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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Goleiro Miguel começa como atacante do Cruzeiro (II)

Jornalista Agnelo Alves

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A revelação de que o goleiro Miguel Ferreira de Lima, campeão carioca pelo Vasco da Gama (1958), começou a carreira na linha atacante de um clube amador do Rio Grande do Norte, poderia ter continuado sem nenhum registro formal na imprensa, seja nacional ou regional.

Ainda assim esta informação ou detalhe da principiante atividade futebolística do adolescente Miguel poderia ter permanecido no limbo da história ou apenas na ciência de uns poucos amigos íntimos, assunto que será tratado posteriormente.

Em todo o caso somente um importante pormenor acontecido duas décadas depois da ida de Miguel de Lima para o Rio de Janeiro possibilita o registro em letra de forma de que ele foi atacante no Cruzeiro de Macaíba (região metropolitana da capital potiguar).

A convite do jornalista Agnelo Alves (ex-prefeito de Natal e ex-dirigente do ABC) e do jornalista e comentarista esportivo Rubens Manoel Lemos,  o então sargento da Aeronáutica, o comentarista Adeodato José dos Reis, passa a escrever uma coluna diária no jornal "Tribuna do Norte".





Goleiro Miguel começa como atacante no Cruzeiro (I)

Adeodato José dos Reis fez a revelação na coluna

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Assíduo no blog como um dos personagens do futebol potiguar com carreira nacional e internacional o redator acreditava que não haveria mais brecha para encontrar alguma novidade sobre o goleiro Miguel Ferreira de Lima, o paraibano criado no RN, que fez sucesso no Vasco da Gama, Colômbia e Europa.
Pode até ter escapado ou sido negligenciado alguma informação ou pormenor nas principais fontes primárias de antigamente, em especial na imprensa carioca e precisamente nas extintas publicações semanais Manchete Esportiva e Revista do Esporte, assim como no Jornal dos Sports.
E desta relação também estão incluídos três importantes fontes locais: os jornais Tribuna do Norte e Diário de Natal, mais o semanário da cadeia Associada, O Poti. Em especial as edições entre 1953/1968, período em que Miguel de Lima é revelado pelo Alecrim, passa ao Vasco e chega ao alemão Colônia.
Entretanto o mais importante foi a disponibilização da TN no site da Biblioteca Nacional Digital nestes últimos três meses, se a memória não falha, conforme alerta dos pesquisadores Marcos Avelino da Trindade e Arthur Pierre dos Santos Medeiros, com os quais o repórter troca figurinhas.
A situação da BND facilitou rapidez nas consultas e termina com a constatação de que o falecido comentarista esportivo Adeodato José dos Reis, que manteve uma coluna no diário matutino Tribuna do Norte, revela que Miguel teria começado a bater bola na linha de ataque do Cruzeiro de Macaíba (Grande Natal) e só depois resolve ser goleiro.

Jornalistas compram panos para as mexicanas...

Meses após a premiação JMA está na
cobertura da Copa do Mundo 1970

JOSÉ MARIA DE AQUINO

JORNALISTA

A Copa do México-70. A Copa do Tri. A minha Copa. Em Guadalajara, ficamos hospedados no Hotel Morales, no centro histórico, longe da parte nova da bela cidade, onde a seleção se concentrava na Suites Caribe.

Era um hotel antigo e tradicional, que hospedava - não naquele momento - as grandes estrelas da música e do cinema mexicano: Pedro Vargas, Agostin Lara, Maria Felix...

Pela manhã nos servíamos de um belo café no salão junto à portaria. À noite discutíamos a pauta do dia seguinte saboreando Tecates e Sol geladíssimas, com abacate, ttomate e sal.

À tarde, ali pelas 17 horas, era servido o chá que reunia a fina flor da sociedade local. Senhoras elegante s e bem vestidas. Tudo, naturalmente, ao som de um afinado piano.

Sabíamos desse momento de lazer, mas nunca, antes. havíamos desfrutado dele. Os treinos da seleção no Clube dos Bancários ocupavam nosso tempo< Do time da Placar e da Veja. 

Até aquele dia de folga geral, da seleção e nossa. Eu e Tim Teixeira fomos abordados três daquelas elegantes senhoras, que se identificaram como esposas de secretários do governo local.

Queriam saber se tínhamos bandeiras do Brasil. Pequenas, para colocarem na antena de seus carros, ou grandes, para cobrirem o capô. Não tínhamos, mas era impossível apenas dizer não.

Como todos sabem, depois que arquivaram o sonho de conquistar a Copa, ou mesmo ir mais longe que a primeira fase, os mexicanos vestiram a amarelinha e torceram como loocos pelo Brasil. 

Era preciso atender àquelas senhoras, que representavam toda torcida mexicana. Eu, pela Placar, e Tim, pela Veja, saímos à procura de bandeiras do Brasil. Corremos todo comércio local e nada.

Nada de bandeiras, bandeirinhas ou bandeirolas. E veio a sugestão de uma das vendedoras: "levem panos verdes e amarelos e façam as bandeiras que procuram".

Sugestão aceita. Compramos metros e metros de panos das duas cores e fomos à procura de costureiras, Ali mesmo. Em poucos minutos tínhamos 'bandeiras" em largas tiras verdes e amarelas

E a alegria de ver e sentir como os mexicanos - não apenas aquelas senhoras - abraçaram com loucura nossa seleção. Loucura que se prolongou e aumentou até a vitória final sobre a Italia.

Foi por lembrar daqueles momentos, que esta noite/madrugada me transportei para o Azteca e gritei Arriba México. Nada contra o Equador, entendam por favor.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Identificado goleiro do Ferroviário/RN morto a tiros (III)

FERROVIÁRIO (1978): Chocolate, Edilson, Deda, Toinho, Paulinho, Sinedino, Ivan, Chico, Natan, Quinho, Careca, Wilson e Valdir. A última participação em 1981, ano da zebra 2 x 1 ABC, pelo campeonato estadual/Imagem: Futebol Retrô

JOSÉ VANILSON JULIÃO

América 4 x 0 Ferroviário (domingo, 24/1/1971). É a estreia do alvirrubro e do tricolor na primeira edição da Taça Cidade de Natal.
Como curiosidade na ficha técnica do jogo principal (rodada dupla com preliminar ABC 4 x 2 Cosern): o "Ferrim" entra com o goleiro Juca e na ponta-esquerda um tal de "Esquerdinha".
Não deu para apurar pelos jornais da época se o jogador com o mesmo apelido é o que atua pelo Real Madrid do Baldo pelo interior do RN.
Ou se é o mesmo que joga pelo rubro-negro Clube Atlético Potiguar, em outubro, no II Torneio Presidente Médici.
Ainda em outubro quem aparece com a camisa número um do Ferroviário, na mesma competição, é o goleiro Floriano, no Riachuelo no ano seguinte, depois contratado pelo ABC.
O goleiro João Pereira da Silva, o "Esquerdinha", efetivamente aparece na meta do Ferroviário no Torneio Início (domingo, 12/3/1972).
O tricolor empata (1 x 1) com o ABC na competição oficial de abertura da temporada. Mas o titular é Ronaldo, antigo arqueiro do primeiro Globo potiguar e do licenciado Santa Cruz Esporte e Cultura.
"Esquerdinha" o substitui na segunda partida do TI: 0 x 0 Atlético, o popular CAP. Nas rodadas iniciais do campeonato estadual aparece como titular, inclusive na goleada ABC 7 x 0 (domingo, 9/4/1972).
Mais uma curiosidade, extraída da coluna do falecido narrador, o professor universitário e jornalista Vicente de Almeida Filho, no DN:
- Ele não pode comparecer a um treino no Estádio Senador João Câmara (Rocas) e o treinador Arnaldo Honório, ex-jogador do tricolor e doublé de árbitro, põe um torcedor para suprir a carência.
Na última participação no campeonato, Ferroviário 2 x 3 Riachuelo, o chamado RAC (domingo, 25/6/1972), o titular do arco tricolor é Biro (personagem de reportagens anteriores), mas "Esquerdinha" entra no decorrer da peleja. Ainda teve jogo com Bosco de goleiro e "Esquerdinha" entra com bola rolando.
Enfim, será que ele é o mesmo goleiro que defende o selecionado de Pedro Avelino no "Matutão" no ano seguinte?... (FONTES: "Tribuna do Norte" e "Diário de Natal")

Identificado goleiro do Ferroviário/RN morto a tiros (II)

Chegada de Fernandes, condenado, após
cumprimento do mandado, no complexo
da Polícia Civil/Imagem: Janaina Costa

J. V. J.

A notícia sobre a prisão do idoso José Fernandes dos Santos, quatro décadas após matar o goleiro João Pereira da Silva, localizado no bairro dos Guarapes (Zona Oeste), ganha o mundo na tarde da quarta-feira (10/6), e dez dias depois o repórter Valmir Sabino, do site "Saiba Mais", identifica os protagonistas com exclusividade.

Ao ler sobre o caso no dia seguinte me veio a mente que no Riachuelo Atlético Clube, o RAC ou time "Naval", nunca havia vestido a camisa número um atleta com o apelido "Esquerdinha".

Ao dar uma olhada nos jornais da época na ocasião encontrei um jogador com esta alcunha comum aos jogadores da linha de ataque, mas, mesmo assim, continuei em dúvida.

Por uma simples razão. Havia um "Esquerdinha" com a camisa 11 no Ferroviário Esporte Clube de Natal e também como arqueiro no "tricolor da Estrada de Ferro".

A menção do "Esquerdinha" na linha apenas uma vez e a repetição na escalação como goleiro, antes e depois dos jogos, é confirmação dele no Ferroviário.

Na época (1971/73) eram quase titulares absolutos os goleiros Juca e Floriano, que chegam a vestir, respectivamente, as camisas dos grandes América e ABC.


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Identificado goleiro do Ferroviário/RN morto a tiros (I)

Reprodução do site "Saiba Mais"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Não sei se o repórter Valmir Sabino leu a minha "reclamação" em rede social. De que os principais sites natalenses publicaram um "press" oficial sobre a recente captura do matador de um goleiro do Ferroviário/RN e não identificaram a vítima e o condenado.
O jornalista o fez em excelente reportagem investigativa para o site Saiba Mais. Recomendo a leitura. Quem me enviou o link da reportagem inédita foi o repórter fotográfico e apresentador de rádio e televisão Graciano Luz, fundador do "Correio Potiguar".
"A História do Goleiro Morto em 1984 que os grandes veículos não contaram", eis o título da reportagem, lançada neste domingo em meio as atenções voltadas para o jogo Brasil 2 x 1 Japão pela segunda fase da Copa do Mundo na segunda-feira.
Não vou entrar em detalhes do assassinato ocorrido no sábado, 15 de setembro de 1984, na sede do Ipiranga (fundos da igreja católica) de Lagoa Seca, na Rua Alberto Silva, uma transversal entre a Rua São João e Avenida Prudente de Morais. Era meu caminho para a Escola Técnica Federal (Av. Salgado Filho).
Quando a mídia eletrônica noticiou o crime de morte, Artigo 121 do Código Penal, como gostavam de salientar meus colegas na Tribuna do Norte, o editor Natanael Virgínio e o repórter Ubiratan Camilo de Souza, mais Givaldo Batista em "A República", e o Pepe dos Santos, codinome do currais-novense Elitiel Bezerra, do Diário de Natal.
Por isso me lembrei do caso, mas passados tantos anos até a localização do homicida, é claro que não me recordaria o nome do ex-goleiro e serralheiro João Pereira da Silva, o "Esquerdinha", 35, e do vendedor de vegetais na Ceasa (Centrais de Abastecimentos Sociedade Anônima), José Fernandes dos Santos, atualmente com 79.
Até tentei verificar nos dois jornais na Biblioteca Nacional Digital, mas, como não tinha os nomes e tampouco a data do crime, acabei desistindo. Alguns amigos até comentaram que poderia ser o goleiro Eliezer Virgínio da Silva, então com 24 anos, mas este havia sido assassinado na década anterior (domingo, 28 de abril de 1973), crime ocorrido com arma branca na Rua Manoel Miranda, nas Quintas.
Eliezer foi campeão pelo América (1967), revezando com Dedé, Alecrim (1968), reveza com Bastos, e passou pelo Ferroviário, Monte Castelo (1971), do Batalhão de Engenharia e Construção do Exército (Nova Descoberta), que mantinha invencibilidade de 45 partidas no futebol amador, e Força e Luz (Cosern). E até no "Matutão", o campeonato interiorano promovido pelos Diários Associados da capital potiguar.

Minibiografia do único irmão jogador do Dequinha (II)

Mais uma imagem rara com o mossoroense Chico no clube alvo e azul do Norte do PR

Resumo da entrevista para o "A Voz de Brusque" (Santa Catarina, publicada em 14 de março de 2003), de autoria do Luiz 
Gianesini.

FRANCISCO ASSIS DOS SANTOS: - Filho de Luiz Gonzaga dos Santos e Isaura Freire de Mendonça (Mossoró/RN, 27/31935 - Brusque/SC, 2014).

Irmãos: além dos dois José, Antônio, Margarida, Simão, Lúcia, Anunciação e Carlos. Casou com a catarinense Olga Machado dos Santos em 8 de junho de 1968  Torce pelo Carlos Renaux, Santos e Flamengo.

Começou nos mossoroense Fluminense, Bangu e Ferroviário. Em 1952 Dequinha o viu jogar e o leva ao rubro-negro. Em 1953 está nos aspirantes, sendo bicampeão carioca (1955/56).

Atua na equipe principal. O jogo 1452 (27/3/1955), 4 x 1 Fonseca, amistoso em Niterói/RJ, no Estádio Caio Martins, com o juiz Amilcar Ferreira. E o jogo 1530 (8/7/1956), 6 x 1, Serrano, amistoso, em Petrópolis/RJ.

Em 57 está no Londrina. É campeão do Norte do Paraná. Em 59 Coritiba, ajudando a equipe a levantar o tetra do sul do Paraná e o bi estadual;

de 64 a 67, Guarani de Blumenau; em 67 no Carlos Renaux, permanecendo até 1970, tendo sob a presidência do Ivo Mário Visconti, treinado a equipe por três meses.

Disputa a Taça Brasil: eliminado pelo Palmeiras: 2 x 0, 3 x 1 e 4 x 2 (1959). Em 1960 elimina o Paula Ramos 1 x 1 e 5 x 1 e com o Grêmio é eliminado no sorteio após três empates. Em 16 anos de carreira soma nove títulos.