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sábado, 9 de maio de 2026

A goleada histórica do Campinense sobre o América (III)

Equipe da "Raposa" amadora e vice-campeão municipal. O meia Lamir tornou-se presidente

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Na temporada anterior a primeira participação no campeonato paraibano (1960) o Campinense fez 41 jogos com ao menos 27 clubes das regiões Sudeste e Nordeste.

Das seguintes unidades federativas: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Alagoas (nordestinos), Estado de São Paulo (Sudeste) e Rio de Janeiro (Distrito Federal).

Foram menos clubes do que o total de enfrentamentos, pois aconteceram amistosos com alguns clubes mais de uma vez, três ou quatro, casos do América/RN, Santa Cruz/PE e o rival doméstico (Treze).

Os pernambucanos ainda contam com o Náutico, Sport Recife e Central (Caruaru), de Salvador veio o Bahia e Vitória, os cearenses Ceará e Fortaleza, mais o Centro Sportivo Alagoano (CSA) de Maceió.

Os cariocas Fluminense, Flamengo, Bangu e Bonsucesso, o paulistas Santos e Taubate da cidade do mesmo nome.

Ainda o Auto Esporte e os menos conhecidos Paulistano de Campina Grande e o selecionado municipal de Ouricuri, entre outros...



A goleada histórica do Campinense sobre o América (II)

Uma das primeiras formações do Campinense Clube (1959) sem a identificação dos jogadores

Recorte do Diário da Borborema (Campina Grande/PB)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Não vamos nos deter sobre a extensa história do rubro-negro do interior paraibano, bastante conhecida e que pode ser vista em site oficial ou destinados ao Campinense.

Para situar o leitor no contexto da série basta informar que foi fundado em 15 de abril de 1915 como clube social e dois anos depois criou o departamento de esportes. Fez o primeiro jogo em junho de 1919, 1 x 0, sobre o América local, e ficou nisso.

Após um longo hiato com a prática do futebol monta em princípio um time amador e a partir de março de 1954 participa de amistosos campeonatos municipais, chegando a três vice-campeonatos seguidos: 1955/57.

Em junho de 1957 o primeiro jogo e a primeira vitória sobre o principal rival, o alvinegro Treze (fundado em 1925), por 2 x 1, resultado que, provavelmente, incentiva a busca pela profissionalização em 1958/59.

Antes da estreia no campeonato estadual (1960) a "Raposa", apelido de contraponto ao "Galo" trezeano, contrata jogadores e realiza amistosos com grandes clubes da Região Sudeste e nordestinos, entre eles o ABC, América e Santa Cruz/RN, trio da capital potiguar.


FONTES/IMAGENS

A Ordem

Diário da Borborema

Diário de Natal

Diário de Pernambuco

O Norte

O Poti

Revista do Esporte

Tribuna do Norte

Campinense Clube

Campinensepedia

Globo Esporte

Retalhos Históricos de Campina Grande

Wikipedia

A goleada histórica do Campinense sobre o América (I)

AMÉRICA campeão estadual (1957): Chico, Mauricio, Papagaio, Edvaldo, Marçal, Mauro, Gilvandro, Juarez, Cezimar, Saquinho e Wallace. Seis jogadores deste time participaram da excursão ao interior paraibano


Jornal "Tribuna do Norte" na Biblioteca Nacional Digital é a grande novidade e uma festa para os pesquisadores potiguares dedicados ao futebol e aos esportes coletivos em geral

O repórter tinha os resultados dos dois primeiros jogos amistosos da história entre o América de Natal e o Campinense Clube na temporada de 1959.

Mas desconhecia alguns detalhes pela ausência de informações nos jornais da capital potiguar na época: Diário de Natal, O Poti (ambos da cadeia Associada) e o diário Tribuna do Norte.

Entretanto para surpresa do repórter os conceituados e persistentes pesquisadores Marcos Avelino Trindade e Arthur Pierre dos Santos Medeiros informam a disponibilidade da coleção da TN no site da Biblioteca Nacional Digital.

A situação vem possibilitar aos pesquisadores concluir e preencher dados que faltam em anotações. E soma aos já disponíveis impressos DN e O Mossoroense.

Um dos casos que faltavam mais esclarecimentos era a excursão do América na última semana de agosto de 1959 para dois amistosos em Campina Grande (sábado 29 e domingo 30), respectivamente contra Treze e Campinense.

A delegação americana é composta pelos dirigentes: médico Heriberto Bezerra, Wilson Dantas, jornalista Ticiano Duarte, radialista Teixeira Rocha (Emissora de Educação Rural como representante da Associação dos Cronistas Esportivos), treinador Moacir Ribeiro e massagista Bianor.

Atletas: Cristóvão, Paulo Honório (goleiros), Zacarias, Expedito, Maurício Dias de Melo, Papagaio, Edvaldo da Páscoa Menezes, Herwin Hackradt, Saquinho, Souza, Zé Gobat, Osiel Lago, Chicó e Ferreira (apelido "Furiba").

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Pesquisador localiza mais três gols do "El Tigre" (V)

Imagem publicada na revista paulista "O Pirralho" (25/4/1914) sem identificação dos jogadores do Clube Atlético Ypiranga. A reportagem acredita que Arthur Friendenreich pode ser o segundo agachado


O jornal santista A Notícia (quinta-feira, 2/12/1915) dá publicidade a visita do recém fundado alvinegro Paysandu Futebol Clube.

O que segue é colhido graças a levantamento inicial do pesquisador Moisés H. G. Cunha. O repórter seguiu a primeira pista para acessar a edição do impresso de três dias antes do encontro marcado.

O amistoso dominical (5/12) intermunicipal é a estreia do alvinegro da capital paulista como forma de prestigiar o alvirrubro local.

E havia uma razão para a escolha do adversário. O Brasil foi o pivô da suspensão dos atletas e a exclusão do Clube Atlético Ypiranga pela APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos).

O também alvinegro, o "time de Formiga", foi quem enfrentou em amistoso, no estádio da Liga Santista, o Brasil FC, filiado a Federação Brasileira de Futebol, situação que causou toda a celeuma.

As escalações dos times principais e secundários foram até antecipadas: Paysandu:: Bendix, Niel Ferreira, Bartô, Watzke, Loschiavo, Xavier, Estrella (com dois L), Friedenreich, Alencar e Maciel.

Brasil FC: B. Soares, Praça I, Rocha I, Anthero, Amadeu, Álvaro, Jatyl, P. Moraes, Gastão, Edmundo e Zezé. (JVJ)


FONTES/IMAGENS

A Notícia

O Pirralho

História do Futebol

Pesquisador localiza mais três gols do "El Tigre" (IV)

Arthur Friedenreich como centroavante (o do meio sentado) no Clube Atlético Ypiranga de São Paulo


JOSÉ VANILSON JULIÃO*

Naquele tempo era assim... Durante o pioneirismo e consolidação do futebol no país os jornais, geralmente, não tinham páginas exclusivas dedicadas aos esportes da moda: turfe, remo e futebol.

As notícias, na maioria das vezes ou quase sempre, eram publicadas sob uma sessão "Sport" em meio aos assuntos gerais ou em qualquer página. Seguida, costumeiramente, do título "Football" e algum enunciado complementar.

Desta forma a edição de começo da semana do jornal santista A Notícia (segunda-feira, 6 de dezembro de 1915) não fugiu a regra e veicula o jogo dominical dos primeiros quadros com o resultado Brasil 1 x 4 Paysandu.

A delegação da capital era composta por alguns dissidentes do Ypiranga, entre eles Arthur Friendenreich, ainda não chamado de "El Tigre", pelo "ágil extrema esquerda" Maciel, do Mackenzie, e "Lapa", "um dos melhores half-back da Liga Paulista."

Antes do amistoso principal houve um match treino preliminar entre os segundos quadros (2 x 2). Devido ao empastelamento gráfico de algumas linhas do texto o repórter deixa de detalhar os lances principais, mas destaca o primeiro gol de "Fried" aos oito minutos do primeiro tempo.

O conhecido "center" paulistano marca mais um e Edmundo diminuiu para os locais. Após o descanso regulamentar, como diziam antigamente, na etapa final Friedenreich faz o terceiro dele no intermunicipal e "Estrela" completa a goleada.


*Reportagem possibilitada pela localização da notícia de capa (primeira página) do importante número 1.079 do impresso santista pelo pesquisador Moisés H. G. Cunha.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Pesquisador localiza mais três gols do "El Tigre" (III)

A moderna sede social do Brasil Futebol Clube com 113 anos de atividades ininterruptas em Santos


D
epois do visitante, o Paysandu FC, agora o resumo do Brasil, fundado três anos antes do amistoso (domingo, 5/12/1916) no qual Arthur Friedenreich ("El Tigre") marca três do 1 x 4 em favor do clube da capital, recém achado do pesquisador Moisés H. G. Cunha.

O único sobrevivente do histórico jogo é o clube anfitrião da Baixada santista, hoje com ampla sede social moderna para todos os gostos e serviços internos ou atividades esportivas, contando com piscina, quadras e um ginásio de esportes.

Engenheiro Ulrico de Souza Mursa

C
om o detalhe de que o mesmo benfeitor da alviverde Associação Atlética Portuguesa, a "Briosa", patrono do Estádio Ulrico Mursa, também o é do Brasil, pois contribuiu da mesma forma com a doação do terreno para a construção do campo de futebol.

Na mesma reunião com 16 participantes é eleita a primeira diretoria para oito cargos ou funções administrativas: presidente, vice, dois secretários, igual número de capitães, igual quantidade de diretores de campo e tesoureiro.

Em 21 de janeiro de 1914 é organizada a primeira equipe de atletas e no mesmo dia são aprovados o estatuto e as cores do clube. O primeiro campo oficial da cidade é inaugurado (1915) após a cessão do terreno pelo engenheiro superintendente da Companhia Docas de Santos, Ulrico de Souza Mursa (Niterói, 1862 - Rio de Janeiro, 1934).

A história do ainda amador time vermelho e branco da Baixada Santista é um pouco longa e o blog recomenda o artigo do excelente site do jornalista Sérgio Mello, o "História do Futebol", para mais detalhes da agremiação que chegou a fazer amistoso com o Clube Atlético Ypiranga da capital. (José Vanilson Julião)


FONTES/IMAGENS

Correio Paulistano

Arquivos do Futebol do Brasil

Brasil FC

Futebol Paulista.net

História do Futebol

Memória Santista

Wikipedia

Pesquisador localiza mais três gols do "El Tigre" (II)


A
ntes de detalhar o jogo e as circunstâncias dos três gols descobertos recentemente pelo pesquisador Moisés H. G. Cunha, atribuídos ao centroavante Arthur Friedenreich (1892 - 1969), é preciso sintetizar a história do clube da época do amadorismo envolvido no amistoso dominical (5/12/1915), contra o alvirrubro Brasil (Santos).

O primeiro a ser destacado é o visitante. O alvinegro Paysandu, da capital, fundado (1916) por alguns jogadores dissidentes do Ypiranga, entre eles "Fried", o "El Tigre".

O Paysandu participa apenas de um campeonato pela Liga Paulista de Futebol (LPF) no último ano de existência desta organização esportiva, e logo depois é desativado pelo retorno dos jogadores ao clube de origem, e consequentemente, ao seio da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA).

Friedenreich entra em amistoso do Paysandu contra o Corinthians, 2 x 1, e marca um gol no segundo tempo. Enquanto o clube participa, sem ele, de nove partidas oficiais.

Com reportagem assinada de Hannah Franco o site do jornal de Belém, O Liberal (4/7/2025), publica a reportagem "Multiverso bicolor: conheça outros clubes com o nome Paysandu espalhados pelo Mundo."

O impresso paraense relaciona oito clubes, extintos ou não, e três uruguaios, entre eles o paulistano. Mais Rio de Janeiro e os catarinenses de Palhoça e Brusque (o alviverde).

Só não cita o alvo e azul de Natal, capital do Rio  Grande do Norte, surgido em 1928 como dissidência do América/RN. (José Vanilson Julião)


FONTES

Almanaque do Corinthians

O Liberal

Brasil FC

História do Futebol

O Gol