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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Goleiro Miguel começa como atacante no Cruzeiro (I)

Adeodato José dos Reis fez a revelação na coluna

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Assíduo no blog como um dos personagens do futebol potiguar com carreira nacional e internacional o redator acreditava que não haveria mais brecha para encontrar alguma novidade sobre o goleiro Miguel Ferreira de Lima, o paraibano criado no RN, e fez sucesso no Vasco da Gama, Colômbia e Europa.
Pode até ter escapado ou sido negligenciado alguma informação ou pormenor nas principais fontes primárias de antigamente, em especial na imprensa carioca e precisamente nas extintas publicações semanais Manchete Esportiva e Revista do Esporte, assim como no Jornal dos Sports.
E desta relação também estão incluídos três importantes fontes locais: os jornais Tribuna do Norte e Diário de Natal, mais o semanário da cadeia Associada, O Poti. Em especial as edições entre 1953/1968, período em que Miguel de Lima é revelado pelo Alecrim, passa ao Vasco e chega ao alemão Colônia.
Entretanto o mais importante foi a disponibilização da TN no site da Biblioteca Nacional Digital nestes últimos três meses, se a memória não falha, conforme alerta dos pesquisadores Marcos Avelino da Trindade e Arthur Pierre dos Santos Medeiros, com os quais o repórter troca figurinhas.
A situação da BND facilitou rapidez nas consultas e termina com a constatação de que o falecido comentarista esportivo Adeodato José dos Reis, que manteve uma coluna no diário matutino Tribuna do Norte, revela que Miguel teria começado a bater bola na linha de ataque do Cruzeiro de Macaíba (Grande Natal) e só depois resolve ser goleiro.

Jornalistas compram panos para as mexicanas...

Meses após a premiação JMA está na
cobertura da Copa do Mundo 1970

JOSÉ MARIA DE AQUINO

JORNALISTA

A Copa do México-70. A Copa do Tri. A minha Copa. Em Guadalajara, ficamos hospedados no Hotel Morales, no centro histórico, longe da parte nova da bela cidade, onde a seleção se concentrava na Suites Caribe.

Era um hotel antigo e tradicional, que hospedava - não naquele momento - as grandes estrelas da música e do cinema mexicano: Pedro Vargas, Agostin Lara, Maria Felix...

Pela manhã nos servíamos de um belo café no salão junto à portaria. À noite discutíamos a pauta do dia seguinte saboreando Tecates e Sol geladíssimas, com abacate, ttomate e sal.

À tarde, ali pelas 17 horas, era servido o chá que reunia a fina flor da sociedade local. Senhoras elegante s e bem vestidas. Tudo, naturalmente, ao som de um afinado piano.

Sabíamos desse momento de lazer, mas nunca, antes. havíamos desfrutado dele. Os treinos da seleção no Clube dos Bancários ocupavam nosso tempo< Do time da Placar e da Veja. 

Até aquele dia de folga geral, da seleção e nossa. Eu e Tim Teixeira fomos abordados três daquelas elegantes senhoras, que se identificaram como esposas de secretários do governo local.

Queriam saber se tínhamos bandeiras do Brasil. Pequenas, para colocarem na antena de seus carros, ou grandes, para cobrirem o capô. Não tínhamos, mas era impossível apenas dizer não.

Como todos sabem, depois que arquivaram o sonho de conquistar a Copa, ou mesmo ir mais longe que a primeira fase, os mexicanos vestiram a amarelinha e torceram como loocos pelo Brasil. 

Era preciso atender àquelas senhoras, que representavam toda torcida mexicana. Eu, pela Placar, e Tim, pela Veja, saímos à procura de bandeiras do Brasil. Corremos todo comércio local e nada.

Nada de bandeiras, bandeirinhas ou bandeirolas. E veio a sugestão de uma das vendedoras: "levem panos verdes e amarelos e façam as bandeiras que procuram".

Sugestão aceita. Compramos metros e metros de panos das duas cores e fomos à procura de costureiras, Ali mesmo. Em poucos minutos tínhamos 'bandeiras" em largas tiras verdes e amarelas

E a alegria de ver e sentir como os mexicanos - não apenas aquelas senhoras - abraçaram com loucura nossa seleção. Loucura que se prolongou e aumentou até a vitória final sobre a Italia.

Foi por lembrar daqueles momentos, que esta noite/madrugada me transportei para o Azteca e gritei Arriba México. Nada contra o Equador, entendam por favor.