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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O primeiro jogador "Jacaré" do futebol potiguar (IV)

Marcos Gomes de Medeiros, o "Jacaré", saiu do ABC em 1960 para o Calouros do Ar de Fortaleza, foi para o Ceará Sporting (campeão em 1963) e no ano seguinte está no Usina Ceará, o "time fabril".

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Bem que o apelido ajudou, mas foi a inédita e rara entrevista de um jogador norte-rio-grandense na famosa Revista do Esporte, número 301 (5/12/1964), que causou a inclusão na extensa relação de pautas exclusivas do blog.

O personagem Marcos Gomes de Medeiros, o "Jacaré", alvo da publicação semanal carioca, ocupa a página 36 de um total de 41.

"Ele é o dono da bola em campo lamacento" foi o título da reportagem na publicação esportiva do Rio de Janeiro fundada pelo jornalista Anselmo Domingos, também criador da Revista do Rádio.

A reportagem de mais de uma página ilustrada com uma fotografia (preto e branco) com o subtítulo "Ponteiro esquerdo do Usina Ceará conta como chegou a JACARÉ".

Em oito parágrafos o extinto impresso, que circulou entre 1959 e 1970 (até depois da Copa do Mundo no México), traça um perfeito e singular perfil do atleta potiguar com passagens pelo ABC, Calouros do Ar e Ceará Sporting Clube.

O primeiro jogador "Jacaré" do futebol potiguar (III)

Marcos Gomes de Medeiros, o "Jacaré", com a camisa nove do tricolor da Base Aérea da capital cearense no começo da década de 60, depois de atuar do infantil ao titular do ABC Futebol Clube

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O ponta-esquerda Marcos Gomes de Medeiros, o "Jacaré" - de boca grande fechada e nadando para o sucesso - acaba campeão juvenil da temporada de 1956, mas com final no ano seguinte, ABC 1 x 0 América (quinta-feira, 28/3/1957), gol de Osvaldo Carneiro da Silva, o "Piaba", o então atacante que se transformou em zagueiro tranca rua na década seguinte após rápida passagem pelo Clube Atlético Potiguar, com passagem pelo alvirrubro no começo da carreira.

No final do ano participa do amistoso Treze 2 x 1 ABC no Estádio Presidente Vargas, o chamado PV, em Campina Grande, interior paraibano (domingo, 11/11/1957). Daí em diante participa de jogos pelo campeonato estadual. E mais um amistoso, 2 x 2 Auto Esporte de João Pessoa, no "Juvenal Lamartine" (domingo, 7/1/1958).

Como ninguém vence todas ainda em 1958 perde o campeonato juvenil para o Riachuelo Atlético Clube, sendo o time naval o mesmo adversário da categoria em melhor de três na temporada de 1959. No começo de 60 é transferido para o Calouros do Ar de Fortaleza, com o clube cearense pagando a transação com amistosos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O primeiro jogador "Jacaré" do futebol potiguar (II)

Depois das temporadas no infantil (1954/56), juvenil (1956) Jacaré chega a categoria de aspirantes (1957) e entra como titular nos três anos seguintes (1957/59) até ser vendido para o Calouros do Ar de Fortaleza/CE no começo da década de 60, e repassado ao Ceará, também da capital "alencarina"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O ponta-esquerda Marcos Gomes de Medeiros, o "Jacaré", após ser campeão infantil (1954), está em todas nas duas temporadas seguintes. Como provam as seguintes atividades esportivas.

No campo (Petrópolis) do ABC x Guarani (domingo, 13/2/1955), com o adversário campeão de um torneio no bairro do Alecrim.

E no festival promovido pelo Santa Cruz (sábado, 9/4) com a participação de dez equipes, incluindo América, Atlético, Vera Cruz, Blumenau, Iguaporé, Racing e Náutico (Rocas) e Tamoio.

A temporada infantil ainda inclui ABC 2 x 1 Atlético, pelo campeonato da categoria (sábado, 12/11), com gols de Jacaré, Rômulo e descontando Dedé para o rubro-negro.

Com o juvenil na abertura do turno extra ABC 1 x 0 Santa Cruz (sábado, 17/12) em reportagem de Raimundo Ubirajara Macedo, o conhecido 'RUM".

No campo do América (Rua Campos Sales) o "Abecezinho" perde para o Palmeiras: 1 x 3 (domingo, 6/5/1956). Com reportagem de Mirocem Ferreira Lima, depois plantão esportivo da Rádio Nordeste.

Na tarde dominical (27/5) do "Juvenal Lamartine" (Avenida Hermes da Fonseca) é campeão do Torneio Início juvenil: 1 x 0 Alecrim (Jacaré) e no segundo e quinto jogo da competição (final) 3 x 0 América (um de Jacaré).


FONTES

Diário de Natal

O Poti

Revista do Esporte

Tribuna do Norte

Súmulas Tchê


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

América empata, é rebaixado e depende dos julgamentos

Elias, o pivô involuntário da desgraça americana

A primeira parte da solução final para o ainda invicto América fica para a noite desta quinta-feira, quando o Tribunal de Justiça Desportiva (18h30) aprecia o recurso contra a perda de 18 pontos destinado a reverter o quadro de queda para a segunda divisão do campeonato estadual.

A dramática situação em que se meteu o alvirrubro se deve a negligência de incluir o lateral-direito maranhense Elias Vitor Conceição dos Santos (Vargem Grande, 24/10/2005), como amador e não profissional, na relação do banco nos três primeiros jogos da primeira fase da competição.

O incompreensível e imperdoável deslize organizacional e administrativo da direção americana se torna ainda mais singular em virtude do pivô involuntário (foto) sequer entrar em campo de saída ou substituir algum jogador no decorrer de alguma partida.

Elias tem no currículo apenas as passagens pelas categorias de base do rubro-negro pernambucano Íbis ("o pior clube do mundo"), pelo catarinense Avaí de Florianópolis, Náutico e Santa Cruz, estes também do Recife. Na base americana, o ano passado, participou de oito partidas com dois gols.

Além do clube natalense o Potyguar de Currais Novos também foi penalizado pela perda de 15 pontos pelas inclusões, na mesma situação, dos jogadores Fabrício Cabral da Silva e Caio Vinicius da Cruz Lima. (JVJ)


FICHA TÉCNICA

América 0 x 0 Potiguar

Competição: Estadual (sexta rodada)

Estádio: Antônio Francisco da Costa

Cidade: Serra do Mel/RN

Árbitro: Tarcísio Flores da Silva/RN

América: Renan Bragança, Lucas Mendes, Renzo (Joãozinho), Guilherme Paraíba, Evandro, Copetti (Judson), Alexandre Aruá. Souza, Alisson Tadei (Yarlei), Cassiano (Galvan) e Salatiel (Wellington Tanque). Treinador: Ranielle Ribeiro

Potiguar: Wadson Chapa, Ryan (João Antônio), Erick Landini, Anderson Júnior, Admilton (Jonathan Rato), Welington Carioca, Vitor Garcia, Jean, Alexandre Talento (Pedro Furlan), Alex Mineiro (Adriano Babi) e Renan Santos (Natanael). Treinador: Emanoel Sacramento

Imagem rara do Centro Esportivo Mossoroense no JL

O elenco de 18 atletas do Centro Sportivo Mossoroense perfilados na rara imagem do tradicional Estádio Juvenal Lamartine, inaugurado 11 anos antes, no bairro do Tirol/Lindomarcos Faustino

AMISTOSO INTERMUNICIPAL

O América Futebol Clube perde (1 x 3) para o Centro Esportivo Mossoroense (CEM) em Natal/RN (sexta-feira, 6/1/1939).

Os gols do visitante alvinegro do interior do estado são de autoria dos atacantes "Seuné" e "Mundoca" (dois).

O ponta-esquerda Raimundo Canuto de Souza (irmão do zagueiro José e do médio Hemetério) desconta para o alvirrubro da capital potiguar.

A partida é conduzida pelo ex-jogador americano Reinaldo Praça. Em junho o América retribui a visita com duas partidas em Mossoró.

Analista esportivo confirma tese dos 101 gols de Wallyson

Escritor K. L. Freire

ARTIGO*

KOLBERG LUNA

O centésimo gol de Wallyson?

O assunto que incendiou o fim de semana esportivo na antiga capital chamada de espacial do Brasil e que ainda ecoa nas mesas de bar, nos grupos de whatsapp e nas resenhas boleiras foi o gol de Wallyson, do ABC, na virada diante do Potyguar de Currais Novos.

Um gol tratado como épico, cercado por narrações inflamadas, comentários exaltados e um pacote completo de emoção que rapidamente ganhou status de marco histórico.

Naquela noite agradável na terra da Scheelita, o Estádio Coronel José Bezerra virou palco de fogos, festa e euforia: celebrava-se, com todas as honras, o suposto centésimo gol de Wallyson com a camisa do ABC Futebol Clube.

O problema é que, no meio da explosão de alegria, a matemática ficou em segundo plano.

Quase despercebida em meio ao barulho da comemoração surgiu a análise lúcida e bem fundamentada do sempre atento repórter José Vanilson Julião, que, em sua respeitada coluna no "Jornal da Grande Natal", defendeu que o gol do ídolo abecedista teria sido, na verdade, o centésimo primeiro.

Reportagem da TN

Mais do que provocar, ele apresentou argumentos, questionou bases de dados amplamente utilizadas como os sites O Gol, Futebol 80 e Wikipédia, e apontou exatamente onde mora o erro.

Instigado por essa tese, fui aos meus próprios registros. Como alguém que se deu ao trabalho de catalogar todas as fichas técnicas dos jogos do ABC F.C. no Estádio Maria Lamas Farache desde a sua inauguração, não poderia deixar de conferir os alfarrábios.

Afinal, quando o assunto é contagem de gols, a polêmica costuma ser companhia constante. Nem Pelé escapou de revisões e revisitas à sua gloriosa estatística.

Embora os sites especializados indiquem que Wallyson iniciou sua trajetória de gols pelo ABC em 2007, os fatos mostram outra história.

Sua estreia aconteceu em 2006, ano em que também marcou seu primeiro gol pelo clube, no amistoso contra o Corinthians de Caicó, realizado no Frasqueirão, em 16 de abril de 2006, partida que terminou empatada em 3x3.

Curiosamente, a Tribuna do Norte, no Caderno Esportes (página 4, edição de 18 de abril), ao falar sobre o jogo, ainda tropeçou no nome da jovem promessa, grafando “Wallynson” — letras a mais que, ironicamente, pareciam antecipar os muitos gols decisivos que viriam.

Em 2007, veio a explosão nacional: 26 gols e a consagração. A partir dali, o “Mago” rodou o Brasil, empilhou gols, colecionou histórias, mas nunca escondeu a saudade do Frasqueirão, sua verdadeira casa.

O retorno aconteceu em 2018, como manda o roteiro clássico: o bom filho a casa torna, sorrindo a cada gol, faça sol ou faça chuva. Ainda em 2018, entre Estadual e Copa do Nordeste, marcou 9 gols antes de seguir para o Vitória/BA.

Em 2019, voltou em julho, já no fim de uma temporada desastrosa do ABC na Série C, anotando 3 gols em 8 jogos. Em 2020, vivia grande fase até sofrer uma grave fratura na perna pela Copa do Brasil: tinha 7 gols até fevereiro. Retornou apenas em novembro, quando ainda marcou 5 gols em 6 jogos.

Em 2021, permaneceu durante toda a temporada e balançou as redes 24 vezes. Em 2022, mesmo sem ser titular absoluto, fez 14 gols.

Já em 2023, envolvido em conflitos públicos com um antigo técnico, não renovou contrato, ficou o primeiro semestre sem clube e só voltou ao ABC sob o comando de Alan Aal, marcando apenas 1 gol no ano.

Em 2024 e 2025, a produção foi mais modesta: 7 e 3 gols, respectivamente.

Somando-se corretamente os gols marcados nas temporadas de 2006, 2007 e de 2018 até 2026, o número chega a 101 gols.

Ou seja: o gol comemorado com festa no dia 31 de janeiro de 2026 não foi o centésimo, mas o centésimo primeiro. A realidade é clara e está documentada.

O centésimo gol oficial legítimo aconteceu antes, em 22 de março de 2025, aos 21 minutos do primeiro tempo, na primeira partida decisiva do Campeonato Estadual, aproveitando o rebote de uma penalidade máxima desperdiçada.

Bem! A realidade pode até frustrar quem estourou foguete na data errada, mas tem um conforto, e que conforto: o gol da verdadeira centena balançou as redes do maior rival. E isso, convenhamos, sempre tem um sabor especial.

Ao que tudo indica… o coco continua sendo seco!

(*) Kolberg Luna é jornalista e bacharel em Direito. É autor dos livros "45, um tempo de futebol e de um poema" e "Ribamar, o guardião da memória do futebol potiguar" (biografia).


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O primeiro jogador "Jacaré" do futebol potiguar (I)

ELENCO: Mário Solinha, Bigode, Dedé, Danilo Damásio, João e Carlinhos Medeiros, Aluízio Galego, Geovani, ?, Haroni, Geraldo, Rômulo Lima, Nivaldo Boquinha, Marcos Jacaré e Peninha Lamartine (depois do futebol de salão)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O nosso personagem da vez é o antigo ponta-esquerda do infantil, juvenil, aspirante e quadro titular do ABC nos anos 50/60. Simplesmente apelidado de "Jacaré" ou anos depois o "Marcos Jacaré'.

O "réptil" da reportagem até aparece como coadjuvante, personagem secundário ou citado em paralelo com outros assuntos históricos do futebol do Rio Grande do Norte.

Como na série com 26 postagens "Quem foi o real campeão interiorano em 1966", a qual questiona se foi realmente o Cruzeiro ou o selecionado local representante do município de Macaíba na conhecida competição disputada entre 1960/68, como antecessora do "Matutão".

Marcos Gomes de Medeiros (21/5/1939) é citado ao lado do goleiro Aluízio Pinheiro Leite (16/10/1939), Danilo Damásio da Silva (27/5/1939) e Rômulo de Lima Nunes (6/7/1940) como campeões infantis (1954) pelo ABC, na mesma temporada em que o alvinegro conquista a façanha de ser também vencedor em outras três categorias: juvenil, aspirante e principal.

Aparece numa fotografia do ABC que ilustrar a reportagem "O goleiro do Alecrim que virou cantor" (XIV), sugestão do radialista e jornalista Edvaldo Pereira, o "Chapinha", com passagens pelas emissoras Cabugi, Nordeste, Poti, rádio e TV Verdes Mares (Fortaleza) e Tropical, afiliada natalense da Rede Record.

E também é citado na reportagem "O parceiro de Roberto Ney na canção abececista" (6 de agosto de 2019), em que o focado é o antigo jogador do tricolor Santa Cruz/RN, ABC e ex-árbitro de futebol Guaracy Augusto Picado.