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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

O primeiro clube carioca na capital potiguar (XI)

Campo do "Prado" (imagem de 1927) é desativado  no mesmo ano (1941) com a abertura do Estádio Presidente Vargas, o "PV"

Ferroviário e Fortaleza enfrentam o América do Rio de Janeiro com a metade dos jogadores que atuam pelos dois clubes

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Os jogos contra os dois tricolores cearenses – Ferroviário (preto, vermelho e branco) e Fortaleza (azul, vermelho e branco) – deixam o redator com uma dúvida cruel: - Quem reforçou quem contra o America carioca?

A indecisão parte dos clubes entrarem em campo com um bom número dos mesmos jogadores: seis (mais da metade do “onze” da equipe). Primeiro o Ferroviário.

Depois o “Tricolor do Pici” (alusão a localização da sede deste no bairro com este nome, originado de PC – “Posto de Comando” – durante a II Guerra).

A constatação vem das fichas técnicas disponibilizadas pelos almanaques dos clubes (veja abaixo).

Detalhe: as partidas entram na história como sendo a de número 96 do Ferroviário e de 358 do “Leão”.

As duas exibições do alvirrubro do Rio de Janeiro aconteceram no antigo campo do “Prado”.

Desativado no mesmo ano com a inauguração do Estádio Presidente Vargas, o “PV” da capital cearense.

 

SÚMULAS

Ferroviário 2 x 4 America/RJ

Data: 16/2/1941

Árbitro: Adelino Ribeiro

Gols: Pepê (dois), Plácido (três) e Nicola

FAC: Capotinho, Zé Sérgio (Camilo), Zé Félix, Zuza, Airton (Válter), Popó, Pepê, Chinês, Chaguinhas (Jombrega), Fatiguê e Mário Negrin. Treinador: Heitor Ribeiro

America: Mozart, Arauto (Villa), Gritta, Dedão, Aziz, Alcebíades, Nelsinho, Carola, Plácido, Nicola e Hamilton. Treinador: Diniz Júnior

Fortaleza 2 x 4 América

Data: 21/2/1941

Árbitro: Raimundo da Cunha Rola (Rolinha)

Gols: França (dois), Esquerdinha (dois), Plácido e Nelsinho

FEC: Osíris, Camilo, Zé Sérgio, Popó, Mundoca, Válter (Babá), Pepê (Jombrega), Idalino, França (Luizinho), Zuza e Juracy. Treinador: Valdemar dos Santos (Gavião)

America: Cabrita, Arauto, Gritta, Dedão, Azis (Bolinha), Alcebíades, Nelsinho, Baleiro, Plácido, Carola e Esquerdinha. Treinador: Diniz Júnior

 

FONTES

O Unitário

Almanaque do Ferroviário

Almanaque do Fortaleza

Futebol 80

Venezuelano: terceiro estrangeiro a apitar jogo do América/RN

Diego Hidalgo Blanco, no primeiro oficial, sucede espanhol e português em amistosos

Anísio Morgado

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O venezuelano com nacionalidade brasileira, Diego Alejandro Hidalgo Blanco, 29 anos, que apita União/TO x América/RN, nesta quarta-feira (26), em Araguaína, é o terceiro árbitro estrangeiro que conduz uma partida, a primeira oficial (Copa do Brasil), envolvendo o alvirrubro do Rio Grande do Norte.

O ano passado Diego Hidalgo Blanco comandou jogos oficiais pela Copa Verde e séries C e D (terceira e quartas divisões do campeonato brasileiro). Ao todo foram oito partidas: Copa Verde (uma), Série C (três) e Série D (quatro).

Como filiado da Federação Roraimense (Região Norte) ele esteve em campo no jogo ABC 0 x 0 São José/RS pela Série C (3/8/2024) no Estádio Maria Lamas Farache, o popular “Frasqueirão”, em Natal.

O primeiro foi o espanhol Jimenez Molina – vindo da Federação Metropolitana (Rio de Janeiro) – no amistoso América 0 x 3 Sport, na Ilha do Retiro (sábado, 22/11/1952).

O segundo o português Anísio Augusto Morgado (Torre de Moncoro, 18/4/1918) – morto por atropelamento – vinculado primeiro a Federação baiana e depois a pernambucana.

Este também em outra partida não oficial, América 1 x 6 América/PE, no Estádio Juvenal Lamartine (sábado, 16/10/1954).

 

FONTES

Diário de Natal

Diário de Pernambuco

Folha de Boa Vista

Blog Alberto Helder (Portugal)

Blog Lenivaldo Aragão

Blog do Mequinha

Confederação Brasileira de Futebol

Futebol 80

Globo Esporte (PI)

História do Futebol

Kike da Bola

O Gol

Soccerway

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Venezuelano apita América/RN x União/TO pela competição nacional

Daniel Alejandro Hidalgo Blanco tem dupla nacionalidade, com 29 anos, é administrador de empresas

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Eu vi o nome do homem que vai apitar o jogo do América/RN pela Copa do Brasil contra o União tocantinense nesta quarta-feira (26).

No primeiro momento não prestei muita atenção e pela leitura dinâmica pensei que se tratava, lógico, de um brasileiro.

Entretanto, agora há pouco, ao acessar novamente o site "Torcedor Alvirrubro Potiguar", mesmo com a letrinha miudinha, notei algo diferente.

De cara pensei que estava tudo "normal", o Daniel, porém a surpresa veio logo em seguida. E rapidinho.

O prenome seguido de Alejandro... Imaginei que tinha lido e digitado errado, pois o cérebro comandou "Alexandre".

Nova verificação. E está na arte da Confederação Brasileiro de futebol. Daniel Alejandro Hidalgo Blanco.

Em alto som espanhol ou castelhano. A língua dos nove vizinhos países hermanos da América do Sul (sem as Guianas).

Então não poderia ser de outra forma. Fui verificar o nome de árbitro tão inusitado para uma Federação, mesmo da Região Norte.

Mas tem uma explicação lógica e plausível. Ele vem do Estado de Roraima. Vizinho a Venezuela!

Não sei se é mais um fugitivo do regime do ditador Nicolas Maduro. Contudo é provável.

Mas que é inusitado isto é. Um estrangeiro arbitrar uma partida de competição nacional.

E ainda por cima envolvendo, pela primeira vez, um clube do Rio Grande do Norte.

Pablo Hidalgo é um administrador de empresas, de 29 anos, com dupla nacionalidade.

Bom trabalho, garoto!

Segunda imagem prova 'Luís 64" no América/RN (II)

América 4 x 3 Santa Cruz/RN (16/4/1939): Ferreira, Pajeú (falecido), Portela, Ebenezer, Belinho, Rossini, Raimundo, Luiz 64, Cabo João, Álvaro e José. Detalhe: torcedores ao fundo na antiga arquibancada de madeira do Estádio Juvenal Lamartine

Repeteco importante para descrever atletas perfilados e fixar a foto no tempo e no espaço. Além disso o leitor pode verificar um jogador marcado com um "X" (Pajeú), personagem a ser destacado, historicamente, na próxima reportagem inédita.

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A revista semanal carioca "Sport Ilustrado" (151 - 27/2/1941), ainda sem a mudança ortográfica para o "Esporte", veicula reportagem de duas páginas (20/21), ilustradas com quatro fotografias em preto e branco, do redator-correspondente Wladimir Limeira.

O título enviado pelo futuro acadêmico de Farmácia é simplório: "Os sports no Rio Grande do Norte". Pela forma geral da abordagem. Mas tem valor histórico para os pesquisadores e curiosos que se interessam pelos personagens do futebol da época do amadorismo.

O redator já tinha visto esta reportagem umas duas ou três vezes e sempre que repete a leitura, até com mais atenção, quase sempre verifica um pormenor que passou desapercebido.

Ou acrescenta informações quando surge algo correlato que mereça uma nova visita, como foi o caso de relacionar a imagem dos jogadores em forma com a foto do clube amador Nacional dos bairro das Rocas.

Pois ambas são reproduzidas com o emblemático personagem, o atacante Luís "64" Moreira de França (o de bigodinho depois do goleiro Rossini Azevedo).

Segunda imagem prova "Luís 64" no América/RN (I)

"Luís 64" é o segundo, depois do goleiro Rossini, no América de Natal dos anos 30/40

"Luís 64", todo de branco, como diretor
do clube amador Nacional das Rocas

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Primeiro havia algumas fichas técnicas ou súmulas parciais ou completas, poucas, mas existiam, com o apelido do atleta.

Em seguida apareceu uma fotografia numa extinta revista semanal esportiva carioca com uma formação americana e o jogador apelidado, curiosamente, de "Luís 64".

Mas não tinha, ainda, qualquer possibilidade de fazer qualquer nova correlação deste atacante com o América/RN e uma informação mais interessante para se divulgar e comprovar.

Foi quando apareceu em rede social uma foto em preto e branco (assim como a que estava guardada) de um clube amador do bairro das Rocas, na Zona Leste da capital potiguar.

Com a identificação pela alcunha singular: prenome acrescentado de um numeral. Então o repórter só teve o trabalho de perguntar aos "frequentadores" da página de quem realmente se tratava.

Se era a mesma personalidade que havia jogado pelo alvirrubro natalense. A resposta não poderia ser melhor. Veio com o nome da pia batismal e certidão de nascimento: Luís Moreira de França (pai de um perito criminal com o mesmo nome).

O Moreira, pai, foi pequeno comerciante na comunidade. E um dos filhos, "Beto Cabeção" (falecido) foi juvenil americano.

Estão aí todos os indícios que indicam a quase inédita descoberta, agora comprovada, basta comparar a foto da publicação com a do Nacional das Rocas.

Até a semelhança física do Luís 64 dirigente, vestido socialmente, como manda o figurino, não difere do atleta baixinho, quase careca, de coxas grossas. E exibindo característico bigodinho!

 

FONTES

A Ordem

Diário de Natal

Esporte Ilustrado

Jornal da Grande Natal

Velha Guarda das Rocas

O primeiro clube carioca na capital potiguar (X)

Formação do Haddock Lobo com Egas Ribeiro de Mendonça (número quatro): futuro presidente do America do Rio de Janeiro

Verso da imagem acima com a identificação dos atletas

Curiosidades sobre mais uma excursão nordestina do America do Rio de Janeiro com estadia no Ceará e Rio Grande do Norte

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O econômico noticiário esportivo do "Jornal do Brasil" foi o único a declinar os nomes dos massagistas entre os 23 componentes da delegação do America do Rio de Janeiro em embarque no vapor "Baependi" - ida e retorno - para a excursão por dois estados da Região Nordeste (primeiro Ceará e em seguida Rio Grande do Norte).

Em duas notas. Primeiro são identificados como sendo Antônio Rodrigues e Georgino Silva. Segundo, muito esquisito, muda para Manuel Rodrigues e Jordino da Silva (nesta última em edição datada do dia da partida, 24, uma manhã de sexta-feira, no cais 11 do porto metropolitano na Baía de Guanabara).

O ex-presidente (1934) e então vice-presidente, Mário Newton Figueiredo, era quem abastecia o clube com telegramas recebidos e com sucinto teor divulgados para a imprensa carioca – salvo o material da agência de notícias “Meridional – pelo presidente (1940/42), Egas Ribeiro de Mendonça, que alega prejuízo de 15 contos com os atrasos do vapor “Baependi”, na viagem de retorno de navegação costeira ou de cabotagem, chegando à noite e impossibilitando um amistoso em Salvador/BA.

Médico Roberto Jorge Haddock Lobo: patrono do clube

Egas Ribeiro de Mendonça havia sido atleta do Haddock Lobo, fundado em 23/7/1908, das cores marrom e branco, com a seguinte diretoria: A
bel Morgado, Álvaro Zamith, Antenor Araújo, Armando da Costa, Arthur da Silva Leitão, Luiz Carneiro de Mendonça, Mário Macedo, Mário Newton de Figueiredo (futuro presidente e vice-presidente americano), Nélson Costa, Joaquim Thomaz de Aquino e Octávio de Amorim Carrão.

E enfrenta o America (com camisa negra), o vencedor (2 x 1), no primeiro turno do campeonato carioca (16/5/1909) no campo da Rua Voluntários da Pátria, local de mando do Botafogo Futebol Clube. Gols de Átilla, Egas (contra) e Belfort Duarte (América). A agremiação do Engenho Velho/Tijuca muda as cores para azul e branco em 1910 e veio a se fundir com o adversário em 17/5/1911.

HL: Antônio Santa Cruz Abreu, Nelson Costa, Antônio Mattos (“Antonino”), Egas Ribeiro de Mendonça, Luiz Carneiro de Mendonça, Manuel Alvares Souza Neto, Aristides Rosa, Áttila C, Monteiro Aché, Armando Figueiredo Trompowsky de Almeida, Edgard Torres e Eurípedes Plaisant (formação da foto acima de recordação familiar).

O nome do extinto clube homenageava como patrono o médico português Roberto Jorge Haddock Lobo (Cascais, 19/2/187 – Rio de Janeiro, 30/12/1869), formado pela Faculdade de Medicina (1834) do Império (II Reinado). Realizou a primeira intervenção cirúrgica com anestesia no país (20/5/1947). Foi presidente da Câmara de Vereadores carioca.

 

FONTES/IMAGENS

Academia Nacional de Medicina

Campeões do Futebol

Esporte Rio

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol

Memória de família – álbum

Portal Grande Tijuca

O primeiro clube carioca na capital potiguar (IX)

O acanhado estadinho rubro-negro fica numa das áreas mais valorizadas da Zona Sul do Rio de Janeiro

Presidente Faustino Monteiro Esposel

Sogro do zagueiro argentino do Flamengo e America carioca indica data da inauguração da "Gávea"

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O antigo zagueiro argentino do Flamengo e do America carioca, Atmio Luiz Villa (Buenos Aires, 1915 – Rio de Janeiro, 1985) chega ao Brasil em julho/1937 e como recepção o funcionário público federal comete um erro e tasca um “Antônio” como prenome com a máquina de escrever no cartão de imigração e corrige a mão a caneta com tinta azul.

Sobre o sogro Oscar Monteiro Esposel – além do anúncio da missa de sétimo dia na imprensa carioca (1945) – a pesquisa pouco levanta, exceto o parentesco de ser irmão do antigo presidente, o médico Faustino Monteiro Esposel (Rio de Janeiro, 24/10/1888 – 16/9/1931), tido como o espírito André Luíz na doutrina kardecista.

O conselheiro flamenguista Oscar Monteiro entra na história do clube por indicar o dia do aniversário do rubro-negro 915/11/) para inauguração do estadinho da Gávea, na Lagoa Rodrigues de Freitas, oficialmente denominado como patrono o presidente José Bastos Padilha (Rio de Janeiro, 23/1/1894 – 13/2/1973), o condutor da construção.

Mas a futura obra começa na década anterior (1926) com a definição do terreno de 34 mil metros quadrados, pelo presidente, por três mandatos, do referido Faustino Monteiro.

 

J. B Padilha

FOTOS/IMAGENS

Diário de Notícias

Jornal dos Sports

Academia Nacional de Medicina

Espiritualidade e Sociedade

Fla Estatísticas

Fla Resenha

História do Futebol

Jornal da Besta Fubana

Museu Flamengo

O Gol