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quinta-feira, 23 de julho de 2026

A falsa primeira página do jornal potiguar (II)

Noticiário para o jogo do Santos em
Natal no dia 12 de dezembro de 1971

Na data seguinte ao suposto amistoso de Pelé com a camisa rubro-negra do Caicó diante do América de Natal o alvirrubro enfrenta o Riachuelo Atlético Clube (Taça Cidade de Natal) e o Santos o Guarani de Campinas (campeonato paulista).
Pelé não poderia vestir a camisa do time caicoense no sábado, dia 20 de março de 1971, já que, no domingo, mesmo sem o Rei, o Peixe está em campo na Vila Belmiro, complexo do Estádio Urbano Caldeira, diante do alviverde (primeiro turno: 2 x 2).
E para completar na mesma data o América-RN vence o alvo e anil RAC de goleada (5 x 2), no Estádio Juvenal Lamartine, e não no "Castelo Branco", como anuncia a capa falsa da "Tribuna do Norte", pois o novo estádio é inaugurado na tarde dominical de 4 de junho do ano seguinte.
Observação importante do jornalista Osair Vasconcelos, que também explica categoricamente: "Bota a TN como tendo 51 anos em 1975. Ora, em 1971 a TN tinha 21 anos. E o Castelão é inaugurado com o jogo Vasco da Gama 0 x 0 Seleção Olímpica (preliminar ABC 1 x 0 América)."
Osair entra na história por ter enviado ao redator a imagem da capa falsa e se não fosse por questão de segundos, pela reflexão instintiva da memória de quem pesquisa sobre futebol, o repórter teria caído como um patinho desengonçado no engodo. (José Vanilson Julião)

A falsa primeira página do jornal potiguar (I)

A capa falsificada da TN

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A falsificação grosseira da capa com Pelé, vestindo uma inverídica camisa do rubro-negro Caicó Esporte Clube, na "Tribuna do Norte", ganhou uma rede social esta semana.

A notícia "fake" na suposta página de apresentação do diário matutino natalense não resiste a primeira averiguação.

Bastou consultar e verificar a lista de jogos do Santos Futebol Clube no conceituado site "Futebol 80".

E em seguida, na mesma fonte, a lista das partidas do América da capital do Rio Grande do Norte.

Na segunda semana de março de 1971 o time santista está envolvido em competição oficial: o campeonato Paulista.

E o alvirrubro potiguar disputa a primeira edição da Taça Cidade de Natal, vencida pelo ABC.

Não foi necessário recorrer aos arquivos dos jornais locais disponibilizados na Biblioteca Nacional Digital.

O informante do escritor potiguar Câmara Cascudo (IX)

Fabrício Gomes Pedroza

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Coincidência: Francisco Artêmio Coelho, perto de completar 21 anos, chega em Natal, vindo do Rio de Janeiro, no mesmo ano do nascimento do escritor e historiador Luís da Câmara Cascudo.

Vamos tratar, agora, do "major" Vestremundo Artêmio Coelho, o satisfeito pai do jovem que encerra o tempo do serviço militar na capital federal.

A primeira aparição de Vestremundo Artêmio Coelho em "A República" (23/4/1892) é como mesário eleito, dia 18, para a segunda das seis sessões existentes na municipalidade.

No mesmo semestre (6/5) está envolvido com a iniciativa privada como acionista de uma tipografia, sendo eleito para o Conselho Fiscal da sociedade presidida pelo empresário italiano Ângelo Roselli, com a curiosa participação societária do patriota europeu Miguel Barra.

Na primeira semana de setembro é um dos componentes da chapa republicana com os seguintes seis candidatos para a Intendência municipal: Fabricio Gomes Pedroza (escolhido presidente) e Vestremundo Artêmio Coelho é eleito com 319 votos.




O informante do escritor potiguar Câmara Cascudo (VIII)

Vapor "Brazil", agora "Colombo", após reforma, no porto italiano de Livorno (1901)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Com o estabelecimento do ano de nascimento do personagem central da série ficou mais fácil e delimitado o espaço de tempo para procurar mais detalhes sobre o que andava fazendo Francisco Artêmio Coelho no final do século XIX e começo do XX.

Duas importantes fontes primárias registram as atividades profissionais do jovem (Exército e Correios): "A República" (fundado meses antes da Proclamação da República) e o "Almanaque Laemmert", do Rio de Janeiro, editado anualmente desde o Império (II Reinado).

O nome completo aparece pela primeira vez como Francisco Liborio Artêmio Coelho em uma notinha do jornal vespertino republicano, em que mostra a satisfação do capitão Vestremundo Artêmio Coelho (depois major e coronel) pela chegada do filho do Rio de Janeiro.

O então militar Francisco Artêmio Coelho havia servido um bom tempo a corporação na capital da República. A edição de 14 de maio indica que ele desembarcara há alguns dias do vapor "Brazil", a menos de dois meses para completar 21 anos.




O informante do escritor potiguar Câmara Cascudo (VII)

O jovem escritor Luís da Câmara Cascudo

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O artigo "O MISTÉRIO DE VITOR LAFOSSE", publicado no "Diário de Natal" (segunda-feira, 25/6/1962), batiza e sacramenta de vez o nosso personagem como informante contumaz dos assuntos de outrora para o escritor e historiador norte-rio-grandense Luís da Câmara Cascudo.

Os 15 parágrafos tem como tema principal um francês, de quem se sabe apenas o nome, que viveu na capital potiguar do século XIX, mas o que nos interessa mesmo são dois dos períodos em que aparece o xará em um do nomes do zagueiro do Santa Cruz e América, Artêmio Florêncio Gonçalves.

Com ares de intimidades o primeiro logo no terceiro: - O professor Panqueca, Chico Bilro, Francisco Artêmio Coelho, este o mais recente informador, falecido em fevereiro de 1945, contaram casos e episódios...

No sétimo período da página três: - Foi o primeiro morador na rua do Camboim, dizia-me Francisco Coelho... Lá residia Paulo Africano, o último africano vindo para Natal...

Diante das datas da morte (fevereiro/45) e aniversário (3/7), e que faria 74 anos, bastou fazer a continha e verificar que Francisco Artêmio Coelho nasce em 1871.

Portanto, quando Cascudo vem ao mundo (1892), Francisco Artêmio era um rapazinho de 21 anos.

Ou seja, o futuro informante ainda testemunha o menino a mamar, aprender a andar no século 19 e sentar no cavalinho de madeira no começo do século XX.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

Torcedor envia imagem "colorida" do primeiro campeão

América (1919): Oscar Siqueira, Aguinaldo, Abel Viana, Benfica, Canela de Ferro, Lopes, Ricardo, Aminadab, Arnaldo, Ararí de Brito e Chiquinho são os primeiros campeões em competição oficial


SOPRADORES DO APITO

O paulista João Vitor Gobi é o árbitro central de Gama x América/RN no jogo de volta pelas oitavas-de-finais da Série D.

Os auxiliares, também de São Paulo, são Miguel Cataneo Ribeiro da Costa e Luiz Alberto Andrini Ribeiro. Quarto árbitro: Pedro Alves de Oliveira (DF).

Jogo no Estádio Valmir Bezerra, na cidade satélite que dá nome ao clube local, em Brasília (Distrito Federal). Neste domingo, 26, ás 16 horas. O alvirrubro joga pelo empate.


REPORTAGENS LEMBRADAS

A entrada recente de duas reportagens antigas entre as dez mais lidas em junho e este mês indica que o blog está no caminho certo: entregar o que o leitor merece e gosta sobre os clubes potiguares e nacionais.

Foram bem acessadas: "O final de semana de Manga em Natal" (sexta-feira, 26/4/2024) e "Marinho Chagas é lembrado em programa da TV cearense" (quinta-feira, 8/12/2016).

O blog mistura reportagens inéditas com assuntos históricos, diferentes ou com um tema que ninguém abordou (daí as inéditas e as especiais), com assuntos da atualidade, sem procurar concorrer com as mídias mais aparelhadas e afortunadas pelo poder econômico ou financeiro.

PRIMEIRO CAMPEÃO

Um leitor manda fotografia acima, colorizada por IA (inteligência artificial), do América como primeiro campeão potiguar oficial em 17 de agosto de 1919.

São 107 anos da imagem da página social do pesquisador Rostand Medeiros (via rubro.com).

Nesta data ABC e Centro Esportivo Natalense (CEN) empatam sem abertura de contagem e o resultado favorece o alvirrubro.

Atletas: Oscar Homem de Siqueira, Abel Viana, Clínio Benfica, Francisco de Paula Pereira de Melo ("Canela de Ferro"), Arnaldo Costa e Silva, Arari de Brito e Silva e Francisco dos Reis Lisboa ("Chiquinho").

São três Aguinaldo como fundadores do América: um Tinoco, um Câmara e um Fernandes de Oliveira (eis a dúvida para relacionar um da foto pelo nome completo).

Acredita-se que um deles seja José Lopes Teixeira, irmão do presidente americano Francisco Lopes Teixeira.

Apelo para o excelente pesquisador natalense Arthur Pierre dos Santos Medeiros para resolver as pendências!

terça-feira, 21 de julho de 2026

O informante do escritor potiguar Câmara Cascudo (VI)

Pesquisador Carlos R. França de
Medeiros com a governadora do
RGN, Rosalba Ciarlini Rosado

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O funcionário público estadual Francisco Artêmio Coelho aparece no site "Tok de História" (21/9/2022), do pesquisador Carlos Rostand França de Medeiros, como um dos personagens do longo artigo "Paulo - O último escravo africano em Natal".

E transcreve um trecho do historiador Luís da Câmara Cascudo do Diário de Natal (segunda-feira, 25/61962) e pertencente ao artigo "O MISTÉRIO DE VITOR LAFOSSE":

“O último africano puro que morreu em Natal, Paulo Africano, morador da rua do Camboim, mestre de zambê e feiticeiro, falecido a 24 de abril de 1905”.

Em seguida surge no artigo "O presidente Parrudo na tradição popular", publicado no "Blog do Cobra" (14/7/2025), retirado da coluna Actas Diurnas, de A República (23/1/1940), do escritor Câmara Cascudo.

A avó de Francisco Artêmio Coelho, menina de doze para quinze anos, morando na Rua Santo Antônio, contava que vira muitas vezes o Presidente Parrudo passar, a cavalo, com suas ordenanças, enchendo de perfume toda a rua.

O jornalista currais-novense José Ayrton de Lima, o "Risadinha", no artigo "Panorama da Escravidão no Século XIX no Rio Grande do Norte" (Fundação José Augusto), como fragmento do livro dele, "A Escravidão Negra no Rio Grande do Norte" (páginas 21-23), bebe da mesma fonte: Cascudo!