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domingo, 5 de julho de 2026

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (VII)

Capa da autobiografia 

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A pesquisa em fontes primárias, ou seja, jornais das décadas de 40/70, para configurar o perfil do dirigente alecrinense Braz Nunes de Farias, confirma o que já se sabia: o envolvimento profissional com a família Motta, controladora de um conhecido curtume potiguar.

O que o redator não tinha conhecimento, é bom repetir, era a naturalidade do personagem, revelada pela filha, a jornalista Nadja Farias, e divulgada pela primeira vez na imprensa ou em uma mídia eletrônica da capital do Rio Grande do Norte.

Nascido no município do Recôncavo baiano, com o poético e religioso nome de Nazaré das Farinhas, o que a revelação ainda possibilitou também com ineditismo foi o encontro da relação dos membros da família de empresários com Braz Nunes e a cidadezinha natal.

Ele não cai de paraquedas, como visto, no relacionamento com os paraibanos da família Motta, fato este indicativo da vinda do Braz para Natal nos idos dos anos 40.

O conhecimento do rapazinho e os Motta é provocado por outro detalhe importante: o suposto parentesco deles com um político que tinha negócios em Nazaré das Farinhas.

Este novo personagem paralelo é o senador, deputado federal, industrial e médico Drault Ernnany, paraibano radicado no Rio de Janeiro. Daí vem o provável motivo da visita de um deles a urbe.


O persistente presidente esmeraldino veio de longe (VI)

Aspecto da cidadezinha de Nazaré das Farinhas no interior da Bahia na década de 40 do século passado

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A exemplo de outras personalidades históricas do futebol potiguar, principalmente até os anos 70, o personagem do momento, o empresário baiano radicado em Natal, Braz Nunes de Farias, era ponto da pauta pré-estabelecida.

É certo que assuntos ou temas aguardam na fila de espera pelo momento oportuno de aparecer e para tal é necessário a coleta de dados e um plano geral para que o relato tenha uma sequência sem o perigo de estagnação.

Foi o que aconteceu com o dirigente do Alecrim Braz Nunes. Sabia-se dele pela citação na lista dos diretores e presidentes mais lembrados em sites, blogs, artigos e reportagens de jornais.

Dos fundadores Miguel Firmino, Lauro e Humberto Medeiros, coronel Solón Andrade, José Tinoco, Juvenal Pimentel, Gentil de Oliveira, aos que vieram depois, como o médico Severino Lopes da Silva, o coronel do Exército João Pinheiro da Veiga. o comerciante João Bastos de Santana e o médico Pedro Selva.

O leitor viu que o Braz Nunes veio de Nazaré das Farinhas/BA, na região do Recôncavo, mas a naturalidade somente foi possível informar por um importante pormenor.

Ao adicionar este ano e recentemente a jornalista Nadja Farias a uma página particular de rede social aparece o inesperado elo que faltava para saber mais dados para compor o perfil.

E com uma particularidade interessante. Um parente próximo. Uma filha de Braz Nunes. Ela esclarece a ponta da história que estava faltando para encaminhar a série inédita.

"Ele me contava que trabalhava em Nazaré ainda moleque com o pai; então chegou a cidade o irmão do senhor João Motta, conheceu papai e perguntou ao meu avô se podia levá-lo para passar uns dias em Campina Grande.

E quando retornou o irmão João Motta, o dono do Curtume São Francisco, foi a Campina Grande e conheceu papai. Foi então que pediu ao mano para emprestar papai por uns dias, só que esses dias foram para vida inteira..."








sábado, 4 de julho de 2026

América encaminha classificação para a quarta fase

Luiz Thiago veio da Votuporanguense/SP

Aos 17 minutos o atacante Wanderson Gotinha perde a oportunidade de inaugurar o placar em jogada ensaiada, de cabeça, em bola cruzada pela cobrança de falta.

Até pouco mais da metade do primeiro tempo este foi o único lance de emoção, quando o nove Aleilson ganha a bola entre dois zagueiros, escora e abre a contagem.

Não parecia que as emoções seriam duplas para o torcedor americano. Numa escapada pela esquerda, desde o meio de campo, a defesa local está avançada.

Cassiano cruza do lado da área para Luiz Thiago empurrar de cabeça e marcar pela segunda vez com a camisa vermelha na temporada.

Três minutos depois ele mesmo aproveita novo cruzamento, agora de Evandro, e vira para somar três gols pelo alvirrubro. Foi a surpresa da partida.

Para completar logo depois Aleilson é expulso por jogo violento. No segundo tempo o América volta para administrar o jogo.

Mas o que se viu antes dos 16 minutos foi os atacantes perderem duas grandes chances de aumentar a vantagem no placar.

Aí veio o grande lance do jogo. Toca dali, toca acola, Alisson Taddei abre os braços, reclama do posicionamento dos companheiros e lança Alexandre Aruá, que, com um toque de lado, desnorteia a zaga e coloca a meia altura da entrada da área.

Para encerrar Galvan faz o quarto de penalidade máxima. (José Vanilson Julião)


FICHA TÉCNICA

América 4 x 1 Trem

Estádio: Augusto Antunes

Cidade: Santana/AP

Árbitro: Murilo Tarrega Victor/SP

Gol: Aleilson 34, Luiz Thiago 37, 40, Alexandre Aruá 25/2 e Galvan 32'37

América: Renan Bragança, Ricardo Luz, Lucas Rodrigues (Pedro Jorge), Guilherme Paraíba, Evandro (Charles), Wagner Balotelli (Coppetti), Alexandre Aruá, Alisson Taddei, Galvan, Cassiano (Matheus Régis) e Luiz Thiago (Wellington Tanque). Treinador: Ranielle Ribeiro

Trem: Victor Lube, Rafael Baiano, Perema, Léo Reis, Doutor, Leco (Mauro Praia), Wanderson Gotinha, Fábio Macujá (Alysson), Aleilson, Gerson (Zé Eduardo) e Pedro Foguete. Treinador: Sandro "Macapá" Miranda Frazão 

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (V)

Alecrim (1954): Monteiro, Miguel Ferreira de Lima, Petit Carvalho, Mangueira, Petita (Francisco Paiva), Baracho, Chiquinho, Driblador, Biro II, Miltinho e Índio/Anotando Futebol 

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Os primeiros envolvimentos do baiano Braz Nunes de Farias com o alviverde são testemunhados por duas reportagens com assuntos distintos na segunda metade dos anos 50.

A primeira com o matutino "O Poti" (terça-feira,  1/5/1956), surgido dois anos antes, trata da excursão do Alecrim Futebol Clube a cidade paraibana de Rio Tinto, perto da capital João Pessoa.

A delegação do alviverde natalense é composta pelo seguintes dirigentes: presidente João Bastos de Santana, diretor de futebol João Antônio Coutinho da Motta e secretário Braz Nunes de Farias.

Com orientação do elenco pelo ex-zagueiro dos anos 40 do esmeraldino (com passagem também no América) e longevo treinador "Geleia" (Geraldo Pereira) entre 1951/60.

Acompanha a delegação como representante da Associação dos Cronistas Esportivos (ACE) o repórter Marcino Dias de Oliveira, comerciante, rádio-telegrafista de "A República", e ex-diretor do América, falecido em setembro/1971.

A segunda da "Tribuna do Norte" (sábado, 24/8/1957) corrobora com a reportagem "Luiz Medeiros para a presidência do Alecrim", cujo sobrenome não deixa dúvida do parentesco vem próximo com o fundador Lauro Medeiros.

Com entendimentos passando pelos dirigentes citados acima, entre eles nosso principal personagem da série inédita, Braz Nunes, além do deputado federal Clóvis Coutinho da Motta.

Quatro anos depois a TN o classifica em outra campanha, agora como companheiro na chapa de João Bastos de Santana, de um alecrinense "de quatro costados..."




O persistente presidente esmeraldino veio de longe (IV)

Braz Nunes de Farias em apresentação na
antiga sede do Alecrim FC, da Avenida
Alexandrino de Alencar, atual Camana, a
Casa do Marinheiro de Natal

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Quando o jornal matutino "O Poti" (semanário a partir de 1959) é lançado em julho/1954 para fazer companhia ao vespertino "Diário de Natal" o bairro do Alecrim passa a ser atendido com uma maior cobertura da imprensa.
Em uma das edições do novo impresso da cadeia Associada é veiculado até um caderno dedicado ao bairro ou reportagens especiais, com a diagramação bem ao gosto da época, com títulos, subtítulos e complementos longos.
A reportagem escolhida pela pesquisa, já em 1955 (domingo 3/7), assinada pelo repórter Lenine Barros Pinto (neto do antigo gerente de "A República", José Mariano Pinto), com fotografias de Nildo Seabra de Melo, é um típico exemplo com esta sequência detalhista ao extremo antes do texto principal:
- Modernizando-se, o bairro do Alecrim associou-se também ao progresso da arquitetura funcional;
- Três belas e elegantes casas e uma garagem diferente e alegre;
- A beleza e as formas da arquitetura atual, não é mais privilégio do Tirol, "Cirolândia" (por trás do Estádio Juvenal Lamartine e da Escola Doméstica), ou das novas zonas residenciais.
Além desta "minuciosa" explicação a reportagem ainda vem com três subtítulos: "A residência Yolanda Bezerril", "A Rua Segundo Wanderley na espiral progressista" e "O Posto Studebacker" (nome de marca do carro americano).
O repórter Lenine Pinto escreve que diante da impossibilidade de demorar-se em "todas as vias públicas do mais populoso deteve-se na mencionado rua em duas residências: as dos senhores Braz Nunes de Farias e Edilson Nobre.
E detalha: - A primeira sobressai-se pelo espaço, largueza quase solar, uma verdadeira casa-grande, o movimento da fachada de cores discretas de efeito encantador.
A segunda: - Em contraste de dimensões, fosse construída há 30 anos, se chamaria de "chalet"... e lamenta a falta de calçamento, com as casas perdidas dos olhos da cidade...
O texto do LP é um primor de detalhes como retrato de um bairro que era considerado quase um subúrbio no pós guerra.
Quanto ao Braz a construção indica que está ambientado na cidade desde que veio nos anos 40 do município de Nazaré das Farinhas, na região do Recôncavo baiano, para o Rio Grande do Norte!

sexta-feira, 3 de julho de 2026

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (III)

Braz Nunes de Farias/Álbum de Família

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira vez que o nome do baiano Braz Nunes de Farias aparece na imprensa potiguar se dá em expediente da Prefeitura de Natal (8/7/1948) publicado no diário vespertino católico A Ordem (quarta-feira 10/7).

Depois vem o registro na seção "Comércio, Transporte, Finanças" do Diário de Natal (7/9) no embarque em avião da LAP (Linhas Aéreas Paulista) com destino ao Recife.

Entre os passageiros a jovem Margarida Mota (guardem este nome) e os conhecidos Alonso Bezerra de Albuquerque e José Cavalcanti Mello, depois diretor do jornal da cadeia Associada.

Sete anos depois Braz Nunes surge em curiosa reportagem sobre expansão residencial do bairro Alecrim, assinada pelo repórter Lenine Barros Pinto com imagens do fotógrafo Nildo Seabra de Melo para o então diário e depois semanário O Poti.

Ainda em 1955 um "Braz", que seria indicado pelo Alecrim, aparece na Tribuna do Norte cogitado como candidato a vice-presidente da Federação Norte-rio-grandense de Desportos (FND) em movimento de chapa dos "pequenos" clubes natalenses.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

O persistente presidente esmeraldino veio de longe (II)

Joilson Santana em foto do recorte de jornal

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A primeira vez que vi a fotografia com o quarteto Braz Nunes Farias, Marcos Antonio Antunes de Souza, Luiz Carlos Scala Loureiro e Joilson Santana foi por ocasião do desaparecimento deste último (6/10/2013).

A foto pertencente ao acervo do ex-jogador, sargento da Aeronáutica e memorialista José Ribamar Cavalcante (biografado pelo jornalista Kolberg Luna Freire) foi postada no blog No Ataque, do jornalista Edmo Sinedino de Oliveira, com passagens pelas editorias esportivas dos extintos semanário Jornal de Natal (não é o blog!) e Diário de Natal.

A imagem, postada na primeira reportagem ou artigo da série, é repetida no mesmo espaço mais três vezes como homenagem ao desaparecido dirigente alecrinense Joilson Santana, em atividade desde ao menos 1964 (ao lado do pai, o baiano de Salvador, João Bastos de Santana), ano em que o Alecrim conquista o primeiro bicampeonato estadual.

Posteriormente avistei a imagem com as personalidades do futebol, dois dirigentes, um ex-jogador (Scala) e um narrador esportivo (Marco Antonio), em pelo menos outro blog, fora do Rio Grande do Norte, e resolvi verificar a trajetória do baiano Braz Nunes Farias, radicado na capital potiguar deste o final dos anos 30 começo de 40, a convite de outro "forasteiro", um paraibano.


FONTES/IMAGENS

A Ordem

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Museu Virtual do Futebol

No Ataque