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sexta-feira, 3 de julho de 2026

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (III)

Braz Nunes de Farias/Álbum de Família

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira vez que o nome do baiano Braz Nunes de Farias aparece na imprensa potiguar se dá em expediente da Prefeitura de Natal (8/7/1948) publicado no diário vespertino católico A Ordem (quarta-feira 10/7).

Depois vem o registro na seção "Comércio, Transporte, Finanças" do Diário de Natal (7/9) no embarque em avião da LAP (Linhas Aéreas Paulista) com destino ao Recife.

Entre os passageiros a jovem Margarida Mota (guardem este nome) e os conhecidos Alonso Bezerra de Albuquerque e José Cavalcanti Mello, depois diretor do jornal da cadeia Associada.

Sete anos depois Braz Nunes surge em curiosa reportagem sobre expansão residencial do bairro Alecrim, assinada pelo repórter Lenine Barros Pinto com imagens do fotógrafo Nildo Seabra de Melo para o então diário e depois semanário O Poti.

Ainda em 1955 um "Braz", que seria indicado pelo Alecrim, aparece na Tribuna do Norte cogitado como candidato a vice-presidente da Federação Norte-rio-grandense de Desportos (FND) em movimento de chapa dos "pequenos" clubes natalenses.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (II)

Joilson Santana em foto do recorte de jornal

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira vez que vi a fotografia com o quarteto Braz Nunes Farias, Marcos Antonio Antunes de Souza, Luiz Carlos Scala Loureiro e Joilson Santana foi por ocasião do desaparecimento deste último (6/10/2013).

A foto pertencente ao acervo do ex-jogador, sargento da Aeronáutica e memorialista José Ribamar Cavalcante (biografado pelo jornalista Kolberg Luna Freire) foi postada no blog No Ataque, do jornalista Edmo Sinedino de Oliveira, com passagens pelas editorias esportivas dos extintos semanário Jornal de Natal (não é o blog!) e Diário de Natal.

A imagem, postada na primeira reportagem ou artigo da série, é repetida no mesmo espaço mais três vezes como homenagem ao desaparecido dirigente alecrinense Joilson Santana, em atividade desde ao menos 1964 (ao lado do pai, o baiano de Salvador, João Bastos de Santana), ano em que o Alecrim conquista o primeiro bicampeonato estadual.

Posteriormente avistei a imagem com as personalidades do futebol, dois dirigentes, um ex-jogador (Scala) e um narrador esportivo (Marco Antonio), em pelo menos outro blog, fora do Rio Grande do Norte, e resolvi verificar a trajetória do baiano Braz Nunes Farias, radicado na capital potiguar deste o final dos anos 30 começo de 40, a convite de outro "forasteiro", um paraibano.


FONTES/IMAGENS

A Ordem

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Museu Virtual do Futebol

No Ataque

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (I)

Confraternização na antiga sede campestre do Alecrim/Imagem: Blog No Ataque 

JOSÉ VANILSON JULIÃO 


A imagem: Braz Nunes Farias, Marcos Antônio Antunes de Souza, Luiz Carlos Scala Loureiro e Joilson Santana.

Um empresário, um narrador esportivo, um jogador aposentado e um dirigente. Qualquer um pode ser alvo de um perfil. Todos falecidos.

O gaúcho Marco Antônio chegou em Natal na segunda metade dos anos 70 para ser o principal locutor da Rádio Cabugi. Faleceu na Copa da Alemanha (2006) como colunista do desativado diário vespertino "O Jornal de Hoje".

Também natural do Rio Grande do Sul o ex-zagueiro Scala dispensa maiores comentários pelo currículo: Internacional (Porto Alegre), Botafogo (Rio de Janeiro) e América (Natal).

Joilson Santana seguiu os passos do pai, o empresário baiano radicado na capital do Rio Grande do Norte, João Bastos Santana, como diretor do Alecrim Futebol Clube. E depois colaborador do ABC (supervisor) e diretor do Corintians (Caicó) campeão potiguar (2001).

O primeiro da lista ficou por último por uma simples explicação: é o escolhido pelo repórter para ser pesquisado pela curiosidade despertada.

Pois é o único que o redator não sabia de cabeça, de memória, as particularidades como dirigente do clube esmeraldino, exceto que havia sido presidente alecrinense.

A pesquisa em antigos jornais e depoimentos de um familiar bem próximo vão ajudar a compor a trajetória desta importante personalidade do mundo esportivo pouco lembrado na atualidade.


Goleiro Miguel começou como atacante no Cruzeiro (VI)

CLUBE DE REGATAS VASCO DA GAMA (Aspirantes: 1960): Joel, Miguel, Quatis, Laerte, Russo, Camario, Joãozinho, Villadônega, Javan, Nilton e Ronaldo/Imagem: "Terceiro Tempo"

P
ara encerrar a série momentânea com a motivação principal uma faceta da carreira do goleiro do Vasco da Gama, Miguel Ferreira de Lima (completa 89 anos em 19/9) o blog transcreve alguns trechos da resposta da pergunta, via carta, do leitor João Maria de Carvalho Moura (morador do Alecrim), pelo comentarista Adeodato José dos Reis, na coluna "O Bom Baiano", da Tribuna do Norte (quinta-feira, 29/9/1977).
Abre com a citação do primeiro jogador potiguar a aparecer no Vasco da Gama, Pedro "Bala" Balbino, ponta-direita, que primeiro segue para o Madureira saído do América do Rio Grande do Norte.
Do segundo parágrafo em diante explica que o "norte-rio-grandense" Miguel de Lima (nascido na Paraíba) alcançou sucesso no Vasco da Gama.
- Começou jogando no Cruzeiro de Macaíba, este mesmo que disputa a segunda divisão, um dos mais tradicionais clubes do interior do Estado.
Do Cruzeiro passou para o desativado Santa Cruz Esporte e Cultura, onde resolveu evitar gols ao invés de fazê-los. Em 1957 (na verdade 1955) entrou na Marinha de Guerra, indo servir no Rio de Janeiro, começando a atuar pela seleção da Marinha e para os aspirantes do Vasco foi um pulo.
Segue: - Finalmente, em 1958, galgou a posição de titular do clube, em substituição ao atual diretor do Vasco da Gama, Carlos Alberto Cavalheiro, campeão carioca de 1956, transferido para a Portuguesa de Desportos.

A AMIZADE
"Miguel, de quem tenho a honra de privar da amizade, é um cidadão educado e distinto... Foi para o exterior, andou jogando na América do Sul (os colombianos Deportivo Cali e Millonarios entre 1963/64), depois esteve na Alemanha (Futebol Clube Colônia), e atualmente é treinador nos Estados Unidos...
É boa praça, bom amigo, nunca esqueceu as origens, e quando tem um tempinho, nas suas férias, vem sempre a Natal, rever amigos e parentes. Um bom caráter este rapaz...

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Goleiro Miguel começou como atacante do Cruzeiro (V)

Aluízio, fundador do jornal,
torcedor do América/RN
e do Vasco da Gama

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Após um ano, dois meses e 28 dias da estreia da coluna "O Bom Baiano" o comentarista Adeodato José dos Reis responde as cartas de dois leitores na Tribuna do Norte (quinta-feira, 29/9/1977).

Primeiro João Maria de Carvalho, morador do bairro do Alecrim, que indaga: - Sou torcedor do Vasco da Gama e desejaria saber se algum jogador do Rio Grande do Norte vestiu a camisa do meu clube?

Segundo Augusto de Oliveira Leal, residente no bairro da Cidade Alta, pergunta: - Qual a primeira partida realizada por uma seleção nacional?

Pelo título da série percebe-se de pronto que o mais interessante mesmo para o momento é a indagação do torcedor vascaíno, o clube carioca do goleiro Miguel Ferreira de Lima.

A coluna havia se tornado depositária das dúvidas dos torcedores. Os artigos de Adeodato Reis, torcedor declarado do Flamengo, assíduo nos textos, se tornaram alvo de consultas e leitura obrigatória.

Numa época em que a internet era apenas uma questão interna dos militares do Pentágono, em Washington, Distrito de Colúmbia, nos Estados Unidos da América, a coluna se transformou numa verdadeira enciclopédia.

Hoje qualquer um pode consultar o "Google" e pesquisar sobre jogadores, treinadores e dirigentes históricos, títulos conquistados, convocação antigas da seleção brasileiras, fatos pitorescos e muito mais, entretanto naquele tempo Adeodato Reis já disponibilizava muita informação para o leitor.

Foi um convite certeiro dos jornalistas Agnelo Alves e Rubens Lemos, o primeiro irmão do dono e fundador da TN, Aluízio Alves, ex-governador, ex-deputado federal, o segundo comentarista da Rádio Cabugi, que tão bem conhecia Adeodato, desde os idos de 1965, quando ambos eram do staff da emissora.

Goleiro Miguel começou como atacante do Cruzeiro (IV)

MADUREIRA/RIO DE JANEIRO (1956): Mauro, Gonçalo, Jorge, Gilberto, Pacheco, Haroldo, Pedro Bala, Jandir, Valter Prado, Waldemar e Nilo

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Em seguida o terceiro artigo da série o redator verifica uma incrível e exata coincidência com a data de 1 de julho: 50 anos após agradecer o convite para escrever a coluna aos jornalistas Agnelo Alves e Rubens Manoel Lemos o comentarista Adeodato José dos Reis é um personagem principal paralelo de uma passagem do histórico da carreira do goleiro Miguel Ferreira de Lima.
O primeiro artigo de seis parágrafos é publicado numa edição dominical do diário matutino "Tribuna do Norte". Quando discorre sobre as primeiras fontes do futebol, as revistas cariocas "O Globo Sportivo", "Esporte Ilutrado" e o paulistano "Gazeta Esportiva"; as transmissões pelo rádio; os cronistas esportivos da época (anos 30/50).
Diz que já ouvia falar nos clubes de Natal antes mesmo de se radicar no território potiguar, pelos personagens do futebol, entre os primeiros o "mignon", o meia e ponteiro esquerdo Demóstenes César da Silva; o "Copa Norte", assim o chamavam, o centromédio José Mendonça dos Santos, o mossoroense "Dequinha"; e o ponta-direita Pedro "Bala" Balbino, saído do América de Natal em 1952 para aparecer no suburbano Madureira do Rio de Janeiro e logo depois no Clube de Regatas Vasco da Gama.

Goleiro Miguel começou como atacante do Cruzeiro (III)

Suboficial Adeodato José dos Reis

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Depois de 1965 e desde 1973 fazendo parte pela segunda vez da equipe esportiva da Rádio Cabugi e apresentando um programa noturno dominical na mesma emissora, no qual trata da música popular ("Mesa de Botequim"), o comentarista Adeodato José dos Reis estreia a coluna "O Bom Baiano" no diário matutino "Tribuna do Norte" (quinta-feira, 1/7/1976), encerrada no final do ano seguinte, somando em torno de 200 publicações.
Natural do município de Jacobina (Chapada Diamantina), daí a origem do título da coluna, Adeodato Reis chega em Natal 20 anos antes, vindo da Escola da Aeronáutica de Guaratingueta/SP para ser incorporado a Base Aérea do então distrito de Parnamirim (emancipado em 1958), onde ensina a gramática da língua portuguesa e acumula diretoria nas escolas Augusto Severo e Santos Dumont.
Em 1962 ele começou no rádio esportivo como narrador da equipe 1090 da Emissora de Educação Rural, pertencente a arquidiocese da capital norte-rio-grandense, após aceitar convite do radialista Fonseca Júnior. Permanece na rádio católica ate meados de 1964.
Da equipe em momentos distintos fazem parte Craveiro Costa (bancário e do radio mato-grossense), Nivaldo de Souza, Teixeira Rocha, José Procópio Filgueira Neto, Roberto Brandão, Amaury Dantas, Boanerges Soares, José Wilde, Edilson Lima, Eduardo Marinho, Joseci Barroca, Nilton Pires, Armando Viana, Francisco Segundo (sonoplasta) e S. Procópio Neto (plantão esportivo).