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domingo, 29 de março de 2026

Goleiro americano mais perto de completar cem jogos

Renan, terceiro em pé, tem três taças na "sacola" do tetracampeonato dos americanos

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Além da conquista de três estaduais seguidos da conta do "Tetra" o goleiro titular do América de Natal pode alcançar outra marca importante pelo alvirrubro potiguar ainda nesta temporada.

O gaúcho de Porto Alegre (a capital do outro Rio Grande, o do Sul), completa 94 jogos oficiais com a camisa americana diante da Jacuipense, em Salvador, nesta segunda-feira (30) pela segunda rodada da Copa do Nordeste.

Assim Renan Silva Bragança, apelidado de "Dida" no começo da carreira no Grêmio, pode completar cem jogos pelo América/RN nas três primeiras rodadas da Série D (quarta divisão nacional) em abril.

Neste caso chega a centésima partida bem antes que o meia Elierce Barbosa de Souza, que, diferentemente, ocupa a casa dos 80 e precisa entrar em campo nas cinco partidas pelo torneio nordestino e perto de dez na competição nacional.


Fontes/Imagens

Globo Esporte

Jornal da Grande Natal

O Gol

Wikipedia

Surge dissidente americano para ser parceiro do rival (IV)

Escudo do Paysandu Sport Club
natalense/Escudos de Futebol do Mundo

O pesquisador mineiro Victor Rodrigo Dias, colaborador assíduo do conceituado site "História do Futebol", fez o rigoroso levantamento e escreveu o artigo "Campeonato potiguar 1942: Clubes se rebelam contra o Paysandu, testa-de-ferro do ABC", desdobrado pelo blog em três reportagens seguidas.

A competição contou com sete concorrentes: o ABC, Alecrim, América, Centro Esportivo Força e Luz, Clube Atlético Potiguar (antigo Centro Esportivo Natalense), Paysandu Sport Club e Santa Cruz Esporte Clube (licenciado em 1967 com a retirada do "Clube" dando lugar ao "e Cultura").

Fontes: A República, A Ordem, Diário de Natal e Diário de Notícias (jornal carioca fundado pelo norte-rio-grandense de Ceará-Mirim, Orlando Dantas), com exemplares da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro) e do LABIM/UFRN, além do acervo do conceituado pesquisador natalense Arthur Pierre dos Santos Medeiros.


CAMPEONATO POTIGUAR

JOGOS PAYSANDU X ABC 

TEMPORADA 1937

Paysandu 0 x 5 ABC (domingo, 13/6)

Paysandu 1 x 9 ABC (sábado, 4/9)

TEMPORADA 1938

Paysandu 2 x 4 ABC (domingo 15/5)

Paysandu 1 x 9 ABC (domingo, 4/9)

TEMPORADA 1939

Paysandu 0 x 6 ABC (domingo, 21/5)

Paysandu WO ABC (data desconhecida))

TEMPORADA 1940

Paysandu WO ABC (domingo, 25/8)

TEMPORADA 1941

Paysandu 1 x 2 ABC (domingo, 3/8)

Paysandu W0 ABC (domingo, 8/2)

TEMPORADA 1942

Paysandu 0 x 4 ABC (domingo, 12/7)


NOTA DE REDAÇÃO: A vitória por WO (desistência ou não comparecimento) vale placar de 1 a 0 em favor do concorrente. O artifício genuinamente potiguar, da entrega de pontos no RN, não é visto em lugar nenhum do Brasil e do Mundo nos anos 30/40. Em fontes primárias nacionais (em conhecidos jornais não há um caso sequer visto pelo redator).

Na próxima postagem os documentos (portarias e afins) da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FND), nos quais o autor da reportagem, Vitor Dias, se baseia para contar toda a verdade da crise diretiva e administrativa do futebol em Natal.



sábado, 28 de março de 2026

Surge dissidente americano para ser parceiro do rival (III)

Presidente/CBD: Luís Aranha

Clubes se rebelam contra o Paysandu, testa-de-ferro do ABC (terceira parte)

Vitor Rodrigo Dias

O mesmo ofício da CBD foi republicado no jornal A República em 17/09/1942 por ordem do Ato nº 16 do presidente reconduzido da FND.

Com a aproximação do Campeonato Brasileiro de Seleções a FND resolveu, como de praxe, suspender definitivamente o campeonato em 19/9/1942, que já tinha na prática sido paralisado pelos sucessivos adiamentos de partidas durante a crise.

A estreia da seleção do Rio Grande do Norte foi marcada pela CBD para o dia 11/10/1942, em Natal, contra a seleção da Paraíba, partida mais tarde remarcada para a cidade de João Pessoa.

Goleiro Edgar Pinheiro da Câmara seria
um dos atletas do boicote a seleção RN

Em
 27/9/1942 o Diário de Notícias (RJ) divulgou que as determinações da CBD não foram cumpridas: o presidente reconduzido Gentil Ferreira de Sousa não convocou o Conselho Geral, em desacordo com o determinado pela CBD, e os outros cinco clubes (Alecrim, América, Atlético, Força e Luz e Santa Cruz), como consequência, enviaram à CBD protestos contra a atuação de Gentil Ferreira de Sousa.

Em 29/9/1942 o mesmo jornal divulgou que a CBD, em reunião no dia 28/9/1942, resolveu destituir novamente Gentil Ferreira da presidência, determinando que o vice-presidente assuma a presidência e convoque o Conselho Geral da entidade no prazo legal.

Em 8/10/1942 O Diário divulgou que alguns jogadores do ABC, entre os quais João Batista de Souza (Gageiro), Francisco Canindé do Nascimento (Tico), Edgar Pinheiro Câmara (goleiro) e Antonio Acácio do Nascimento, não compareceram ao último treino da seleção potiguar em 7/10/1942.

Vicente Farache Neto

Gageiro
 e Tico estariam exigindo roupas, sapatos e dinheiro para se integrar a equipe; que Vicente Farache – diretor do ABC, mecenas histórico do clube e mandatário de facto do alvinegro – se negou a fornecer material a seus jogadores, não só para os treinos mas também para a partida contra a seleção paraibana.

Contudo, havia outros jogadores do ABC presentes no treino – Joãozinho, Badof e Saravoti. De fato, os quatro primeiros não viajaram à Paraíba e os três últimos entraram em campo. O placar do jogo: Paraíba 6 × 0 RGN, quebrando invencibilidade histórica da seleção potiguar contra a vizinha seleção paraibana. É bastante possível que esse ato de sabotagem de esportistas do ABC esteja ligado à crise em curso, como retaliação aos demais clubes.

Em 28/10/1942 o jornal carioca divulgou que a diretoria da CBF, em reunião no dia 27/10/1942, solicitou esclarecimentos à FND sobre as resoluções tomadas pelo Conselho Geral da entidade, após a destituição definitiva de Gentil Ferreira.

Em 30/10/1942 divulgou que, no dia 29/10/1942, um telegrama da FND para a CBD comunicou que, no dia 12 do mesmo mês, o Conselho Geral da FND se reuniu e deliberou pela exclusão do Paysandu Esporte Clube por três) anos e que, em Assembleia Geral de 17 de outubro, foi eleito para o cargo de presidente da FND o Capitão José Porfírio da Paz.

O campeonato não foi retomado após o fim da crise. Outros eventos esportivos e amistosos iam sendo realizados a cada domingo. Por fim, o Ato 023/1943 da Presidência da FND, publicado no jornal A Ordem, de 16 de fevereiro de 1943 e abaixo transcrito, anulou todas as partidas e cancelou o certame de 1942.

Surge dissidente americano para ser parceiro do rival (II)

Gentil F. de Souza

Clubes se rebelam contra o Paysandu, testa-de-ferro do ABC (segunda parte)

Vitor Rodrigo Dias

A crise no futebol potiguar - Rio, 9: - A diretoria da CBD, ontem, reunida sob a presidência do Luiz Aranha, tomou conhecimento da crise que se manifestou na Federação Norte-rio-grandense de Desportos e resolveu realizar diligências a fim de esclarecer a situação.

Nesse sentido serão solicitadas informações pela entidade máxima dos dirigentes do futebol naquele Estado. Como é do conhecimento dos nossos leitores vários clubes da FND, insinuando haver o Paysandu AC (sic) se deixado derrotar pelo clube ABC, e como não lograssem a convocação do Conselho Superior pelo presidente da Federação, Gentil Ferreira de Sousa, resolveram depô-lo, passando a presidência ao professor Sílvio Tavares Ferreira, vice-presidente e deliberaram, ainda, eliminar o Paysandu.

O Conselho Regional do Rio Grande do Norte resolveu intervir, determinando fosse reintegrado o presidente Gentil Ferreira, no que não foi obedecido, tanto assim que a CBD recebeu, ontem, comunicação da eleição do Porfírio da Paz como presidência da Federação. A Confederação somente poderá agir em caso de recurso legal impetrado pelo Gentil Ferreira.


Em 10/9/1942 o jornal carioca Diário de Notícias publicou que Gentil Ferreira de Sousa recorreu à CBD, que conheceu do recurso e o reconduziu à presidência da FND, mas manteve a suspensão ao Paysandu decidida pelo Conselho Geral, notícia replicada pelo jornal A República em 13/9/1942:

Reconduzido o presidente da FND: - Anuladas pela CBD as resoluções tomadas pelo Conselho Geral daquela entidade nortista na sessão em que foi destituído Gentil Ferreira.

Rio, 10 (pelo aéreo) - O "Diário de Notícias", em sua edição de hoje divulga que a diretoria da CBF deu provimento ao recurso interposto pelo Gentil Ferreira contra o ato do Conselho Geral que o destituiu da presidência.

A sessão presidida pelo vice-presidente Teixeira de Lemos contou com as presenças de Célio de Barros (secretário-geral),  Pizarro Filho (tesoureiro), Castelo Branco (presidente do Conselho Técnico de Futebol) e Paulo de Carvalho (representante da Federação). A sessão prossegue no sábado, ás 14 horas.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Surge dissidente americano para ser parceiro do rival (I)

O "azulão" Paysandu de Natal joga amistoso com o Treze em Campina Grande, interior paraibano, em 1928, e perde por 2 a 1 para o alvinegro "Galo da Borborema"

General Porfírio da Paz, no gabinete como
vice-governador em São Paulo (1962)

Clubes se rebelam contra o Paysandu, testa-de-ferro do ABC (primeira parte)

Vitor Rodrigo Dias

"História do Futebol" e "Futebol Retrô (11/10/2025)

Paysandu foi fundado em 1927 a partir de uma dissidência do América, disputou apenas o campeonato de 1928 e foi reorganizado para o campeonato de 1937.

Desde a reorganização pairavam suspeitas de que se tratava de um clube mantido por baixo dos panos por Vicente Farache Neto, eterno mecenas e mandatário de fato do ABC.

Coincidência ou não o Paysandu nunca tirou um ponto sequer do ABC em jogos de campeonato. Vejam a lista de confrontos entre 1937/4210 vitórias do ABC, sendo três entregas de pontos (WO).

As suspeições dos clubes em relação ao Paysandu atingiram nível máximo em 1942. Mais do que nunca, em 1941, o Paysandu foi decisivo no título do ABC: conquistou três pontos contra o Santa Cruz, evitando que o clube fosse campeão e ainda por cima quebrando sua invencibilidade, e novamente perdeu os dois jogos contra o ABC – no segundo jogo, o clube azul sequer entrou em campo, tendo recorrido ao velho instituto da entrega de pontos.

Dessa forma o Atlético, apoiado por Alecrim, América, Força e Luz e Santa Cruz, ingressou com pedido de desfiliação do Paysandu, atitude que desencadeou uma crise sem precedentes na Federação Norte-rio-grandense de Desportos, que culminou na suspensão de jogos e no eventual abandono do campeonato de 1942.

Em represália ao movimento alguns esportistas do ABC – o diretor Vicente Farache e alguns atletas – sabotaram a preparação da seleção do Rio Grande do Norte, facilmente abatida no Campeonato Brasileiro pela seleção da Paraíba logo na primeira fase.

Em 12 de outubro, na reta final de resolução da crise, o Conselho Geral da FND se reuniu e suspendeu o Paysandu por três anos, e em 19 de outubro foi eleito para a presidência da Federação o capitão e médico mineiro radicado em São Paulo, José Porfírio da Paz, figura histórica do São Paulo Futebol Clube, que estava servindo em Natal durante a II Guerra.

Por fim, em 12 de fevereiro de 1943, um ato da presidência da FND anulou todas as partidas e cancelou o certame de 1942.

Em 24/7/1943 o Conselho Geral resolveu, por maioria de votos, suspender o Paysandu, tendo em vista as suspeitas de irregularidades e beneficiamento ao ABC. Em 30/7/1943, o mesmo Conselho Geral destituiu o presidente da FND, Gentil Ferreira de Sousa.

As partidas de campeonato entre os dias 9/8 e 20/9 foram adiadas por atos de Gentil Ferreira. Mas, como os clubes já o desconheciam como presidente, foram disputadas algumas partidas.

Em 3/8/1942, a Presidência da FND, peloo Ato número 7/1942, publicado no jornal A República de 4/8/1942 e abaixo transcrito, anulou as resoluções do Conselho Geral do dia 24/7/1942.

Em 9/8/1942, segundo notícia divulgada pelo jornal A República em 11/8/1942, a diretoria da Confederação Brasileira de Desportos se reuniu para deliberar sobre a situação da FND.

O Paysandu aparece como dissidência do América/RN e logo depois participa da abertura do Estádio Juvenal Lamartine, no bairro do Tirol, em outubro de 1928/Revista "Cigarra"

Os bastidores do conflito que origina dois campeonatos

Nestor Lima
A MAIOR CRISE DA HISTÓRIA DO FUTEBOL POTIGUAR

Vitor Rodrigo Dias

"RN Futebol Clube" (4/3/2026)


O episódio envolvendo América e Potyguar Seridoense no certame de 2026, se não foi exatamente uma crise, ao menos deixou o campeonato paralisado por algumas semanas.
O mesmo não pode ser dito do que ocorreu no ano da graça de 1949, quando dirigentes ligados ao América atropelaram o processo eleitoral na então FND e provocaram um racha absolutamente tenso entre os filiados.
Naquele ano metade dos oito clubes filiados à Primeira Divisão – ABC, Juventus, Potiguar de Parnamirim e Santa Cruz – pôs-se em oposição ao presidente da FND, Rui Barreto de Paiva, ex-presidente do América, enquanto apenas o alvirrubro e o Atlético lhe manifestaram apoio – Alecrim e Riachuelo, este recém fundado e recém filiado, se mantiveram neutros.
Em reportagem do Diário de Natal (30/4/1949), um dia antes do torneio início, ao qual não compareceram os quatro clubes dissidentes, foi publicada a seguinte declaração de “um influente paredro do futebol da cidade, pertencente a um dos clubes da dissidência”, que explica bem os seus motivos:
- Em 31 de dezembro do ano passado o capitão Fernando Correia Leitão pretendeu impor o nome do senhor Rui Barreto para dirigente dos destinos do futebol natalense em 1949.
A maioria dos clubes natalenses opôs-se, formalmente, à candidatura em referência por verificar, claramente, que o candidato possuía como única qualidade a condição de saber servir, com devotamento e paixão, aos interesses do AMÉRICA, ao qual servira tão bem como seu presidente.
Os direitos dos demais clubes seriam, pois, relegados, esquecidos, torpedeados… sem apelação e sem cerimônia.
Os clubes contrários à eleição de Rui Barreto, como é do conhecimento público, em virtude de uma série de truculências e mistificações verificadas na sessão de eleição, abandonaram a chistosa reunião, em que o próprio candidato, na presidência eventual dos trabalhos, decidiu, em prol de seus interesses, todos os casos surgidos. Foi, em verdade, o próprio candidato o seu maior eleitor, tudo fazendo e tudo envidando para forçar a eleição de si mesmo.
Os clubes dissidentes dirigiram, então, à CBD um memorial com documentação farta e solicitaram o pronunciamento da mentora nacional. Aguardam, passados vários meses, a decisão da entidade máxima do futebol nacional.
Demorando a solução do “caso”, Rui Barreto entendeu de iniciar o certame oficial de 1949, esquecido e esquecido cedo demais de que, no ano passado, 1948, por motivo da inauguração da “boite” do AMÉRICA e campo de futebol, o Campeonato foi iniciado a 25 de Julho.
Contra fatos falham e falecem os argumentos. Pergunta-se: por que tanta pressa em 1949, quando, em 1948, o Campeonato Natalense de Futebol teve seu início no último domingo de Julho? Por que não se aguardar a decisão da CBD?
No dia 26 de abril o Conselho Regional de Desportos do Rio Grande do Norte, em reunião envolvendo todos os lados para tentar pacificar a situação, resolveu ratificar o ato que marcou o Torneio Início para 1º de maio de 1949, com a promessa de que “após o Torneio Início, o atual presidente da Federação Norte-Rio-grandense de Desportos, num gesto de alta compreensão esportiva, se afastará de suas funções, aguardando a decisão da Confederação Brasileira de Desportos”.
Em 28 de abril a FND publicou ato punindo o Santa Cruz com multa por não ter comparecido à partida decisiva do campeonato de aspirantes de 1948 contra o América e também publicou resultados de julgamentos negando recursos do Potiguar, que pleiteava os pontos da partida de 22 de agosto de 1948 contra o próprio América, que vencera a partida por 4 a 3; e do Santa Cruz, protestando a contagem de WO em seu desfavor no caso da partida decisiva do campeonato de aspirantes de 1948.
A publicação desses atos e julgamentos logo após a tentativa de pacificação feita pelo CRD-RN foram considerados uma afronta pelos clubes dissidentes, que não compareceram ao Torneio Início.
O Conselho condenou as atitudes dos dois lados e desistiu de nomear um interventor para a FND, deixando que o assunto fosse decidido pela Confederação Brasileira de Desportos. A FND, por sua vez, aumentou ainda mais o tom contra os dissidentes, decidindo multar cada um em Cr$ 200,00, excluí-los do campeonato de 1949 e cassar o registro de todos os jogadores inscritos pelos referidos clubes, essencialmente tornando-os livres para ser inscritos pelos demais clubes – Alecrim, América, Atlético e o novato Riachuelo.
O campeonato começou sem os quatro dissidentes e prosseguiu até o final de junho, quando terminou o primeiro turno da competição, com tão-somente seis partidas.
Enquanto isso o quarteto de dissidentes jogava um torneio amistoso entre si, no velho estadinho do ABC no bairro Petrópolis – que também levava o nome de Maria Lamas Farache, a exemplo do atual Frasqueirão – e conseguia rendas semelhantes ou até maiores do que as registradas no Juvenal Lamartine pelo campeonato oficial.
Em 7 de julho o Diário de Natal noticia que o América propôs o nome do tenente Carlos Bezerra de Miranda, oficial da Base Naval de Natal, para ser eleito pelos clubes em substituição a Rui Barreto na presidência na FND, que renunciaria ao cargo.
A sugestão foi apresentada a um dirigente do Santa Cruz, que elogiou a iniciativa, mas ressaltou que a pacificação não chegará enquanto não houver discussão sobre a série de punições aos clubes dissidentes.
O Diário de Natal também procurou o presidente do ABC, João Ferreira de Souza, para saber a opinião sobre a sugestão.
Ele afirmou ser uma boa fórmula, mas que “não poderá ter execução sem que seja mantido o ‘status quo’ (sic) de 31 de dezembro de 48, pois o nosso recurso, como sabe, se firma precisamente nas eleições então realizadas e processadas irregularmente.”
Na semana seguinte a imprensa noticiou que Nestor dos Santos Lima, advogado, recebeu telegrama da CBD, perguntando se ele aceitaria ser indicado como interventor na FND, incumbência que Nestor aceitou.
Dessa forma a CBD deu provimento ao recurso dos clubes dissidentes, anulando os atos de dezembro de 1948 do então presidente Fernando Leitão, dos quais resultou eleito Rui Barreto. Em reunião do dia 24 de julho, na sede do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, ficou acertado o dia 7 de agosto para as novas eleições. Após consulta do interventor à CBD, esta afirmou que os atos administrativos de Rui Barreto deveriam ser considerados válidos, enquanto aqueles “que importarem em apreciação e decisão sobre os direitos dos filiados devem ser revistos pelo Interventor, que [...] dará solução compatível com as leis, estatutos e regulamentos.”
Dessa forma o interventor baixou atos nomeando novos diretores e anistiando os quatro dissidentes, além de anistiar também o Centro Náutico Potengi e o Sport Club de Natal, ativos em outros esportes sob a tutela da federação, e que também haviam sido punidos por atos do presidente afastado Rui Barreto.
Em 31 de julho foi realizado um amistoso entre Potiguar de Parnamirim e Santa Cruz, que marcou o retorno dos dissidentes ao estádio Juvenal Lamartine e terminou empatado (3 x 3). Em 7 de agosto a eleição transcorreu normalmente e o tenente Carlos Bezerra de Miranda foi eleito por unanimidade para a presidência da FND. O candidato a vice-presidente Enéas Reis (fundador do ABC) também foi eleito por unanimidade.
Por fim, em agosto, o Juventus solicitou à FND licença por um ano, que foi concedida através de despacho da presidência no dia 8 de setembro, ficando todos os jogadores inscritos pelo clube livres para inscrição em outros times.
Em seu lugar solicitou filiação o União Sport Club, de Parnamirim, formado por oficiais da Base Aérea de Natal, que disputaria apenas as edições de 1949 e 1950, e que também se desfiliaria após atrito com a Federação.
Não encontramos nos jornais nenhum ato oficial que anulou o certame já iniciado pela gestão anterior da FND mas, na esteira da pacificação, era a atitude mais natural a se tomar.
Como consequência de um campeonato começado tão tarde o Potiguar de 1949 teve apenas um turno e viu o América ser campeão invicto: seis vitórias e um empate.