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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Falece protagonista da zebra do Racing sobre ABC (III)

Rara fotografia com o professor Zacarias Anselmo no Nacional do Bairro das Rocas antes de sair do ABC e ingressar no rival Racing. Imagem do acervo familiar de João Anselmo, irmão do personagem também boleiro na época e depois da equipe de gráficos, anos 70/90, do jornal "Tribuna do Norte"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A rara imagem acima é a prova inconteste de que o recém falecido professor Zacarias Anselmo da Silva (1949 - 2026), antes de ingressar e durante a estadia no ABC, começou a aparecer no Nacional das Rocas, e só muito depois ingressa no Racing do bairro da Zona Leste de Natal, pelo qual disputa o campeonato do bairro, a segunda divisão amadora e o campeonato profissional, entre 1967 e 1969.

Outra prova de que adolescente Zacarias inicia a carreira no infanto-juvenil do ABC antes da campanha do título da categoria juvenil em 1965 vem da pauta de julgamentos do Tribunal de Justiça Desportiva, presidido pelo bacharel Antônio Soares Filho, secretariado por Voltaire Xavier, e publicada e republicada no Diário de Natal (terça e quarta-feira, 25 e 26 de agosto de 1964).

Na data da sessão plenária (26) o jornal vespertino reporta: "Bazinho e Bebeca estarão hoje nas barras do TJD". A "volumosa" pauta inclui o árbitro Aderbal Barbosa (Bazinho, ex-jogador do Alecrim, por não comparecer a uma partida), Bebeca (expulso pelo árbitro Afrânio Messias e Silva por agressão) e os juvenis primários Zacarias (ABC) e Marcos Antônio (Potiguar/Parnamirim), incursos no artigo 109 do CBDF.

Ao que parece a punição não foi pesada e deve ter sido a prevista pela reportagem: "O cumprimento da lei do cão" (suspensão do jogo seguinte). Pois Zacarias entra em campo na preliminar ABC 1 x 2 Alecrim da principal sem abertura de contagem (domingo, 6/9/1964). Aderbal também escapa: é bandeirinha da partida de fundo (o outro: Wellington Ramos).

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Falece protagonista da zebra do Racing sobre ABC (II)

Firmino Firmo de Moura (presidente), Haroldo, Cidão, não identificado, Bosco, Joãozinho, Mixirica, José Ribamar de Souza, o "Cadinha" (treinador), Edmilson, Elson Germano, Zacarias, Jairo "Bode" Lins e Tuíta.

Vanilson Julião/Ribamar Cavalcante

Texto, pesquisas e imagens



O repórter havia visto os anúncios fúnebre e da missa de sétimo dia em rede social, mas somente veio ligar o personagem ao pedido anterior do memorialista José Ribamar Cavalcante, o de resgatar os autores dos gols do jogo Racing 3 x 0 ABC (18/4/1969), quando este os repetiu no decorrer da semana.

O resultado imediato do cruzamento das informações sobre o desaparecimento do professor Zacarias Anselmo da Silva (1949 - 2026), aos 76, foi perguntar se Ribamar tinha alguma fotografia dele como jogador do Racing do bairro das Rocas.

E também no juvenil do ABC na segunda metade dos anos 60, pois o atento Ribamar havia acrescido este pormenor desconhecido do redator. Até porque há outros antigos atletas chamados Zacarias, inclusive um zagueiro no licenciado eterno Santa Cruz Esporte e Cultura, o campeão potiguar de 1943.

O atacante Zacarias começa 1965 como autor de um dos três gols do alvinegro sobre o campeão juvenil do ano anterior: 3 x 2 Alecrim (domingo, 24/1). Os outros artilheiros: Rui e Déo, Pedrinho e Edilson (esmeraldino).

Preliminar de ABC 2 x 0 Alecrim na decisão do campeonato estadual de profissionais do ano anterior (resulta na série de quatro com três empates e vitória esmeraldina).

Zacarias é campeão juvenil pelo ABC, treinado pelo ex-jogador José Ribamar de Souza, o "Cadinha", sendo relacionado na seleção da competição escolhida pelo vespertino Diário de Natal (quinta-feira, 30/12): Haroldo, Nilson, Cido, Varela, Alfredo, Toinho, Jairo, Tarcísio, Edmilson, Zacarias e Severino.

Para auxiliar Ribamar na identificação de um dos jogadores do ABC (foto acima) eis a escalação do jogo (primeiro turno juvenil) ABC 3 x 1 Santa Cruz (domingo, 27/6): Haroldo, Joãozinho, Cido, Bosco, Laercio, Jairo, Tuita, Edmilson, Elson, Zacarias e Alfredo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Falece protagonista da zebra do Racing sobre ABC (I)

O professor Zacarias Anselmo da Silva, falecido no sábado (14), na linha de ataque do Racing do bairro das Rocas


José Vanilson Julião/José Ribamar Cavalcante

Texto, pesquisas e imagens


Premonição. Ou pura coincidência. São as explicações para os acontecimentos paralelos.

Há duas semanas o ex-jogador e memorialista José Ribamar pergunta ao redator quem foram os autores dos gols de uma das maiores zebras do futebol potiguar.

Passa a sexta-feira, o sábado, o domingo e na segunda-feira o repórter explica que não poderia responder no momento por não poder pesquisar sobre o assunto.

A causa: o site da Biblioteca Nacional Digital estava fora do ar. E só retorna poucos dias depois.

Quando, finalmente, indica os atacantes Herculano, Zacarias e Ivan Alves como os marcadores do jogo Racing 3 x 0 ABC, numa sexta-feira, 18 de abril de 1969.

Era a única participação de um dos dois principais times amadores do bairro das Rocas (o outro é o Palmeiras) na divisão principal do campeonato estadual.

A zebra pastou no ralo gramado do tradicional estádio "Juvenal Lamartine", silenciando a torcida alvinegra.

Somente na década anterior, no campeonato potiguar, também no estadinho da Avenida Hermes da Fonseca (Tirol), o alvinegro passou por vexame semelhante.

Na estreia (31/5/1956) perde para o Grêmio Natalense (2 x 1), ex-Brasil (bairro do Alecrim), treinado pelo depois instável Pedro Teixeira da Silva, o "Quarenta".

Os boleiros do Clube "Carneirinho de Ouro" (VI)

Armando e Alberto marcam os gols do "River"; João Acioli desconta para o "Carneirinho"

As camisas listradas, na verdade,
teriam as cores amarela e verde

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Todos os pormenores apontam para que a imagem rara colorizada da equipe de futebol do "Clube Carneirinho de Ouro" seja a original em preto e branco do jogo amistoso contra o "River Plate" xará do clube argentino da faixa diagonal vermelha.

Os indícios reverberam as reportagens A REPÚBLICA sobre o "festival esportivo" dominical (8/8/1937), em disputa a "Taça Maria Lamas Farache".

A abertura no Estádio Juvenal Lamartine (Tirol) acontece (15 horas) com Alecrim 0 x 2 Paysandu, pela Taça “FISK”.

Jogadores relacionados pelo “River Plate”: Chagas, Barata, Tonho, Waldemar Matias Araújo, Humberto Nesi, Evilásio, Armando Barros de Góes e Alberto Galvão de Moura. Reservas: Anoliveira, Jofilli, Amador Lamas, Alípio e Fernando,

“Carneirinho”: Eugenio, Reinaldo Praça, Nenê, Galvão, Waldomiro, Peixoto, Avelino, Cabo João (João Acioli), Salvador, Hermes Marques Amorim e Fernando.

Suplentes: Antônio, Américo, Waldemar Junqueira de Oliveira (player americano do amistoso do Acari em 1926), Garibaldi (Minho), Euclides Lira (presidente do segundo Santa Cruz) e Aparício Martins.

O treinador mais jovem do futebol brasileiro?

ABC (1954): Badidiu, Cadinha, Nei Andrande, Toré, Edson, Gonzaga, Tatá; Mota, Oliveiro, Jorginho e Macau. Elenco base do tricampeonato 1953/54/55

Nei, em Salvador, com o
livro do jornalista potiguar
Adriano de Souza, sobre o
ABC, período 1915/1925

Vítor Dias

RN Futebol Clube


Em minhas pesquisas vi que, em março de 1956, após a conturbada saída do pernambucano Edésio Leitão, Ney Bezerra de Andrade, então meio-campista do ABC, assume o comando técnico do alvinegro.

Ney Andrade tinha apenas 20 anos (nasceu em 22 de junho de 1935). Mas demonstrava liderança como capitão do clube desde algum tempo.

Foi jogador e técnico até outubro, quando o Mais Querido contratou o baiano Maneco (Augusto Emanuel da Fonseca), vindo do Ypiranga (Salvador), e demitido dias após confusão e troca de agressões com o jogador abecedista Pacatuba (depois contratado pelo rival América).

O incidente ocorre durante excursão a Currais Novos e Andrade reassume como treinador interino até a chegada do primeiro treinador estrangeiro do ABC, o uruguaio Luís Comitante (oriundo do futebol cearense) em julho de 1957.

Ney, hoje com 90 anos, reside na capital baiana, pois, depois do Sport Recife, jogou no  Bahia, entre 1960/62, seguida de curta permanência no alviverde América recifense.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Os boleiros do Clube "Carneirinho de Ouro" (V)

Reportagem de "A República" diz que as
cores da camisa do time de futebol do Clube
Carneirinho de Ouro são "amarela e verde"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Ao analisar com mais detalhes na segunda reportagem da série a fotografia referente a equipe de futebol do "Clube Carneirinho de Ouro" o redator fez a pergunta sobre as cores da camisa:

"Quanto a cor azul desconhece-se a motivação da Inteligência Artificial (IA). Poderia, pela tonalidade clara do original preto e branco, ser verde?"

A resposta vem pela quinta reportagem de outra série inédita do ano passado (segunda-feira, 4 de agosto): "River Plate ganha Torneio "Maria Lamas Farache".

Em homenagem a mulher do dirigente Vicente Farache Neto e que deu nome ao antigo, em Petrópolis, e ao atual estádio do ABC.

O "River" clone do clube argentino decide com o "Carneirinho de Ouro" (domingo, 8/8/1937), data de aniversário do primeiro ano do clube da Ribeira.

Gols: Alberto Galvão de Moura (um dos fundadores do Santa Cruz/RN em 1934), João Acioli da Silva (Cabo João) para o "Carneirinho", e Armando Barros de Góis.

Além do placar e dos gols, o extinto jornal diário A República, em uma das edições, antes ou pós jogo, dá até a cor da camisa do "Carneirinho": "amarela e verde"!

Os boleiros do Clube "Carneirinho de Ouro" (IV)

O potiguar Alberto Galvão de Moura, diretor do
Sport Recife, homenageado na Assembleia/PE,
foi um dos participantes do amistoso entre o
"Carneirinho de Ouro" x "River Plate" no JL

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Para identificar o possível elenco do "Clube Carneirinho de Ouro" é preciso localizar a data do jogo no Estádio Juvenal Lamartine.

O ponto de partida é cruzar informações das reportagens seriadas ou avulsas sobre o "Carneirinho" em dois anos.

Diante das consultas nos arquivos e estabelecido o quadro situcional é provável que tenha sido um amistoso entre o "Carneirinho de Ouro" e o "River Plate" natalense.

O encontro entre o "Carneirinho" e o clone do clube argentino da capital Buenos Aires, famoso pela faixa diagonal vermelha na camisa, acontece na data do aniversário de um ano de fundação.

Não há menção ao amistoso no jornal diário vespertino católico A Ordem, porém aparece em A República, edições cedidas pelo pesquisador Arthur Pierre dos Santos Medeiros.

Está lá na terça-feira (10/8/1937) no extinto jornal centenário: "Carneirinho" 1 x 2 "River" (domingo 8). Pela Taça "Maria Lamas Farache".

Na preliminar o Alecrim Futebol Clube perde para o alvo e branco Paysandu (0 x 2), considerado filial do ABC, que leva a Taça "Fisk".