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sábado, 27 de maio de 2023

Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XVII)

O atacante Aderson Eloy de Almeida fez o primeiro gol do Treze no Presidente Vargas 

Sobrinho de contemporâneo de Zé Rodolfo no Galo foi prefeito de Ceará Mirim

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Um dos colegas do abecedista José Rodolfo de Lima, pertencente ao primeiro elenco do Treze, tem relação afetiva com o Rio Grande do Norte e fez parte da história do Galo da Borborema por décadas.

A constatação não vem da atual série de reportagens, mas de pesquisas realizadas para o site cultural “Navegos”, momentaneamente sem atividade por decisão do editor Franklin Jorge.

Levantamentos estes feitos o ano passado para compor a série de textos sobre a visita do poeta amazonense Amadeu Thiago de Mello (1926 – 2022), em maio/1955 ao Ceará Mirim a convite do usineiro e político paraibano Odilon Ribeiro Coutinho.

O personagem em questão é o jogador e depois dirigente José Eloy Júnior, tio do falecido contador, gerente de usina e eleito prefeito do município para mandato de quatro (1963/66), Aderson Eloy de Almeida (4/4/1914).

Aderson também seguiu os passos do tio e foi atacante Galo da Borborema. Inclusive, participa da inauguração do Estádio Presidente Vargas (17/3/1940) em jogo que dá o título do campeonato citadino ao opositor.

O PV foi aberto com Galo 3 x 3 Ypiranga (a equipe do antigo goleiro Luís Coutinho, o Lula), pela temporada de 1939, gol inaugural de Alcides (adversário), enquanto Aderson anota o primeiro gol do Galo no estádio.

Deputado Argemiro de Figueiredo

O pontapé inicial do jogo coube ao interventor federal na Paraíba, Argemiro de Figueiredo (1901 - 1982), que apoiou e contribuiu para a escolha do nome da praça esportiva (Bairro São José) homenageando o caudilho gaúcho.

Aderson ainda vestiu a camisa alvinegra do Botafogo de João Pessoa, capital paraibana, onde estuda, e do Sport Clube Recife, quando servia o Exército na capital pernambucana.

 

FONTES/FOTOS

Ceará Mirim Livre (João André Neto)

Navegos

Retalhos Históricos de Campina Grande

Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XVI)

Os dois americanos convidados para amistosos pelo Galo da Borborema

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Página da "Vida Sportiva"

Na entrevista do antigo goleiro do Ypiranga, Luís Coutinho, o Lula, ao blog “Retalhos Históricos”, além de José Rodolfo de Lima (ABC), ele cita dois jogadores do América/RN como sempre convidados para defender o Treze em amistosos.

De Glicério o repórter praticamente nada sabe. Além de que foi atacante alvirrubro no bicampeonato estadual (1930/31).

Do segundo jogador há o nome completo e o apelido.

Trata-se de Arnaldo Costa da Silva, o “Poty”, que está na formação do primeiro jogo oficial da turma vermelha contra o ABC.

Pelo turno do campeonato da Liga (15/9/1918) com vitória do América (3 x 0), gols dele, do carioca Nilo Murtinho Braga – atacante do Botafogo e do Fluminense –, e Pinheiro (contra).

Se não estiveram no primeiro jogo do alvinegro de Campina Grande supõem-se que vestiram a primeira camisa com predominância da cor branca e o escudo primitivo no peito contra o Paysandu (Natal), uma dissidência americana (1928).

O mesmo “Poty” é quem levanta a taça do Torneio Início (16/2/1919) e levanta o primeiro campeonato estadual no mesmo ano.

Ainda em 1919 atua na vitória de 2 a 1 sobre um selecionado da Liga (atletas de branco e engravatados), conforme a revista carioca “Vida Sportiva” (24/5).

Na reprodução destaca-se, com camisa branca, o lendário goleiro Cazuza, que anos depois se bandeou para o futebol mossoroense.

Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XV)

Professor universitário Mário Vinicius Carneiro Medeiros na mais recente entrevista

Zé Rodolfo na capa e nas páginas dos 80 anos do Galo da Borborema

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Antigo jogador potiguar é eternizado na “Bíblia” (534 páginas) do alvinegro de Campina Grande, obra do professor Mario Vinicius Carneiro Medeiros, colaborador do blog “Retalhos Históricos”, pelo qual foi entrevistado em 6/6/2011.

Bacharel em Direito e com Licenciatura Plena em História ele conta a história do clube ano após ano com variedade de fotos e curiosidades.

A idéia do livro ocorre em 1975, quando o clube completa 50 anos e lançou uma revista comemorativa.

"No lançamento escutei uma pessoa comentar sobre uma foto de 1948. O cidadão era ex-jogador e aquilo despertou em mim o desejo de escrever sobre o clube nos 75 anos. Por falta de patrocínio só o fiz nos 80”.

Mário Vinicius, mesmo antes, guardava recortes de jornais e revistas. Ainda utilizou-se de gravações sonoras, como o áudio da entrevista com Antônio Fernandes Bióca, cedido ao blog “Retalhos Históricos”.

Uma das maiores curiosidades é a data correta do primeiro jogo (1/5/1926), quando publicações anteriores indicavam 6/11/1925.

Outro fato relevante foi a passagem de Garrincha (1968) no amistoso contra a Romênia no Estádio Presidente Vargas.

Até encontra "lendas". “Conhecer Bióca foi uma emoção grande, assim como Plácido Véras e Guiné.  Um feito foi localizar Harry Carey,  arqueiro nos anos 50. Passei cerca de dois anos até achá-lo”.

Mário pretende lançar uma segunda edição no centenário (2025), mas disponibilizou a primeira (dezembro/2007) em CD-ROM para deficientes visuais com patrocínio do FIC Augusto dos Anjos (2005).

O autor doou exemplares para a Biblioteca Nacional (Brasília), Biblioteca Geral de Coimbra/Portugal, Biblioteca Nacional/Argentina e Associação de Futebol da Argentina/AFA).

Em Campina Grande pode ser encontrado no Museu Histórico (Avenida Floriano Peixoto). Na postagem do "Retalhos" há registros documentais dos recebimentos.

FONTES/FOTOS

Estante Virtual

Museu do Futebol

Nordeste1

Retalhos Históricos de Campina Grande

Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XIV)


A histórica fotografia do primeiro “onze” posado no amistoso inaugural

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Ultrapassamos, por pura coincidência, a décima terceira postagem, sobre o inédito e curioso tema, e com o lembrete:

- As primeiras provas são uma carta aberta com desabafo contra os dirigentes abecedistas do antigo jogador potiguar e uma entrevista inédita com um antigo atleta paraibano em que cita o primeiro e mais dois “players” natalenses.

Pelo menos temporariamente culmina com a última e quarta prova, a segunda visual, da participação do atacante José Rodolfo de Lima no surgimento do também alvinegro “Galo da Borborema”.

Com a fotografia de 11 dos 13 amigos no elenco do primeiro jogo oficial do alvinegro de Campina Grande.

Inclusive o numero está nos sete escudos diferentes. O primeiro tem 13 com o círculo representando a bola de futebol.

Os demais com poucas mudanças. Dos mais modernos, a partir dos anos 30/40.

Exceto um com o galo estilizado. Outros clubes tem a ave como mascote.

O Treze foi o primeiro a adotá-lo. Escolhido por ser representado com o número no “jogo do bicho”.

 

Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XIII)


Montagem com fotos dos fundadores é a terceira e a primeira prova visual

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A terceira prova da participação do atacante José Rodolfo de Lima no surgimento do também alvinegro “Galo da Borborema” é a montagem com as fotografias dos 13 amigos.

A mesma é inserida em livro que comemora o cinquentenário do clube (1975) e postada no blog "Retalhos Antigos de Campina Grande" como cortesia do contador Jefferson Jalles.

A imagem que ilustra esta reportagem é a primeira constatação visual encontrada e relacionada sobre o assunto.

E pode ser encontrada em qualquer blog, site, portal ou impresso (livro, jornal ou revista) que aborda o surgimento da mais popular agremiação esportiva da cidade do interior paraibano.

O leitor pode notar que um dos principais personagens, Bióca, é o da foto maior na primeira fila. Na segunda Zé Rodolfo é o quinto.

A primeira reunião acontece na noite de 2/7/1925, no Clube dos Comerciários (hoje Associação Comercial), na Avenida Floriano Peixoto.

Antônio Fernandes se entusiasmou com a ideia e encontro formal e oficial acontece às 9h do dia 7, na residência dele, para a definição e criação do clube.

Sendo aclamado pelos 12 pares presidente interino e escolhidos orador o doutor Luiz Gomes da Silva e secretário Alberto Santos.

Na terceira reunião (20/10), também na residência de Antônio Fernandes, discute-se o nome e a proposta aceita é a de José Casado, justamente a que envolve o número de fundadores.

Fernandes trouxe do Rio de Janeiro a primeira bola e em junho de 1913 um grupo começa a treinar em junho no campo que ficava na atual Rua João Pessoa. Também organiza o primeiro clube, o “High Life”.

José Rodolfo, José Casado de Oliveira, Alberto Santos, Zacarias Ribeiro (Cotó), Plácido Ferreira Veras (Guiné), Eurico, Zacarias do Ó, José Eloy de Almeida Júnior, Olívio Barreto, Osmundo Lima e José de Castro entram em campo no primeiro jogo (1/5/1926).

Nas instalações da SAMBRA, no Campo dos Currais, hoje o Mercado Central. Vence o Palmeiras (1 a 0). Pela Taça União Operária Campinense).

Numa entrevista ao "Semanário Esportivo" (31/08/53) "Guiné" descreveu: "O jogo estava animado. Quando faltavam dois minutos para terminar Zacarias cruza a bola para a esquerda. Eu percebi uma brecha na área e entrei célere para marcar".

A primeira partida interestadual do Treze (11/6/1928) contra o Paissandu em Natal (O Estádio Juvenal Lamartine ainda não havia sido inaugurado).

O Treze vence (3 a 1) e conquista a Taça Paissandu. O clube potiguar pede revanche e novamente perde (2 a 1).


Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XII)

Entrevista histórica ratifica Zé Rodolfo entre os 13 amigos do Galo da Borborema

RETALHOS: Quando começou o interesse pelo futebol?

LULA: Eu ainda era criança. Jogávamos com uma bolinha de borracha, como estas que ainda hoje existem. Fui crescendo e gostando do esporte. Aos 21 anos entrei para o “21 Futebol Clube”, de uma fazenda na estrada do Marinho, chamada “Monteiro”, pertencente ao João Monteiro, que organizou o time. Isto foi em 1928.

RETALHOS: Por que a denominação?

LULA: Não sei. Ele apenas dizia que gostava deste número (risos)...

RETALHOS: Já jogava como goleiro?

LULA: Desde criança tinha vontade de jogar no gol. Quando comecei a treinar fui para a posição. Deu certo porque eu gostei e eles (os outros jogadores) também. O Treze havia sido fundado (1925) E em maio do ano seguinte foi fundado o Ipiranga. Existiam ainda o Palestra e o Comercial... Cheguei em Campina Grande (1928) e tive e acompanhei todos os clubes praticamente nos primeiros anos de vida.

E prossegue o importante depoimento:

“O Treze era formado por pessoas que trabalhavam no comércio: empregados ou proprietários de estabelecimento, além de funcionários públicos. O beque Lima era empregado da empresa de Tito Sodré; Zé Eloy ourives. Zé Castro negociava com couro. Zacarias “Cotó” (tinha este apelido por ser baixinho), trabalhava numa farmácia... Era considerado o time da elite. Já o Ipiranga era composto por pessoas mais simples, a maioria mecânicos e agricultores, sendo chamado de “o time dos negros”, isto durante anos, pois era composto praticamente por pessoas desta cor. Quando cheguei ao Ipiranga, três anos depois, o mais alvo era eu (risos)...

Dia de jogo entre Treze e Ipiranga, o campo ficava lotado. Havia uma rivalidade entre os dois e a torcida trezeana não admitia que o time) perdesse. Então, quando era jogo contra o Ipiranga o presidente Antônio Miguel, que era rico, mandava buscar na sexta-feira, três jogadores de Natal, Poty, Rodolfo e Glicério (negrito do JORNAL DA GRANDE NATAL), que ficavam hospedados na casa do diretor alvinegro. Somente uma única vez o Ipiranga, até 1929, conseguiu vencer o Treze. No restante dos jogos empatou ou foi derrotado.

O Treze acabou o time ainda em 1929 por um entendimento entre eles (jogadores e diretores). Neste mesmo an se acabariam também o Palestra e o Comercial. Já a Revolução ocorreu em outubro/1930 e não alterou em nada o futebol. Os jogos continuaram acontecendo normalmente.

RETALHOS: O senhor foi goleiro do Ipiranga durante quase sete anos. Como se deu a ida para aquele clube?

LULA: Em 1930 eu me associei. Mas tinha ocupações na agricultura e só comecei a jogar em 1931. O uniforme encarnado e branco. Nós jogávamos muito, tanto aqui, contra os clubes locais, como em João Pessoa. Ipiranga, o Paulistano, o CAC (Centro Atlético Campinense), o Sete e um time do Monte Santo (não lembro o nome deste).

Os quatro primeiros disputavam o Campeonato da Cidade. O CAC era formado pelos jogadores do Treze em 1929.  Já o Sete era o time do Curtume dos Motta, também muito bom.

Recordo que as partidas eram realizadas em dois campos: do Comercial e Palestra. Na Prata (hoje é o templo da “Assembleia de Deus”), ficava o campo do Palestra, cercado de folhas de zinco. O do Comercial ficava próximo à SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste), sendo este murado. Todos de areia, marcados, não existindo grama. Não havia redes. Somente depois que deixei de jogar começaram a colocá-las. Já o juiz não usava roupa especial. Era paisano mesmo: de paletó, gravata e chapéu!

RETALHOS: Os jogos contra clubes da capital eram realizados também em João Pessoa?

LULA: Sim. Saíamos no sábado pela manhã até Itabaiana. Depois, pegávamos outra linha para João Pessoa. Chegávamos à tarde, indo para o hotel. O jogo era no domingo.

RETALHOS: Quais os times de João Pessoa que enfrentou?

LULA: Palmeiras, Pytaguares, Vasco da Gama, Cabo Branco, América Aliás, nos times de João Pessoa nós dávamos de “macaca” (risos)... Fomos vitoriosos em todas as partidas, exceto duas: uma vez contra o América, quando perdemos, e contra um time de Bayeux, com quem empatamos em 2 x 2.

RETALHOS: Qual o time mais forte que enfrentou?

LULA: O Palmeiras de João Pessoa, quando vencemos por 1 x 0. Outro grande clube foi o América, também da capital. Este jogo nós perdemos, sendo o gol marcado pelo filho do Ministro José Américo de Almeida, que praticamente era o dono da equipe. Depois ele faria parte do Botafogo.

RETALHOS: Esta fotografia do Ipiranga foi tirada em que ano?

LULA: Em 1932, no campo do Comercial. Ao lado dos atletas, estão os diretores do clube. Entre eles está Mestre Inácio, praticamente o dono do time, tinha uma oficina mecânica e, para quem era seu funcionário, ele arranjava uma vaga para jogar. Quando alguém lhe procurava pedindo emprego dizia: “Emprego eu não tenho. Mas existe bastante trabalho e uma vaga para jogar no Ipiranga...” (Nota: no entendimento do pessoal da época, “emprego” normalmente significava trabalhar pouco e receber salário...)

RETALHOS: E este garotinho que sentado à sua frente?

LULA: Ele estava no campo no dia do jogo. Na hora da foto, aproximou-se de mim e acabou saindo na fotografia. Não estava nada planejado. Muitos anos depois, tive notícias dele, através de uma pessoa que me contou que o encontrara em um barzinho na praia, em João Pessoa. Mas nunca soube o nome. Ao meu lado está Mira, o full-back (zagueiro), que morreu há poucos anos.

RETALHOS: Quando o senhor parou de jogar futebol?

LULA: Em 1938. Eu casara em 1935 e já era pai de três filhos. Então pensei seriamente e resolvi abandonar a carreira de atleta. O time era pobre, não tinha uma “caixa de remédios” (uma pequena “farmácia”) para os atletas, como existia no Treze, por exemplo. Se eu me machucasse sério e perdesse o trabalho, ficaria difícil para minha família. Então resolvi abandonar o esporte. Ainda acompanhei futebol durante muitos anos, mas a partir daí como torcedor.

 

Jogador do ABC participa da fundação do Treze (XI)


Blogueiro Emmanuel Souza

Zé Rodolfo e dois jogadores do América no interior paraibano

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Antes do leitor se deliciar com a entrevista inédita é preciso saber sobre o blog “Retalhos Antigos de Campina Grande”.

Responsáveis: Adriano Araújo, bacharel em Administração e Direito; Emmanuel Souza, contador, bacharel em Administração, professor universitário e membro efetivo do Instituto Histórico de Campina Grande.

Justiça ao trabalho: no terceiro ano na rede o “Retalhos” é reconhecido como serviço de utilidade pública pela Lei Municipal 5096 (24/11/2011).

Feitas as apresentações destacamos, finalmente, na próxima postagem, os trechos mais importantes do “ping-pong” com o antigo “player” (goleiro) Luís Agostinho, o Lula.

O histórico jogador do Ypiranga Esporte Clube (1931/35) põe o pioneirismo de Zé Rodolfo em duas frentes: Campina Grande e Natal.

Blogueiro Adriano Araújo

E de lambuja cita dois antigos atletas do futebol potiguar. Os americanos “Poty” (Arnaldo Costa da Silva) e Glicério, atacante bicampeão potiguar (1930/31).