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sábado, 14 de março de 2026

Repercussão do passamento do goleiro botafoguense

Um "Paulistinha" similar a este caiu perto de João Pessoa com o piloto José Maia de Novais, o goleiro "Pagé", e o auxiliar de mecânico José Castor Filho, na quarta-feira, 26 de fevereiro de 1947

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O avião "Paulistinha" cai na quarta-feira (26/2/1947) nas imediações da cidade de Santa Rita e na edição dominical (4/3) o jornal estatal paraibano A União circula com nota do Aero Clube de João Pessoa (em nome da diretoria, alunos, pilotos, sócios e funcionários) para a missa de sétimo dia na terça-feira (4), na Matriz de Nossa Senhora de Lourdes, em sufrágio aos desaparecidos José Maia de Novais e José Castor Filho.

Na mesma edição o presidente da Federação Desportiva Paraibana, Carlos Neves de França, convida os diretores de clubes para o mesmo evento religioso. No mesmo expediente secretariado pelo jornalista João Elias Bernardes, a assembleia reunida em segunda convocação, anuncia o voto de pesar pelo passamento do goleiro José Maia, o "Pagé", do Botafogo Futebol Clube.

Uma semana depois a página esportiva de A União (domingo 9) veicula um poema de autoria de Radiel Bezerra Cavalcanti, em homenagem ao desaparecido antigo futebolista do selecionado paraibano, no qual o compara na fama ao atacante carioca Leônidas da Silva e ao famoso goleiro do Vasco da Gama Jaguaré.

Outro expediente da Federação dá conta da anistia ao Botafogo, cujo documento é datado da sexta-feira anterior (7 de março), tendo como motivação a morte do ídolo botafoguense Pagé, que, além de atleta, foi dirigente, inclusive secretário da presidência nos anos 30 começo de 40.

Na terça-feira (25/3) A União publica o chamado da missa de 30 dias pelos familiares (cunhado, irmãos e sobrinhos), Manoel Fernandes de Lima, Humberto Nóbrega, Helena e Isabel Novais, na Matriz de Lourdes.

Goleiro botafoguense morre na queda da aeronave

Área do Aero Clube de João Pessoa desativada em 2023, sendo transferido para o interior do estado

Aspecto na antiga sede na praia do Bessa

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Nesta série iniciada com quatro reportagens sobre a presença do antigo atacante flamenguista "Fio Maravilha" pelo Botafogo/PB em amistoso contra o ABC (junho/1974) e desenvolvida com outros temas específicos foram usadas duas raras fotografias do clube de João Pessoa.

Nas imagens, uma de 1936 (ano do primeiro campeonato ganho pelo alvinegro pessoense), e outra de 1944, temporada do tricampeonato, estão jogadores, dirigentes ou algum fundador em 1931, sendo detectadas durante a pesquisa curiosidades sobre pelo menos cinco personagens.

Evan Holmes, antigo jogador
do Botafogo Futebol Clube

Os irmãos Dante e Petrarca Grisi, o primeiro funcionário público, o segundo nome de rua do Bairro Cristo Redentor na capital paraibana, são descendentes de italianos, cuja colônia vem da segunda metade do século XIX na então Felipeia da Paraíba do Norte.

Do zagueiro Evan Holmes (23/4/1908 - 16/3/1979), nome de rua no "Alto do Mateus" na capital, a reportagem encontra uma foto dele entrado em anos, e a filiação em site de genealogia. Casou duas vezes. Era filho de Joseph Holmes (1863 - 1945) e Maria Emília Lucas (1869 - 1952).

O guarda-meta ou arqueiro Gilberto Stuckert é descendente de suíço casado com uma paraibana, foi diretor da Federação Paraibana, árbitro de futebol, presidente e vice-presidente do alvirrubro Auto Esporte Clube nos anos 50, fotógrafo, parente do repórter fotográfico Ricardo Stuckert, a serviço da presidência da República.

Por último o goleiro José Maia de Novais, o "Pajé", famoso no Nordeste pelas defesas mirabolantes no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, contra Pernambuco e o Rio Grande do Norte (em 1944).

Pajé era monitor ou instrutor do Aero Clube paraibano e faleceu na queda de um "Paulistinha" na localidade de Socorro, próximo a Santa Rita, atual região metropolitana de João Pessoa. No desastre (quarta-feira, 26/2/1947) também morreu o auxiliar de mecânico José Castor Filho, o "Zezinho".

O "Paulistinha" foi o oitavo avião doado ao Aero Clube de João Pessoa, fundado em 10 de novembro de 1940, na campanha nacional iniciativa do jornalista paraibano de Umbuzeiro, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, dono dos jornais O Norte e Diário da Borborema (Campina Grande).


FONTES/IMAGENS

A Ordem

A União

Diário da Manhã

O Norte

Family Search

G1/PB


sexta-feira, 13 de março de 2026

Santa Cruz/RN e ABC goleiam na visita botafoguense

Botafogo/PB (1944): Pajé (José Maia de Novais), Lima, Nuca, Aluízio, Hélio, Diblá, Betinho, Guilherme, Geraldo, Nilo e Baé/Imagem: Blog do Professor Zezinho

A ORDEM
(terça-feira, 10/9/1935)

"...A luta entre os tricolores natalenses e os alvinegros pessoenses foi disputadíssima.  Em todo o decorrer do primeiro tempo não se podia prever o resultado favorável ao bando da camisa coral.

No segundo tempo, porém, a superioridade de nossos rapazes foi manifesta... Entre os defensores do novel clube natalense é de justiça salientar Nóbrega, Waldemar e Ponciano e os dianteiros Cyril e Cesário.

Cyril foi o orientador da vitória santa-cruzense pelos dois gols (do 5 x 2) e sobretudo pela técnica que desenvolveu..."

ABC

Do 6 a 2 da partida dominical (8): "O jogo desenvolvido pela equipe paraibana surpreendeu toda a assistência.

Os botafoguenses atuaram de modo elogiável, atribuindo-se o relativo fracasso no primeiro jogo (sábado) pelo cansaço da viagem...

Jogaram com ardor e entusiasmo, oferecendo surpreendente resistência aos players abecedistas. O ponto alto do quadro foi o triângulo final... O goleiro Pagé defendeu tudo, até de cabeça...

No quadro local Nezinho, Dorcelino e o futuroso Edgar (goleiro) foram os melhores. Entre os avantes brilharam Osvaldo e Xixico. Os demais atuaram regularmente."

quinta-feira, 12 de março de 2026

Os preparativos para os jogos contra o Botafogo/PB

Imagem rara do tricolor que virou Santa Cruz Esporte e Cultura em meados dos anos 60, licenciado em 1967 após participar do último campeonato em 1966

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira visita do Botafogo de João Pessoa é notícia na costumeira seção "Desportos" no jornal diário vespertino católico A Ordem logo na edição da terça-feira (3/9/1935).
No decorrer do resto da semana a imprensa natalense divulga o nome do árbitro da primeira partida, João Joaquim de Souza, sportman do rubro-negro Sport Clube de Natal.
E as partidas preliminares do sábado e domingo (7 e 8/9), dos segundo quadros, respectivamente ABC x Sport Club Natal, e Santa Cruz x América de Natal. Assim como antecipa as escalações das equipes principais.
O alvinegro paraibano: Tibúrcio, Dante, Petrarca, Zé dos Reis, Sorrentino, Nilo, Lemos, Pitota, Zé Pedro, Ademar e Holmes. Base do selecionado do vizinho estado, menos Nilo e Holmes.
O tricolor natalense: Correia, Ponciano, Nepó (Nepomuceno), Waldemar Araújo (um dos fundadores do extinto Diário de Natal), Reinaldo Praça (antigo defensor do ABC e América), Nóbrega, Monte, Cesário, Toselli, Cyril e Fernandes.
O alvinegro natalense: Edgar Pinheiro da Câmara, Dorcelino Pereira, Nezinho, Adalberto Carvalho, Mário Crise, Antônio Acácio do Nascimento, Osvaldo, Simão, Xixico, Hermes Marques de Amorim e Romano.

A primeira visita botafoguense para a capital potiguar

Da turma, no ano anterior, estiveram em Natal Dante Grisi (segundo em pé de roupa social) e Evan Holmes, terceiro, com uniforme/Blog Professor Zezinho

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O jornal diário vespertino católico faz a cobertura da primeira visita do Botafogo Futebol Clube de João Pessoa, capital paraibana, a Natal.

A Ordem notícia o amistoso sequencialmente da quinta-feira (5/9/1935) ao sábado (7), pula o domingo, a segunda e dar detalhes dos dois jogos na terça-feira (8).

No sábado o tricolor Santa Cruz, fundado no ano anterior, vence o alvinegro da Paraíba (5 x 2). No domingo volta a ser derrotado pelo alvinegro natalense (6 x 2).

O jornal estatal pessoense A União (fundado na última década do século XIX) também destaca a excursão do BFC para a capital potiguar de quarta (dia 4) a sexta-feira, dia da saída da delegação em trem noturno da "Great Western".

Chega pelas sete horas da manhã na estação ferroviária do bairro da Ribeira, sendo recepcionada pelos dirigentes locais, o presidente da Associação Riograndense de Atletismo (ARA), José Potiguar de Oliveira Fernandes, e o diretor abecedista Vicente Farache Neto.

EMBAIXADA

Botafogo "Sport Club": jornalista Orris Barbosa (presidente), Anchises Gomes (árbitro oficial, diretor do jornal "Liberdade" e também apontado como líder da delegação), Epitácio Cavalcanti de Albuquerque (orador) e Arioaldo Petrucci (diretor técnico).

Jogadores: Tibúrcio dos Santos Filho, José Maia de Novaes (goleiros), Dante e Petrarca Grisi, Clodoaldo Passos (zagueiros), José Félix, Humberto Sorrentino, Nilo Oliveira, Normando Fantini (médios), Fernando Seixas, Nivaldo de Hollanda, José Pedro dos Santos Coelho, Aderson Eloy de Almeida (futuro prefeito de Ceará-Mirim/RN), Ademar Rodrigues, Evan Holmes, Ademar Ataíde, José Henriques e Salvador Seixas (atacantes). Ainda Rivaldo Brito e José Flávio de Carvalho.

Estatística parcial do clássico nordestino ABC x Botafogo

Raimundo Nóbrega, especializado no "Belo"

O pesquisador e historiador paraibano Raimundo Nóbrega é o autor da postagem número 220 da série "MEMÓRIA DO BOTAFOGO PARAIBANO" no site "Mídia PB", com atualização em 10/2/2024, portanto antes dos jogos pela Série C do mesmo ano (dois) e mais um de 2025, com empate sem abertura de contagem.


A HISTÓRIA DO CLÁSSICO BOTAFOGO x ABC


De um lado o Botafogo da Paraíba fundado em 28 de setembro de 1931. Do outro, o ABC, fundado em 29 de junho de 1915.

A história do clássico Botafogo x ABC tem início em setembro de 1935, quando o Belo fazia a primeira excursão fora de João Pessoa, viajando de trem até Natal.

No sábado, 7 de setembro, o Botafogo perdia de 5 × 2 para o Santa Cruz de Natal. Dia seguinte, no Estádio Juvenal Lamartine, o Botafogo foi goleado pelo ABC por 6 × 2.

De lá para cá, 10 de fevereiro de 2024, já foram realizados 83 jogos entre essas tradicionais equipes nordestinas.

Botafogo paraibano com "Fio Maravilha" vence ABC (IV)

Botafogo/PB (1973): Zezito, Geraldo, Valter Moreira, Valdeci Santana, Gerônimo, Marco Antônio, Paulinho, Capelense, Chico Matemático, Serginho e Odon. Em negrito os que estiveram na delegação.

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Após localizar dois amistosos ABC x Botafogo/PB não inclusos em dois sites importantes, um com dados de dezenas de clubes, outro dedicado ao clube paraibano, a reportagem identifica que dois dos três impressos natalenses da época não publicam a ficha técnica do único interestadual sem valer ponto entre os alvinegros inseridos nas listas do FUTEBOL 80 e BAÚ DO BELO.

Os jornais matutinos "Diário de Natal" e :Tribuna do Norte", na data do amistoso ABC 3 x 1 Botafogo, no Estádio Castelo Branco (sábado, 30/3/1974), que o visitante é treinado pelo paulista Manoel Veiga ("Mané"), ex-zagueiro do Treze (Campina Grande), campeão pelo MAIS QUERIDO em 1971, o segundo título da série de quatro.

A delegação de João Pessoa se hospeda no Grande Hotel (Ribeira): Antônio Pádua de Melo (chefe), Francisco Vasconcelos (médico), Clis Aldo ? (preparador físico), Pauluca (mordomo) e Salustiano (mordomo). Jogadores: Geraldo, Hidemburgo, Lúcio Mauro, Marcos Silva, Marcos Medeiros, Regis, Leoni, Dedé, Reginaldo, Chico Matemático, Vamberto, Paulo César e Serginho.

O Botafogo vinha de vitória pela contagem mínima frente ao homônimo de Cajazeiras/PB. O ABC havia derrotado duas vezes o "Galo da Borborema". O DN ainda indica que houve empate pela última vez (1 x 1), Jorge Flávio e Jailson (abedista), no "Juvenal Lamartine" (27/4/1972). O "tira-teima" é chamada de capa na TN.

O jornal da cadeia Associada também menciona o recente 2 x 2 (quarta-feira, 13/março/1974) não inserido nos mencionados sites.

Enfim, a temporada de 1974 registra três ABC x Botafogo, não somente um, dos blogs, o último ABC 1 x 0 (6/junho/1974), com o ex-flamenguista "Fio", a "maravilha" do compositor e cantor carioca Jorge Ben.