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sábado, 11 de julho de 2026

Há 90 anos primeiro jogo internacional do ABC (II)

Edgar P. da Câmara/Álbum de Família 

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O presidente José Tavares da Silva (médico com mandato de 1935/41) e o diretor técnico Vicente Farache Neto (bacharel em Direito) foram os intermediários do convite ao comando do navio inglês "Scarborough".

O cearense F. Rodrigues

Jogadores: Edgar Pinheiro da Câmara (goleiro), Manoel Francisco da Silva (Nezinho), Dorcelino Pereira Dias, Antônio Acácio do Nascimento, Hermes Marques Amorim, Francisco Rodrigues dos Santos (Xixico), Mário Crise, Adalberto Carvalho, José Simão e Humberto Gomes Teixeira.

Na década de 30 o mesmo navio fez ao menos cinco viagens pelo hemisfério sul com as seguintes escalas (não necessariamente no mesmo ano): Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Natal e Maceió.

Duas permanências em 1932, uma em 1934, outra em 1936 e a última em 1938. Nas duas primeiras a marujada faz jogos com o "Telephone", o Tuiuti, sofre goleada diante do Clube Náutico Capibaribe (jogo-treino), todos no Recife, ABC e Centro Sportivo Alagoano (1938).




Há 90 anos primeiro jogo internacional do ABC (I)

Marujos do navio inglês empatam sem abertura de contagem com ABC no JL (1936(

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O amigo pesquisador competente Arthur Pierre dos Santos Medeiros (simpatizante do América/RN) dia desses me envia um curioso recorte de um antigo jornal.

O pedacinho da reportagem ou artigo, cuja autoria também desconheço, vem sem a data da publicação.

Foi esta situação que me despertou, noite passada, a procura pelo dia exato do primeiro jogo internacional (em casa!) do alvinegro.

E como não tive acesso a fonte primária do Arthur Pierre (o extinto "A República") vou para as alternativas na Biblioteca Nacional Digital.

O resultado, portanto, era do conhecimento do repórter: ABC 0 x 0 "Scarborough". Mas não a data: domingo, 10/5/1936.

A marujada inglesa é o adversário no Estádio Juvenal Lamartine. Com grande comparecimento de público.

O navio (canhoneira ou cruzador inglês) havia chegado no dia anterior procedente do Rio de Janeiro (sábado 9). Na quarta-feira (13) parte para as Guianas inglesa.


FONTES

A Ordem

A República

Diário da Manhã

Diário de Pernambuco

Jornal Pequeno

Jornal do Recife

Wikipedia


sexta-feira, 10 de julho de 2026

"Locomotiva" nortista espera reverter quadro desfavorável

Time que entrou em campo na ida. Wanderson Gotinha, primeiro agachado,  acredita na velocidade para reverter a goleada de 4 x 1. Mas é preciso não tomar nenhum gol para não aumentar a desvantagem, sendo três para tiros livres ou mais um para avançar 


CONFIANÇA DO TREM
Em entrevista para o repórter Francisco Pinheiro para o Globo Esporte (Amapá) o atacante Wanderson Gotinha disse: "Não tem nada perdido. Assim como fizeram quatro, a gente tem capacidade de reverter a situação. A gente não pode se entregar. Sabemos que vai ser difícil”, disse.

CHEGADA NESTA SEXTA-FEIRA
Pelo visto dava tempo para a CBF atender o pedido da diretoria americana e antecipar de segunda-feira para sábado a partida entre o clube potiguar e o representante amapaense na Série D.
Parece que houve má vontade no Rio de Janeiro. Pois o último treino da "Locomotiva" aconteceu na quinta-feira no Centro de Treinamento Osmar Marinho (Macapá).

ARBITRAGEM PARA A DECISÃO
Estará a postos na Arena das Dunas, na noite de segunda-feira, o trio de árbitros sergipano: Thayslane de Melo Costa (central) e Daniel Vidal Pimentel e Vanessa Santos Azevedo (auxiliares).

RETROSPECTO COMO VISITANTE
Os rubro-negros apostam nos seguintes números: três vitórias, dois empates e igual número de derrotas.

TORCEDOR PRESENTE
Já passa de 15 mil o número de torcedores que reservaram cadeiras no estádio "Francisco das Chagas Marinho", no bairro de Lagoa Nova (Zona Leste)

O irmão do zagueiro abecedista no rival América (III)

General José Porfírio da Paz foi
presidente da Federação potiguar

JOSE VANILSON JULIÃO

Os filhos do dono da gráfica Santo Antônio (José Bezerra de Andrade), Dinarte (o mais velho) e Ney (o mais novo), são personagens da série de reportagens assinadas pelo jornalista Everaldo Lopes Cardoso.

O episódio contado pelo cronista teria acontecido justamente no amistoso interestadual entre os dois clubes homônimos, o potiguar e o pernambucano, das capitais estaduais, Natal e Recife.

O caso hilariante envolve o zagueiro Dinarte e o atacante Dario. Situação em que surge o nome do abecedista Ney como referência ao irmão.

Não fosse a condição do episódio o redator nunca saberia que Dinarte entra para a lista dos jogadores que vestiram ao menos uma vez a camisa rubra em mais de 115 anos de história.

A reportagem "O outro lado do futebol: o pitoresco (V)", do vespertino Diário de Natal (quinta-feira, 31/3/1960), contem cinco episódios. Descritos inicialmente na abertura do texto de Everaldo Lopes:

1) "Porfírio da Paz queria declaração do torcedor"; 2) "Seleção virou antigo TJD"; 3) "Juiz das Arábias"; 4) "Jogador de quinhentos réis"; 5) "Reinaldo 'Meu" ficou maluco com a confusão de caras" (dois irmãos gêmeos em clube pernambucano).

Pelo decorrer do tempo e confiando na memória Everaldo Lopes erra o ano (1953) e o placar (1 x 5), mas o "causo" em tela é referente ao jogo dos clubes americanos (16/10//1954). Mas começa assim: "Dinarte, mano de Nei Andrade, era zagueiro suplente do América, cujo titular era Artêmio.

Atuando abaixo da crítica, o escore já era 4 x 0, o preparador rubro fez entrar o reserva com a incumbência de marcar Dario, que era caixa alta, dono de cartaz enorme. Numa disputa Dinarte entra pra valer, com uma sola que levava endereço certo.

Dario pulou de lado e resmungou: - Sai daí jogador de quinhentos réis. - Ver lá, velhinho, eu ganho oito mil no América, tá bom, retruca Dinarte." Naquele tempo podia ouvir-se tudo que se passava dentro de campo com a proximidade do alambrado e a mureta de cimento do campo do JL.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

O irmão do zagueiro abecedista no rival América (II)

Ney, em pé, após o goleiro, antes do médico e do diretor/Acervo: Carlos Magno Oliveira

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O repórter já tinha em arquivo, no meio de ao menos três milhares de fichas técnicas, a súmula do amistoso América/RN 1 x 6 America/PE (16/10/1954), com o zagueiro Dinarte Bezerra de Andrade (1932 - 2016).

Entretanto em dez anos de pesquisa, principalmente nos últimos cinco anos, não havia encontrado nenhuma informação, palavra ou frase, que ligasse o Dinarte ao defensor e irmão Ney Bezerra de Andrade.

Nem em reportagens de jogos ou em expedientes da Federação, nos anos 50, há indício em quatro jornais pesquisados, que liguem o jogador reserva do America, Dinarte, ao parente bem próximo do ABC.

A ligação é revelada agora com o levantamento da permanência do veterano zagueiro Artêmio Florêncio Gonçalves, saído do América para o Alecrim Futebol Clube, com o fim de fixar com exatidão o ano da foto do alviverde em 1955.

Situação esta da dúvidas no ano da fotografia suscitada na sequência especial ainda não encerrada com o dirigente esmeraldino, o baiano de Nazaré das Farinhas, Braz Nunes de Farias. 

A série especial do "Diário de Natal" (31/3/1960) é responsável pela localização do elo fraternal dos atletas de clubes rivais, um egresso do juvenil do licenciado Santa Cruz da Praia do Meio ou o "clube da Avenida Circular".

Na reportagem "O outro lado do futebol: o pitoresco (V)", assinada pelo jornalista Everaldo Lopes Cardoso.

O irmão do zagueiro abecedista no rival América (I)

O argentino Dante Bianchi com
a camisa do Racing na revista
"El Gráfico" de Buenos Aires

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O empresário gráfico falecido recentemente, Dinarte Bezerra de Andrade (1932 - 2026), além de ter sido juvenil do Santa Cruz/RN (o segundo com este nome), também tem registrada uma participação pelo América.

O zagueiro Dinarte entrou no decorrer do amistoso interestadual América/RN 1 x 6 América/PE (sábado, 16/10/1954) no tradicional Estádio Juvenal Lamartine, da Avenida Hermes da Fonseca,  no Tirol.

O encontro entre o alvirrubro e o alviverde teve como árbitro o português Anisio Morgado, a serviço da Federação Pernambucana de Futebol, entre a metade dos anos 50 começo de 60.

Os elencos são orientados por dois treinadores estrangeiros, respectivamente, o húngaro Steban Hory e o argentino Dante Jorge Bianchi, ambos já alvos de reportagens especiais neste blog.

Preliminar juvenil: Riachuelo Atlético Clube 3 x 1 Clube Atlético Potiguar. Os populares RAC (alvo e azul) e CAP (rubro-negro).

A temporada do clube recifense se estende ao domingo com vitória local no Estádio Juvenal Lamartine: ABC 3 x 2 América/PE.

Dinarte era irmão do zagueiro do ABC, o "galego" Ney, com passagens pelo Sport Recife, Bahia e América recifense, 91 completados e residente em Salvador.


FONTES/IMAGEM 

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

O Baea na História

Jornal da Grande Natal


O persistente presidente esmeraldino veio de longe (XIII)

Fachada da entrada da antiga sede campestre do Alecrim Futebol Clube em Macaíba/Grande Natal

"BRAZ NUNES DE FARIAS
*, filho de João Nunes Gomes de Farias e Maria José de Farias, se casou com Maria de Lourdes Nunes de Farias. Nasceram sete filhos: Nadja, Luciana, Marcos Antonio, Ricardo, Adriene, Célia Maria e Ana Cláudia.
Industrial, trabalhou muito tempo no Curtume São Francisco. foi um homem simples, humilde, inteligente, dinâmico, agindo sempre com equilíbrio.
Começou a torcer pelo Alecrim Futebol Clube a partir do momento em que veio a morar em Natal em 1940. Um caso, portanto, de amor a primeira vista.
Na Bahia (Nazaré das Farinhas) jogava por um time no colégio, que tinha as cores verde e branco. O próprio Braz Nunes diz: - Quando, aqui, vi o verde e branco do Alecrim simpatizei logo.
Foi levado para o alviverde por um grupo de amigos: Bastos Santana (baiano como ele), Pedro Rodrigues, Pedro Ares, etc.
Muito ativo, dentro de pouco tempo, estava trabalhando mais diretamente com o Verdão. E, assim, foi eleito presidente do clube seis vezes! Ocupou, também, o cargo de presidente do Conselho Deliberativo.
A participação de maior relevância foi, provavelmente, durante a crise de 1976: "Severino Lopes queria licenciar o time para poder construir a sede. Então fui chamado para presidi-lo, pois era contra o licenciamento.
Tomamos a resolução de vendermos a sede ao III Terceiro Distrito Naval, por meio do comandante, almirante Artur Ricart, pois a situação do clube era insustentável. Dos 3,5 milhões da operação pagamos nossas dívidas junto aos jogadores, credores de uma maneira geral, INSS e ainda sobrou 1,8 milhão.
Com este dinheiro compramos o terreno e construímos o que existe atualmente na sede, com a ajuda de vários alecrinenses de peso, inclusive Severino Lopes, Bastos Santana, Joca Mota, e também com a colaboração do comércio local.
Tive a felicidade de fazer a inauguração das novas instalações (15/8/1978) antes de passar a presidência ao major João Galvão.
Não tenho vaidade pelo trabalho que realizei e pelos esforços que concentrei no Alecrim. Foi um trabalho de equipe que deu excelentes frutos. Sou atualmente conselheiro e quero, agora, descansar. Creio que já dei o meu recado."
Braz Nunes de Farias foi uma dessas personalidades marcantes que nunca deixou o alviverde falir, morrer. Quando a situação se agravava ele aparecia, firme, tomando decisões, aglutinando forças, encontrando soluções. Com experiencia e dedicação prestou grandes serviços ao Alecrim.
Braz Nunes faleceu quando o Conselho Deliberativo estava preparando um jantar em sua homenagem. O CD enviou mensagem de pesar para a família.

*Capítulo do livro "História do Alecrim Futebol Clube" (junho/2002). De autoria de Alberto Pinheiro de Medeiros (descendente de um dos fundadores).