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| O sorridente Francisco das Chagas Marinho na entrega de faixas ao campeão de 1970 |
JOSÉ VANILSON JULIÃO
A SERVIÇO DA REGIÃO METROPOLITANA E DO RIO GRANDE DO NORTE
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| O sorridente Francisco das Chagas Marinho na entrega de faixas ao campeão de 1970 |
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| IMAGEM "REMASTERIZADA" DOS FUNDADORES DO CABO BRANCO PESSOENSE |
O novo grêmio esportivo surge a partir da ideia de Manuel Bandeira e Samuel Norat, que propagaram a notícia pela imprensa convocando amantes do novo esporte para a criação do já batizado clube.
"Hoje, ás três horas da tarde, á Rua Palmeira, 8, um “meeting” para tratar de assuntos referentes à Diretoria do mesmo afim de estabelecer definitivamente a fundação."
Os sócios fundadores Waldemar Wraae, Milton Lago, Mario e Ruy Araújo, Samuel Norat e outros despertam grande influencia pelos esforços.
Depois ocorre o “match” no “ground” do Parahyba Sport entre Cabo Branco e Brazil, cujo resultado, 2 x 0 em favor do novato, é publicado em O Norte (terça-feira 14).
O team do Cabo Branco: A. Amstein, V. Wraae, Henrique, R. Araujo, M. Bandeira, Ferreira, S. Norat, P. Gama, P. J. Barbosa, P. Barbosa e A. Alvarenga. “Referee” Mario Araújo.
A primeira diretoria : Waldemar Wraae (presidente), Milton Lago (secretário), José Barbosa (tesoureiro) e Henrique de Souza (capitão).
O atleta Waldemar Wraee, com sobrenome europeu (escandinavo de origem do Norte alemão), cinco anos após veste a camisa alvinegra do ABC. (JVJ)
FONTES/IMAGEM
O Norte
Campeões do Futebol
EC Cabo Branco
História do Futebol
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| Zagueiro do ABC, Waldemar Wraae, não aparece na lista do Esporte Clube Cabo Branco, da capital paraibana, mas é relacionado como um dos fundadores do alvirrubro tradicional em dezembro/1915 |
Como o repórter não localizou o primeiro jogo do triangular do Torneio Início de junho de 1920 o "quem é quem" possível se resume aos atletas que participaram das duas últimas rodadas ou foram mencionados pelo correspondente potiguar em duas edições do Diário de Pernambuco.
A leitura superficial delimita alguns jogadores que participaram das fundações de pelo menos dos clubes mais conhecidos até hoje, ainda em atividade ou não, pela ordem de surgimento, ABC, América, Alecrim e Centro Esportivo Natalense (CEN), que depois virou Clube Atlético Potiguar (CAP).
Na ocasião do torneio preliminar de abertura da temporada já contava exatos cinco anos do aparecimento de três deles (o alvinegro, o alvirrubro e o alviverde), todos em 1915, e o mais novo (de 1918) o tricolor Centro, fruto da fusão do também tricolor Alecrim com um Flamengo, da Cidade Alta, de cor desconhecida.
A soma dos atletas que aparecem ou são mencionados nos lances e autorias dos gols nos jogos de primeiro quadro (América 2 x 1 ABC e ABC 2 x 3 CEN) chega ao menos a 20 nomes ou apelidos independente da relação clubística ou cor da camisa:
Zacarias (goleiro centrista), Joaquim Carneiro, Alemão (João Sérgio Cordeiro), Gentil de Oliveira (fundador do Alecrim), José dos Santos, Noel, Wraae, Avelino, Farache, Oliveira, Carqueja, Uruguai, Pequeno, Pinheiro, Barreto, Jaime, João Ricardo, Canela de Ferro, Américo e Cazuza (goleiro americano).
Alguns são identificados nominalmente pela história, identificação com o clube e participações em diretorias: Noel Miranda (secretário do CEN), Avelino Freire Filho (presidente do ABC), Vicente Farache (conselheiro e treinador), José Luís Barreto (dirigente abecedista) e Jaime dos Guimarães Wanderley (fundador do alvinegro).
Outros do grupo dos jogadores pioneiros: Cazuza (José da Silva), Canela de Ferro (Francisco de Paula Melo) e os forasteiros: o paraibano Waldemar Wraee e o carioca José Maria Carqueja e Fuentes (irmão e pai com o mesmo nome: Baldomero Carqueja Fuentes).
Muitos merecem atenção especial pelo que vieram a ser depois do futebol. Caso do Jaime dos Guimarães Wanderley, o jovem que passou a intelectual, autor de peças teatrais e radionovelas para a pioneira Rádio Educadora de Natal (REN), depois Poti, dos Associados, e que virou Clube.
Waldemar Wraee, fundador do alvirrubro Esporte Clube Cabo Branco (13 de dezembro de 1915), na então Filipeia, capital paraibana, João Pessoa a partir de 1930, já foi alvo da reportagem "O misterioso jogador do ABC em suposto elenco campeão" (quarta-feira, 21/6/2023).
O engenheiro Carqueja e Fuentes, que permaneceu ao menos até 1922/23 nas obras do porto de Natal, também já foi alvo de reportagens seriadas sem que o tema se esgotasse. Inclusive participa da busca do aviador cearense criado no Rio Grande do Norte, Euclides Pinto Martins, acidentado no litoral potiguar.
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| A imagem é a mesma, com legenda e tonalidade diferentes, mas o "chute" falso continua na foto retirada de outra fonte, o blog "Fernando Amaral Futebol Clube" |
A fonte: Diário de Pernambuco, edição 178, datada do sábado, 3 de junho de 1920. A seção: "O Diário no Rio Grande do Norte" (correspondência da terça-feira, 29 de junho).
Assuntos do correspondente especial pela ordem de exposição: - Atos oficiais, nova catedral, festa religiosa, foot-ball (assim mesmo separado), viajantes, aniversários e falecimento.
O que interessa para o repórter é a terceira e última rodada do Torneio Início. Com jogos em separado, em dois tempos regulamentares, entre o segundo e primeiro quadros.
O torneio preliminar com jogos dominicais: América 3 x 0 Centro (6/6) e América 2 x 1 ABC (13/6) (resultados de primeiro quadro). E Centro Esportivo Natalense 3 x 2 ABC (27/6).
No enfrentamento duplo (preliminar e principal) os "centristas" perdem para o alvinegro no segundo quadro: 0 x 2. E a hora regulamentar (16h05) os titulares entram em campo.
Com a reportagem bem descrita pode-se ir anotando os nomes dos jogadores no desenvolvimento das jogadas: Zacarias (goleiro), Carneiro, Alemão e Gentil, todos do CEN.
O abecedista Santos dribla quatro "elementos", chuta forte, a defesa intervém, ocasionando pênalti de Noel (Miranda) para o paraibano Waldemar Wraae cobrar e abrir a contagem.
O ABC continua melhor e aparecem Avelino e Vicente Farache Neto. Noel comete nova falta e o mesmo Wraae aumenta para 2 a 0.
Em seguida Gentil "escova" (o repórter ignora que jogada se trata!) passe de Oliveira e em veloz investida diminui a diferença.
Antes de terminar o tempo o árbitro Luís Queiroz (atacante americano) anula justamente um gol de Avelino.
A partir dos 12 minutos da etapa complementar Alemão faz dois e vira o jogo.
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| A afirmação do letreiro na montagem da foto, coisa recente, é uma grande lorota |
O Diário de Pernambuco (terça-feira, 8/6/1920) chancela e carimba mais uma prova incontestável de que não houve o seguimento da competição oficial da temporada.
O jornal do Recife publica na seção "O Diário no Rio Grande do Norte" a noticia da renúncia de dois dirigentes da Liga de Desportos Terrestres, Eneas Reis (um dos fundadores do alvinegro) e Manoel Ottoni Gonçalves.
E a escolha eletiva dos substitutos. Francisco Lopes (um dos fundadores do alvirrubro) e M. Ottoni (reconduzido).
O correspondente especial ainda notifica pelo telegrama a largada do "Torneio Início" para o domingo (6/6/1920).
RESULTADOS
Centro Esportivo Natalense 0 x 3 América e os jogos complementares América 2 x 1 ABC (domingo 13) e Centro 3 x 2 ABC (domingo 27).
O conceituado site Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol confunde as datas dos três jogos (8, 14 e 28).
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| Imagem do time americano campeão do Torneio Início de 1919. Na temporada seguinte é bi na competição de abertura da temporada. O campeonato não ocorreu. |
Com correspondência datada da quinta-feira (17) para a seção "O 'Diário' no Rio Grande do Norte". - Matches de football, aniversários, viajantes, casamentos e falecimentos, são os assuntos.
O correspondente especial do impresso do Recife abre o telegrama com a rodada dupla esportiva dominical (13/6) entre os segundos e primeiros quadros do ABC e América.
Os resultados ABC 3 x 1 (preliminar) e 1 x 2 América (principal). No jogo de segundo teams (14 horas) foi fraco o desenvolvimento dos atletas, no dizer do desconhecido correspondente.
As 16 horas entram em campo os titulares com o "toss" (pontapé inicial) do alvinegro. Há oito minutos do fim da etapa inicial o América abre a contagem sobre o goleiro carioca Carqueja.
No primeiro half-time se destacam os abecedistas Wraae (paraibano), Uruguai, Pequeno, Pinheiro, Santos e Avelino; e os americanos Ricardo, Canela de Ferro (Francisco Paula de Melo) e Américo.
Aos 15 da fase complementar a jogada iniciada por Jaime Wanderley, seguida pelo Barreto e complementada pelo Santos culmina no empate do ABC diante do goleiro Cazuza.
Carqueja ainda faz 19 "pegadas lindas" antes de ser vazado pela segunda e última vez no jogo pelo ataque alvirrubro.
NOTA DO REDATOR
O jogo em questão fez parte do Torneio Preliminar (Torneio Início). A temporada programada acaba não acontecendo. Há indícios de que o site Federação Internacional de Histórias e Estatísticas de Futebol confunde as datas na tabela disponibilizada com os três resultados: América 3 x 0 CEN, ABC 1 x 2 América e Centro 3 x 2 ABC

ALECRIM (1984): Gilton, Célio, Kleber, Hélio, Policarpo, Índio, Mano, Odilon, Álvaro, Pernambuco e Romildo
Com a base do time acima o Alecrim terminou em quarto lugar (31 pontos e distante do ABC campeão com 64) na colocação geral em 33 partidas pelo campeonato potiguar (oito participantes).
Foram nove vitórias, 13 empates e onze derrotas. Marcou 44 gols e deixou passar 34 bolas. Na competição de três turnos chegou disputar a segunda fase de dois: o primeiro e o terceiro.
Do titular passaram pelo América/RN o zagueiro Gilton, o volante Hélio, o meia Álvaro e o atacante Pernambuco (pelo apelido se nota que é filho do centroavante americano dos anos 40/50).
Odilon Costa de Almeida, com curta passagem pelo alvirrubro no campeonato brasileiro (começo de 80), é cria da base do ABC, mas vez o nome mesmo no Sport Clube Recife (1971/1974) e Potiguar (Mossoró), no biênio 74/75, até chegar ao Alecrim e novamente o alvinegro (anos 90). (JVJ)
FONTES
Arquivos de Futebol do Brasil
Federação Internacional de História e Estatísticas de Futebol