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terça-feira, 30 de junho de 2026

Identificado goleiro do Ferroviário/RN morto a tiros (II)

Chegada de Fernandes, condenado, após
cumprimento do mandado, no complexo
da Polícia Civil/Imagem: Janaina Costa

J. V. J.

A notícia sobre a prisão do idoso José Fernandes dos Santos, quatro décadas após matar o goleiro João Pereira da Silva, localizado no bairro dos Guarapes (Zona Oeste), ganha o mundo na tarde da quarta-feira (10/6), e dez dias depois o repórter Valmir Sabino, do site "Saiba Mais", identifica os protagonistas com exclusividade.

Ao ler sobre o caso no dia seguinte me veio a mente que no Riachuelo Atlético Clube, o RAC ou time "Naval", nunca havia vestido a camisa número um atleta com o apelido "Esquerdinha".

Ao dar uma olhada nos jornais da época na ocasião encontrei um jogador com esta alcunha comum aos jogadores da linha de ataque, mas, mesmo assim, continuei em dúvida.

Por uma simples razão. Havia um "Esquerdinha" com a camisa 11 no Ferroviário Esporte Clube de Natal e também como arqueiro no "tricolor da Estrada de Ferro".

A menção do "Esquerdinha" na linha apenas uma vez e a repetição na escalação como goleiro, antes e depois dos jogos, é confirmação dele no Ferroviário.

Na época (1971/73) eram quase titulares absolutos os goleiros Juca e Floriano, que chegam a vestir, respectivamente, as camisas dos grandes América e ABC.


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Identificado goleiro do Ferroviário/RN morto a tiros (I)

Reprodução do site "Saiba Mais"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Não sei se o repórter Valmir Sabino leu a minha "reclamação" em rede social. De que os principais sites natalenses publicaram um "press" oficial sobre a recente captura do matador de um goleiro do Ferroviário/RN e não identificaram a vítima e o condenado.
O jornalista o fez em excelente reportagem investigativa para o site Saiba Mais. Recomendo a leitura. Quem me enviou o link da reportagem inédita foi o repórter fotográfico e apresentador de rádio e televisão Graciano Luz, fundador do "Correio Potiguar".
"A História do Goleiro Morto em 1984 que os grandes veículos não contaram", eis o título da reportagem, lançada neste domingo em meio as atenções voltadas para o jogo Brasil 2 x 1 Japão pela segunda fase da Copa do Mundo na segunda-feira.
Não vou entrar em detalhes do assassinato ocorrido no sábado, 15 de setembro de 1984, na sede do Ipiranga (fundos da igreja católica) de Lagoa Seca, na Rua Alberto Silva, uma transversal entre a Rua São João e Avenida Prudente de Morais. Era meu caminho para a Escola Técnica Federal (Av. Salgado Filho).
Quando a mídia eletrônica noticiou o crime de morte, Artigo 121 do Código Penal, como gostavam de salientar meus colegas na Tribuna do Norte, o editor Natanael Virgínio e o repórter Ubiratan Camilo de Souza, mais Givaldo Batista em "A República", e o Pepe dos Santos, codinome do currais-novense Elitiel Bezerra, do Diário de Natal.
Por isso me lembrei do caso, mas passados tantos anos até a localização do homicida, é claro que não me recordaria o nome do ex-goleiro e serralheiro João Pereira da Silva, o "Esquerdinha", 35, e do vendedor de vegetais na Ceasa (Centrais de Abastecimentos Sociedade Anônima), José Fernandes dos Santos, atualmente com 79.
Até tentei verificar nos dois jornais na Biblioteca Nacional Digital, mas, como não tinha os nomes e tampouco a data do crime, acabei desistindo. Alguns amigos até comentaram que poderia ser o goleiro Eliezer Virgínio da Silva, então com 24 anos, mas este havia sido assassinado na década anterior (domingo, 28 de abril de 1973), crime ocorrido com arma branca na Rua Manoel Miranda, nas Quintas.
Eliezer foi campeão pelo América (1967), revezando com Dedé, Alecrim (1968), reveza com Bastos, e passou pelo Ferroviário, Monte Castelo (1971), do Batalhão de Engenharia e Construção do Exército (Nova Descoberta), que mantinha invencibilidade de 45 partidas no futebol amador, e Força e Luz (Cosern). E até no "Matutão", o campeonato interiorano promovido pelos Diários Associados da capital potiguar.

Minibiografia do único irmão jogador do Dequinha (II)

Mais uma imagem rara com o mossoroense Chico no clube alvo e azul do Norte do PR

Resumo da entrevista para o "A Voz de Brusque" (Santa Catarina, publicada em 14 de março de 2003), de autoria do Luiz 
Gianesini.

FRANCISCO ASSIS DOS SANTOS: - Filho de Luiz Gonzaga dos Santos e Isaura Freire de Mendonça (Mossoró/RN, 27/31935 - Brusque/SC, 2014).

Irmãos: além dos dois José, Antônio, Margarida, Simão, Lúcia, Anunciação e Carlos. Casou com a catarinense Olga Machado dos Santos em 8 de junho de 1968  Torce pelo Carlos Renaux, Santos e Flamengo.

Começou nos mossoroense Fluminense, Bangu e Ferroviário. Em 1952 Dequinha o viu jogar e o leva ao rubro-negro. Em 1953 está nos aspirantes, sendo bicampeão carioca (1955/56).

Atua na equipe principal. O jogo 1452 (27/3/1955), 4 x 1 Fonseca, amistoso em Niterói/RJ, no Estádio Caio Martins, com o juiz Amilcar Ferreira. E o jogo 1530 (8/7/1956), 6 x 1, Serrano, amistoso, em Petrópolis/RJ.

Em 57 está no Londrina. É campeão do Norte do Paraná. Em 59 Coritiba, ajudando a equipe a levantar o tetra do sul do Paraná e o bi estadual;

de 64 a 67, Guarani de Blumenau; em 67 no Carlos Renaux, permanecendo até 1970, tendo sob a presidência do Ivo Mário Visconti, treinado a equipe por três meses.

Disputa a Taça Brasil: eliminado pelo Palmeiras: 2 x 0, 3 x 1 e 4 x 2 (1959). Em 1960 elimina o Paula Ramos 1 x 1 e 5 x 1 e com o Grêmio é eliminado no sorteio após três empates. Em 16 anos de carreira soma nove títulos.

Minibiografia do único irmão jogador do Dequinha (I)

Francisco Assis dos Santos é o primeiro agachado no alvo e azul paranaense

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Depois dos irmãos dos nomes invertidos ou trocados de posição veio o terceiro rebento do casal mossoroense Luiz Gonzaga/Isaura Freire.

Assim a ordem ou sequência da natureza ficou: primeiro os dois José (dos Santos Mendonça e Mendonça dos Santos).

Em seguida o Francisco Assis dos Santos, que, em conjunto com o segundo, viriam a ser os únicos jogadores de futebol da família.

No seio familiar, também naturalmente, com nomes tomados emprestados dos Santos, os apelidos só poderiam surgir de dentro dela.

Como todo José poderia ser chamado de Zé, Zezé, Zezinho, Zeca ou Zequinha coube a alcunha do similar Dequinha ao segundo.

Portanto quem nasceu Francisco seria Chiquinho ou Chico. Foi o que explicou o menos famoso dos Mendonça atletas para a imprensa.

João Simeão dos Santos (o das entrevistas) e os outros cinco, incluindo as meninas (nove ao todo) são da segunda família.


domingo, 28 de junho de 2026

Trechos da entrevista do irmão do médio "Dequinha"

Dequinha soma quatro jogos
pelo Atlético Mineiro entre
novembro/1967 e maio/1968

Curiosamente a Rua João da Escossia, no Bairro Nova Betânia, endereço do demolido Estádio Manoel Leonardo Nogueira e, consequentemente o Largo José Mendonça dos Santos (Dequinha), é o mesmo endereço residencial do irmão do antigo craque mossoroense, João Simeão dos Santos, o entrevistado para a seção "Variedades" do caderno "Universo", do extinto jornal diário O Mossoroense (domingo, 6/6/2013), do qual são extraídos estes dois trechos da entrevista concedida ao repórter Maricelio Almeida.

- Quais as principais lembranças que o senhor tem em relação ao período que conviveu com Dequinha?

Simeão: - Nossa maior convivência foi no Rio de Janeiro, para onde toda a família foi levada em 1955. Ele mandou pegar todo mundo. Na época eu frequentava os treinos do Flamengo na Gávea, ia ao Maracanã, até porque nós morávamos perto do estádio. Dequinha vivia em outra residência, morando com um pessoal italiano, que gostava muito dele. Nós não conversávamos muito. Não havia essa aproximação de conversa, até mesmo pela nossa diferença de idade, Dequinha nasceu em 1929 (sic), eu em 1945. Eu ia para a concentração, mas não puxava conversa. Conheci muitos jogadores...

- São quantos irmãos no total?

Simeão: - Eram duas famílias. Dequinha era da primeira e eu sou da segunda. Somos irmãos por parte de pai. Primeiro veio José dos Santos Mendonça, depois José Mendonça dos Santos, o Dequinha, depois Chico, que foi jogador de futebol e chegou também a atuar pelo Flamengo, na mesma época em que Dequinha fez sucesso, sendo, inclusive, o próprio quem o levou para lá. Na sequência Toinho e Margarida, da primeira família. Depois eu, Lúcia, Carlinhos, Anunciação, nove no total (incluso o entrevistado), dois falecidos. 





Tragédia do Baldo vitimou irmão do jogador (III)

O norte-rio-grandense Demóstenes César da Silva no "Glorioso" na abertura da temporada

P
ara encerrar a abordagem momentânea envolvendo o jogador de futebol potiguar Demóstenes César da Silva e o irmão dele, o trombonista Esdras César da Silva, explico o pormenor da atividade musical comum entre eles.
Não escrevo agora sobre a sequência da carreira de Demóstenes no Rio Grande do Norte, Ceará, Rio de Janeiro e na Colômbia pela existência de informações e imagens diluídas em outras reportagens nestes 11 anos de existência do blog.
E nem vou relatar as circunstâncias do acidente (madrugada do sábado, 25/2/1984) que vitimou Esdras César e mais 18 pessoas, músicos e foliões do bloco carnavalesco, por existir bastante material espalhado pela rede, inclusive com imagens do ônibus e do fusquinha envolvidos na batida do "Baldo" (Natal).
A primeira pista de que Demóstenes e Esdras eram ativos músicos vem de uma crônica do jornalista Mário Filho na coluna "Da Primeira Fila", da antiga revista carioca O Globo Sportivo (sexta-feira, 12 de março de 1948: "Oswaldo, kepper do Botafogo (3)".
O cronista na maioria dos dez parágrafos numerados menciona Demóstenes igual número de vezes como o "professor" de piston do arqueiro Oswaldo Baliza na concentração. No texto aparecem outros personagens reais da história do clube da "Estrela Solitária".
A segunda aparece na coluna "Notas & Comentários" do jornalista Waldemar Araújo (fundador do extinto Diário de Natal) no diário matutino Tribuna do Norte (1955). A nota: - LEMBRAM-SE DE DEMÓSTENES?
Desta forma: "Pois leiam este pequeno tópico do Rodapé Esportivo de Araújo Neto na Tribuna de Imprensa. É uma notícia de primeira para os amigos e conterrâneos de Demóstenes César da Silva... Craque e clarinetista (grifo nosso) de 1m50 passou dois anos na Colômbia está no Rio a procura de clube...
A terceira e última prova é uma lembrança do cronista Woden Coutinho Madruga três dias depois do acidente publicada na Tribuna do Norte (terça-feira 28/2). Com o título "De Lelé", apelido familiar do Esdras, tocador de trombone de vara, saindo da Vila Lustosa, da Rua da Estrela, atual José de Alencar, na Cidade Alta, para animar a festa nos anos 60/70.
Woden ainda lembra a profissão para o ganha pão diário, marchante, assim como o pai Joaquim César da Silva, dono de ponto no antigo mercado incendiado. O talhador de carne era pai de Joaquim César da Silva Filho, o "Vavá", que conheci nos anos 80 nos bares da vida, conversador, que se gabava de também ter jogado no América. (JOSÉ VANILSON JULIÃO)

sábado, 27 de junho de 2026

Tragédia do Baldo vitimou irmão do jogador (II)

O centromédio húngaro Bela Sarosi

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Seis brasileiros, quatro argentinos e um húngaro estão na imagem que ilustra o começo desta curta série.

A maioria passou pelo Botafogo de Futebol e Regatas do Rio de Janeiro, entre os quais potiguar Demóstenes César da Silva, irmão do trombonista Esdras César, uma das 19 vítimas do acidente na semana do Carnaval de 1984 em Natal, no Rio Grande do Norte.

Mais o goleiro paranaense Ary Nogueira Cezar, os zagueiros Marinho Rodrigues de Oliveira (genitor do zagueiro flamenguista Fred e pai adotivo de Paulo César Caju), Adão Plínio da Silva e Waldyr do Espírito Santo ("Negrinhão"), além de Norival Pereira da Silva (Flamengo e Fluminense)

Antes deles passaram também pelo Atlético Júnior de Barranquilla (Colômbia) o polêmico atacante Heleno de Freitas e o meia paulista Elba de Pádua Lima, o futuro treinador Tim, chamado "o estrategista".

Um dos destaques da agremiação colombiana é o centromédio húngaro Béla Sárosi (1919 - 1993), que esteve na Copa do Mundo da França (1938) pelo selecionado magiar.