quinta-feira, 31 de março de 2022

Ciro Pedroza: “A gente sai da Rocas, as Rocas não sai da gente”

Ciro Pedroza, 'roqueiro de nascença'

Jornalista lança Uma história das Rocas, com memórias e estórias do bairro onde cresceu

                Ele nasceu na Cidade Alta, mas chegou às Rocas engatinhando e saiu de lá quase adulto, mas o bairro onde viveu e cresceu nunca saiu dele. “De mim e de todos os que moraram lá, que mudaram de lá, mas não esqueceram as lições que as Rocas nos ensinou”, filosofa o jornalista, radialista e pesquisador Ciro Pedroza.
         Nascido xaria e convertido canguleiro, pela convivência com o bairro e por descendência dos pais, que trocaram a rua Fontes Galvão, próximo ao Colégio Marista, pela rua São Jorge, no alto da igreja da Sagrada Família, com ele nos braços.
              Ciro lança nos próximos dias seu mais novo livro, Uma História das Rocas, o 580ª título da coleção José Nicodemos de Lima, da editora Sebo Vermelho.
               “São histórias e estórias sobre o tradicional bairro que já deu ao Brasil um presidente da República, João Café Filho, muitos artistas de renome e jogadores de futebol suficientes para formar todos os times do campeonato brasileiro, amparo espiritual e afetivo, diversão e arte para todos os gostos”, revela o pesquisador.
                Uma história das Rocas é fruto da memória prodigiosa do jornalista, que é capaz de lembrar de um sem número de fatos e personagens do bairro e resgata muitas dessas histórias ao longo das 190 páginas do livro, Ciro também reúne vasto material de pesquisa histórica sobre a história das Rocas.
                “Eu deixei as Rocas no final dos anos 1970 e volto raramente por lá, mas ela nunca saiu de mim. Esse livro é a reunião de tudo o que guardei em meu acervo sentimental de fatos e feitos que vi, ouvi, vivi, conheci e lembrei. Saldo com ele uma dívida com a minha própria história”, confidencia.

MAIS QUE UM BAIRRO
                Há nessa história das Rocas contada por Ciro um esforço que vai além do resgate da memória do bairro ou de uma cronologia sobre a formação, a consolidação e o desenvolvimento desse pedaço de Natal que representa pouco mais de 0,5% da área da cidade e reúne pouco mais de 10 mil moradores.
                “Tento explicar, para quem não é de lá e cresceu ouvindo histórias pejorativas sobre as Rocas e seus personagens, que sempre foram invisíveis aos olhos da cidade, que há uma tradição, uma espécie de vírus do bem que leva a gente pra frente e a gente leva para sempre”, revela o escritor.
                No prefácio do livro, o livre docente em Geografia Humana da Universidade de São Paulo, Manoel Fernandes Neto, resume e justifica a importância da pesquisa realizada por Ciro Pedroza numa frase: “quem não sabe das Rocas, jamais entenderá Natal”.
                E é esse esforço que Ciro empreende, revirando o passado para encontrar os primeiros registros sobre o surgimento do bairro das Rocas e sobre a vida de seus primeiros habitantes, passando pelo processo de ocupação das dunas e mangues do extremo leste da capital do Rio Grande do Norte.
                A história das Rocas contada por Ciro, percorre “dezessete estações de prosa muito boa, recheada de fatos e prenhe de lirismo”, observa Manoel Fernandes Neto e revela muito sobre esse bairro marcado pela pujante vida cultural, pela sociabilidade e pela solidariedade de seus habitantes.
                “As Rocas é muito mais que um bairro, é um estado de espírito, porque transcende aos limites geográficos de espacialidade para se revelar bem maior, graças ao jeito de ser e de viver de seus moradores”, escreve Ciro em sua definição do bairro onde cresceu.

CABRA DAS ROCAS
                A inspiração para essa empreitada de contar a história e as histórias reais das Rocas nasceu do reencontro, durante uma leitura de verão, com os personagens e as histórias vividas pelo menino Joãozinho, personagem de Homero Homem no seu livro Cabra das Rocas.
                Na ficção, João Brás Bicudo foi o primeiro estudante do bairro a estudar no Atheneu Norteriograndense, território sagrado do conhecimento, reservado apenas aos filhos da elite natalense, e cruzar a linha que separava a cidade baixa da cidade alta.
                “Estava relendo Cabra das Rocas, de Homero Homem, há uns cinco anos, quando começaram a surgir memórias do tempo em que eu vivi nas Rocas e comecei a anotar tudo, como se estivesse recebendo uma psicografia”, explica Ciro.
                Depois, ele foi complementando suas lembranças com a pesquisa em livros, jornais e depoimentos de antigos moradores do bairro e assim foi se estruturando Uma História da Rocas, espécie de passeio pela geografia, pela história, pelos costumes e pela vida do bairro.
                Ciro foi se deparando com novos personagens e muitas histórias, corrigiu datas e versões, escutou novas histórias e complementou sua narrativa. “Ainda falta muita gente, muitas histórias, mas chega uma hora que ou você coloca um ponto final e entrega o livro para a editora, ou o livro não sai. Outras edições virão”, acredita.
CANGULEIROS
                Durante a pesquisa, o jornalista descobriu que o bairro das Rocas já abrigou, entre outros empreendimentos, até uma fábrica de refrigerantes (Jade) e resgatou personagens que fizeram história na vida da cidade e que muita gente não sabe que eles viveram do bairro.
                São nomes reconhecidos em todos os campos, como Zé Areia, Severina Embaixatriz do Brasil, Glorinha Oliveira, Luiza de Paula, Paulo Tito, Eduardo Medeiros (autor de Praieira), o mastro K-ximbinho, o jogador Lula Soberano e o jovem Rodriguinho, entre outros destacados cabras das Rocas.
                Ciro também dedica um capítulo de sua história à tradição do samba e do carnaval, que nasceu no bairro e se espraiou pela cidade e resgata personagens importantes dessa manifestação cultural, como Chico de Carlos, Antonio Melé, Lucarino Roberto, Mestre Zorro, Debinha Ramos e Carlos Zens, entre outros carnavalescos.
                No livro, o pesquisador também resgata a memória dos restaurantes que marcaram época no bairro e atraiam comensais de toda cidade pela simplicidade de sua “baixa gastronomia, como a Carne Assada do Lira e o restaurante do Marinho, a Peixada da Comadre e a Galinha de Mãe, entre outros”.
                O pesquisador também identifica as origens dos cultos religiosos no bairro, relembra a efervescência das campanhas eleitorais, recuperando a memória e a tradição política das Rocas e revelando fatos pitorescos sobre as movimentações políticas pelas ruas do bairro.
                A paixão do povo das Rocas por seus times do coração (Racing e Palmeiras) ou pelas principais escolas de samba da cidade (Malandros do Samba e Balanço do Morro) é, também, outra marca do bairro retratada por Ciro em seu livro.
                Ele também reconhece a importância da educação como instrumento de transformação de vidas, expressa no pioneirismo da escola De Pé no Chão também se aprende a ler, do prefeito Djalma Maranhão e da Escola Técnica de Comércio, que funcionou no Colégio Isabel Gondim.
                Para completar o passeio pela vida das Rocas, a história narrada por Ciro Pedroza reúne uma pequena coletânea de lendas urbanas com personagens do bairro que rendem boas risadas, como as presepadas de Zé Areia, da santa que chorava ou do barbeiro que saia para o almoço e deixava o cliente esperando na cadeira, entre várias.
                Uma história das Rocas de Ciro Pedroza tem capa de Alexandre Oliveira, ilustrações do artista plástico Silvano Quazza, fotos de Giovanni Sérgio Rêgo e impressão da Offset Gráfica.

Capa do livro de Pedroza
Pré-venda:  
Pedidos no Sebo Vermelho (av. Rio Branco, 705 – Cidade Alta) ou pela internet https://www.sebovermelhoedicoes.com.br/  Preço R$ 50,00 (entrega grátis para todo Rio Grande do Norte durante o pré-lançamento).
               
Lançamento
Sessões de Autógrafos
Quinta – 31/03/2022 – 18:00h - Themis Bar – Sede social do América FC – Av. Rodrigues Alves, 950 - Tirol
Sábado – 02/04/2022 – 10:00h - Mercado das Rocas – Av. Duque de Caxias – Praça do Pátio da Feira – Rocas

A explosão da agência bancária no interior potiguar

Assaltante morto em confronto com a PRF participou do assassinato de advogado

O assaltante Marcos Antonio de Melo Pontes, 43, natural de Touros (litoral norte), morto em confronto com policiais rodoviários federais na madrugada desta quarta-feira, no município de Bento Fernandes, pode ser o mesmo que participou do assassinato do advogado Antonio Carlos de Souza Oliveira, crime ocorrido em um bar no bairro de Nazaré (Zona Oeste de Natal), na noite de 9 de maio de 2013.

O bando armado invadiu Lajes (Região Central do Rio Grande do Norte) e atirou no pelotão da Polícia Militar e explodiram uma agência do Banco do Brasil. Entre 15 a 20 homens atua por volta das 2h. Usavam armas de calibres como 762, 556 e .40 e utilizaram caminhonetes para fechar as entradas da cidade.

Na fuga incendiaram a viatura estacionada em frente à unidade. Apesar da destruição à agência não levaram dinheiro dos caixas eletrônicos. Os criminosos se depararam com uma viatura da PRF (BR-304). Houve troca de tiros e um dos suspeitos foi baleado. Marcos Antonio foi socorrido ao hospital de Riachuelo, mas não resistiu.

ASSASSINATO DO ADVOGADO

Um ano e três meses depois os quatro acusados do crime foram sentenciados em júri popular pelo juiz Ricardo Procópio Bandeira de Melo, titular da 3ª Vara Criminal. O advogado Antonio Carlos foi executado a tiros. A sentença foi publicada na quinta-feira (21/8 e 12/12/2014).

Os réus Lucas Daniel André da Silva (Luquinha) confessou ser o autor dos disparos; Expedido José dos Santos, apontado como mandante do crime; o sargento PM Antônio Carlos Ferreira de Lima (Carlos Cabeção), responsável por articular o assassinato; e Marcos Antônio de Melo Pontes (Irmão Marcos) teria dirigido o veículo no dia do crime.

Luquinha, Irmão Marcos e Expedito José confessaram participação no crime, confirmando a versão que apresentaram durante as investigações da Polícia Civil. O sargento Antônio Carlos negou, mas a participação foi confirmada pelos demais acusados. No interrogatório Luquinha afirmou ter matado o advogado por consideração à amizade que tinha com o sargento.

O comerciante Expedito Santos disse ter comprado a arma do crime ao policial militar por R$ 500. De acordo com o comerciante, o sargento também mostrou locais que a vítima frequentava e planejou toda a ação. Luquinha e o sargento são apontados como possíveis integrantes de grupo de extermínio que atuava em São Gonçalo do Amarante (Grande Natal), onde o PM seria conhecido pelo apelido de 'Federal'.

"Trata-se de alguém que incute medo nas pessoas, seja pela função de policial, seja pelo histórico, o que igualmente soma como indício de que, em liberdade, também porá em risco a paz social", diz a sentença do juiz Ricardo Bandeira de Melo.

O CRIME

Segundo o Ministério Público o autor dos disparos foi Lucas André. Ele teria recebido ordens de Expedido José e do sargento. O autor dos tiros também teria recebido apoio de Marcos Antônio, que teria dirigido o veículo que deu fuga aos acusados.

O crime foi investigado por comissão da Delegacia Especializada de Homicídios (Dehom), formada pelos delegados Roberto Andrade, Karla Viviane e Raimundo Rolim, que concluiu que o assassinato do advogado estava relacionado a uma disputa por terras em São Gonçalo. Na briga pelos terrenos estariam a vítima e o comerciante Expedito José.

O advogado teria derrubado um muro construído irregularmente pelo comerciante. A desavença teria levado Expedito a entrar em contato com o policial militar. Os delegados apontam Carlos Cabeção como articulador do crime. O PM teria acionado Lucas Daniel para executar o advogado.

O primeiro acusado a ser preso foi Expedido José (maio/2013). Na época o comerciante negou ter sido o mandante, mas admitiu que o carro dele, um Fiat Doblò, foi usado no crime e que ele mesmo, ao fugir para Fortaleza, tocou fogo no veículo com medo de se complicar. Em depoimento confirmou que o carro foi dirigido pelo Irmão Marcos.

O segundo a confirmar a participação de Irmão Marcos foi Luquinha, que também confessou ter sido o assassino do advogado. Lucas Daniel admitiu o crime e afirmou que matou o advogado a mando de Expedito para se vingar de Antônio Carlos. Luquinha foi preso em junho do mesmo ano em um lava-jato no bairro Barro Vermelho.

Ao ser apresentado Luquinha disse que foi enganado pelo comerciante. “Ele me disse que o Antônio Carlos era um vagabundo que tinha derrubado um muro de um terreno dele e dado um prejuízo de mais de R$ 40 mil. Eu fui enganado. Se eu soubesse que era um advogado, um homem de bem, eu não teria feito isso”, contou na época.

O pedreiro identificado como Irmão Marcos também foi preso em junho enquanto trabalhava em uma obra na cidade de Ipanema, na região do Vale do Aço, em Minas Gerais. Em depoimento, ele confessou ter dirigido o veículo e disse também que chegou a descer no bar e apontar o advogado para que Luquinha o executasse.

No mesmo mês a Polícia prendeu o policial militar. A defesa do PM negou o envolvimento de Carlos Cabeção no crime e argumentou que vítima e acusado eram amigos.

ANTECENDENTE

Na madrugada de 30 de janeiro de 2017, por volta das 3h30, uma quadrilha invadiu a cidade de Lajes efetuando vários disparos para o alto, no destacamento policial e na viatura da PM. Em seguida o bando se deslocou para a agência do Banco do Brasil e estourou os caixas eletrônicos da agência usando bananas de dinamite.

 

FONTES

Focoelho

G1/RN

Novo Jornal

 

domingo, 20 de março de 2022

Homenagem ao primeiro plantão esportivo: Mirocem Ferreira Lima

Mirocem F. Lima foi pioneiro no
 radiojornalismo de esportes

José Vanilson Julião 

Com a inauguração da Rádio Nordeste em agosto de 1954 Mirocem Ferreira Lima logo está agregado a equipe como um dos primeiros plantões esportivos, antes mesmo do que José Joaquim da Lira (começa a carreira em 1959). Em julho do mesmo ano é lançado o diário "O Poti" (semanário a partir de 1959).

Um ano e cinco meses após o lançamento do jornal Associado "irmão" do "Diário de Natal" ele estréia a coluna "Subúrbio em Revista" (domingo, 18/12/1955). São pelo menos sete inserções esparsadas até o ano seguinte. "O Poti" (domingo, 16/12/1956) antecipa a relação dos promotores da homenagem ao jornalista Aluisio Menezes de Melo, recém formado em Direito pela Faculdade de Alagoas. 

Ao jantar na noite seguinte, em uma peixada de Areia Preta, comparecem personalidades ligadas ao rádio, imprensa, dirigentes e ao futebol. 

Entre eles: João Cláudio Machado (orador), Amauri Dantas Emerenciano, Araken Barbosa (misto de atacante do Alecrim e repórter associado), Brígido Ferreira Pinto (ex-goleiro do Atlético), Djalma Maranhão, Érico de Souza Hacrakdt, Erildo L. Monteiro, Ernani Alves da Silveira, Eugenio Neto e Eugenio Silva (árbitro de futebol, Evaldo Maia, Firmino Moura, Francisco Chagas de Souza, Garibaldi Alves e Hélio Santa Rosa. 

Mais: Humberto Nesi, João Antonio de Brito (ex-presidente alecrinense), João Bastos Santana, João Maria Meira Pires, João Neto, José Alexandre Garcia, Luiz Gonzaga Meira Bezerra, Marcino Dias de Oliveira, Mirocem Ferreira Lima, Moisés Dieb, Orlando Braga (treinador do América), Paulo Pinheiro de Viveiros, Raimundo Ubirajara Macedo e Roberval Pinheiro Borges, Rossine de Azevedo (ex-goleiro americano).

O Poti (quarta-feira, 11/6/1958) publica foto da "festa de despedida" pela aposentadoria do amazonense Luiz Maria Alves da "Western Telegrafh", após 36 anos de serviços nas agências em Belém, Recife e Natal. O jantar (dia 8) oferecido pelos funcionários acontece na residência do gerente Arthur Henry Palmer, na Rua Trairi (Cirolandia). 

Na ocasião a funcionária Leda Freire de Azevedo entrega ao Alves um relógio de ouro. Participam da homenagem: Amaury Dantas, Silvino Sinedino de Oliveira, Francisco Sinedino de Oliveira, Hélio Siqueira Silva, Paula Frassinetti de Oliveira, Maria do Rosário Costa, Milton Silva, Mirocem Ferreira Lima, Irapuan Bonifácio do Nascimento (parente do ex-zagueiro americano e ferroviário Leonidas), Geraldo de Souza, Creuza Pereira da Silva, Sydnei Sinedino de Oliveira, Paulo de Souza Vasconcelos, João Galvão Filho e José Cruz. 

Em dezembro de 1961 compõe a cabeça da chapa única registrada que concorre a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádiotelefonia. Ao lado de Amauri Dantas, Maria Nísia Freire de Azevedo, João Galvão, Sydnei Oliveira e Irapuan Bonifácio.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Uma homenagem ao fotográfo Clóvis Santos

José Vanilson Julião Clóvis Alceu dos Santos, gaúcho de Dom Pedrito, começa no "Diário de Natal", o jornal Associado na capital potiguar, em 1971. A aquisição do profissional pela mídia da cadeia fundada pelo paraibano Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo é anunciada na coluna "Informes DN" (sábado, 19/6). Assim reporta o colunista e jornalista Sanderson Negreiros: - Temos novo companheiro. Já há alguns dias em Natal, onde firmou nome como profissional. Após atuar na imprensa boa parte da década de 70 Clóvis Santos, nos anos 80 já se encontra contratado pela assessoria de imprensa do Estado. E como servidor público alcança a vice-direção da Penitenciária Central João Chaves. Eu já o conhecia de nome. Pelo noticiário do DN. Devido as assinaturas dos créditos de fotografia nas reportagens de editorias diversas. Passei a conviver profissionalmente na cobertura policial no presídio de Igapó (Zona Norte). Em agosto de 1984 o secretário de Interior e Justiça, Manoel de Medeiros Brito, deposita confiança no diretor da "João Chaves", tenente-coronel PM Marcílio Pinto da Silva, e no vice-diretor Clóvis Santos. Mesmo assim o DN, numa reportagem em que o secretário reclama da cobertura da imprensa, não deixa de alfinetar o subordinado Santos: "Antigo funcionário contratado pela asessoria. Segundo o relatório (Ministério da Justiça), ele só possui o segundo grau completo e experiência profissional como fotógrafo." Aqui deixo o meu depoimento: - Sempre que me deslocava ao presídio para ocorrencias de assassinatos ou fugas me sentia totalmente a vontade com o compreensivo atendimento de Santos. Uma ou duas vezes ele pauta visitas a padaria do presídio, com o intuito de mostrar o outro lado dos internos. Clóvis Santos ainda retorna ao "Associado" em 1989. Como registra a coluna "Tempo Livre" (Carlos Alberto Morais). Para compor dupla com Abmael Morais nas "entrevistas-crônicas" para o semanãrio "O Poti", a edição dominical do "Diário".

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Falece de Covid ex-atacante do Gremio/RS e America/RN

Sérgio Davi na ponta-direita do tricolor gaúcho em 1971

Depois do goleiro carioca Ubirajara Dias Ribeiro (1947 - 2021), que atua pelo alvirrubro (73/76), morre em conseqüência do Covid-19, ás 21 horas do domingo, no Hospital dos Pescadores (Rocas), o ex-jogador do Grêmio e do América/RN, Sérgio David Ayres Chagas (Porto Alegre, 9/11/1954 - Natal, 9/1/2022).

Campeão infantil (1970) pelo rival Internacional e ter sido no tricolor gaúcho bi-campeão juvenil (73/74), Sérgio Davi foi, na sequência, emprestado como um dos reforços do alvirrubro potiguar para a temporada de 1975. No ano seguinte é vendido para o Caxias e no meio do ano de 1977 se encontra no 14 de Julho (Passo Fundo).

Em seguida Brasil de Pelotas (78), Avaí (78), Fluminense (79), Comercial/Ribeirão Preto (80), Bagé (80) - pelo qual atua 22 vezes pelo campeonato gaúcho - e encerra a carreira no Avai, clube de Florianópolis, capital catarinense.

O redator soube do passamento no começo da tarde por meio do perfil de rede social do professor universitário, preparador físico, ex-treinador da base americana e comentarista esportivo, o também gaúcho Ricardo Nelson da Fonseca, o "Batatinha", que, por sua vez, havia sido informado pelo ex-zagueiro americano Carlos Mota.

Sérgio David atuava como empresário no ramo de piscinas.
“Todo falecimento é triste e doloroso. Para o jogador de futebol, além da partida, cessa o encanto. Os gramados não mais terão a beleza do artista com a bola, seu último gol, fica na memória de todos que ainda recordam seu drible mais rápido que o vento. Ele não morreu... Encantou-se!” Poetisa “Batata”.

Enquanto é cogitada a contratação pelo América ele entra no terceiro jogo do ano da temporada do Tricolor (domingo, 8/1/1975) com teste para os juvenis. Em lugar de João Carlos no amistoso sem abertura de contagem contra o Internacional (Santa Maria). Conforme reportagem da Agência Jornal do Brasil para o "Diário de Natal".

Para substituir o também gaúcho "Jangada" e assinar o primeiro contrato profissional, Sérgio é recebido pelos dirigentes: Francisco Wellisson, o "Etinha" (antigo juvenil americano e goleiro do licenciado Santa Cruz/RN), e Marcelo Maia na segunda-feira (17/2) ao desembarcar no Aeroporto Augusto Severo (Parnamirim).

A estréia diante de 2.878 torcedores acontece em jogo pela Taça Cidade de Natal (quarta-feira, 26/2). Empate em 1 a 1 contra o Força e Luz, a época "Cosern". Com preliminar: Alecrim 2 x 0 Racing (Rocas). A segunda aparição no Torneio Governador Cortez Pereira 1 x 3 Santa Cruz/PE (domingo, 3/3).

O primeiro título, o da "Taça", veio na decisão contra o ABC (domingo, 16/3). Jogo de 1 a 1 e prorrogação, sendo necessária duas séries de tiros livres para definir o campeão. Foram 15 jogos (oficiais e amistosos) com um gol no Estadual: 4 x 1 Ferroviário (11/5).

Na fotografia do Grêmio (1971): Vitor Hugo, Augusto, Bicca, Celso Silva, Claudinho, Machado, Sérgio Davi, Geraldo Luís Carlos, Altino e Euzébio.

FONTES
Diário de Natal
Tribuna do Norte
Grêmiopedia
Memória Viva
O Gol
Súmulas Tchê


sábado, 4 de setembro de 2021

O treinador uruguaio do America (XXVII)

Funcionários de empresa inglesa fundaram tricolor

 

Graciano Acosta Torres comanda o Great Western após sair da capital potiguar

José Vanilson Julião

Com a retomada da pesquisa é preenchido hiato que existia entre as temporadas de 1939 e 1941 na carreira do personagem alvo da série exclusiva na imprensa do RN.

Depois da primeira temporada (1939) no América de Natal, e antes da estadia no Ferroviário cearense (1941), retorna ao Recife para ser operado dos meniscos.

O centromédio (volante) chega na capital pernambucana em 11/6/1940, anuncia dois dias depois o JORNAL PEQUENO (coluna "Boatos & Verdades").

Em 9 de novembro do mesmo ano ele já está treinando o Great Western para enfrentar o Tramways pelo campeonato estadual.

O penúltimo (um ponto) e último colocados jogam no estádio da Avenida Rui Barbosa e pertencente ao primeiro competidor. Resultado: Tramways 1 x 2 Great Western.

O CLUBE

A Associação Atlética Great Western foi fundada (17/3/1928) pelos funcionários da empresa inglesa do mesmo nome, que atuava no Nordeste construção e exploração da concessão de ferrovias.

A agremiação, além do futebol, incentiva a prática de outros esportes, como atletismo, basquete, vôlei e tênis.

O time verde, vermelho e branco tinha sede na Rua Coronel Suassuna, 790 (primeiro andar), no Sancho, no bairro de Tejipió.

Nos anos 30 muda para a avenida João de Barros, 1,583, Soledade. Mandava os jogos no estádio da Avenida Malaquias, que pertencia ao Sport.

Com a denominação antiga participa de 14 campeonatos de primeira divisão entre 1936/54, exceto em 39 e 47/49. A melhor colocação, segundo lugar, na temporada de 1942.

No último de participação a empresa encerra atividades na região e o clube passa a ser chamar Ferroviário (tricolor). Com esta denominação totaliza 55 participações. A última em 1994.

 FONTES

Diário de Pernambuco

Jornal de Recife

Jornal Pequeno

História do Futebol

 

 

O treinador uruguaio do America (XXVI)

 

Cores do time remetem a origem sueca dos fundadores

O primeiro clube paraibano de Graciano Acosta Torres

O Rio Tinto surge (domingo, 5/8/1928) no distrito do mesmo nome, município de Mamanguape, a 52 quilômetros de João Pessoa, emancipado em 6/12/1956 (hoje 24.176 habitantes – IBGE/2019).

O Tricolor surgiu por funcionários da fábrica de tecidos dos descendentes suecos, daí as cores do clube, as mesmas da bandeira da Suécia (azul e amarelo). O primeiro Presidente Raimundo de Oliveira e o primeiro técnico Miguel Florêncio.

Mandava os jogos no Estádio Comendador Arthur Lundgren, inclusive o primeiro prefeito do recém criado município.

clube fabril esteve no Paraibano (1952). A última aparição 1991 no Torneio Integração (“Chave dos Amadores“), com Confiança (Sapé) e Industrial (Ingá), saindo na primeira fase.

Resultados no turno do primeiro campeonato: Red Cross 1 × 0 (22/6), Auto Esporte 2 × 2 (6/7), Botafogo 0 x 0 (3/8), Guarabira 4 × 3 (24/8) e 4 × 3 Paulistano (21/9). O Auto perde os pontos. Returno: Red Cross 3 × 1 (1/2/1953).

Time bases

1952/53: João Carlos; Braga e Sabino (Jaime); Arnobio (Raimundo), Ranulfo e Cordeiro (Lulu); Mario (Raspadinho), Zé Paulino (Manoel), Cancio (Zé Domingues), Araújo (Rafael) e Zé Pirralho (Bimbarra).

1956: Mascote; Lamparina e Deda; Ranulfo, Quincas e Dui; Dé, Zé Domingues (Dedé), Vadinho, Vavá e Canindé.

 

FONTES

Futebol Nacional

Wikipédia

O Norte

Acervos Júnior (Locadora David)

Eduardo Cacella

Jose Carlos de Andrade