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sexta-feira, 10 de julho de 2026

O irmão do zagueiro abecedista no rival América (III)

General José Porfírio da Paz foi
presidente da Federação potiguar

JOSE VANILSON JULIÃO

Os filhos do dono da gráfica Santo Antônio (José Bezerra de Andrade), Dinarte (o mais velho) e Ney (o mais novo), são personagens da série de reportagens assinadas pelo jornalista Everaldo Lopes Cardoso.

O episódio contado pelo cronista teria acontecido justamente no amistoso interestadual entre os dois clubes homônimos, o potiguar e o pernambucano, das capitais estaduais, Natal e Recife.

O caso hilariante envolve o zagueiro Dinarte e o atacante Dario. Situação em que surge o nome do abecedista Ney como referência ao irmão.

Não fosse a condição do episódio o redator nunca saberia que Dinarte entra para a lista dos jogadores que vestiram ao menos uma vez a camisa rubra em mais de 115 anos de história.

A reportagem "O outro lado do futebol: o pitoresco (V)", do vespertino Diário de Natal (quinta-feira, 31/3/1960), contem cinco episódios. Descritos inicialmente na abertura do texto de Everaldo Lopes:

1) "Porfírio da Paz queria declaração do torcedor"; 2) "Seleção virou antigo TJD"; 3) "Juiz das Arábias"; 4) "Jogador de quinhentos réis"; 5) "Reinaldo 'Meu" ficou maluco com a confusão de caras" (dois irmãos gêmeos em clube pernambucano).

Pelo decorrer do tempo e confiando na memória Everaldo Lopes erra o ano (1953) e o placar (1 x 5), mas o "causo" em tela é referente ao jogo dos clubes americanos (16/10//1954). Mas começa assim: "Dinarte, mano de Nei Andrade, era zagueiro suplente do América, cujo titular era Artêmio.

Atuando abaixo da crítica, o escore já era 4 x 0, o preparador rubro fez entrar o reserva com a incumbência de marcar Dario, que era caixa alta, dono de cartaz enorme. Numa disputa Dinarte entra pra valer, com uma sola que levava endereço certo.

Dario pulou de lado e resmungou: - Sai daí jogador de quinhentos réis. - Ver lá, velhinho, eu ganho oito mil no América, tá bom, retruca Dinarte." Naquele tempo podia ouvir-se tudo que se passava dentro de campo com a proximidade do alambrado e a mureta de cimento do campo do JL.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

O irmão do zagueiro abecedista no rival América (II)

Ney, em pé, após o goleiro, antes do médico e do diretor/Acervo: Carlos Magno Oliveira

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O repórter já tinha em arquivo, no meio de ao menos três milhares de fichas técnicas, a súmula do amistoso América/RN 1 x 6 America/PE (16/10/1954), com o zagueiro Dinarte Bezerra de Andrade (1932 - 2016).

Entretanto em dez anos de pesquisa, principalmente nos últimos cinco anos, não havia encontrado nenhuma informação, palavra ou frase, que ligasse o Dinarte ao defensor e irmão Ney Bezerra de Andrade.

Nem em reportagens de jogos ou em expedientes da Federação, nos anos 50, há indício em quatro jornais pesquisados, que liguem o jogador reserva do America, Dinarte, ao parente bem próximo do ABC.

A ligação é revelada agora com o levantamento da permanência do veterano zagueiro Artêmio Florêncio Gonçalves, saído do América para o Alecrim Futebol Clube, com o fim de fixar com exatidão o ano da foto do alviverde em 1955.

Situação esta da dúvidas no ano da fotografia suscitada na sequência especial ainda não encerrada com o dirigente esmeraldino, o baiano de Nazaré das Farinhas, Braz Nunes de Farias. 

A série especial do "Diário de Natal" (31/3/1960) é responsável pela localização do elo fraternal dos atletas de clubes rivais, um egresso do juvenil do licenciado Santa Cruz da Praia do Meio ou o "clube da Avenida Circular".

Na reportagem "O outro lado do futebol: o pitoresco (V)", assinada pelo jornalista Everaldo Lopes Cardoso.

O irmão do zagueiro abecedista no rival América (I)

O argentino Dante Bianchi com
a camisa do Racing na revista
"El Gráfico" de Buenos Aires

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O empresário gráfico falecido recentemente, Dinarte Bezerra de Andrade (1932 - 2026), além de ter sido juvenil do Santa Cruz/RN (o segundo com este nome), também tem registrada uma participação pelo América.

O zagueiro Dinarte entrou no decorrer do amistoso interestadual América/RN 1 x 6 América/PE (sábado, 16/10/1954) no tradicional Estádio Juvenal Lamartine, da Avenida Hermes da Fonseca,  no Tirol.

O encontro entre o alvirrubro e o alviverde teve como árbitro o português Anisio Morgado, a serviço da Federação Pernambucana de Futebol, entre a metade dos anos 50 começo de 60.

Os elencos são orientados por dois treinadores estrangeiros, respectivamente, o húngaro Steban Hory e o argentino Dante Jorge Bianchi, ambos já alvos de reportagens especiais neste blog.

Preliminar juvenil: Riachuelo Atlético Clube 3 x 1 Clube Atlético Potiguar. Os populares RAC (alvo e azul) e CAP (rubro-negro).

A temporada do clube recifense se estende ao domingo com vitória local no Estádio Juvenal Lamartine: ABC 3 x 2 América/PE.

Dinarte era irmão do zagueiro do ABC, o "galego" Ney, com passagens pelo Sport Recife, Bahia e América recifense, 91 completados e residente em Salvador.


FONTES/IMAGEM 

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

O Baea na História

Jornal da Grande Natal


O persistente presidente esmeraldino veio de longe (XIII)

Fachada da entrada da antiga sede campestre do Alecrim Futebol Clube em Macaíba/Grande Natal

"BRAZ NUNES DE FARIAS
*, filho de João Nunes Gomes de Farias e Maria José de Farias, se casou com Maria de Lourdes Nunes de Farias. Nasceram sete filhos: Nadja, Luciana, Marcos Antonio, Ricardo, Adriene, Célia Maria e Ana Cláudia.
Industrial, trabalhou muito tempo no Curtume São Francisco. foi um homem simples, humilde, inteligente, dinâmico, agindo sempre com equilíbrio.
Começou a torcer pelo Alecrim Futebol Clube a partir do momento em que veio a morar em Natal em 1940. Um caso, portanto, de amor a primeira vista.
Na Bahia (Nazaré das Farinhas) jogava por um time no colégio, que tinha as cores verde e branco. O próprio Braz Nunes diz: - Quando, aqui, vi o verde e branco do Alecrim simpatizei logo.
Foi levado para o alviverde por um grupo de amigos: Bastos Santana (baiano como ele), Pedro Rodrigues, Pedro Ares, etc.
Muito ativo, dentro de pouco tempo, estava trabalhando mais diretamente com o Verdão. E, assim, foi eleito presidente do clube seis vezes! Ocupou, também, o cargo de presidente do Conselho Deliberativo.
A participação de maior relevância foi, provavelmente, durante a crise de 1976: "Severino Lopes queria licenciar o time para poder construir a sede. Então fui chamado para presidi-lo, pois era contra o licenciamento.
Tomamos a resolução de vendermos a sede ao III Terceiro Distrito Naval, por meio do comandante, almirante Artur Ricart, pois a situação do clube era insustentável. Dos 3,5 milhões da operação pagamos nossas dívidas junto aos jogadores, credores de uma maneira geral, INSS e ainda sobrou 1,8 milhão.
Com este dinheiro compramos o terreno e construímos o que existe atualmente na sede, com a ajuda de vários alecrinenses de peso, inclusive Severino Lopes, Bastos Santana, Joca Mota, e também com a colaboração do comércio local.
Tive a felicidade de fazer a inauguração das novas instalações (15/8/1978) antes de passar a presidência ao major João Galvão.
Não tenho vaidade pelo trabalho que realizei e pelos esforços que concentrei no Alecrim. Foi um trabalho de equipe que deu excelentes frutos. Sou atualmente conselheiro e quero, agora, descansar. Creio que já dei o meu recado."
Braz Nunes de Farias foi uma dessas personalidades marcantes que nunca deixou o alviverde falir, morrer. Quando a situação se agravava ele aparecia, firme, tomando decisões, aglutinando forças, encontrando soluções. Com experiencia e dedicação prestou grandes serviços ao Alecrim.
Braz Nunes faleceu quando o Conselho Deliberativo estava preparando um jantar em sua homenagem. O CD enviou mensagem de pesar para a família.

*Capítulo do livro "História do Alecrim Futebol Clube" (junho/2002). De autoria de Alberto Pinheiro de Medeiros (descendente de um dos fundadores).

Presença de jogadores tiram dúvidas sobre imagem

Alecrim Futebol Clube (1955): Clóvis Coutinho da Mota (presidente do Conselho Deliberativo), Paulo, Gageiro (ex-ABC), Artêmio Gonçalves, Monteiro, Petit, Índio, Geleia (técnico), Miltinho (Milton Zerino da Silva) , Ozir, Araken Barbosa, Beú e Jair

IMAGEM EM POLICROMIA
Enquanto o redator continua atualizando a pesquisa sobre o personagem do momento, o falecido dirigente alecrinense Braz Nunes de Farias, o blog publica imagem colorizada por IA (inteligência artificial) do Alecrim, cortesia do repórter fotográfico Richardson Santana.
A rara fotografia do clube esmeraldino merece explicação. Em um site aparece como sendo de 1954. Em outro de 1965. Mas pode ter acontecido erro de digitação.
Em todo caso o JORNAL DA GRANDE NATAL aponta que a foto é mesmo de 1955 pelo simples fato do elenco contar com o veterano zagueiro Artêmio Florêncio Gonçalves, que permanece no América até o segundo semestre, pois em setembro já está no alviverde.
Artêmio veio do interior do Rio Grande do Norte, não lembro se de Areia Branca ou Macau, para o Santa Cruz natalense em 1945. Logo depois ingressa no alvirrubro.
Outro detalhe é a presença do atacante Araken Barbosa de Farias (tio do jornalista Fernando Farias e residente em João Pessoa), considerado pela imprensa uma das revelações da temporada de 1955, ao lado de Luiz Marques, aquele centromédio alvo de recente série, que deverá ser focado novamente, com passagens pelo licenciado tricolor, América/RN, Campinense, Sport Recife e ABC.

Torcida unida não ultrapassou 70 pagantes
em Macapá/Imagem: Globo Esporte (AP)

SEM ESPAÇO PARA A "ZEBRA"
"...Na segunda-feira será a vez do América decidir seu futuro. No caso do Alvirrubro o DETALHE é: já está classificado. A vantagem é gigante."
A realista e corajosa afirmação, que nenhum comentarista ousou dizer, é do jornalista e editor esportivo Itamar Ciríaco, da Tribuna do Norte, na coluna de hoje (impresso e site).

DIFERENCIAL DO PÚBLICO
Além da grande e enorme vantagem pela goleada imposta no jogo anterior, o América terá o apoio total da torcida vermelha na noite desta segunda-feira.
O que não teve o rubro-negro Trem amapaense, na cidade de Santana, município vizinho a capital Macapá.
Só para se ter uma ideia da diferença gigantesca entre os dois centros futebolistas: mesmo com a convocação da união das torcidas a presença de público no Estádio Augusto Antunes foi infinitamente inferior aos três mil pagantes que já estão contabilizados na venda antecipada de bilhetes em Natal. A CBF registra apenas 68 pagantes.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (XII)

Alecrim Futebol Clube (1955): Clóvis Coutinho da Mota (presidente), Paulo Bigodinho, Gageiro, Artêmio, Monteiro, José Petit, Índio, Geleia (treinador), Miltinho, Ozir, Araken, Beú e Jair

JOSÉ VANILSON JULIÃO

No ano anterior da reportagem assinada pelo jornalista Lenine Pinto com fotografias de Nildo Seabra de Melo para o então diário matutino O Poti, com abordagem da expansão imobiliária do trecho da Rua Segundo Wanderley, entre o Alecrim e o Barro Vermelho, na qual aparece a nova casa do baiano Braz Nunes de Farias, outro momento indica que ele estava já plenamente estabelecido em Natal.

E não se trata de uma questão doméstica, familiar ou profissional, mas sobre a atividade paralela que consome o resto do tempo disponível do nosso personagem, a política interna do Alecrim Futebol Clube, demonstrando que dez anos depois Braz Nunes está envolvido com o alviverde contaminado pelos amigos natalenses.

O matutino Tribuna do Norte (17/8/1956) registra a eleição da nova diretoria com João Coutinho da Motta (presidente) e Braz Nunes de Farias (vice-presidente). É mais uma prova cabal da instalação do grupo informal oriundo do Curtume São Francisco.

O Conselho Deliberativo: Clóvis Coutinho da Motta (presidente), João Bastos de Santana (vice-presidente), Sílvio Tavares Ferreira, Severino Lopes da Silva, Vicente Dutra de Souza Neto, Wober Lopes Pinheiro, Milton Zerino da Silva, Giordano de Castro, José Gomes Filho, Paulo Rodrigues, José Trigueiro, Aristides Marques do Nascimento, Lourival Araújo, Luiz Sabino, José Alves e Grádio Teixeira.

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (XI)

Deputado federal C. Motta

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Na segunda metade dos anos 50 e começo da década de 60 destaca-se o núcleo do Conselho Deliberativo do Alecrim com vínculo informal vindo do Curtume São Francisco.
Dos oito componentes três são da família controladora da empresa fundada por João Francisco da Motta.
Do grupo familiar fazem parte Jorge Antônio, Clóvis, deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), e Álvaro Coutinho da Motta.
Os outros cinco são empregados (Giordano de Castro, Avani Batista de Araújo, Milton Zerino da Silva e Amarino Bento da Costa) e um diretor (Braz Nunes de Farias).
Com o detalhe interessante de que pelo menos dois deles foram jogadores nos anos 50/60: os atacantes Miltinho e Amarino.
Os demais membros isolados, autônomos ou independentes mais conhecidos: Severino Lopes e Vicente Dutra (médicos), Silvio Tavares (professor), Bastos Santana (comerciante) e Rubens Massud (empresário).