nos anos 30 atuou com cronometrista em jogos.

No ano seguinte promove a primeira edição do torneio início do campeonato carioca, vencido pelo Fluminense. A instituição semelhante paulista veio logo depois.

A Associação de Cronistas Desportivos (ACD), entidade, sem fins lucrativos, tem caráter social, cultural, filantrópico e esportivo.

Em 22 de agosto de 1967, pela assembleia geral extraordinária, muda a denominação. Por unanimidade dos participantes unificou no quadro social associados do Departamento de Imprensa Esportiva da ABI – DIE.

Passando a Associação de Cronistas Esportivos da Guanabara (ACEG). Com a fusão do Estado do Rio de Janeiro com o Estado da Guanabara (abril/1975), passou a Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (ACERJ).

Os primeiros sete presidentes: Mário Polo (1917/21), Célio de Barros (1922/26), Fernando Nogueira Pinto (1926/34), Gerson Bandeira (1935/40), Antenor Soares Magalhães (1941/49), Célio de Barros (1949/62) e Isaac José Amar (1962/67).

Mário Polo foi também remador do Flamengo, jogador e presidente do Fluminense (1940/41). Célio de Barros deu nome ao estádio de atletismo do Rio de Janeiro.


FONTES/IMAGEM

A Manhã

Correio da Manhã

Jornal do Comércio

O Imparcial

Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro

Esporte Rio

Fluminense FC

Flunomeno


A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (X)

O casamento, parente próximo e clube preferido do engenheiro Carqueja Fuentes

JOSÉ VANILSON JULIÃO


Quando aparece na capital potiguar, provavelmente no primeiro semestre de 1920, o ano inicial do triênio da estadia natalense, para trabalhar nas obras do porto, o engenheiro José Maria Carqueja Fuentes ainda é um rapagão esticado, de estampa e solteiro.

Quase certo de que no final do segundo semestre, depois de participar de jogos amistosos pelo ABC contra clubes locais e o Cabo Branco da capital paraibana, retornará ao Rio de Janeiro, de férias, com uma importante missão pessoal.

É o que se vislumbra pela seção "Vida Esportiva" (página seis) do diário carioca "O Imparcial" (sábado, 30 de abril de 1921), que publica a notinha "UM RUBRO-NEGRO CONTRATA CASAMENTO":

"Contratou casamento com a gentil senhorita Maria da Glória Teixeira, filha do capitão de mar e guerra Otávio Luiz Teixeira, o senhor doutor José Maria Carqueja Fuentes, associado do campeão de terra e mar, irmão do nosso colega de imprensa, Baldomero Carqueja Fuentes."

Portanto, como mencionado na antepenúltima postagem, ficou bem a vontade para viajar até o Recife acompanhado da mulher, assim como dois dirigentes, o guarda-metas do selecionado da Liga no Torneio do Centenário da Independência em Recife (segunda quinzena de setembro de 1922).

Além do matrimônio a nota da imprensa carioca é também importante pelo fato de confirmar a existência e a localização do primeiro parente bem próximo, o jornalista Baldomero Carqueja Fuentes.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (IX)

O aeroplano "Sampaio Corrêa II" no estuário do Rio Potengi, próximo ao cais de Natal/RN

Carqueja de Fuentes se prontifica a socorrer tripulantes do "raid" Nova Iorque-Rio de Janeiro

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Euclides Pinto Martins, cearense criado no RN

"Estava já pronto o engenheiro Carqueja de Fuentes para seguir no rebocador "Papagaio" da obras do porto, afim de prestar socorro, quando o professor Luiz Soares recebeu um telegrama procedente de Canguaretama comunicando que Euclides Pinto seguira em trem com destino a cidade de Cabedelo".
O texto refere-se ao último parágrafo da reportagem em duas colunas, de autoria do correspondente potiguar, publicada na coluna 'O "Jornal" no Rio Grande do Norte', veiculada no diário "Jornal do Recife" (quinta-feira, 28 de dezembro de 1922).
E tem como alvo a segunda etapa do voo transcontinental América do Norte-América do Sul, que ficou conhecido como o "Raid Nova Iorque-Rio de Janeiro", com os cinco tripulantes das aeronaves "Sampaio Corrêa I" (caiu no Mar do Caribe ou das Antilhas em agosto) e o "Sampaio Corrêa II".
No começo da tarde saltam da "grandiosa libélula de aço", no caís da Avenida Tavares de Lira (Ribeira), o cearense criado no Rio Grande do Norte, o mecânico e copiloto Euclides Pinto Martins (Camocim, 1892 - Rio de Janeiro, 1924), o piloto norte-americano Walter Hinton, um engenheiro, um cinegrafista e um repórter.
Na segunda etapa do trajeto (22 de dezembro) o segundo hidroavião pousa no Rio Potengi (Natal) e depois de alçar voo para o Rio de Janeiro tem pouso forçado, por avaria num dos motores, no litoral do município de Baía Formosa, fronteira com a Paraíba.
O "pássaro de prata" desceu emergencialmente na praia Formosa, proximidades da Baía da Traição e Barra do Cunhaú, imediações do farol de Bacupari.
A transcrição da prontidão do engenheiro federal é importante por comprovar o que andava fazendo fora de campo, profissionalmente, no triênio na capital potiguar.

FONTES/IMAGENS
A Província (PE)
Diário de Pernambuco
Jornal do Recife
Jornal Pequeno
Suplemento Nós do RN/Diário Oficial
Assembleia Legislativa/CE
Fatos e Fotos de Natal Antiga

terça-feira, 2 de julho de 2024

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (VIII)

O burro havia sido aposentado e o bonde elétrico era o dono da rua desde 1911/Imagem: "Curiozzo"

Casal Carqueja Fuentes integrado na sociedade natalense durante estadia de três anos

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Em três anos de estadia na capital potiguar o engenheiro José Maria e a mulher Maria da Glória Teixeira Carqueja Fuentes estão integrados a sociedade natalense.

Dois meses e 15 dias após o casal desembarcar com a delegação do selecionado de futebol da Liga para o festejo do Torneio da Independência no Recife aparece um acontecimento em sociedade.

O jornal pernambucano "A Província" (quinta-feira, 30/11/1922), na coluna mundana "Notas Sociais", veicula a chamada Maria de Almeida - Garibaldo Romano, sendo citados os Carqueja Fuentes.

A nota refere-se ao casamento do funcionário público federal Garibaldo no dia anterior com cerimônias na casa do pai e mãe da noiva no bairro de Petrópolis, o "coronel" e comerciante Cussy de Almeida e dona Corintha.

Maria vem a ser irmã de Cussy de Almeida Júnior e do maestro Waldemar de Almeida, este pai do renomado músico potiguar Cussy de Almeida, portanto neto do primeiro com o mesmo nome.

Pela noiva são padrinhos (civil e religioso) os pais. Do noivo José Ferreira (engenheiro chefe da Inspetoria de Obras contra as Secas) e o casal Carqueja Fuentes, respectivamente pelo civil e religioso.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (VII)

Delegação da Liga potiguar no Recife conta com esposas de dirigentes e do personagem

José Vanilson Julião

Natal na rota dos vapores

A suspeita de que o arqueiro do América/RN, José da Silva, o "José da Cega (também apelidado de "Cazuza"), tenha sido afastado da possibilidade de ser o convocado para o selecionado da Liga potiguar, com o fim de participar do Torneio do Centenário da Independência no Recife, pode ter outra suposta variante.

A primeira, levantada pelo depoimento do jogador americano contemporâneo no alvirrubro de Natal, o também jornalista do extinto "A República" (entre 1924 e 28), João Maria Furtado, é de que o "keeper" americano mal sabia escrever o nome, condição que o teria feito ser renegado da embaixada norte-rio-grandense aos festejos na capital pernambucana.

A tese inicial foi alvo do depoimento, com o título "Viagem sentimental", do desembargador João Maria Furtado para a "Revista do América" comemorativa ao cinquentenário do clube (1965).

A edição 213 do jornal pernambucano "A Província" (quinta-feira, 14 de setembro de 1922) indica que o "causo" não passou de uma artimanha para favorecer uma curiosa situação familiar. A nota da seção "DESPORTIVAS" sobre chegada da delegação no Recife.

- Ás 11 horas de ontem a comitiva desembarca do vapor "Itapuhy" (Companhia de Navegação Costeira) no porto com Alfredo Lira (presidente), Arnaldo Fagundes (secretário), Álvaro Borges (representante do ABC) e Francisco Lopes (América).

E relaciona os jogadores: Carqueja Fuentes, Joaquim Carneiro, Manoel Pequeno (full-backs), Francisco de Paula Melo ("Canela de Ferro"), Antônio Albuquerque, João Ricardo (half-backs), José Rodolfo, Agnaldo Tinoco, José dos Santos, Augusto Lourival e João Oliveira (fowards). Reservas: Antônio Gentil, Ruy Lago e João Furtado.

AS MULHERES

Acompanham as esposas do nosso personagem principal, dona Maria da Glória Teixeira Carqueja Fuentes; dona Nair Santos (consorte de José dos Santos); e dona Francisca Fagundes (esposa de Arnaldo.

A delegação paraibana chega as 17 horas do mesmo dia pelo comboio da "Great Western". Entre os jogadores um futuro conhecido da torcida americana, o tenente Everardo de Barros e Vasconcelos.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (VI)

"Artificio" tira arqueiro americano do selecionado da Liga que vai ao Recife em 1922

João Maria Furtado
José Vanilson Julião

Preto no branco. Impresso no papel. Não somente nos velhos jornais. Tampouco nas edições da imprensa potiguar anos depois.

A "Revista do América", comemorativa ao cinquentenário do clube alvirrubro (1965), também registra o nome do principal personagem da série: José Maria Carqueja Fuentes.

No depoimento do desembargador João Maria Furtado (1904 - 1997), que esteve dentro e fora de campo, como atleta americano e repórter do jornal "A República" (1924/28).

No histórico, irreparável e artigo feito sob encomenda: "VIAGEM SENTIMENTAL" (página oito da referida publicação de aniversário da fundação do América).

Sobre o Torneio do Centenário da República no Recife com a participação das seleções das ligas pernambucana e paraibana.

- O América fornece para a primeira seleção Francisco Paula de Melo ("Canela de Ferro"), Agnaldo Tinôco, João Ricardo e este escrivinhador, que ficou na reserva. O maior "keeper" norte-rio-grandense, fenômeno pela estatura, agilidade e força, "Cazuza" ou "José da Cega" (José da Silva de batismo)...

... Deveria, por isso, inevitavelmente, compor este selecionado. No entanto os outros clubes, liderados pelo ABC, conseguiram uma deliberação na Liga proibindo que tomasse parte em jogos amistosos ou oficiais o jogador que apenas "ferrasse" o nome, como era o caso de Cazuza...

... Desse modo o homem que segurava o mais forte arremesso com apenas uma mão foi substituído pelo guarda-valas do ABC, o engenheiro Carqueja, infinitamente inferior...

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (V)

Depoimento da testemunha ocular da história coloca Carqueja Fuentes na roda dos eventos

José Vanilson Julião

Gil Soares atende Câmara Cascudo

Depois de mencionado desde o triênio 1920/22 na imprensa nordestina, especificamente no jornal potiguar "A República" e "Diário de Pernambuco", e por último no "Diário de Natal" (1981), o principal personagem da série, o arqueiro José Maria Carqueja Fontes, volta a ser citado na mídia da capital norte-rio-grandense em depoimento de Gil Soares de Araújo para o semanário "O Poti" (domingo, 4/9/1983).

Agora em reportagem de página inteira (16) da considerada edição dominical do Associado "Diário de Natal", ilustrada com duas fotografias posadas dos elencos alvinegro e do América/RN, é a reprodução do texto de Gil Soares de Araújo a pedido do escritor potiguar Luís da Câmara Cascudo para o segundo volume da obra "O Livro das Velhas Figuras".

No segundo parágrafo diz o potiguar então radicado no Rio de Janeiro: - Direi em linhas gerais o que soube, li, assisti ou vivi. Trata-se do período ingrato para os pesquisadores, quando os poucos e pequenos jornais da terra traziam raras e escassas notícias sobre a matéria...

"O futebol do R. G. do Norte até 1930". Eis o título da reportagem-depoimento de Gil Soares. Em que discorre sobre as fundações das primeiras ligas, dos primeiros clubes, dos craques e dirigentes pioneiros, como o citado militar Monteiro Chaves.

O redator destaca o último tópico do histórico e até então inédito depoimento: "OS MELHORES DO FUTEBOL" (assim mesmo em caixa alta). Quando são citados os craques, posição a posição, do goleiro ao ponta-esquerda, passando pela linha média, como se dia até os anos 50/60.

No meio de mais de uma centena de nomes são citados os arqueiros famosos da cidade: Carqueja de Fuentes e Jonatas Lisboa (ABC), José da Silva ("Cazuza") e Abel Viana (América), Firmino dos Santos (Centro e Alecrim), Ayta (Paissandu), Milton Sobral Correia (Sport Club Natal e América) e Domício Bezerra das Neves (Neném), aquele do Sport, América, ABC, Fluminense do Rio e seleção potiguar "Fantasma" de 1934, semifinalista do Campeonato Brasileiro de seleções estaduais.

QUEM ERA: Gil Soares de Araújo (Martins/RN, 10/11/1907 - Rio de Janeiro, 2005) foi promotor público, deputado estadual e federal (1950). Filho do desembargador Antônio Soares.


FONTES

A República

Diário de Natal

Diário de Pernambuco

Jornal "A Verdade"

Câmara dos Deputados

Fundação Getúlio Vargas

Fundação José Augusto

Geni

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (IV)

Pesquisador caicoense Joaquim Martiniano Neto é o primeiro a citar o arqueiro alvinegro

José Vanilson Julião

Professor Normando Bezerra: o fiel torcedor verde

Salvo menções no extinto jornal "A República" e no quase bicentenário "Diário de Pernambuco", em edições do começo dos anos 20 do século passado, o nome do arqueiro alvinegro José Maria Carqueja Fuentes somente voltou a ser visto na imprensa potiguar no "Diário de Natal" (terça-feira, 7/7/1981).

Em reportagem de quase meia página (11) assinada pelo falecido jornalista Everaldo Lopes Cardoso. Com base em criterioso levantamento no mencionado "A República" pelo pesquisador Joaquim Martiniano Neto, o primeiro a mergulhar a fundo nos velhos exemplares do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

A reportagem da mídia Associada tem título e texto complementar incontestáveis não são seguidos a risca pelos desprevenidos repórteres e comentaristas da atualidade (em blogs, sites e redes sociais). Por si só trazem resumo sobre verdades insofismáveis.

Primeiro o título: - ABC: um bi duvidoso e um tetra que o América não considera muito. Segundo o título do texto complementar a reportagem principal: - Títulos de 1928/29 são contestados e o América não é campeão de 1922.

Na entrevista de Joaquim Martiniano Neto até sobra para o Alecrim, que não teria o bi de 1924/25, como alardeiam os torcedores esmeraldinos mais fanáticos e fiéis, entre eles o professor Normando Bezerra.

A extensa reportagem se torna histórica e muito mais importante por informar que o personagem central desta série, J. M. Carqueja Fuentes, não só entra em campo, como está metido na organização do futebol naqueles tempos de pioneirismo.

APARECE NOSSO PERSONAGEM

Registra a seção "Vida Social" em "A República" (9/7/1920): - Conforme resolução da Liga de Desportos Terrestres reunida anteontem, sob a presidência do comandante Monteiro Chaves, terá lugar no próximo domingo, 11, a primeira prova campeonato de football.

Segue: "No campo do Tyrol encontra-se-ão, obedecendo a tabela desse campeonato, os arrojados players do América e do Centro Desportivo, agremiações que gozam de grande prestígio no seio da sociedade natalense. Sob a presidência do senhor Carqueja de Fuentes reúne-se hoje a comissão de jogos."


FONTES

A República

Diário de Natal

Diário de Pernambuco

segunda-feira, 1 de julho de 2024

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (III)

O passo a passo para desvendar as andanças dos parentes no Brasil começa pela cidade do Porto

A saga familiar e casos dos polêmicos título alvirrubro e "fake news" da foto com o arqueiro

José Vanilson Julião

O pontapé para desvendar o misterioso personagem é praticamente iniciado com as duas postagem anteriores.

O incrível roteiro de vida do brasileiro José Maria Carqueja Fuentes tem como pano de fundo um folhetim real.

E envolve situações nas áreas do jornalismo, sociedade, política e futebol, tudo protagonizados pelos ascendentes.

A pesquisa localiza datas, nomes, profissões e atividades e eventos diversos de personalidades ou parentes próximos: pai, tio e irmão.

Com informações de importantes fontes impressas diferentes e agora reunidas. Com o foco principal de esclarecer dúvidas de fatos desconhecidos.

O levantamento dos acontecimentos passa por períodos importantes da historiografia nacional: Império e República.

A viagem no tempo começa na Europa (Portugal e Espanha), passa pela capital paulista, a metrópole carioca, Recife e Natal, com uma esticadinha aos vizinhos Argentina e Uruguai.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (II)

José Maria Carqueja Fuentes defende o alvinegro e seleção da Liga em torneios nos anos 20

Carteira de Renato Pacheco (presidente da CBD)
como sócio proprietário do fluminense

José Vanilson Julião

11 anos antes de não comparecer a assembleia geral destinada a reeleição (primeira semana de julho de 1931) do presidente da Confederação Brasileira de Desportos, o médico gaúcho radicado no Rio de Janeiro, Renato Pacheco, o antigo goleiro do ABC, José Maria Carqueja Fuentes, andava a trabalho na capital do Rio Grande do Norte.
Durante idas e vindas para a metrópole carioca, de onde veio, permanece ao menos três anos em Natal, pois há registros em que defende o arco do ABC em um torneio envolvendo América e Centro Esportivo Natalense no primeiro semestre de 1920.
Além da participação em torneio comemorativo ao Centenário da Independência no Recife, pelo selecionado da Liga de futebol local diante das representações de Pernambuco e da Paraiba (1922).
A pesquisa sobre o misterioso personagem indica que seria engenheiro, como relatou o falecido jornalista e pesquisador potiguar Everaldo Lopes Cardoso no livro "Da Bola de Pito ao Apito Final", considerada uma bíblia como fonte para detalhamento de informações a posterior.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (I)

Representante da liga esportiva potiguar, José Maria Carqueja Fuentes, dá cano em eleição (CBF)
Médico gaúcho Renato Pacheco

José Vanilson Julião

Em assembleia geral na noite da sexta-feira (3/7/1931), é reeleito por unanimidade de votos o ex-presidente do Botafogo Futebol Clube (1919/21), o médico gaúcho Renato Pacheco (Porto Alegre, 1883 - Rio de Janeiro, 1964), a frente da Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), de dezembro de 1927 a setembro de 1933.
Votaram representantes das entidades esportivas do estados do Ceará, Estado do Rio do Janeiro, Maranhão, Distrito Federal, São Paulo, Alagoas, Santa Catarina, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Minas Gerais, Sergipe e Espírito Santo.
Nota no "Jornal dos Sports" (quarta-feira, 7/7): "Não comparecem os representantes amazonense (Hilton Santos), paraense (Elzmann Magalhães), pernambucano, (Carlos Menezes) e da Liga Norte-rio-grandense (Carqueja Fuentes), Federação Paulista de Atletismo (Edgard Vasconcelos) e Federação Paulista de Tênis (Afonso de Castro)."





FONTES
Jornal dos Sports
Tribuna do Norte
Casa do Velho
Datafogo
Mundo Botafogo
Terceiro Tempo
Cardoso, Everaldo Lopes - Da Bola de Pito ao Apito Final

domingo, 30 de junho de 2024

O zagueiro que saiu do ABC para o Madureira (final)

Madureira (1951): Bitum, Amauri, Weber, Claudionor, Hermínio, Valter, Betinho, Evaristo (depois Flamengo), Alfredinho, Ocimar (depois Bangu) e Tampinha

O canto do cisne e auxílio ao antigo companheiro alvinegro lesionado no alvirrubro

José Vanilson Julião

Hermínio Alves do Amaral ainda atua no aniversário de 30 anos do clube (29/6/1945), no amistoso contra o Atlético (3 x 2), intercalado com enfrentamento do Alecrim no turno do Estadual, e o já mencionado 1 x 3 América em torneio amistoso.

Dois anos depois, no Rio de Janeiro, recebe carta do atacante José de Souza Ramos (“Badof”) com pedido de acompanhamento médico para recuperação de acidente de jogo.

“Badof” é mencionado pela primeira vez na imprensa potiguar em 1943 como integrante da linha atacante alvinegra por ocasião do amistoso ABC 1 x 4 América/PE (segunda-feira, 29/6/1942).

E no ano seguinte está integrado ao selecionado potiguar, comandado pelo treinador Arari da Silva Brito (antigo jogador americano e abecedista) no Campeonato Brasileiro de seleções estaduais.

Em 1944 disputa o torneio início (31 de julho) pelo rubro-negro Clube Atlético Potiguar, que dois anos antes abdica do nome original: Centro Esportivo Natalense, do famoso acrônimo CEN. Em novembro está no elenco do ABC.

Veja o que diz “A Ordem” (janeiro/1945) sobre a atuação dele numa vitória contra o Sport Recife: - O centroavante “colored” constituiu um permanente perigo para o arco de Manoelzinho. Realizou arrancadas de estilo e foi infatigável trabalhador.

Na dança das cadeiras retorna ao Atlético em fevereiro e veste pela segunda vez a camisa alva e ganha até um estojo de barbear “Gillette” (Loja Paulista) como um dos melhores atletas de mais um amistoso frente o América pernambucano.

Ainda na mesma temporada também põe de pescoço abaixo em torneios amistosos a camisola vermelha (pelo qual disputa partidas do returno do campeonato estadual) e a tricolor do Santa Cruz.

O acidente ocorre em América 0 – 4 Santa Cruz (domingo, 24/2/1946) pelo “Torneio Relâmpago”, arbitrado pelo oficial do Exército, o piauiense João José Pinheiro Veiga (jogador e futuro presidente do Alecrim), interrompido aos 17 minutos do segundo tempo.

“Badof” quebra a perna em choque com o goleiro tricolor João Isaías de Oliveira (10/6/1921), o “Gordo”, com passagens pelo alvirrubro e Treze de Campina Grande, no interior paraibano.

Depois de jogo beneficiente embarca na quarta-feira (24 de dezembro de 1947) no paquete Comandante Riper para a metrópole carioca.

Mas antes agradece o apoio dos dirigentes alvinegros Antônio Farache (irmão de Vicente F. Neto) e Alberto Amorim.