terça-feira, 14 de julho de 2015

Os primeiros jogos do centenário América Futebol Clube, um dos três grandes de Natal, a capital potiguar

José Vanilson Julião

Jornalista

O primeiro jogo logo após a fundação (14/7) foi um amistoso contra uma equipe do tradicional colégio Atheneu, surgido no Século XIX, mesmo antes do Pedro II, no Rio de Janeiro, a então capital imperial durante o regime monárquico.
O resultado do amistoso (22 a 0) está inserido entre as maiores goleadas do futebol mundial, entre elas Botafogo 24 a 0 Mangueira, pelo campeonato carioca. Napoleão Soares marcou 11 gols. A partida aconteceu no ‘ground’ da Praça Pedro Velho (Petrópolis).
O futuro presidente da Republica, o potiguar João Fernandes Campos Café Filho, foi substituído no sexto gol americano. Atuou emprestado pelo Cruz Vermelha e depois pelo Alecrim. Em 1920 chegou a secretário do  Santa Cruz/PE.

Primeiro Clássico Rei
O primeiro jogo amistoso do futuro maior clássico potiguar aconteceu em 26 de setembro de 1915. 1 a para o ABC, no campo da Vila Cincinatto, ao lado da Praça Pedro Velho, onde funciona, atualmente, um curso supletivo.
Com arbitragem de Júlio Meira e Sá e auxiliares Manoel Gomes e Aguinaldo Fernandes. Os gols foram anotados por Mousinho (dois), Mandú, Baluá e Neco, para o alvinegro, descontando Neco para o então “azulino”, alvirrubro já em 1918.
O ABC atua com o segundo quadro e o América com o primeiro. Notícia do jornal A República: “O team do ABC estava assim distribuído: Avelino (Lili), Batalha, Borges, Cabral (Tarugo), Paraguay, Freire, Bigois, Moacyr, Mandu, Nóbrega e Mousinho. Reservas: Baluá, Elissozio e Bill. O team do América com Siqueira I, Lélio, Gato, Carvalho, Galo, Antônio, Barros, Siqueira II, Neco, Garcia e Pipio. Reservas: Revorêdo, Lopes e Tupy. Referees de goal (ficavam atrás das traves) Sérgio Severo e Araty Brito.
Informações na plaquete “ABC, honra e glória do esporte potiguar (II)”, publicada em 2005, pelo pesquisador natalense Luiz Gonzaga Meira Bezerra.
Há registro de um segundo amistoso ABC x América (1916), cujo resultado o redator não tem confirmado, mas é notícia em um pequeno jornal da época.
Taça Campeonato
Em 1917 o América participa de um torneio amistoso promovido pelo jornal A Imprensa, do coronel Francisco Cascudo, pai do escritor Luís da Camara Cascudo. A organização cabe a Cícero Aranha e José Potiguar Pinheiro.
Uma das partidas termina sem abertura de contagem: América x Humaitá, no campo da Igreja Nova ou Praça Pio X. O torneio tem problemas de andamento e conflito com a festa dos Santos Reis. Registros indicam uma decisão com o ABC, ganha pelos americanos.

Os campeonatos
Em 1918 acontece a primeira competição considerada oficial, promovida por uma liga recém fundada, sendo o Centro Esportivo Natalense o campeão. O CEN ganha do América pelo marcador de 3 a 0 e o time americano bate o ABC pelo mesmo placar. Título não teria sido homologado pela Liga. A competição teria sido suspensa devido a epidemia da gripe espanhola (Influenza).
Em 1919 vem o primeiro título oficial, com a primeira partida (América 3 x 0 ABC), em 22 de junho, sendo notícia na coluna “Vida Social” de A República. Na preliminar os rubros perderam de 1 a 2 (segundos quadros).
Os demais resultados: 0 x 0 CEN (6 de julho), 1 x 0 CEN (27/7) e 0 x 2 ABC (10 de agosto). Com a campanha leva a Taça Ítala Roselli.
No elenco o adolescente Nilo Murtinho Braga, que viria a brilhar, como artilheiro do campeonato carioca, no Botafogo, Fluminense e selecionado nacional.
Em 1920 vence o Torneio Imprensa, no campo da Associação Rio-grandense de Atletismo (ARA). Em 11 de abril 1 a 1 com o CEN (classificado por um corner a zero). Na decisão 1 a 0 ABC.
No mesmo ano é o campeão oficial da cidade. Com  estes resultados: 1 x 0 ABC (4/6), 3 x 0 CEN (que passou a ser Clube Atlético Potiguar nos anos 40), em 8/6, e 2 x 1 ABC (14/6).
Em 1922 é Campeão do Centenário (Taça Independencia), com De Maria (o magistrado João Maria Furtado), marcando o gol do título contra o ABC.
Excursões
Em 1924 realiza amistosos em Mossoró/RN. Perde para o Ypiranga (2 x 1), empata com o Mossoró de 4 a 4 (depois do time local abrir quatro gols no primeiro tempo) e perde para o Palmeiras (0 x 2). O time base: Gama, Ricardo, Everardo (o general), Canela, Tinoco, Lamartine, Olavo, Teixeira, Agnaldo, De Maria e Pinheiro.
Em 1926 atua na Região do Seridó. 1 a 0 no Acari (15/8). Luiz G. M. Bezerra aponta como incentivador do esporte Antônio Bezerra Fernandes. A taça – com a inscrição “Do América ao Acari F. C. – 15 / 08 / 1926” - foi doada ao Acari FC, numa festa oferecida pelo prefeito Cipriano Pereira à delegação visitante.
Hoje a taça se encontra com o medico Paulo Bezerra, o Paulo Bala, em seu gabinete de trabalho, no Instituto de Radiologia de Natal. Dos atletas sobreviventes apenas Gil Soares de Araújo (único reserva do América), hoje com 97 anos e residindo no Rio de Janeiro. (3/2/2005)

Torneio Coronel Murad
É o vencedor da competição com os seguintes resultados: 6 a 1 ASAS/PE (9/9) e 4 a 0 ABC (14/9), depois de ganhar do alvinegro pelo Estadual (2 a 1). O torneio foi em homenagem a Aeronáutica. O jornal "A Republica" publicou ainda uma terceira rodada, sugerindo um quadrangular, porém em momento nenhum os diários dos dias seguintes informaram tais resultados.
Em 1928 o Ypiranga mossoroense excursiona na capital potiguar, sendo derrotado pelo América 4 a 2 (31/4). America: Abílio, Everardo, Gustavo, Canela, De Maria, Pimenta, Olavo, Barradas, Pinheirao e Praça. Ypiranga: Rolleaux, Ze Dantas, Vicente, Mozart, Lira, Joel, Nunes, Julio Ferreira, Hemeterio, Gentil e Hilário.
Na mesma temporada acontece o amistoso América 7 a 4 Cabo Branco, no sábado (29/10). No dia anterior o time da capital paraibana era derrotado pelo ABC (5 a 2), com o primeiro gol de Deão (ABC), na inauguração do Estádio Juvenal Lamartine, situado na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol. No final de semana seguinte é realizado o primeiro torneio inicio na cidade.
Há temporadas ou anos suprimidos propositalmente nas primeiras duas décadas devido os jogos não ter qualquer influencia geral neste resumo dos anos 10 e 20 do Século XX. Os anos 30, com alguma precariedade de organização, consolidam o futebol em Natal, principalmente devido o JL.

Fontes: Da ‘Bola Pito ao Apito Final’ (Everaldo Lopes Cardoso), ‘Os Esportes em Natal’ (José Procópio Filgueira Neto), plaquete, Luiz Gonzaga Meira Bezerra e plaquete Manoel Leonardo Nogueira.

PS: as cores do artigo homenageiam a primeira camisa e a posterior.








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