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segunda-feira, 1 de julho de 2024

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (II)

José Maria Carqueja Fuentes defende o alvinegro e seleção da Liga em torneios nos anos 20

Carteira de Renato Pacheco (presidente da CBD)
como sócio proprietário do fluminense

José Vanilson Julião

11 anos antes de não comparecer a assembleia geral destinada a reeleição (primeira semana de julho de 1931) do presidente da Confederação Brasileira de Desportos, o médico gaúcho radicado no Rio de Janeiro, Renato Pacheco, o antigo goleiro do ABC, José Maria Carqueja Fuentes, andava a trabalho na capital do Rio Grande do Norte.
Durante idas e vindas para a metrópole carioca, de onde veio, permanece ao menos três anos em Natal, pois há registros em que defende o arco do ABC em um torneio envolvendo América e Centro Esportivo Natalense no primeiro semestre de 1920.
Além da participação em torneio comemorativo ao Centenário da Independência no Recife, pelo selecionado da Liga de futebol local diante das representações de Pernambuco e da Paraiba (1922).
A pesquisa sobre o misterioso personagem indica que seria engenheiro, como relatou o falecido jornalista e pesquisador potiguar Everaldo Lopes Cardoso no livro "Da Bola de Pito ao Apito Final", considerada uma bíblia como fonte para detalhamento de informações a posterior.

A história do antigo goleiro "gringo" do ABC (I)

Representante da liga esportiva potiguar, José Maria Carqueja Fuentes, dá cano em eleição (CBF)
Médico gaúcho Renato Pacheco

José Vanilson Julião

Em assembleia geral na noite da sexta-feira (3/7/1931), é reeleito por unanimidade de votos o ex-presidente do Botafogo Futebol Clube (1919/21), o médico gaúcho Renato Pacheco (Porto Alegre, 1883 - Rio de Janeiro, 1964), a frente da Confederação Brasileira de Desportos (atual CBF), de dezembro de 1927 a setembro de 1933.
Votaram representantes das entidades esportivas do estados do Ceará, Estado do Rio do Janeiro, Maranhão, Distrito Federal, São Paulo, Alagoas, Santa Catarina, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Minas Gerais, Sergipe e Espírito Santo.
Nota no "Jornal dos Sports" (quarta-feira, 7/7): "Não comparecem os representantes amazonense (Hilton Santos), paraense (Elzmann Magalhães), pernambucano, (Carlos Menezes) e da Liga Norte-rio-grandense (Carqueja Fuentes), Federação Paulista de Atletismo (Edgard Vasconcelos) e Federação Paulista de Tênis (Afonso de Castro)."





FONTES
Jornal dos Sports
Tribuna do Norte
Casa do Velho
Datafogo
Mundo Botafogo
Terceiro Tempo
Cardoso, Everaldo Lopes - Da Bola de Pito ao Apito Final

domingo, 30 de junho de 2024

O zagueiro que saiu do ABC para o Madureira (final)

Madureira (1951): Bitum, Amauri, Weber, Claudionor, Hermínio, Valter, Betinho, Evaristo (depois Flamengo), Alfredinho, Ocimar (depois Bangu) e Tampinha

O canto do cisne e auxílio ao antigo companheiro alvinegro lesionado no alvirrubro

José Vanilson Julião

Hermínio Alves do Amaral ainda atua no aniversário de 30 anos do clube (29/6/1945), no amistoso contra o Atlético (3 x 2), intercalado com enfrentamento do Alecrim no turno do Estadual, e o já mencionado 1 x 3 América em torneio amistoso.

Dois anos depois, no Rio de Janeiro, recebe carta do atacante José de Souza Ramos (“Badof”) com pedido de acompanhamento médico para recuperação de acidente de jogo.

“Badof” é mencionado pela primeira vez na imprensa potiguar em 1943 como integrante da linha atacante alvinegra por ocasião do amistoso ABC 1 x 4 América/PE (segunda-feira, 29/6/1942).

E no ano seguinte está integrado ao selecionado potiguar, comandado pelo treinador Arari da Silva Brito (antigo jogador americano e abecedista) no Campeonato Brasileiro de seleções estaduais.

Em 1944 disputa o torneio início (31 de julho) pelo rubro-negro Clube Atlético Potiguar, que dois anos antes abdica do nome original: Centro Esportivo Natalense, do famoso acrônimo CEN. Em novembro está no elenco do ABC.

Veja o que diz “A Ordem” (janeiro/1945) sobre a atuação dele numa vitória contra o Sport Recife: - O centroavante “colored” constituiu um permanente perigo para o arco de Manoelzinho. Realizou arrancadas de estilo e foi infatigável trabalhador.

Na dança das cadeiras retorna ao Atlético em fevereiro e veste pela segunda vez a camisa alva e ganha até um estojo de barbear “Gillette” (Loja Paulista) como um dos melhores atletas de mais um amistoso frente o América pernambucano.

Ainda na mesma temporada também põe de pescoço abaixo em torneios amistosos a camisola vermelha (pelo qual disputa partidas do returno do campeonato estadual) e a tricolor do Santa Cruz.

O acidente ocorre em América 0 – 4 Santa Cruz (domingo, 24/2/1946) pelo “Torneio Relâmpago”, arbitrado pelo oficial do Exército, o piauiense João José Pinheiro Veiga (jogador e futuro presidente do Alecrim), interrompido aos 17 minutos do segundo tempo.

“Badof” quebra a perna em choque com o goleiro tricolor João Isaías de Oliveira (10/6/1921), o “Gordo”, com passagens pelo alvirrubro e Treze de Campina Grande, no interior paraibano.

Depois de jogo beneficiente embarca na quarta-feira (24 de dezembro de 1947) no paquete Comandante Riper para a metrópole carioca.

Mas antes agradece o apoio dos dirigentes alvinegros Antônio Farache (irmão de Vicente F. Neto) e Alberto Amorim.

O zagueiro que saiu do ABC para o Madureira (XXII)

Madureira (1949): Hermínio (terceiro em pé) e Eunápio de Queiroz(em seguida)

As últimas participações no alvinegro e a notícia que chega ao Tricolor Suburbano

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Além do returno do campeonato estadual de 1944 (janeiro/fevereiro de 1945) e amistosos de começo de temporada, Hermínio Alves do Amaral, antes do Torneio Início (domingo, 29/4), vencido pelo ABC (não participa), entra no amistoso América/PE: 4 x 5 (22/4).

Em seguida entra em campo no Estádio Juvenal Lamartine, no primeiro turno, pela terceira vez consecutiva. São quatro jogos pelo campeonato estadual de 1945 e coloca mais uma faixa no peito. A abertura acontece (6/5).

Na segunda rodada ABC 4 x 1 Atlético com outro gol do médio Hermínio (domingo, 13). Segue 2 x 2 Santa Cruz (27), 5 x 1 América (10/6) e 4 x 4 Alecrim (22/7), quando ratifica a conquista do turno antecipada na rodada anterior com derrota americana.

Não tem participação no returno, iniciado em setembro (domingo 9), e o ABC termina conquistando o bicampeonato. Depois de partir (segunda-feira 13/8) para o Rio de Janeiro, como já dito nesta série.

Dois anos após a baixa no Exército a seção “O futebol através do Brasil” (“A Ordem”, quarta-feira, 14/5/1947) anuncia pela primeira vez a inclusão no Madureira.

Madureira (1949): Neném, Arati (descobridor de “Garrincha”, Hermínio, Eunápio de Queiroz (depois árbitro), Mineiro, Danilo. Betinho, Didi, Vaguinho, Jorge e Hélio

 

FONTES/IMAGENS

A Ordem

Diário de Natal

Jornal dos Sports

Anotando Futbol

Blog do Marcão

Futebol Nacional

Futebol 80

Terceiro Tempo


O zagueiro que saiu do ABC para o Madureira (XXI)

Farache com a turma de 1941

A terceira temporada com jogos oficiais e amistosos no alvinegro da capital potiguar

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Na terceira temporada no ABC o militar do Exército e atacante carioca deslocado para centromédio Hamilton Alves do Amaral entra 1945 no segundo turno ainda pelo campeonato estadual de 1944 e acaba campeão.

Com o alvinegro retomando a hegemonia local após o deca-campeonato (1932/41). Pois em 1942 a competição é interrompida, encerrada e em 1943 o Santa Cruz é vencedor pela única vez.

Entre uma partida e outra pela competição regional disputa amistoso (2 x 2), marcando mais um dos gols com a camisa predominante alva, contra o Sport Clube Recife (6/1).

Desde o ano anterior que “A Ordem” deixa de publicar notas esparsas (“Desportos”), geralmente na página três, inova e passa a ocupar a mesma “seção” em seis colunas.

O agora jornalista Vicente Farache Neto (antigo dirigente e treinador alvinegro) diz sobre a atuação dele contra o rubro-negro da capital pernambucana:

“A maior expressão do quadro. Preciso e consciente nas jogadas, defende e ataca ao mesmo tempo, tornando-se o grande condutor dos seus (companheiros).

Surpreende a imprensa nordestina ao golear no amistoso (domingo, 1 de abril) o campeão cearense Maguari (5 x 1).

Como melhor jogador da linha média Hermínio recebe como premiação uma carteira para níqueis (moedas). Uma oferta da Livraria Cosmopolita.

“A Ordem” publica telegramas de congratulações endereçados ao Farache. Como o do correspondente Wladimir Limeira deste o Recife.

O ABC faz mais um amistoso: 4 x 5 América do Recife (domingo, 21/4). O potiguar Limeira, universitário do curso de Farmácia (Pernambuco) destaca a atuação de Hermínio Amaral.

sábado, 29 de junho de 2024

O zagueiro que saiu do ABC para o Madureira (XX)

Recepção aos pracinhas em São Paulo

Hermínio e Hamilton, juntos, participam somente de um jogo oficial pelo alvinegro

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O campeonato estadual começa em agosto com mais uma interrupção para o campeonato brasileiros de seleções em setembro/outubro, como aconteceu na temporada passada, e com isso as partidas também entram no ano seguinte.

Pela competição oficial local o agora médio Hermínio e o irmão, o terceiro-sargento Hamilton Alves do Amaral, entram juntos no único jogo oficial no primeiro turno: ABC 6 x 2 Santa Cruz (domingo, 13/8).

No retorno da competição em novembro Hamilton havia embarcado, em uma de duas levas em navio de transporte de contingentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), para o campo de operações europeu na II Guerra Mundial.

É na Itália que Hamilton recebe as cartas da mãe Laurentina (também identificada como Laura) e de uma parente também mais próxima, provavelmente uma irmã, “Hercília”, por meio do jornal tabloide “O Globo Expedicionário”.

Os demais jogos do alvinegro: 4 x 0 Atlético (12/11), 1 x 0 América (26/11), 2 x 2 Alecrim (10/12), 4 x 1 Santa Cruz (28/1/1945), 3 x 2 Atlético (18/2), 2 x 2 Alecrim (25/2) e 6 x 3 América (3/3).


O zagueiro que saiu do ABC para o Madureira (XIX)

Momentos: gen. Dantas

Os irmãos Hermínio e Hamilton Alves do Amaral juntos no alvinegro em amistoso e no torneio início

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O ABC termina em terceiro lugar no campeonato estadual de 1943, decidido no começo da segunda semana de janeiro do ano seguinte, e o atacante e centromédio carioca Hermínio Alves do Amaral entra na segunda temporada no alvinegro.

Primeiro participa do “Torneio Relâmpago” em homenagem ao interventor federal, o general potiguar Antônio Fernando Dantas. Com a Taça Leon Volfson ofertada pelo empresário que lhe empresta o nome, da Movelaria Recife.

A primeira rodada: América 3 x 2 Baependi (o time dos marinheiros e afins) e ABC 4 x 4 Atlético (domingo, 30 de janeiro), depois do rubro-negro abrir quatro gols de diferença, com prorrogação sem contagem, mas o alvinegro é desclassificado por um corner.

O América, “por motivo superior”, eliminado pelo tricolor na segunda rodada, não enfrenta o ABC na preliminar da final Santa Cruz 3 x 0 Atlético (domingo, 13/2), sendo arrumado de última hora o encontro de aspirantes alvinegro x tricolor.

Os irmãos atuam juntos, mas por uma equipe “suburbana”, o São Cristóvão. O primeiro jogo pelo ABC, lado a lado, em que aparece o terceiro-sargento do Exército Hamilton Alves do Amaral, é o amistoso ABC 2 x 2 Combinado natalense (domingo, 21 de maio).

Em homenagem ao craque Demóstenes César da Silva, prestes a se incorporar ao Botafogo de Futebol e Regatas, dois anos após a fusão com o Clube de Regatas Botafogo.

Depois de muita reclamação da inatividade oficial é anunciado o torneio início (vencido pelo ABC) para o domingo (30 de junho). Nas edições antecedentes o “Diário de Natal” avalia o elenco dos clubes:

Sobre o ABC: - A linha média constitui o ponto fraco. Se bem que os irmãos Hermínio e Hamilton são conhecedores da posição e tenham feitos esplêndidos em exibições de responsabilidade, mas encontram em Moacir um companheiro discreto fora de posição...


FONTES

A Ordem

Diário de Natal

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol

Futebol Nacional