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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Centro vence ABC pelo Torneio Início de 1920

A afirmação do letreiro na montagem da foto, coisa recente, é uma grande lorota

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O Diário de Pernambuco (terça-feira, 8/6/1920) chancela e carimba mais uma prova incontestável de que não houve o seguimento da competição oficial da temporada.

O jornal do Recife publica na seção "O Diário no Rio Grande do Norte" a noticia da renúncia de dois dirigentes da Liga de Desportos Terrestres, Eneas Reis (um dos fundadores do alvinegro) e Manoel Ottoni.

E a escolha eletiva dos substitutos. Francisco Lopes (um dos fundadores do alvirrubro) e M. Ottoni (reconduzido).

O correspondente especial ainda notifica pelo telegrama a largada do "Torneio Início" para o domingo (6/6/1920). 

RESULTADOS

Centro Esportivo Natalense 0 x 3 América e os jogos complementares América 2 x 1 ABC (domingo 13) e Centro 3 x 2 ABC (domingo 27).

O conceituado site Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol confunde as datas dos três jogos (8, 14 e 28).


domingo, 31 de maio de 2026

América vence ABC na partida do Torneio Preliminar

Imagem do time americano campeão do Torneio Início de 1919. Na temporada seguinte é bi na competição de abertura da temporada. O campeonato não ocorreu.

U
ma das provas incontestes de que não houve campeonato oficial em 1920 vem da edição 165 do Diário de Pernambuco (domingo, 20/6/1920).

Com correspondência datada da quinta-feira (17) para a seção "O 'Diário' no Rio Grande do Norte". - Matches de football, aniversários, viajantes, casamentos e falecimentos, são os assuntos.

O correspondente especial do impresso do Recife abre o telegrama com a rodada dupla esportiva dominical (13/6) entre os segundos e primeiros quadros do ABC e América.

Os resultados ABC 3 x 1 (preliminar) e 1 x 2 América (principal). No jogo de segundo teams (14 horas) foi fraco o desenvolvimento dos atletas, no dizer do desconhecido correspondente.

As 16 horas entram em campo os titulares com o "toss" (pontapé inicial) do alvinegro. Há oito minutos do fim da etapa inicial o América abre a contagem sobre o goleiro carioca Carqueja.

No primeiro half-time se destacam os abecedistas Wraae (paraibano), Uruguai, Pequeno, Pinheiro, Santos e Avelino; e os americanos Ricardo, Canela de Ferro (Francisco Paula de Melo) e Américo.

Aos 15 da fase complementar a jogada iniciada por Jaime Wanderley, seguida pelo Barreto e complementada pelo Santos culmina no empate do ABC diante do goleiro Cazuza.

Carqueja ainda faz 19 "pegadas lindas" antes de ser vazado pela segunda e última vez no jogo pelo ataque alvirrubro.


NOTA DO REDATOR

O jogo em questão fez parte do Torneio Preliminar (Torneio Início). A temporada programada acaba não acontecendo. Há indícios de que o site Federação Internacional de Histórias e Estatísticas de Futebol confunde as datas na tabela disponibilizada com os três resultados: América 3 x 0 CEN, ABC 1 x 2 América e Centro 3 x 2 ABC

Rara fotografia do Alecrim na campanha do Estadual

ALECRIM (1984): Gilton, Célio, Kleber, Hélio, Policarpo, Índio, Mano, Odilon, Álvaro, Pernambuco e Romildo

C
om a base do time acima o Alecrim terminou em quarto lugar (31 pontos e distante do ABC campeão com 64) na colocação geral em 33 partidas pelo campeonato potiguar (oito participantes).

Foram nove vitórias, 13 empates e onze derrotas. Marcou 44 gols e deixou passar 34 bolas. Na competição de três turnos chegou disputar a segunda fase de dois: o primeiro e o terceiro.

Do titular passaram pelo América/RN o zagueiro Gilton, o volante Hélio, o meia Álvaro e o atacante Pernambuco (pelo apelido se nota que é filho do centroavante americano dos anos 40/50).

Odilon Costa de Almeida, com curta passagem pelo alvirrubro no campeonato brasileiro (começo de 80), é cria da base do ABC, mas vez o nome mesmo no Sport Clube Recife (1971/1974) e Potiguar (Mossoró), no biênio 74/75, até chegar ao Alecrim e novamente o alvinegro (anos 90). (JVJ)


FONTES

Arquivos de Futebol do Brasil

Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol


Rara imagem do pioneiro árbitro no futebol potiguar

O árbitro e bancário carioca Loris Cordovil é o sexto em pé no BB de Natal/RN

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Em duas reportagens publicadas em 2023 (sábado, 7/10) o blog traçou um perfil do árbitro carioca e bancário Loris Valdetaro Cordovil (17/5/1904 - 1967), citado no depoimento do magistrado aposentado Gil Soares de Araújo para o escritor potiguar Luís Câmara Cascudo e transcrito no semanário O Poti (1983).

O curioso personagem, que esteve em Natal na primeira metade dos anos 20 do século passado, também foi citado pelo memorialista Luiz Gonçalves Meira Bezerra em artigo (2009).

A reportagem dupla esclarece que ele veio trabalhar na primeira agência do Banco do Brasil, inaugurada em 14 de abril de 1917, esquina da Avenida Tavares de Lira com a Rua Chile (Ribeira).

Até então o repórter não havia localizado exatamente o período em que Loris Cordovil esteve no Rio Grande do Norte e aproveitado a breve estadia para apitar jogos de futebol.

No artigo "A misteriosa história de um soprador de apito no futebol potiguar" se conseguiu averiguar que ele é convocado para uma prova em concurso estudantil no Rio de Janeiro (1916). E consta na relação de uma prova para a Faculdade de Medicina (1921).

Não se consegue foto dele para ilustrar as postagens. Mas para surpresa do redator o agitador cultural "Dunga" (Eduardo Alexandre Garcia) publica em rede social imagem da Revista da Semana (Rio de Janeiro), edição de 24 de fevereiro de 1924, em que Loris Cordovil aparece com companheiros do BB.

A morte do pai da homenageada na taça americana

Rua da Quitanda: Centro do Rio

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Como visto a italianinha Itala Toselli (1906 - 1942), nascida em Nova Cruz, interior potiguar, da união do italiano da Ilha da Sardenha, Giovanni Baptista Toselli (Cagliari, 14/91879 - Rio de Janeiro, 10/8/1921), está eternizada no futebol como homenageada no segundo troféu ou taça ganha em competição oficial pelo América-RN (1919).

Quando Giovanni nasceu, o pai, Guglielmo Toselli, tinha 38 anos e a mãe, Doloretta Nobilioni, 25. Ele gera quatro filhos e seis filhas com a norte-rio-grandense Herotides Santiago.

Em abril de 1920 a família ainda se encontrava no Nordeste. Atesta o movimento portuário do vapor "Itaquera" entre o Recife e Natal. Como passageiros Toselli e Itala.

O correspondente potiguar da seção "Diário no Rio Grande do Norte" (quinta-feira, 17/6) dá nota do contrato de casamento entre Angelino Porró e Marcina, uma das filhas do Toselli.

Em 18 de julho a correspondência publicada quatro dias depois no Diário de Pernambuco indica a viagem do Toselli no vapor "João Alfredo" para o Rio de Janeiro.

Na segunda semana de agosto/1921 ele se mata com um tiro no ouvido, no escritório da firma pernambucana Julio Von Shohsten, na Rua da Quitanda, Rio de Janeiro, como um dos envolvidos no escândalo do desvio de 250 contos de reis (em torno de R$ 6 milhões) do Banco do Brasi.

Um dos pivores da tragédia é o Angelino Porró, gerente das Indústrias Reunidas Norte do Brasil (tecelagem e viação), com sede na Rua Junqueira Aires, no bairro da Ribeira.

JB Toselli, que residia no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, tinha um seguro de vida pela Companhia Sul América no valor de 19:565$000 contos.

O escândalo correu as páginas dos jornais diários e das revistas cariocas.


FONTES

Almanaque Laemmert

A Noite

A Província

A Rua

Diário do Natal

Diário de Pernambuco

O Combate

O Imparcial

O Malho

O Paiz

Revista da Semana

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Geneanet

sábado, 30 de maio de 2026

Italianinha eterna na segunda taça ganha pelo América

"Cazuza", de camisa branca, é o
goleiro americano (acima)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O número 66 da revista carioca Vida Sportiva (sábado, 30/11/1918) veicula uma nota sobre a suspensão do campeonato pela gripe espanhola (Influenza) e supostas irregularidades indicadas pelo América. E ainda informa que a Taça Itala Tosseli permanece como alvo de disputa para o ano seguinte.

Mas não foram essas informações que provocam o artigo com um tema já bastante discutido ou relatado pela imprensa do Rio Grande do Norte ou em livros com temas sobre o pioneirismo do futebol na capital do Rio Grande do Norte.

E sim o artigo "O DUPLO TÍTULO DO AMÉRICA EM 1919", de autoria do potiguar André Felipe Pignataro, parente bem próximo do antigo presidente americano, Humberto Pignataro, publicado no Blog Francisco Martins (10/6/2023).

O artigo enxuto e curto do A. F. Pignataro é ilustrado com duas imagens do alvirrubro publicadas em edições subsequentes da revista, sendo este, na realidade, a motivação para o presente comentário do repórter.

Arnaldo Costa e Silva

As fotos envolvem, respectivamente, o centroavante e capitão alvirrubro Arnaldo Costa e Silva com a Taça do Torneio Início e os elencos posados do América e do combinado ABC/Centro Esportivo Natalense, em amistoso comemorativo a conquista da segunda competição pelo alvirrubro.

O campeonato foi realizado entre junho/agosto e o clube campeão recebe a Taça Itala Roselli em homenagem a garota de 13 anos nascida em Nova Cruz/RN (segunda-feira, 19/11/1906) e falecida aos 35 no Rio de Janeiro (quinta-feira, 20/7/1942).

Ela era filho do emigrante João Batista Toselli, gerente de uma importadora e exportadora nos anos 1908/09, na Rua do Commercio (atual Chile), no bairro da Ribeira, em Natal.

A primeira foto com o jogador Arnaldo, o "Poti", saiu na edição 91 (24/5/1919), e indica que o primeiro torneio promovido pela Liga é encerrado em 16 de fevereiro. Em seguida, de 22/6 a 17/8, o Campeonato.

Na edição 112 (18/10/1919) traz fotografia do campeão, que vence o time da Liga Estadual (2 x 1). "Apesar do duplo título é contabilizado apenas um ao América, que um século depois, é campeão".

Quanto aos Toselli, pai e filha, passaram a residir no Rio de Janeiro nos anos 20, época em que ele teria se suicidado (1921, colhido em meio a um escândalo de um desfalque de terceiros no Banco do Brasil, de 250 contos de reis). Ela casou em 1939 com Charles Narcisse Hedrich, nascido na Suiça.


América/RN começa primeiro bicampeonato há cem anos

Radialista Marcos Avelino da Trindade é pesquisador respeitado nacionalmente 

Recorte atesta o título americano 

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O torcedor mais curioso, o pesquisador, qualquer repórter ou jornalista despejado da interferência da paixão esportiva sabe que o número ou quantidade total de títulos oficiais de campeonato estadual atribuida ao ABC é um engano construído com a influência até da imprensa ao longo do tempo e não passa de uma falácia repetida.

É sabido que a desconstrução da informação falsa é um trabalho de Hércules iniciado praticamente pelo pesquisador caicoense Joaquim Martiniano Neto, inclusive com entrevistas nos anos 80 para os jornais Diário de Natal e o semanário O Poti,  extintos impressos Associados na capital potiguar.

Quem também deu prosseguimento e dá ao desmonte desta mentira a partir dos anos 2000 com levantamentos em fontes primárias, em jornais como A República e A Ordem, é o pesquisador, blogueiro, plantão esportivo e radialista Marcos Avelino da Trindade (87 FM).

Em postagem deste ano no blog DATATRINDADE (terça-feira, 24 de março) ele atesta mais uma vez que o América é o campeão legítimo de 1926, temporada que os blogueiros torcedores do ABC relacionam como do alvinegro, a exemplo de 1920 e 1924, anos que não aconteceram competições oficiais e sim torneios amistosos, como no bi 1924/25 louvado também erroneamente ao Alecrim.

Marcos Trindade publicou recorte da edição de 20 de março de 1927 do jornal A República ("ver recorte abaixo caindo aos pedaços...") que divulga uma pequena nota sobre a não realização de um jogo amistoso entre ABC x América, a convite do alvinegro.

A "matéria" foca na desistência do América por não ter jogadores "treinados" para o encontro. --- Observe bem, na matéria, traz a informação que o América é o campeão de 1926, diz o blogueiro.

Para Trindade essa informação não é nenhuma novidade sobre a legitimidade da conquista americana, sendo uma prova incontestável!

Além de Trindade quem também disponibiliza na rede duas plaquetes que contestam os números falaciosos é o criterioso pesquisador natalense Arthur Pierre dos Santos Medeiros. Segundo ele não houve os campeonatos de 1920, 1922, 1923, 1924 e 1925. E mais: os campeonatos de 1927/28 não terminaram e não foram homologados.

Diante do exposto o ABC não tem 57 títulos. Para Trindade diminui para 52. Para Arthur Pierre cai para 48!