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domingo, 2 de março de 2025

Base da excursão americana no álbum de figurinhas

Botafogo (1942): Borges, Zarcy, Ari Nogueira César, Caeira, Ivan, Santa Maria, Lula, Geninho, Heleno de Freitas, Gonzalez e Pirica


A recém encerrada série sobre o primeiro clube carioca no Rio Grande do Norte ainda rende assunto

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Ao programar a excursão extemporânea ao Nordeste – após o último jogo pelo campeonato carioca em dezembro – o America do Rio de Janeiro continua praticamente com os mesmos jogadores que vão se exibir em oito partidas: Ceará (sete) e Rio Grande do Norte (uma).

A prova aparece “casualmente” em rede social com o “Álbum das Balas de Futebol” para a temporada de 1941. Certamente que a organização do produto mania nacional para a garotada e os colecionadores acontece no ano anterior para o lançamento no seguinte.


Por isso dos 11 atletas alvirrubros do álbum quatro não participam da estadia nordestina entre fevereiro/março de 1943, primeiro em Fortaleza, capital cearense, segundo em Natal, capital potiguar.

Pela ordem do álbum não foram relacionados para a viagem “Inglez”, o paranaense Cecílio Tavares, o capixaba de Vitória/ES, Lacínio de Lima Soares, e o ponta-esquerda “Pirica”, apelido do pernambucano Alberto Piragibe Lira de Lemos (Recife, 9/1/1915 – Rio de Janeiro, 8/10/1988).

“Pirica” – ganhou a engraçada alcunha na infância – estava de retorno ao Botafogo, pelo qual passa em três ocasiões (1931/33, 1936/37 e 1941/44)), mas também conta com passagens no Fluminense (1934/35) e no próprio América (1937/40).

Da excursão estão relacionados os ‘platinos” Atmio Luiz Villa (Buenos Aires, 1915 – Rio de Janeiro, 1985), Hector Roberto Gritta (Córdoba, 1914 – Salvador, 1982) e os nacionais “Bolinha”, Aziz, “Dedão”, Nelsinho e “Carola”.

Portanto, dos 17 boleiros relacionados para a excursão, quando o America foi o primeiro carioca no Rio Grande do Norte, constam no álbum de figurinhas oito deles.

 

FONTES/IMAGENS

Álbum Balas de Futebol

Jornal dos Sports

Almanaque do Botafogo

Mundo Botafogo

Datafogo

História do Futebol

O Gol

Súmulas Tchê

Harpya Leilões

Botafogo, Fotos Históricas e Opinião/Facebook

sábado, 1 de março de 2025

América/RN: primeiro adversário "Coral" na "Excursão da Morte" (FINAL)

Aristófanes Trindade foi dirigente esportivo, vereador e presidente da Câmara do Recife/PE

Uma pequena biografia de Aristófanes Trindade como dirigente esportivo e vereador na capital pernambucana

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O bacharel em Direito Aristófanes Trindade (Recife, 1918 – 12/7/1997) – falecido de ataque cardíaco aos 79 – foi procurador da Caixa Econômica Federal (CEF).

Entra na política como vereador com primeiro mandato em 1951. A atuação era mais voltada para os bairros de Água Fria, Beberibe e Dois Unidos, chegando a manter centros sociais com serviços médicos e lazer nestes bairros e em outros como Areias, Brasília Teimosa.

Aristófanes presidiu a Câmara do Recife quatro vezes e assume a Prefeitura do Recife em 34 ocasiões. Diz o vereador Edmar Lyra Cavalcanti: “Seu tom conciliador fez dele uma figura muito querida entre os pares.”

A história do tricolor pernambucano se confunde com a de Aristófanes, que começou no “Mais Querido” ainda na década de 30. Preside o Santa Cruz pela primeira vez em 1953 e comprou uma casa na Avenida Beberibe, número 1285, o que seria o maior estádio de Pernambuco.

América/RN: primeiro adversário "Coral" na "Excursão da Morte' (VII)

Aristófanes Trindade, na meia idade, meio que escondido entre os torcedores tricolores

Imprensa pernambucana tem "apagão" de dez dias desde a partida da delegação do Tricolor rumo ao Norte

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O Santa Cruz havia completado 58 anos de fundação em fevereiro e acabava de conquistar o tetracampeonato estadual quando o “Diário de Pernambuco” (domingo, 4/6/1972) circula com a chamada de capa: “Santa Inaugura estádio jogando com o Flamengo”.

A edição dominical vai para as bancas com 104 páginas e 16 (61/76) são dedicadas ao “Caderno Especial” com histórias do clube tricolor desde o surgimento (1914).

Com as participações de Adonias Moura (editor de esportes) e os repórteres Lenivaldo Aragão, Valdi Coutinho, Júlio José Bezerra, Robson Sampaio e Amauri Veloso.

Após a abertura oficial o Estádio José do Rego Maciel, no jogo contra o Flamengo (0 x 0), abriga como sede a chave da “mini copa” (Torneio Sesquicentenário da Independência)

E como sub sede de grupo o Estádio Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, inaugurado no mesmo dia com uma rodada dupla – ABC 1 x 0 América/RN e Seleção Olímpica 0 x 0 Vasco da Gama – por sinal alvo de reportagem do correspondente Gilson Oliveira em Natal.

ENTREVISTA DO TRINDADE

O erro na data do jogo América/RN e a consequente omissão do alvirrubro como adversário do Tricolor na parada em Natal tem explicação.

Enquanto no final de semana a capital potiguar saia de "blackout" preventivo a um ataque alemão a cobertura do "DP" nos primeiros dez dias desde a partida do Santa Cruz era uma escuridão total.

O jornal somente veio dar uma curta notícia da estreia em Belém na edição da sexta-feira (10/2/1943).

Por isso nada existe nos números dos dias subsequentes ao jogo no Estádio Juvenal Lamartine (sexta-feira 1).

Aristófanes Trindade "confia" na memória e erra tudo. Dá como data 4/1, placar 6 x 0 (ao invés de 6 a 1), e um selecionado local como adversário.

O entrevistador cai direitinho e no reboque vem todo mundo desde a conhecida reportagem da revista “Placar”.

América/RN: primeiro adversário "Coral" na "Excursão da Morte" (VI)

Quase 70 mil pessoas compareceram a inauguração oficial do estádio do Santa Cruz/PE

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A grande reportagem do “Diário de Pernambuco” com o presidente da delegação tricolor

A primazia de reviver a excursão de quatro meses (janeiro/abril de 1943) do Santa Cruz pela Região Norte coube ao correspondente local da revista semanal “Placar” (dezembro/1979), Lenivaldo Moraes Aragão.

Mas para ser justo com a equipe redacional do centenário impresso recifense é necessário informar que a primeira grande reportagem sobre o tema vem de um trabalho conjunto.

E o mais incrível: a epopeia do clube “Coral” é narrada por um personagem histórico. testemunha presencial em todos os momentos: o presidente da embaixada, Aristófanes da Trindade.

O "DP" (domingo, 4/6/1972) publica "Caderno Especial" com a grande reportagem dividida em capítulos e um deles com o sintomático título "A Odisseia de um clube pernambucano".

O caderno foi construído para sair na mesma data da inauguração do Estádio José do Rego Maciel. Em jogo amistoso com o convidado especial Flamengo do Rio de Janeiro (0 x 0).

Compareceram ao “Arruda” (alusão ao bairro) 62.185 torcedores (57.88 pagantes), mesmo com o estádio ainda sem o anel superior, que viria a ser inaugurado em 1982.

Houve superlotação e os portões foram arrombados. Antes do jogo, no fim da manhã, foi realizada uma missa no setor onde ficam as cadeiras.

"Troca-troca" envolve os principais clubes natalenses

Moacir Júnior tem no conceito a faixa no ano do centenário do primeiro título americano

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Com as quedas dos treinadores, primeiro Ney Franco (ABC), em seguida Leston Júnior (América), a direção do alvinegro e do alvirrubro contratam os substitutos.

Como a saída do técnico Ney Franco ocorre após a desclassificação abecedista perante o Olaria (Copa do Brasil), no Rio de Janeiro, quem chega primeiro é o paulista Evaristo Toledo Piza.

E como em seguida pega o beco o entregador de camisa mineiro Leston Júnior, com o fracasso diante do União do Tocantins (também fora e na mesma competição nacional), agora quem deve aparecer no clube americano é Moacir Júnior.

Com essas mudanças quase repentinas e inesperadas aparece a curiosidade de que M. Júnior e V. Piza, um e outro, não necessariamente pela ordem e vice-versa, treinaram os rivais em épocas distintas.

Moacir tem o aval da conquista do campeonato estadual, contra o ABC, no ano do centenário da conquista do primeiro título americano (2019).

América/RN: primeiro adversário "Coral" na "Excursão da Morte" (V)

Jogadores tricolores entram em campo na capital paraense. “Guaberinha” e o tradicional gorro em Belém (recorte de jornal)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Desde que o correspondente da revista semanal “Placar” (dezembro de 1979), Lenivaldo Moraes Aragão, marcou um “gol de placa” – olhe o trocadilho aí gente – com a exclusiva reportagem sobre a excursão do Santa Cruz ao Norte, o assunto virou tema recorrente na rede.

O “JORNAL DA GRANDE NATAL” levanta que as primeiras “recordações” – e não poderiam ser tão diferente – começa com reproduções das páginas da publicação da Editoria Abril em site dedicado exclusivamente ao Tricolor do Recife: “ARQUIVO CORAL” (2010 e 2012).

Logo em seguida o blog “CAMISAS E MANIAS” dá o repeteco valendo-se das informações do anterior com “link” (2012). Daí em diante se sucedem adendos e reportagens, sempre sem alguma descoberta importante.

Para o leitor se inteirar da estadia de quatro meses na Região Norte, trágica e histórica, do “Santa Cruz, eis uma lista de fontes secundárias que exploraram o tema, cada um a seu modo e característica.

Lembrando que se o leitor quiser pode ir logo no “causo” relatado pela enciclopédia eletrônica comunitária “Wikipedia”. Além disso existem vários vídeos sobre a epopeia dos pernambucanos.

Inclusive uma sensacional entrevista com um dos jogadores, Gerson Lins de Miranda, o “Guaberinha”, natural de Bezerros, município do interior pernambucano.

 

PARA VER

SUPER ESPORTES (2014)

HISTÓRIA DO FUTEBOL (2016)

MEMÓRIAS DO ESPORTE (2019)

JORNAL DIÁRIO COMÉRCIO E INDÚSTRIAL/DCI (2020)

GLOBO ESPORTE (PE) (2020 e 2023)

FOLHA DE SÃO PAULO (2023)

O TEMPO (2023)

EVISOS (2023)

VER O FATO (2024)

 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

América/RN: primeiro adversário "Coral" na "Excursão da Morte" (IV)

Lenivaldo Aragão mantém um blog excelente, depois de começar no jornalismo em 1957

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Repito que li a primeira grande reportagem da excursão de quase quatro meses ao Norte pelo Santa Cruz quando era viciado em comprar a revista "Placar" (505 – 28/12/1979).

A segunda na "Folha de São Paulo" (domingo, 30/4/2023), uma cortesia do jornalista Osair Vasconcelos, outro curioso por coisas do futebol.

Diante das fontes impressas – apesar do não ineditismo da FSP – havia programado um artigo para demonstrar que o Tricolor enfrentara o América/RN na primeira parada e não um selecionado potiguar.

O acúmulo de pautas reservadas e outras que foram aparecendo adiaram o projeto agora em andamento. É claro que já havia visto diversas abordagens sobre o tema em sites e blogs com adjetivação e malabarismos aos montes.

Mas não me interessava pela falta de uma novidade substancial. O que permanecia intocável na mente era o lapso de todas as fontes primárias e secundárias sobre o adversário "Coral" no Rio Grande do Norte e chegou o momento adequado para a correção.

Ademais, para não ser repetitivo pelo que se sabe das tragédias humanas e o pano de fundo da II Guerra, prefiro delinear para a curiosidade do leitor uma ligeira linha de tempo e as fontes que se dedicaram ao histórico périplo do clube recifense.

Desde que a revista da Editora Abril publicou a reportagem inédita do correspondente pernambucano Lenivaldo Moraes Aragão, baseado nos alfarrábios da imprensa da Veneza brasileira.

Inclusive o levantamento do Aragão foi reproduzido, com relutância, assim disse o autor, pelo antigo chefe na “Placar”, Michel Laurence (1938 – 2014) – o filho do repórter e colunista francês Albert Laurence – no livro póstumo “Causos da Bola”, finalizado pela mulher, Rose Guirro.