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terça-feira, 2 de junho de 2026

Terceira fonte confirma Marinho no Ferroviário de Natal

O sorridente Francisco das Chagas Marinho na entrega de faixas ao campeão de 1970

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Os blogs Mundo Botafogo e Fernando Amaral Futebol Clube publicaram a pedido do repórter uma reportagem inédita sobre a até então pouco conhecida ou completamente esquecida rápida passagem do lateral-direito Francisco das Chagas Marinho pelo Ferroviário Esporte Clube de Natal.
Para construir o furo de reportagem o redator se valeu de duas importantes fontes primárias: o vespertino Diário de Natal (12/7) e o jornal semanário A Ordem. Resultando numa série de cinco: "Marinho Chagas vestiu a camisa tricolor do Ferroviário/RN."
Além da sequência o levantamento dos poucos jogos de Marinho pelo clube das três cores (azul, vermelho e branco) ainda rendeu uma postagem isolada no blog JORNAL DA GRANDE NATAL: "Numerais na carreira de Francisco Marinho Chagas" (inversão proposital dos nomes).
Os textos sequenciais foram publicados no blog em janeiro de 2025. E a pesquisa isolada também em julho do ano passado. Quando fica estabelecido que o famoso jogador entra em campo duas veze pelo Ferroviário (1967), 15 pelo Riachuelo, ABC (37), Náutico (98), Botafogo (183) e Fluminense (93).
Após o retorno do New York Cosmos (Estados Unidos da América), pelo qual atua 30 jogos, passa pelo São Paulo (85), Bangu (uma partida), Fortaleza (14) e América de Natal (em torno de três jogos).

FERRIM
Os jogos pelo FEC natalense: Ferroviário 0 x 2 Atlético – Potiguar (domingo, 6/8/1967) e Ferroviário 1 x 6 América – Potiguar (domingo, 10/9/1967).

TERCEIRA FONTE
Agora vejo na Tribuna do Norte (coleção da Biblioteca Nacional) a confirmação da estadia relâmpago, entre julho/outubro de 1967, de Marinho pelo Ferroviário.
Na reportagem "Riachuelo tenta primeira vitória frente ao Ferrim" (quinta-feira, 20/7). Está lá no subtítulo "Tricolor treina hoje": - ...Como novidade no pronto poderá surgir o jogador Marinho.
Em uma edição subsequente para o jogo do sábado (22) a TN anuncia a possibilidade de aproveitamento do zagueiro "Chico", pois Marinho era conhecido como... "Chiquinho". Acaba não entrando na partida.

Jogador do ABC funda o paraibano Cabo Branco

IMAGEM "REMASTERIZADA" DOS FUNDADORES DO CABO BRANCO PESSOENSE

O Esporte Clube Cabo Branco (nasceu alvo e azul e depois alvirrubro) talvez seja um caso raro de uma agremiação realizar um amistoso um dia antes de ser fundado oficialmente (domingo, 13/12/1915).

O novo grêmio esportivo surge a partir da ideia de Manuel Bandeira e Samuel Norat, que propagaram a notícia pela imprensa convocando amantes do novo esporte para a criação do já batizado clube.

"Hoje, ás três horas da tarde, á Rua Palmeira, 8, um “meeting” para tratar de assuntos referentes à Diretoria do mesmo afim de estabelecer definitivamente a fundação."

Os sócios fundadores Waldemar Wraae, Milton Lago, Mario e Ruy Araújo, Samuel Norat e outros despertam grande influencia pelos esforços.

Depois ocorre o “match” no “ground” do Parahyba Sport entre Cabo Branco e Brazil, cujo resultado, 2 x 0 em favor do novato, é publicado em O Norte (terça-feira 14).

O team do Cabo Branco: A. Amstein, V. Wraae, Henrique, R. Araujo, M. Bandeira, Ferreira, S. Norat, P. Gama, P. J. Barbosa, P. Barbosa e A. Alvarenga. “Referee” Mario Araújo.

primeira diretoria : Waldemar Wraae (presidente), Milton Lago (secretário), José Barbosa (tesoureiro) e Henrique de Souza (capitão).

O atleta Waldemar Wraee, com sobrenome europeu (escandinavo de origem do Norte alemão), cinco anos após veste a camisa alvinegra do ABC. (JVJ)


FONTES/IMAGEM

O Norte

Campeões do Futebol

EC Cabo Branco

História do Futebol

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Atletas do triangular do Torneio Início são históricos

Zagueiro do ABC, Waldemar Wraae, não aparece na lista do Esporte Clube Cabo Branco, da capital paraibana, mas é relacionado como um dos fundadores do alvirrubro tradicional em dezembro/1915

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Como o repórter não localizou o primeiro jogo do triangular do Torneio Início de junho de 1920 o "quem é quem" possível se resume aos atletas que participaram das duas últimas rodadas ou foram mencionados pelo correspondente potiguar em duas edições do Diário de Pernambuco.

A leitura superficial delimita alguns jogadores que participaram das fundações de pelo menos dos clubes mais conhecidos até hoje, ainda em atividade ou não, pela ordem de surgimento, ABC, América, Alecrim e Centro Esportivo Natalense (CEN), que depois virou Clube Atlético Potiguar (CAP).

Na ocasião do torneio preliminar de abertura da temporada já contava exatos cinco anos do aparecimento de três deles (o alvinegro, o alvirrubro e o alviverde), todos em 1915, e o mais novo (de 1918) o tricolor Centro, fruto da fusão do também tricolor Alecrim com um Flamengo, da Cidade Alta, de cor desconhecida.

A soma dos atletas que aparecem ou são mencionados nos lances e autorias dos gols nos jogos de primeiro quadro (América 2 x 1 ABC e ABC 2 x 3 CEN) chega ao menos a 20 nomes ou apelidos independente da relação clubística ou cor da camisa:

Zacarias (goleiro centrista), Joaquim Carneiro, Alemão (João Sérgio Cordeiro), Gentil de Oliveira (fundador do Alecrim), José dos Santos, Noel, Wraae, Avelino, Farache, Oliveira, Carqueja, Uruguai, Pequeno, Pinheiro, Barreto, Jaime, João Ricardo, Canela de Ferro, Américo e Cazuza (goleiro americano).

Alguns são identificados nominalmente pela história, identificação com o clube e participações em diretorias: Noel Miranda (secretário do CEN), Avelino Freire Filho (presidente do ABC), Vicente Farache (conselheiro e treinador), José Luís Barreto (dirigente abecedista) e Jaime dos Guimarães Wanderley (fundador do alvinegro).

Outros do grupo dos jogadores pioneiros: Cazuza (José da Silva), Canela de Ferro (Francisco de Paula Melo) e os forasteiros: o paraibano Waldemar Wraee e o carioca José Maria Carqueja e Fuentes (irmão e pai com o mesmo nome: Baldomero Carqueja Fuentes).

Muitos merecem atenção especial pelo que vieram a ser depois do futebol. Caso do Jaime dos Guimarães Wanderley, o jovem que passou a intelectual, autor de peças teatrais e radionovelas para a pioneira Rádio Educadora de Natal (REN), depois Poti, dos Associados, e que virou Clube.

Waldemar Wraee, fundador do alvirrubro Esporte Clube Cabo Branco (13 de dezembro de 1915), na então Filipeia, capital paraibana, João Pessoa a partir de 1930, já foi alvo da reportagem "O misterioso jogador do ABC em suposto elenco campeão" (quarta-feira, 21/6/2023).

O engenheiro Carqueja e Fuentes, que permaneceu ao menos até 1922/23 nas obras do porto de Natal, também já foi alvo de reportagens seriadas sem que o tema se esgotasse. Inclusive participa da busca do aviador cearense criado no Rio Grande do Norte, Euclides Pinto Martins, acidentado no litoral potiguar.

Centro vira sobre o ABC com árbitro americano

A imagem é a mesma, com legenda e tonalidade diferentes, mas o "chute" falso continua na foto retirada de outra fonte, o blog "Fernando Amaral Futebol Clube"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A fonte: Diário de Pernambuco, edição 178, datada do sábado, 3 de junho de 1920. A seção: "O Diário no Rio Grande do Norte" (correspondência da terça-feira, 29 de junho).

Assuntos do correspondente especial pela ordem de exposição: - Atos oficiais, nova catedral, festa religiosa, foot-ball (assim mesmo separado), viajantes, aniversários e falecimento.

O que interessa para o repórter é a terceira e última rodada do Torneio Início. Com jogos em separado, em dois tempos regulamentares, entre o segundo e primeiro quadros.

O torneio preliminar com jogos dominicais: América 3 x 0 Centro (6/6) e América 2 x 1 ABC (13/6) (resultados de primeiro quadro). E Centro Esportivo Natalense 3 x 2 ABC (27/6).

No enfrentamento duplo (preliminar e principal) os "centristas" perdem para o alvinegro no segundo quadro: 0 x 2. E a hora regulamentar (16h05) os titulares entram em campo.

Com a reportagem bem descrita pode-se ir anotando os nomes dos jogadores no desenvolvimento das jogadas: Zacarias (goleiro), Carneiro, Alemão e Gentil, todos do CEN.

O abecedista Santos dribla quatro "elementos", chuta forte, a defesa intervém, ocasionando pênalti de Noel (Miranda) para o paraibano Waldemar Wraae cobrar e abrir a contagem.

O ABC continua melhor e aparecem Avelino e Vicente Farache Neto. Noel comete nova falta e o mesmo Wraae aumenta para 2 a 0.

Em seguida Gentil "escova" (o repórter ignora que jogada se trata!) passe de Oliveira e em veloz investida diminui a diferença.

Antes de terminar o tempo o árbitro Luís Queiroz (atacante americano) anula justamente um gol de Avelino.

A partir dos 12 minutos da etapa complementar Alemão faz dois e vira o jogo.


Centro vence ABC pelo Torneio Início de 1920

A afirmação do letreiro na montagem da foto, coisa recente, é uma grande lorota

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O Diário de Pernambuco (terça-feira, 8/6/1920) chancela e carimba mais uma prova incontestável de que não houve o seguimento da competição oficial da temporada.

O jornal do Recife publica na seção "O Diário no Rio Grande do Norte" a noticia da renúncia de dois dirigentes da Liga de Desportos Terrestres, Eneas Reis (um dos fundadores do alvinegro) e Manoel Ottoni Gonçalves.

E a escolha eletiva dos substitutos. Francisco Lopes (um dos fundadores do alvirrubro) e M. Ottoni (reconduzido).

O correspondente especial ainda notifica pelo telegrama a largada do "Torneio Início" para o domingo (6/6/1920). 

RESULTADOS

Centro Esportivo Natalense 0 x 3 América e os jogos complementares América 2 x 1 ABC (domingo 13) e Centro 3 x 2 ABC (domingo 27).

O conceituado site Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol confunde as datas dos três jogos (8, 14 e 28).


domingo, 31 de maio de 2026

América vence ABC na partida do Torneio Preliminar

Imagem do time americano campeão do Torneio Início de 1919. Na temporada seguinte é bi na competição de abertura da temporada. O campeonato não ocorreu.

U
ma das provas incontestes de que não houve campeonato oficial em 1920 vem da edição 165 do Diário de Pernambuco (domingo, 20/6/1920).

Com correspondência datada da quinta-feira (17) para a seção "O 'Diário' no Rio Grande do Norte". - Matches de football, aniversários, viajantes, casamentos e falecimentos, são os assuntos.

O correspondente especial do impresso do Recife abre o telegrama com a rodada dupla esportiva dominical (13/6) entre os segundos e primeiros quadros do ABC e América.

Os resultados ABC 3 x 1 (preliminar) e 1 x 2 América (principal). No jogo de segundo teams (14 horas) foi fraco o desenvolvimento dos atletas, no dizer do desconhecido correspondente.

As 16 horas entram em campo os titulares com o "toss" (pontapé inicial) do alvinegro. Há oito minutos do fim da etapa inicial o América abre a contagem sobre o goleiro carioca Carqueja.

No primeiro half-time se destacam os abecedistas Wraae (paraibano), Uruguai, Pequeno, Pinheiro, Santos e Avelino; e os americanos Ricardo, Canela de Ferro (Francisco Paula de Melo) e Américo.

Aos 15 da fase complementar a jogada iniciada por Jaime Wanderley, seguida pelo Barreto e complementada pelo Santos culmina no empate do ABC diante do goleiro Cazuza.

Carqueja ainda faz 19 "pegadas lindas" antes de ser vazado pela segunda e última vez no jogo pelo ataque alvirrubro.


NOTA DO REDATOR

O jogo em questão fez parte do Torneio Preliminar (Torneio Início). A temporada programada acaba não acontecendo. Há indícios de que o site Federação Internacional de Histórias e Estatísticas de Futebol confunde as datas na tabela disponibilizada com os três resultados: América 3 x 0 CEN, ABC 1 x 2 América e Centro 3 x 2 ABC

Rara fotografia do Alecrim na campanha do Estadual

ALECRIM (1984): Gilton, Célio, Kleber, Hélio, Policarpo, Índio, Mano, Odilon, Álvaro, Pernambuco e Romildo

C
om a base do time acima o Alecrim terminou em quarto lugar (31 pontos e distante do ABC campeão com 64) na colocação geral em 33 partidas pelo campeonato potiguar (oito participantes).

Foram nove vitórias, 13 empates e onze derrotas. Marcou 44 gols e deixou passar 34 bolas. Na competição de três turnos chegou disputar a segunda fase de dois: o primeiro e o terceiro.

Do titular passaram pelo América/RN o zagueiro Gilton, o volante Hélio, o meia Álvaro e o atacante Pernambuco (pelo apelido se nota que é filho do centroavante americano dos anos 40/50).

Odilon Costa de Almeida, com curta passagem pelo alvirrubro no campeonato brasileiro (começo de 80), é cria da base do ABC, mas vez o nome mesmo no Sport Clube Recife (1971/1974) e Potiguar (Mossoró), no biênio 74/75, até chegar ao Alecrim e novamente o alvinegro (anos 90). (JVJ)


FONTES

Arquivos de Futebol do Brasil

Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol