Consulta

segunda-feira, 25 de março de 2024

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (VI)

O repórter Mussoline Fernandes (último a direita/paletó escuro) na chegada do ator astro Tyrone Power

José Mussoline Fernandes e a entrevista coletiva com o ator de cinema Tyrone Power

José Vanilson Julião

"Vai à África em viagem de turismo". A manchete de capa do "Diário de Natal" (domingo, 7/9/1947).

Com a reportagem dedicada a passagem do ator norte-americano Tyrone Power pelo aeroporto de Parnamirim, e consequentemente, as 24 horas passadas em Natal.

A comitiva do astro do cinema de Hollywood - arredores de Los Angeles (Califórnia) - havia chegado na tarde do sábado e partido no mesmo período do dia seguinte.

A matéria dominical Associada de quatro colunas - ilustrada com uma fotografia promocional do filme "O Fio da Navalha" - prossegue com os detalhes da estadia da estrela.

Por ter almoçado no ar, durante o trajeto EUA/Brasil, Tyrone Power declina do lanche especial preparado no bar da estação de passageiros, mas assina o cardápio.

Logo segue para o cassino dos oficiais, edifício 1408, apartamento A, como hóspede do comandante da base aérea do então distrito de Parnamirim, major Vaz da Silva.

Ocupa o mesmo espaço das visitas de Eleonora Roosevelt (primeira-dama americana), madame "Chiang Kai Shequi" e o ministro Trompowski, diz a imprensa.

Quando dá autógrafos a alguns fãs e que concede entrevista coletiva e toma cervejas sob a vista dos jornalistas.

O DN relata outros pormenores de somenos importância, coisas de trajeto e motivação do destino africano.

Porém destaca que ele quase não deixou fazerem perguntas. "Preferindo falar livremente sobre assuntos que corriam ao sabor da palestra."

Acompanham: R.N. Buck (copiloto), R. E Stevens (navegador), W. M. Agner (mecânico), R. L. Ritter (operador de rádio), James Denton (comissário) e William Adams Gallagher (tesoureiro).

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (V)


José Vanilson Julião

“A Ordem” não sequência o noticiário sobre a passagem do ator Tyrone Power, mas o “Diário de Natal” (sábado, 6/9) explica o adiamento da chegada do dia 3 do mesmo mês para a tarde desta mesma edição.

O atraso aconteceu pela decisão da partida na manhã da sexta-feira de Miami, no Estado da Flórida (Estados Unidos da América). Quando é suprimida escala em Trinidad (Caribe) com voo direto para Belém (Pará).

Agora o astro, que esteve em Porto Alegre no mesmo ano, no primeiro semestre, se faz acompanhar de cinco tripulantes e dois acompanhantes.

No bojo da reportagem, mas para o final, o jornal Associado aborda uma pequena biografia do astro do cinema, nascido em Cincinatti, no Estado de Ohio (meio oeste), em 5 de maio de 1914 e casado com a atriz francesa Annabella.

Na edição dominical o “Diário” é meticuloso. Declina a aterrisagem da aeronave (14h33) e o número de matrícula do “aparelho”: NC 88783!

A reportagem não assinada prossegue com detalhes. TP, que desce a escadinha do avião portando uma “pasta de documentos de bordo”, calça sapato marrom, veste calça de casemira cinzenta e camisa esporte de manga curta, de lã, marrom, com listras verticais e horizontais.

“Tudo muito justo, fazendo sobressair a musculatura.” Relógio no pulso esquerdo e casquete de pano creme, tipo jóquei, completam a indumentária, diz o excelente e detalhista repórter.

No aeroporto Power foi recebido pelo gerente do cinema São Luiz, Heitor Varela, e pelo representante da Fox no Brasil, Jorge Anastassiadis.

Na qualidade de comandante do avião ele assina nos balcões do DAC (Departamento de Aviação Civil), Imigração e “demais autoridades”, todos os documentos de viagem, se expressando em francês fluente ou inglês.

 

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (IV)

Ator norte-americano esteve em Natal dois anos após a II Guerra Mundial

José Vanilson Julião


"Passará por Natal o astro Tyrone Power": a manchete de uma nota em "A Ordem" (quinta-feira, 21/8/1947).

A partir de informação de Heitor Varela, dono do Cine São Luís, que havia recebido um telegrama da Western, do gerente da Twenty Century Fox em São Paulo, Alberto Rezende.

O comunicado esclarecia que o ator norte-americano passaria pelo aeroporto de Parnamirim a 3 de setembro.

Como escala para o destino final, Leopoldvile, no Congo belga, possessão no continente africano. O artista do cinema pilota um avião Douglas (DC3) da "TransWorld American" (TWA).

Com os tripulantes Denton e Gallagher. Os redatores do jornal católico são convidados ao desembarque.

No rodapé da página (segunda-feira, 8/9) reportagem em duas colunas: - Em trânsito por Natal o astro Tyrone Power".

O diário do Centro de Imprensa informa que T. Power visita a catedral (Cidade Alta), visita o prefeito Sílvio Piza Pedrosa e passa pelo "Grande Ponto".

Sempre acompanhado do representante da companhia cinematográfica no Brasil, Harry Anastassiadis.

Segundo o jornal, Power deveria ter prosseguido viagem no final da tarde do dia anterior (por volta das 17h). Mas que o deveria fazer a partir das 15 da segunda.

O "Diário de Natal", já pertencente ao condomínio fundado pelo jornalista paraibano Assis Chateuabriand, também noticia a curta passagem do astro americano.

Quando entra em cena José Mussoline Fernandes, o repórter do grupo ou cadeia dos Diários Associados.


domingo, 24 de março de 2024

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (III)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

A parte a indumentária ao modelo Charlie Chaplin, o “Carlitos” – calça frouxa e esvoaçante com o cinturão escondido sob a camisa – logo achei a performance de José Mussolini Fernandes idêntica a um outro personagem da mídia norte-americana.

A cabeça chata e o rosto redondo, lembra os vizinhos dele do Ceará, pois JMF era natural de Caraúbas, na região oeste do Rio Grande do Norte.

Para reforçar o queixo fino, as bochechas e o óculos fundo de garrafa dançando sobre o narizinho com uma bolota na ponta.

A expressão facial, para um apreciador das tirinhas dos jornais ou de história em quadrinhos, logo chama a atenção para a semelhança com o famoso personagem de desenho animado das sessões matutinas e vespertinas da TV.

Trata-se do “Mister Magoo”. O “senhor” Magoo foi criado no estúdio de animação da “United Productions of América” em 1949.

Ele é um aposentado rico, de baixa estatura, que se mete em confusões como resultado da extrema miopia. Agravadas pela teimosia em recusar admitir os cômicos problemas causados pela deficiente visão.

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (II)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

Não sei como é hoje.

Para se chegar à redação do diário fundado por Aluízio Alves o sujeito primeiro se apresentava na portaria a recepcionista Núbia para informar o que desejava fazer nos andares de cima.

Com a autorização. ela, do balcão de mármore, apontava a porta logo a direita após a escadaria de entrada. Do lado oposto era o pequeno cubículo da central telefônica, que ligava a cidade a redação.

O visitante então partia para subir uma escada em caracol. No primeiro andar ficava as salas da burocracia e da diretoria. Em seguida se descia, não se subia, um pequeno lance de escada a direita.

Daí o novato já se encontrava no andar da redação, da sala refúgio do colunista Woden Coutinho Madruga, uma outra sala do pessoal administrativo, e o arquivo de José Mussolini Fernandes.

Todos estes setores eram interligados por um amplo salão anterior a redação. Onde Mussolini, aparecia para saber das novidades e atender os pedidos de fotos para o fechamento das páginas das respectivas editorias.

Me chamou a atenção, repito, o cigarro sempre apoiado no canto dos lábios, ou entre os dedos, com a calça frouxa e esvoaçante, camisa de manga curta ensacada, roupas seguras por um costumeiro cinturão fino marrom ou preto.

O "Mister Magoo" da "Tribuna do Norte" (I)

Marco Antônio Antunes, o recém chegado

JOSE VANILSON JULIÃO

Quando comecei o estágio de repórter na editoria de polícia do diário matutino "Tribuna do Norte", na primeira semana de agosto de 1982, não me impressionaram as escadarias e becos estreitos do térreo aos andares superiores, até chegar a fervilhante e barulhenta redação.

O estágio surgiu pela necessidade da editoria recompor o quadro de repórteres nas visitas diárias as delegacias, pois o polêmico pernambucano e radialista Ubiratan Camilo de Souza, setorista e do quadro do programa “Patrulha da Cidade” (Rádio Cabugi), se encontrava em tratamento médico.

O certo é que a “vaga” saiu da “TN” aos ouvidos do professor universitário Edilson Braga, botafoguense de quatro costados, e ele anunciou na sala de aula, quando meu irmão escutou e me avisou.

Edilson Braga, deu a dica

Conhecia o labirinto desde 1977, quando subi ao andar de cima para falar com o narrador gaúcho Marco Antônio Antunes, recém chegado, sobre o suposto anúncio de vaga de estagiário para plantão esportivo.

O que ficou gravado na recordação foram os primeiros contatos com os parceiros da página específica da cobertura do setor de segurança pública. Com a acolhida me pareceu que a turma se conhecia.

Logo procurei me enturmar, prestando atenção nas dicas, do editor Natanael Virginio, e do repórter fotográfico Anderson Lino. Deste me impressionou o fino e aparado bigodinho de cantor de tango ou ator americano.

Esse contato com a imprensa escrita – depois de estagiar em dois períodos (1977 e 1978) no plantão esportivo da Rádio Nordeste – também me deixou na lembrança a primeira visão com um decano do jornalismo potiguar.

O chefe do setor de pesquisa e do arquivo fotográfico da "Tribuna do Norte", José Mussolini Fernandes. Baixinho, com o cigarro pendurado no bico, entrando na redação para perguntar as novidades.

 

FONTES

A Ordem

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Simplória e improvisada hemeroteca e biblioteca esportiva (final)


JOSÉ VANILSON JULIÃO

Como torcedor da “Estrela Solitária”, desde que me entendo de gente, lá por volta dos sete ou oito anos, não poderia faltar na minha “estante” a biografia de Manoel Francisco dos Santos:

“Estrela Solitária – um Brasileiro chamado Garrincha” (Ruy Castro). Presente do mano José Valdir Julião, também torcedor do alvinegro carioca, claro, herança e influência paterna.

Da mesma forma, como torcedor americano desde 1969, a biografia de Carlos Moura Dourado, “O Príncipe Negro” (Bruno Araújo), uma publicação da genuína potiguar Editora Primeiro Lugar.

Ainda na lista das doações o presente do meu amigo jornalista Fred Carvalho: “História do Riachuelo no Campeonato Potiguar – 1949/1993” (Júlio Bovi Diogo, Marcos Trindade e Rodolfo Pedro Stella Júnior).


No rol das aquisições de ordem pessoal o “Almanaque do Fortaleza” (Davi Barboza e José Renato Santiago S. Júnior), “Treze Futebol clube: 80 Anos de História” (Mário Vinícius Carneiro Medeiros), “História do Campeonato Potiguar – 1918/1920” (Júlio Bovi Diogo).

Do pesquisador Marcos Trindade, em PDF, são cedidos os “Almanaques da Lusa” (Portuguesa de Desportos), fruto de tese acadêmica (Érico Faria Loreto, Márcio Monteiro de Alencar, Rafael Ribeiro Emiliano e Thiago Vasconcelos Teixeira de Azevedo);

Além do “Almanaque Colorado” (Alessandro Moraes), do Internacional de Porto Alegre, e do “Almanaque do Ferrão” (Evandro Ferreira Gomes), dedicado, claro, ao tricolor Ferroviário de Fortaleza.

A última aquisição aconteceu no “Sebo Vermelho”,


por ocasião do lançamento de um livro de Osair Vasconcelos. O alvo foi o livro depoimento e memórias do presidente do América, o ítalo-potiguar Humberto Pignataro.

Para encerrar com chave de ouro o meu colecionismo cito outros dois excelentes livros de Rubens Lemos Filho:

“Memórias Póstumas do Estádio Assassinado” (Castelo Branco/João Machado) e “Juvenal Lamartine – Primeiro Estádio Minha Versão”.

E também não posso deixar de relacionar o único emprestado: “Futebol: A Arte de Um Nômade II”, a continuidade da autobiografia do ex-jogador e professor paraibano de Campina Grande, Manoel Luiz Melo, o “Luizinho Bola Cheia”, campeão invicto pelo Alecrim (1968), recentemente falecido.