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sábado, 9 de maio de 2020

Depoimento do repórter fotográfico sobre W. G. de Azevedo


Magnus Nascimento

Comecei trabalhar no extinto “Jornal de Natal” na década de 90. Na época fazendo matéria policial.

Entrava madrugada adentro, nas noites de sábado e nos domingo pela manha/tarde, até fechamos a pagina de policia.

Do Instituto Técnico de Policia (ITEP), a Delegacia de Plantão, que na época era em Candelária, e o Hospital Walfredo Gurgel, aquele prédio antigo.

Eram os endereços certos da ronda nas noites frias. A chamada “ronda policial”. Um tempo bom e de muito aprendizado, mais de matérias pesadas.

Nesse tempo trabalhei com José Vanilson Julião, Walfran Valentim, João Ricardo e tantos outros.

Aprendi muito com essa galera. Mais um dia tudo acaba aqui nessa terra. Foi o que aconteceu nessa ultima sexta.

Deus levou um dos grandes repórteres com quem trabalhei. Wilson Gomes. A ultima vez que vi foi ali na Assembléia Legislativa.

Valeu amigo, pela parceria e amizade.

A tabelinha com o radialista Wilson Gomes de Azevedo


José Vanilson Julião

O meu amigo tinha uma memória fenomenal. Contava casos de até 30 anos atrás. Sem mudar uma vírgula ou ponto. De reportagens. Ou divertimentos ocasionais. Entretanto, agora, quem busca os fatos passados no baú da massa cinzenta sou eu.

Depois de ser “aprovado” por ele, somente anos depois confessou, com a finalidade de ter ao lado uma pessoa de confiança, ele foi o responsável pelo meu primeiro ato de escrever uma reportagem.

Claro que não era um texto corrido ou lauda de 30 linhas. Para jornal. Estamos falando de rádio. Mídia em que a informação deve ser repassada para o ouvinte com frases curtas e no máximo quatro ou cinco linhas. Estourando seis.

E para isso, sem qualquer aviso prévio, me apresenta, pela primeira vez, a uma máquina de datilografia com todas as teclas com engraçadas grandes letras maiúsculas, acho que o tamanho era o dobro das normais. Apropriadas para facilitar ainda mais a leitura pelo locutor.

Não era uma reportagem de fonte ou entrevista primária. A missão era escutar o programa de esportes, levado ao ar pela carioca Rádio Globo.

Na meia hora anterior “A Voz do Brasil”. Assim não teria que esperar o tradicional “Panorama Esportivo”, que ia ao ar antes do noticioso “Redator Chefe”, que, por sua vez, começava a meia noite.

Escutar as passagens do repórter que cobria cada um dos quatro clubes grandes do Rio de Janeiro – Botafogo, Vasco da Gama, Flamengo e Fluminense – e por no papel os tópicos de cada um deles para o papel. Em duas cópias. Original e carbono.

As laudas eram destinadas aos locutores que apresentavam o primeiro programa esportivo da Rádio Nordeste. De manhã cedinho.

Era a parte do noticiário esportivo nacional, narrado após o noticiário local, sobre América, ABC e Alecrim.

Uma lauda para o locutor A. Outra para o locutor B. Que revezam a leitura das notas. Não havia a facilidade da internet, é claro. Mas a missão foi cumprida.

Plantonista titular, como ele, tinha que participar de todos os programas. A resenha do final da manhã e da programação no começo da noite.

Além de todas as jornadas esportivas. A de domingo e a do meio de semana, geralmente na quarta-feira.

Posteriormente ele foi criando umas folgas propositais e dando vez ao novato. Para ir pegando cancha.

Na jornada principal, do domingo, a intervenção maior era no final da jornada, com a tabelinha dos jogos da loteria esportiva e os resultados da rodada dos campeonatos estaduais, principalmente o carioca, o paulista, o mineiro, o pernambucano, o baiano, o cearense, o gaúcho, etc.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Falece o radialista Wilson Gomes de Azevedo


O chamava de WGA. Ou pelo nome completo. Tornou-se meu melhor amigo. Soube da morte dele, ocorrida nesta manhã, no começo da noite.

Entretido no computador, por volta das 19 horas, não escutei as quatro ligações do celular. Era do meu irmão, José Valdir Julião. Por isso fiquei sabendo pelo recado deixado no “zap”.

Perguntei a causa. Teria sido em conseqüência do diabetes. Estava internado no Hospital Onofre Lopes. Indaguei quem avisou: - Vi no ‘tuíter’ de Paulo Tarcísio, que foi avisado pelo radialista Marco Aurélio.

WGA era freqüentador assíduo. De casa. Principalmente depois que sofri o acidente doméstico e fiquei impossibilitado de locomoção. A última vez há duas semanas. Ou dias. Na saída disse: - Só venha agora depois do ‘Corona’...

Conheci Wilson Gomes de Azevedo em 1975. Ele morava na Rua São Geraldo, no bairro das Quintas. Eu acabava de chegar de Cerro Corá. Para estudar na Escola Técnica Federal.

E foi no Grêmio Nilo Peçanha que começou a amizade. No jogo de totó. Pebolim. Nos intervalos da aula. Eu na defesa. Ele no ataque. Tem até o episódio de ele fazer confusão com meu irmão gêmeo: - Não era você que encontrei lá...

Passou o primeiro ano e Wilson sumiu. O reencontrei no final do segundo semestre de 1977. Fora em busca de realizar um sonho: ser radialista. E conseguiu.

Por isso o reencontro aconteceu no saguão de entrada da Rádio Nordeste AM, que ficava numa travessa, prolongamento do Beco da Lama (Vigário Bartolomeu), na Cidade Alta.

Naquela oportunidade fui fazer um teste para plantão esportivo, atendendo chamado, no ar, do famoso narrador esportivo Audi Frazão Doudment, chefe da equipe terceirizada da emissora fundada por Dinarte Mariz e na época já controlada por Felinto Rodrigues.

Eu sei que tinha boa voz e que fizera um teste razoável. Mas foi Wilson quem me escolheu, entre outros dois candidatos. E fora Audi quem colocou a fogueira na mão de Wilson.

Fiquei como segundo plantão. Auxiliar. Acumulamos bons causos. Certa vez Wilson fora a praia e chega atrasado para a abertura da jornada dominical. Sem o rádio para a escuta das emissoras de fora.

Ele ficou numa sinuca de bico. Como era o primeiro plantão tinha que abrir e se fosse apanhar o “Transglobe” ficaria o buraco. E Audi perceberia ao chamar do Estádio Castelo Branco. WGA não estava com coragem para pedir, mas sugeri que me desse coordenadas que eu iria apanhar o rádio.

Dito e feito. Até ele se surpreendeu com a minha agilidade em encontrar o endereço e retornar em cima da bucha. Passei uns três meses na rádio, sai e retornei durante a Copa de 78 e ele lá, simples, como sempre foi.

Posteriormente ele seguiu a carreira: Poti e Trairi (Tropical). Com passagem pela editoria de polícia com Givaldo Batista, o “Gigi da Mangueira”. No centenário “A República”. No jornal reencontra o mano Valdir.

Wilson foi quem me indicou ao empresário Ivanaldo Bezerra e, conseqüentemente, ao editor Francisco Duarte Guimarães, para a primeira passagem pelo semanário “Jornal de Natal”. Em 1994.

Nos últimos anos esteve na Satélite FM. De Aquino Neto. Wilson escreveu um livro relatando seu tratamento psiquiátrico de anos. Pediu para revisá-lo. Este é um assunto a resolver...

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A solidariedade dos futebolistas não é novidade


AMÉRICA

Em 1932 alvirrubro enfrenta marinheiros e arrecada dinheiro para flagelados da seca

José Vanilson Julião

Leio na rede que a campanha dos dirigentes e jogadores americanos proporcionou a doação do torcedor e a arrecadação de 1,5 toneladas de alimentos.

Entretanto o exemplo de solidariedade não é inédito. Na tarde da sexta-feira, 13/5/1932, o clube entra em campo para arrecadar fundos em benefício dos flagelados da seca.

O estadinho da Associação Riograndense de Atletismo (ARA) – sucessora da Liga de Desportos Terrestres, na Avenida Hermes da Fonseca, no bairro do Tirol, tem a presença do interventor federal, o tenente da Marinha e depois almirante de esquadra Hercolino Cascardo (Rio de Janeiro, 2/1/1900 – 26/2/1967).

Fora decretado ponto facultativo a partir do meio dia para a assistência ao elenco americano contra os marinheiros do cruzador ou encouraçado Floriano, atracado no caís do porto na Ribeira.

Naquele momento o América era o bi-campeão da cidade, hegemonia quebrada pelo ABC na primeira semana de outubro.

O resultado do jogo amistoso beneficente: 3 x 3. Na quinta-feira, 19, seleção da ARA 2 x 1 Floriano (Incorporação: 31 de dezembro de 1900. Baixa: 2 de abril de 1936).

Antes o time da Armada perde para o Esporte Clube Bahia (2 x 1 – 21/4) e vence o Clube Náutico Capibaribe (3 x 4 – quinta-feira, 5/5). Registra o “Diário de Pernambuco”.

domingo, 26 de abril de 2020

Cantor potiguar interpreta uma das canções com mais de 400 versões em televisão local


A banda inglesa Rollings Stones – “pedras que rolam” – liderada pelo cantor/compositor Mick Jagger anuncia canção inédita e vídeoclip com imagens do vazio nas metrópoles mundiais em conseqüência do vírus Corona.

Em Natal o cantor Diogo Davi informa sobre participação numa “live” para ajudar pessoas que estão participando dificuldades nesta crise pandêmica.

Chamou atenção o fato de cantar ao vivo na televisão uma das músicas mais tocadas no mundo. Do Soul, gospel (canção religiosa) ou do gênero “Ritmos Blues” (azul) dos negros ianques.

O desempenho musical do artista potiguar aconteceu na tarde da sexta-feira (24/4) no programa da Priscilla Freire, na TV Tropical, afiliada local da paulista Rede Record.

Na visão do redator, que não entende nada de música, ele se saiu bem na interpretação de “Stand by me”, uma composição do norte-americano Ben E. King. Com letra dos parceiros Jerry Leiber e Mike Stoller.

Benjamin Earl Nelson (28/9/1938 – 30/4/2015) – portanto falecido há cinco anos – nasceu em Springfield, na Carolina do Norte.

Já escrevi sobre o assunto na versão eletrônica da coluna. A obra pop já foi gravada por diversos artistas internacionais renomados. Entre eles o ex-Beatles John Lennon (Liverpool, 9/10/1940 – Nova York, 8/12/1980).

Parei de contar na versão número 35, mais são mais de 400 versões. Ao consultar a internet para o artigo percebi que “Stand” completará 60 anos de sucesso no próximo ano.

Em 2012 estimou-se que os royalties alcançam 17 milhões de libras (moeda inglesa), tornando-se a sexta composição neste quesito de arrecadação na ilha separada do continente europeu pelo canal da Mancha.

King disse que o título foi inspirado do texto “espitual”, de Sam Cooker e J. W. Alexander, "Stand by Me Father", gravado pelo Soul Stirrers com Johnnie Taylor como vocalista. A terceira linha do segundo verso do primeiro trabalho deriva do Salmo 46.


segunda-feira, 2 de março de 2020

Depoimento do filho de "Alemão" repercute entre lusitanos

O exclusivo depoimento de Joaquim Ramos de Souza, filho do artilheiro pernambucano “Alemão”, repercutiu entre os torcedores do alviverde Sporting Covilhã.

Entre eles o historiador do clube português, Miguel Saraiva, e o jovem futebolista Rui Miguel Borges Reis.

Saraiva é autor de um livro sobre o Sporting, no qual relata a história do clube entre 1923/90. Rui é filho do ex-jogador Luciano José Marques Reis.

O atacante Reis, lisboeta (16/1/2001), tem passagens por Belenenses, Sacavenense, Sporting e atualmente faz parte do elenco do FC Alverca.

Luciano Reis (30/5/1955) tem no currículo atuações pelo Sporting (72/73), Alcains, São Romão, Fundão, Belmonte e Pinhelenses (88/89).

Natural de Caria inicia no Sporting, com interregno de dois anos, em outros clubes e Benfica.

Lateral e médio foi da formação serrana que venceu a Série B da Terceira Divisão (74/75), garantindo regresso ao escalão secundário.

Na mesma temporada, o fato de estar na divisão terciária, o Covilhã alcança as oitavas de final da Taça de Portugal, sendo apenas vencido pelo Boavista do Porto (0 x 2 no Estádio Santos Pinto), que acabaria conquistando o troféu.

Rui encaminhou comentário na postagem do blog como intermediário do pai a família do goleador Alemão.

Luciano inicia a carreira, aos 19 anos, na época em que, aos 26, o brasileiro começa em Portugal. E no mesmo clube.



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Análise sobre protesto programado para a capital federal


O poder popular nas ruas

Hildo Oliveira
Jornalista e publicitário

Militares-ministros do Poder Executivo podem estar preparando uma surpresa para a grande manifestação do povo contra o Legislativo e Judiciário nas ruas de todo o país, no próximo dia 15 de março.
Membros do Supremo Tribunal Federal e toda a bancada de oposição ao governo Bolsonaro no Congresso Nacional já se mostram temerosos e esbravejam a palavra “democracia” como um escudo de proteção aos seus atos cruéis contra a nação.
 Ninguém se espante se a mobilização dos brasileiros seguir o exemplo de 30 anos atrás, quando as caras pintadas decidiram o impeachment de Fernando Collor.
Dessa vez, com a diferença: o fechamento do STF e do Congresso Nacional e destituição dos seus ocupantes, até que se adote um controle do funcionamento normal das instituições em que a população acredite.
Não se descarta o uso da força militar para manter a ordem em apoio às mobilizações populares.
O Poder Executivo tem total garantia da Constituição Brasileira para evocar as manifestações nas ruas sem que se atribua qualquer crime de responsabilidade ao Presidente Bolsonaro.
Parece mesmo que será o “impeachment da vingança”.
Eis uma questão realmente muito séria.

Transcrito do Blog do FM