quarta-feira, 21 de abril de 2021

O interino treinador ‘germânico’ americano

 

Lua de mel ocorre no Grande Hotel do Recife (PE)

O empresário potiguar filho de alemão Hans Walter Luck falece no Recife

José Vanilson Julião

O potiguar de sangue alemão Hans Walter Luck (Natal, 3/10/1923 – Recife, 25/7/2011, Recife), era filho do cônsul, o comerciante Ernest Walter Luck (Gevelsberg, 1883, no estado da Westfalia – 1953, Recife), e Elizabeth Luise Bamberger (1886 – 1956) com nome que mistura marca de pistola automática com “sorte” em inglês chamava atenção pelos dois metros de altura aparece como treinador interino no segundo semestre de 1950.

Hans e Iria Carvalho casam em 1948
Ele orienta o alvirrubro em pelo menos cinco jogos: 2 x 2 Riachuelo (amistoso – 27/8) um no estadual (0 x 0 ABC – 24/9), Treze (2 x 2 – 22/10), e em João Pessoa, contra Auto Esporte (4 x 2 – sábado, 4/11) e Botafogo (5 x 3 – domingo, 5). No ano seguinte continua envolvido com o futebol, mas como diretor de Desportos Terrestres da Federação. Em março de 1958 se dispõe a intermediar amistosos do América com clubes pernambucanos.

Em 1960 funda no Recife a Luck Viagens, instalada numa pequena sala no Edifício Bancomércio (Rua Matias de Albuquerque). Em 1970 o irmão Werner Ferdinand, dois anos mais velho, compra a empresa, que passa a prestar, também, serviços de turismo receptivo. Diz o site da empresa: - O domínio Luck sobre o segmento deixou marcas de pioneirismo: publicada a primeira cartilha para guias e compra o primeiro ônibus específico para turistas.

Consolidada no mercado expande serviços e oferece agenciamento para eventos, área em que é líder em Pernambuco. Com 500 colaboradores e 60 anos de inovação o grupo está presente em quase todo o Nordeste com o receptivo está entre as líderes do atendimento ao ramo corporativo e dispõe de serviço personalizado no Aeroporto Internacional dos Guararapes - Gilberto Freyre (Recife), com sala VIP (acrônimo de Very Important People) e apoio para procedimentos de embarque e desembarque.

A única fotografia encontrada na internet refere-se ao casamento com Iria Carvalho (10/4/1948), pertencente a uma conhecida e tradicional família do município de Nísia Floresta. Na festa as flores da decoração foram tulipas trazidas da Holanda, pela KLM, e a lua-de-mel no Grande Hotel (Recife).

- José Nicodemus Couto da Silva, cirurgião-dentista da Polícia Militar, dá notícia do falecimento no Real Hospital Português (Recife). Vinha sempre a Natal. Fazia parada na loja de José Rezende, na Rua Doutor Barata (Ribeira). (Woden Madruga - TN, 30/07/2011)

A GUERRA

Stanley E. Hilton, no livro “Suástica sobre o Brasil: a história da espionagem alemã no Brasil – 1939/1944”, diz que na capital potiguar o contato seria com Ernest Walter Luck, o cunhado Hans Werbling e Richard Burgers. É provável que este encontro tenha ocorrido na casa de Luck, na Rua Trairi, 368, Petrópolis.

A grande preocupação do FBI e do Departamento de Estado era a movimentação em torno de uma casa de ferragens na Ribeira. O comércio, segundo os americanos, tinha algo mais por trás do seu balcão: um "perigoso" agente a serviço do nazismo.

Assim era tratado, nos documentos enviados para Washington, Ernest Walter Luck, alvo de investigação, como mostra reprodução da ficha elaborada pelo FBI. Acusado de passar informações ao chanceler Adolf Hitler (1889-1945), por meio do Consulado em Recife, Luck foi condenado. Ficou na prisão de 1942 a 48, na Colônia Penal de Jundiaí, no município de Macaíba, a 25 quilômetros de Natal. A família (a mulher Elizabeth e os filhos Walter e Werner) foi detida dias depois.

Hans Wieberling e Richard Burgers, acusados de cumplicidade, também foram para a cadeia. No seu depoimento, o dono da casa de ferragens disse que trabalhou como agente para o consulado alemão por conta das dificuldades financeiras. A família de Luck informou que o pai não era nazista e trabalhou para os alemães antes do governo brasileiro adotar uma posição durante a guerra.

FONTES

A Ordem

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Fernando Machado

Genealogia

Luck Viagens

Magno Martins

Parentesco

Panrotas

Revista Eventos

Tok de História

O major da FAB no comando americano

 

Salgueiro é o último em pé no Calouros do Ar campão cearense de 1955

Paulo Salgueiro foi campeão cearense pelo Calouros do Ar. Tricolor desiste da Série C local

José Vanilson Julião

Depois de ser campeão cearense o major da Força Aérea Brasileira (FAB) no segundo semestre de 1958 se encontra no Rio Grande do Norte transferido para Parnamirim. A estadia coincide com a saída de Álvaro Barbosa, campeão potiguar no ano anterior com o alvirrubro, que alcançara o bi iniciado com o Orlando Braga (1956).

O gaúcho de Pelotas Álvaro Barbosa havia perdido de 0 x 3 para o ABC (domingo, 12/10/1958). Na segunda-feira Paulo Salgueiro aceita convite do presidente Heriberto Bezerra e no domingo, 19, assume com vitória sobre o Alecrim (4 x 1). Ele treina o elenco pela última vez contra o Riachuelo (4 x 4 – quarta-feira, 26) após ser transferido para o Rio de Janeiro.

Quando assume o sargento da Aeronáutica, Moacir Ribeiro da Silva, que permanece no cargo até dezembro do ano seguinte, ocasião em sai também na mesma situação do comandante anterior, assumindo o zagueiro Herwin de Souza Hackradt. Salgueiro comanda o elenco por seis jogos, cinco oficiais e um amistoso, com saldo de uma vitória, três empates – um deles contra o Treze (Campina Grande) – e duas derrotas.

O diário vespertino O Poti (terça-feira, 14/10/58) noticia a confirmação do convite, feito na semana anterior. O posto de diretor técnico, desde a gestão de Rui Barreto, era do desportista Joaquim Guilherme, transferido para o departamento social, como pedira por falta de tempo para exercer a função anterior. Salgueiro assume ás vésperas do começo do quadrangular final do returno do Estadual, que conta, ainda, com ABC, Alecrim e Riachuelo.

Reportagem inédita publicada o ano passado pelo jornal mensal CORREIO POTIGUAR – controlado pelo radialista e repórter fotográfico Graciano Luz – Paulo Salgueiro indica participação dele na diretoria do América carioca como superintendente (anos 70).

ANTECEDENTES

A primeira notícia que se tem do focado é pelo diário carioca Correio da Manhã (sexta-feira, 11/8/44) com a relação dos 100 aspirantes a oficial aviador diplomados na manhã seguinte. A solenidade no Rio conta com grupo de uruguaios que fizeram o mesmo curso preparatório.

Em 1952 o capitão presta serviço no campo dos Afonsos. Passa a major, tenente-coronel (anos 60) e chega à reserva como brigadeiro do ar (posto máximo) em 2005. Coincidentemente no ano em que presta serviço no Rio é fundado o Calouros (1/1).

Era América, outra coincidência, com o homônimo potiguar. Muda o nome para homenagear o conjunto musical da Base e os aspirantes que chegavam à cidade. No ano seguinte está na divisão principal, vindo, por uma dessas anomalias do futebol, da terceira divisão.

O comando da corporação apoia o clube. A torcida formada pelo efetivo. Os jogadores quase todos militares. O uniforme lembra o do Fluminense: A diferença é a cor vinho em lugar do vermelho. O “Tremendão da Aerolândia” mandava os jogos no “Brigadeiro-Médico José da Silva Porto”, estádio da Base, e possuía secretaria, lavanderia, vestiários e capacidade para três mil expectadores. Hoje é de uso exclusivo de militares.

O primeiro jogo profissional ocorre em 10/5/53 (Gentilândia 1 X 1). Em 1954 participa festa dos 40 anos do Ceará, organizada pelo diretor alvinegro, Ivonisio Mosca de Carvalho. O Glorioso treinado por Gentil Cardoso joga duas vezes. No sábado, 12/6, no Presidente Vargas, Calouros 1 x 0. O mossoroense Orlando Ciarlini (parente da ex-prefeita, ex-governadora e ex-senadora Rosalba Ciarlini Rosado), marca 40/2.

O goleiro ganha uma garrafa de uísque e depois prefere seguir a profissão de armador. Aposentado dedica parte do tempo ao Iate Clube (Praia do Mucuripe), que dirigiu por muitos anos até virar sócio benemérito. Inclusive a sede social leva o nome de “Comodoro Francisco Martins de Lima”.

Calouros: Chico, Pedrinho, Azevedo, Jandir, Helder (Zanata), Índio, Luciano, Zezinho, Beto (Orlando Ciarlini), Nelsinho e Zuzinha. Botafogo: Pianoswisky, Gerson, Floriano, Arati, Bob, Juvenal, Garrincha, Dino, Carlyle, Paulinho e Vinícius. Juiz: José Tosta. Dia seguinte Botafogo 2 x 0 Ceará.

1955: O Ferroviário ganhou o primeiro turno invicto. O Calouros vence o returno. Na decisão vence a primeira, perde a segunda e em 11/3/56 repete o placar da partida inaugural (Zezinho e Zuzinha). Elenco: Jairo, Pedrinho, Coité, Luciano, Jandir, Jesus, Edilson Araújo, Zezinho, Beto, Hélder e Zuzinha. No início da temporada vence o Torneio Preparatório e o Torneio Início.

O segredo da equipe (entre 18 e 24 anos) era a homogeneidade. Foram utilizados 13 jogadores, mantendo quase sempre a mesma formação: Jairo (goleiro), 23 anos; Pedrinho (zagueiro), 22 anos; Coité (zagueiro), 21 anos; Luciano (médio), 22 anos; Jandir (médio), 23 anos; Jesus (médio), 24 anos; Edílson (ponta-direita), 18 anos; Zezinho (meia), 22 anos; Beto (atacante), 23 anos; Helder (meia), 21 anos; Zuza (ponta-esquerda), 28 anos; Azevedo (zagueiro), 25 anos e Vandir (avante), 20 anos.

Apenas dois não eram cearenses: o gaúcho Jesus e o potiguar Jairo. Em 1956 o principal feito: goleada (6 x 1) sobre o Remo. Foi terceiro colocado no Cearense: 1953, 1956, 1960 e 1968. Em 1960 o atacante mossoroense Juarez Canuto foi artilheiro cearense: 14. Em 1968 Célio: nove.

1998: rebaixado para a Segunda Divisão, ficando na antepenúltima posição do grupo, sem nenhum ponto, após 44 anos. Na Segundona não obteve êxito de voltar, tendo chegado perto em 1999 e 2003, quando foi terceiro colocado. Em 2004 na Segunda Divisão foi rebaixado.

2005: desligamento da Base Aérea acelerou a débâcle.  Um ano antes havia caído para a Terceira Divisão. Em 2009 após eliminação se licencia e fica suspenso por suspeita de manipulação de resultado na derrota o Tauá (8 x 0). Em 2010 não participou de nenhuma competição. Retomou as atividades em 2011.

Disputou o Torneio Norte-Nordeste (68) e a 2ª Divisão brasileira (71/72) sem passar da primeira fase. Nesses dois anos teve a presença de Gildo, maior artilheiro do Ceará. Tem dois torcedores “de coração”. Eliseu Alves Feitosa, 72, massagista e roupeiro (1965 a 2009). E guarda até hoje a camisa do time. E o militar reformado Wambar Menescal: guarda fotos, camisas, documentos raros e o troféu do Cearense. Até a partitura do hino e as letras do primeiro e segundo hino.

 

CAMPANHA (1955)

1 X 1 Ceará

0 X 0 Ferroviário

1 X 2 América

1 X 1 Nacional

2 x 2 Fortaleza

1 X 0 Usina Ceará

4 X 0 Gentilândia

4 X 2 Ceará

3 X 0 Fortaleza

2 X 2 Ferroviário

3 X 2 América

0 X 1 Usina Ceará

2 X 0 Ferroviário

0 X 3 Ferroviário

2 X 0 Ferroviário

 

FONTES

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Blog do Zé Duarte

Memória do Futebol Cearense

 

 

 

 

sábado, 17 de abril de 2021

O treinador que perdeu o torneio seletivo

Ivan Navarro (terceiro em pé à esquerda) integrou linha de defesa do Olaria A.C no campeonato carioca de 1962

José Vanilson Julião

Aconteceram as desistências dos campeões mundiais Zózimo Alves Calazans (Salvador, 19/6/1932 – Rio de Janeiro, 21/9/1977) e Orlando Peçanha de Carvalho (Niterói, 20/9/1935 – Rio de Janeiro. 10/2/2010). Quem acaba contratado: o paraense Ivan Luiz de Carvalho Navarro (Oriximiná, 6/1/1931 - Curitiba, 7/5/2018).

Deixou o Clube de Regatas Brasil/CRB (Maceió/AL) e chegou na noite de 18/1/1974 indicado pelo empresário Daniel Pinto. O presidente Aluísio Bezerra (junta governativa) acerta contrato por Cr$ 10 mil de luvas e seis mil mensais. Para treinar o ABC primeiro no torneio seletivo imposto pela CBD para apontar o representante potiguar no Brasileiro.

Apesar do tetra estadual do ano anterior, porém com o castigo a excursão no final do ano como alternativa por ficar de fora da competição, devido à punição e suspensão de dois anos por entrar em campo com três jogadores irregulares no Brasileiro de 1972 na vitória sobre o Botafogo carioca. A boa participação do substituto e vice no Nacional foi a deixa para a competição. Navarro assiste o alvinegro contra o Riachuelo, no Torneio Apern, e assume com derrota no amistoso contra o Náutico fora.

Ivan Navarro
O alvirrubro empata (0 x 0 - quarta-feira, 6) com 27.188 pagantes, vence o segundo (3 x 1 - domingo, 10), com gols de Washington (2), Nilson (contra) e Danilo Menezes, diante de 29.511 torcedores. Na decisão perde no templo complementar, mas ganha a prorrogação com um gol de cabeça por cobertura do jovem ponteiro esquerdo aos oito minutos do tempo complementar (2 x 2 - quarta-feira, 13/2), com este público: 35.983.

O filho de João de Deus Navarro e Lydia de Carvalho e irmão de Alberto, Argemiro, Marluce, Argemiro Fernando, Cláudio Moacir, Ivete, Sérgio Alexandre e Anna Maria - a única viva no ano em que Ivan falece - foi casado com dona Ivete Ferreira, com quem não teve filhos. Começa pelo selecionado local, Trombetas e Santo Antonio.

Nos anos 50 o zagueiro Navarro aparece no elenco do Bangu (54/56), o alvirrubro do bairro homônimo da Zona Oeste carioca, pelo qual atua 17 vezes, com nove vitórias, cinco empates e três derrotas. Está no elenco banguense que enfrenta o Remo (2 x 0 - 24/4/55) em Belém. E provavelmente no time paraense em preparação para o Campeonato Brasileiro de Seleções contra o Remo (1 x 1 - 6/1/1954). Serve o selecionado carioca em 1956.

Sobre a foto o leitor mineiro José Eustáquio Rodrigues Alves, de Patos Minas, informa no blog do Milton Neves, mais se parece um combinado “carioca” América/Bangu, com a camisa da CBD: Nadinho (Bangu e Bahia), Rubens (América e Esportiva/Guaratinguetá), Navarro (Olaria e América), não identificado, Osvaldinho (América e Sporting/Lisboa), Nilton dos Santos (Bangu), Calazans (Bangu, América e Fluminense), Hilton Porco (América, Bangu e Guarani/Campinas), Paulo Valentim (Botafogo e Boca Junior), não identificado e Décio Esteves (Bangu e Campo Grande).

"Correio da Manhã" informa amistoso do América na Venezuela

Madureira em 1958. Pelo Flamengo estreia em 7/5/1959 e faz o último jogo em 24/4/1960, com um total de 17 partidas, nove vitórias, quatro empates e quatro derrotas. A melhor participação ocorre quando defende o Olaria, quando termina em sexto lugar no Carioca (1962) entre 13 competidores, abaixo do Bangu e acima do América, posição que leva o clube suburbano ao Torneio Rio - São Paulo do ano seguinte. No elenco "bariri": Murilo (posteriormente no Flamengo), Haroldo, Casemiro, Nelson, Walter Cané (fez sucesso no exterior) e Rodarte.

Encerra a carreira no venezuelano Tiquiri Flores com registro de derrota para o América (1 x 2) na segunda partida da excursão do clube carioca em 1965. Em Caracas faz a faculdade de Educação Física e começa a trabalhar como técnico. Passa pela Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes. No currículo, não necessariamente pela ordem, estão: Olaria, América/RJ, Fluminense (Feira de Santana), Londrina, Criciúma, Botafogo/PB e Atlético/PB.

Na segunda-feira do desaparecimento um blog da terra natal reproduz texto do "parente" Fernando Jares Martins (Blog "Pelas Ruas de Belém" - 8/7/2014), "Reencontro com sabor de Gol", no qual o autor conta as peripécias para encontrá-lo e informar do paradeiro a família, o que acaba acontecendo.

No clima da Copa do Mundo uma senhora que cuidava de um idoso em apartamento de Copacabana, com o auxílio de um neto, conseguiu encontrar entre as coisas dele um telefone. Com o número de contato com uma sobrinha do antigo atleta. - Ivan é irmão de minha sogra, o tio de quem a Rita falava de vez em quando, que conhecera na infância...

Ivan Navarro é o terceiro em pé (à esquerda) no combinado carioca que representou a Seleção Brasileira

FONTES

Bangu.net

Blog do Marcão

Espoca Bode

Flaestatística

Terceiro Tempo


O "Coveiro" do alvirrubro potiguar

O goleiro "Coveiro" no Central de Caruaru, interior de Pernambuco

José Vanilson Julião

Em qualquer artigo sobre apelidos de jogadores de futebol sempre aparecem os nomes engraçados, estranhos ou diferenciados.

Sobre o assunto li nos livros dos falecidos jornalistas potiguares José Procópio Neto e Everaldo Lopes Cardoso.

E mais recentemente uma jocosa crônica do colunista Kolberg Luna no site GRANDE PONTO.

Entre estes atletas do passado o goleiro 'Coveiro' do Galícia (1947) de Salvador. E foi campeão do torneio início maranhense pelo Sampaio Correa (1949). Participa de amistoso contra o ABC, no domingo, 18/1/1951, sem abertura de contagem.

No sábado anterior o elenco granadeiro soteropolitano havia empatado (2 x 2) com o América, gols de Franklin (20 e 32) e Macedo (13/2 e 35). Renda de 11.140,00 cruzeiros.

Na arbitragem um dos dois primeiros narradores esportivos, Francisco Lamas, irmão de Carlos Lamas, um dos fundadores da Rádio Educadora de Natal (REN), depois Poti.

Ainda em1951 pelo clube da colônia espanhola divide posição com Burguês (seis jogos) e José (nove). Nos 18 jogos do campeonato baiano participa em 2 x 1 Vitória (12/8), 5 x 0 São Cristóvão (30/9) e 1 x 2 Vitória (8/12).

Cinco anos depois Coveiro já não é mais adversário. Substitui com bola rolando o arqueiro mossoroense Jeronimo Felipe, o Jerim, na baliza americana. Em amistoso contra o ABC.

O jogo aconteceu no domingo (22/1/1956) com gols de Macau (19 e 4/2) e Gilvandro (16). Arbitragem de Eugenio Vieira Barros, que fora treinador americano no começo da temporada de 1948 e 50, além do extinto Globo (1960). Em 1957 está no Central de Caruaru (interior pernambucano.

Na Literatura

Escritor Arthur Carvalho

O jornalista Woden Coutinho Madruga (TRIBUNA DO NORTE, 10/06/2015) inclui nota na coluna: "Hoje tem a posse de Arthur Carvalho na Academia Pernambucana de Letras.

O baiano de Salvador passou a adolescência na capital potiguar, onde o pai, o engenheiro Carlos Koch de Carvalho, dirigia o Departamento Estadual de Saneamento nos governos José Augusto Varela (Ceará-Mirim, 28/11/1896 - Natal, 14-6-1976), Dix-Sept Rosado (Mossoró, 25/3/1911 - Aracaju, 12/7/1951) e Silvio Piza Pedrosa (Natal, 12/3/1918 - Rio de Janeiro, 19/8/1998).

Cronista do JORNAL DO COMMERCIO no Recife montou escritório de advocacia na Rua da Aurora.

O escritor Arthur Carvalho na crônica "O cigano", no livro "A menina e o gavião: 200 crônicas escolhidas", publicado em 2017.

- Eu morava com meus pais e irmãos em Natal, quando o Galícia desceu em excursão no Norte, proveniente de São Luís do Maranhão, trazendo o comentarista e locutor esportivo Barbosa Filho em sua embaixada.

Em Natal o Galícia empatou com o ABC, cujo presidente era João Ferreira de Souza, pai de Ezequiel Ferreira de Souza. A partida foi no Juvenal Lamartine, onde joguei muitas vezes pelo Guarany, de camisa branca, faixa diagonal verde e com uma cara de índio como emblema, time infanto-juvenil que fundei no verão de 49 com Levi Caminha e meu irmão Carlos Aloysio. Tenho, ainda hoje, a foto dos dois quadros, antes do jogo, com minha irmã, Maria Lúcia, madrinha do Galícia, meu pai, Carlos Koch, presidente de honra da delegação, e João Ferreira de Souza.

Dos granadeiros só me lembro do goleiro coveiro, que quase era preso porque discutiu com uma mulher da Pensão 15, na Ribeira, que não quis ficar com ele, do beque, Bacamarte, e do ponta-direita, Tombinho, emprestados ao alviazulino, pelo Bahia e Vitória, respectivamente

FONTES

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Futebol Nacional

História do Futebol

Lenivaldo Aragão


quinta-feira, 15 de abril de 2021

O primeiro treinador uruguaio do ABC

Ex-jogador e ex-treinador Ariel Longo fez quatro livros sobre futebol do Uruguai
O pioneiro Emiliano Graciano Acosta Torres treinou três vezes o América

José Vanilson Julião

O ponto de partida é a menção em um dos livros do falecido jornalista Everaldo Lopes Cardoso. No Youtube existe um vídeo (18/3/2012) com duração de um minuto recheado com raras fotografias (seis recortes de jornais).  E como fundo musical a canção, iniciativa de uma filha, identificada como “Suyane princesa”.

A postagem tem 375 visualizações. E um comentário, feito há seis anos, com solicitação de pormenores pelo internauta Roberto Lourenço. Foi preciso uma garimpagem na internet para obtenção de dados mais precisos. Mesmo assim há um vácuo de como apareceu e saiu do Brasil.

O ex-jogador e treinador Eric Eduardo Longo de Caterina (Montevidéu, 7/8/53), da Associação de Treinadores da República Oriental, até pede informações a pelo menos dois blogs. Autor de quatro livros (os últimos "Campeões: muita glória esquecida" e “Ramon Platero, o rei oculto”) organizou pesquisa sobre técnicos uruguaios.

Luís Comitante
Depois de Graciano Acosta, natural de Tacuarembó, e antes do meio-campo Danilo Nunes Menezes (Rivera, 17/2/1945), nos anos 90, Luís Comitante (16/12/1912) é o segundo uruguaio no RN. Chega para comandar o elenco alvinegro. Mas história começa com contratação pelo presidente César Aboud (1944) e no Moto (São Luís) conquista sete estaduais, mais o título de Papão do Norte.

Passa em intervalos pelo Nacional/AM, Tijuca e Tuna Luso – assim noticia como a saída do Maranhão Atlético Clube (MAC) e a contratação pelo Auto Clube (Belém), fundado nos anos 30 e conhecido como “clube dos motorizados” e “fantasma dos grandes, participa de seis paraenses e vence o torneio início (49).

Santos (51/52) é o 16º estrangeiro (oito vitórias, três empates e duas derrotas). No Amadorismo: Harold Cross (1912 – Irlanda) e os uruguaios Juan Bertone (1916/19) e Ramón Platero (1919).

Profissionalismo: Pedro Mazullo (Uruguai), Caetano di Domenica (Itália), Franz Gaspar (Hungria), Isaac Goldenberg (Áustria), Dario Letona (Peru), Ricardo Diez (Uruguai), Abel Picabéa (Argentina), Diego Ayala (Paraguai), Luiz Comitante (Uruguai), Giuseppe Ottina (Itália), Ramos Delgado (Argentina) e mais recentemente o argentino Jorge Sampaoli (2019) e o lusitano Jesualdo Ferreira (2020).

Pelo Ceará o título primeiro turno (1957): 18 jogos, nove vitórias, cinco empates e quatro derrotas. A campanha: 2 x 2 Usina Ceará (30/3), 2 x 1 América (7/4), 2 x 1 América, 5 x 1 Gentilândia (27/4), 0 x 0 Calouros do Ar (5/5), 5 x 1 Ferroviário (19/5), 0 x 1 Fortaleza (2/6). Treinadores posteriores na campanha do título: Antonino (dois jogos) e Sá Pinto.

No sábado (6/6/57) acompanhado do dirigente José Alflan de Queiroz, contratado por 20 mil cruzeiros de luvas e oito mil mensalmente. Dirigente e profissional desembarcam do avião da ‘Aerovias’, no Aeroporto Augusto Severo, no então distrito de Parnamirim, emancipado da capital no ano seguinte.

O intermediário fora o comentarista Barbosa Filho (Rádio Clube da capital pernambucana), durante excursão do Santa Cruz a Fortaleza, a pedido do presidente do ABC, Ernani Alves da Silveira. A passagem termina, com certa surpresa pelo reconhecimento do trabalho pela diretoria, em janeiro do ano seguinte, com América bicampeão.

Na América Central comanda o selecionado de El Salvador (61/63), pela qual conquista um vice-campeonato centro-americano em final contra Honduras (27/3/63). Neste país treina: Marathon (63/65), Bronco (66), Juventude (67) e Desportiva Vida (68/70).


Luís Comitante (último à direita) como treinador da seleção de El Salvador


FONTES

Acervo do Santos

Diário de Natal

Diário de São Luís

Gazeta Esportiva

Agora Notícia

Blog do Marcão

Centro Esportivo Virtual

Diário do Peixe

El Balon Cusclateco

Futebol Maranhense Antigo

História do Futebol

O Gol

Terra

Vovopedia

Wikipédia

Centro de Memória e Estatísticas/Santos

O Poti

Almanaque do Santos


As primeiras temporadas fora de casa

Irmãos Carvalheira (Fenando, Zezé e Artur) jogaram em Natal pelo Náutico
Após a Paraíba e Pernambuco é a vez de enfrentar times do Ceará

José Vanilson Julião

Depois de protagonizar o primeiro amistoso interestadual e enfrentar o primeiro paraibano o ABC torna a se bater com outros dois forasteiros no Torneio Coronel Murad, em homenagem a Aeronáutica, nesta capital.

Os jogos foram realizados em rodada dupla e o principal rival, o América, é o campeão. O jornal A REPÚBLICA publica uma quarta rodada, mas os resultados não são encontrados nos dias posteriores.

O Asas era pernambucano. O Calouros, o segundo colocado, não é o mesmo tricolor (vermelho, verde e branco) cearense fundado em 1952

Primeira rodada (9/9/1927): América 6 x 1 Asas e ABC 2 x 2 Calouros do Ar. Segunda rodada: ABC 0 x 4 América e Asas 1 x 2 Calouros do Ar.

Em maio de 1929 o alvinegro parte para a primeira excursão fora do Rio Grande do Norte. Surpreende e vence, pelo mesmo placar (3 x 1) o alvinegro Ceará e o tricolor (vermelho, azul e branco) Fortaleza.

Novamente em casa enfrenta pela primeira vez o Clube Náutico Capibaribe (24/4/1934 - 4 x 2) com João Manoel (2), Fernando Carvalheira e Zezé Carvalheira marcando para o alvirrubro.

Cinco dias depois surpreende e vence o Sport (5 x 3) fora de casa, com gols recifense de Alemão (2) e Marcílio Aguiar. Assim completa o ciclo de atuar contra o trio de ferro local.

Dois dias depois do América perder para o Santa Cruz (1 x 2), no feriado da Independencia, a segunda partida entre o alvinegro e tricolores ocorre em 9/9 do mesmo ano, quando vence por 4 a 3, com os gols pernambucanos de Lauro Monteiro (2) e Tará.

Ainda em 1934 o ABC retribui a visita e vence o Santa Cruz dia 30 de outubro com os mesmos jogadores adversários repetindo o número de gols cada um e perde por 3 a 1.

No campo da Associação Riograndense de Atletismo (ARA), que ainda não se chamava Estádio Juvenal Lamartine, a quarta partida entre eles acontece em 18/10/1936 (3 x 3) com gol pernambucanos Tará, Zé Orlando e Pequeno.

O Timbu volta a enfrentar o alvinegro, fora, e empata (22/11/1936 - 3 x 3) com gols recifenses de Artur Carvalheira (2) e Zezé.


Fontes

Campeões do Futebol

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol

Futebol 80

Jornal da Grande Natal

Navegos