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segunda-feira, 24 de maio de 2021

A primeira excursão do Alecrim ao Recife II

Reforços - do ABC, América, Santa Cruz e Paysandu - não se concretizam

Graciano Acosta era um dos reforços indicados pelo jornal pernambucano.

José Vanilson Julião

Na semana da estreia o primeiro adversário, o tabajaras, que havia empatado as duas primeiras partidas da decisão, vence o Íbis (2 x 1 - domingo, 10) e conquista o caneco da Associação Suburbana de Desportos Terrestres. Na preliminar o placar é invertido.

Nas edições da quarta e quinta-feira (13 e 14) o DIÁRIO DE PERNAMBUCO noticia que o clube esmeraldino potiguar poderia contar com algumas estrelas dos principais clubes natalenses.

O periódico declina o nome do volante uruguaio Graciano Acosta Torres, contratado pelo América em maio/junho de 1939 como "double" de jogador e treinador, depois de passar pelo São Paulo, Grêmio (Porto Alegre) e Náutico. Assunto lembrado anos depois na TRIBUNA DO NORTE pelo falecido jornalista e pesquisador Everaldo Lopes Cardoso.

Também é citado outro americano, o meia atacante Demóstenes César da Silva, que aparecer no segundo quadro (aspirante) alvirrubro dois anos antes. Depois de servir ao selecionado potiguar, ABC, Ferroviário (Fortaleza), transfere-se para o Botafogo carioca (1944) e encerra a carreira no futebol colombiano, na época da liga pirata (1950/53).

Outro famoso indicado: o cearense Francisco Rodrigues dos Santos (1912 – 1943), o "Xixico", artilheiro pelo Fortaleza (1926/29). Veio para a capital potiguar durante crise entre o Tricolor cearense e a associação esportiva da capital alencarina. Pelo alvinegro alcança o título em 1932, o primeiro da série de dez conquistas.

O quarto reforço indicado: o zagueiro e capitão alvinegro Manoel Francisco da Silva, o Nezinho. "Todos já se exibiram em nossas canchas", diz o jornal, e acrescenta os desconhecidos: Leônidas Bonifácio, Pery, Geraldo, Magela, Mundica e Chorão.

Ainda indica o possível "onze" do Tabajaras: Louro, Aleixo, Junqueira, Ruy, Estácio, Didi, Alemão, Haroldo, Ivo, Frajola e Gondim.

Sobre o selecionado da Associação: - A ASDT apresentará um team poderoso exclusivamente de amadores, sem elementos de outros estados: Eládio, Aleixo, Querenga, Joca, Edgard, Biu, Haroldo, Ivo, Cancio, Setenta e Alberico. (José Vanilson Julião - Repórter)

sábado, 22 de maio de 2021

A primeira excursao do Alecrim ao Recife (I)

José Vanilson Julião

O ABC já havia desfilado em Fortaleza, João Pessoa e Recife, com o debut do América (contra o Pitaguares e Felipeia) no ano anterior, na capital paraibana, quando o Alecrim estreia fora do Rio Grande do Norte.

O DIÁRIO DE PERNAMBUCO (quinta-feira, 7/9/1939) anuncia a temporada alecrinense com dois jogos contra o Centro Sportivo Tabajaras (sexta-feira, 15) e a seleção da Associação Suburbana de Desportos Terrestres (domingo, 17).

O jornal informa a chegada para a quinta-feira (14) com recepção de todos os clubes filiados, em homenagem a delegação do vice-campeão potiguar, na estação central da Great Western (20h45).

"Cada diretoria de automóvel com seu pavilhão". A reportagem ainda indica que no sábado (16) ocorre cerimonia na sede da Associação com aposição do retrato de Etelvino Lins na galeria de honra.

Após o feriado da Independencia (sábado 9) repete a programação e enfoca a decisão do campeonato da Zona Norte entre o primeiro adversário do clube potiguar e o rubro-negro Íbis (domingo 10) na Encruzilhada (mando do Pássaro Preto), inaugurado com o ABC quatro anos antes.

Também trazia a convocação dos atletas selecionados para o elenco suburbano que enfrentaria o "Esmeraldino" natalense. Com jogadores do Íris, Água Fria, Yolanda, Atheniense, Bonfim, Pina, Luso-Brasileiro, Destemido, Auto Sport, Tacaruna, Diversiona, Moinho Recife, Guararapes e outros, entre os 40 clubes amadores que haviam partipado, desde março, da competição promovida pela associação.

Naquele tempo, além da cobertura do alviverde America, Sport, Santa Cruz e Náutico e coadjuvantes, o jornal Associado dava amplo espaço para os times amadores e na edição dominical a estadia do "Periquito" de Natal era alvo de titulo de duas linhas e sete colunas no alto de uma das duas página esportivas (mais uma repetição da programação) com a decisão suburbana relegada ao segundo plano, assim como o treino, pela manhã, do escrete da associação.

 

 

sexta-feira, 21 de maio de 2021

‘Macarrão’ vestiu o manto vermelho americano

Massagista José Aldemir Tomás do alvirrubro faleceu há uma semana

Vice-campeonato (1966): Jairo, Dedé, Galego, Paulo Tubarão, Hilo, Rodrigues, Macarrão, Rui, Véscio, China, Caranguejo e Babá


José Vanilson Julião


O super campeonato de 1959, com a decisão envolvendo o alvirrubro (campeão do turno), Santa Cruz (vencedor do returno) e ABC (terceiro turno), acontece no começo da temporada seguinte, o alvinegro levanta a taça do Estadual e o licenciamento americano ocorre em fevereiro de 1960.

No ano seguinte corre a boataria do retorno do clube vermelho e branco, mas o rumor mais contundente se inicia no segundo semestre de 1965, quando o doublê de dirigente e treinador do juvenil José Luiz Galvão, o Lelé, começa a montar uma base para o futuro elenco profissional.

Um dos jovens atletas que atende o primeiro chamado é o cearense José Aldemir Tomás, o “Macarrão”. Entre os companheiros João de Deus Teodósio, o “Bagadão”, que veio do tricolor Santa Cruz (licenciado em 1967) e veste a camisa americana por dez anos, sendo, inclusive autor do gol do título de 1967 contra o Riachuelo Atlético Clube, do famoso acrônimo RAC.  

“Macarrão” participa dos primeiros treinamentos e jogos-treinos, marcando dois gols, no campinho da Rua Campos Sales ou no campo do quartel geral da Polícia Militar, ao lado da sede americana da Rua Rodrigues Alves (Tirol).

Massagista Macarrão

Ele entra como atacante: 7 x 0 Cruzeiro (sábado, 6/11), no Estádio  José Olímpio Maciel (Macaíba), e 5 x 1 Força e Luz (sábado, 13), o segundo com este nome e fundado em julho do mesmo ano –, marcando um gol em cada jogo-treino. E no doméstico America A e B (30/11) – com placar não divulgado pela imprensa –, 3 x 3 Juventus (sábado,  4/12) e 5 x 0 Jaguarari (sábado, 18/12), treinado pelo ex-árbitro e antigo treinador do extinto primeiro Globo, Eugenio Vieira Barros.

Em 1966 entra no amistoso de apresentação 4 x 0 Estrela do Mar (sábado, 6/2) – preliminar do amistoso ABC 1 x 1 Potiguar (Mossoró) – e 2 x 1 selecionado das Quintas (domingo, 13/2), preliminar do amistoso Alecrim 1 x 1 Treze.

Aparece em partidas preliminares (juvenil). Exemplos: 3 x 0 Atlético (26/6), com um gol. Em 1967 4 x 0 Ferroviário (26/2) e mais um gol. Em 1968 2 x 1 ABC e um gol.

Dificuldades e doente

Durante a doença dele o jornal mensal CORREIO POTIGUAR (junho/2020) publicou reportagem sobre o personagem:

- Recentemente rolou em rede social campanha de ajuda ao ex-profissional de apoio aos elencos até2005, quando se aposentou. O auxílio de cestas básicas, pelo que se sabe, veio das torcidas organizadas.

Um integrante divulgou vídeo com ele no quartinho dos fundos da casa na Rua Augusto dos Anjos (Candelária) onde mora com um filho, pois a filha, casada, reside na Itália.

 

 

 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

ABC inaugura estádio na capital pernambucana (II)



Adversário abecedista participa de sete campeonatos pernambucanos

José Vanilson Julião

O Clube Sportivo da Encruzilhada foi fundado em 6/1/1917 e tinha sede e campo na Rua Castro Alves, no bairro que lhe deu o nome.

Era apelidado “Saco de Pancadas” e também conhecido como “Alviverde da Encruzilhada”, “Periquitos dos Subúrbios” e “Camisas Verdes”.

Os fundadores: João Muniz Ramos, Alderico de Freitas, Agapyto de Freitas,  Arthur Neves,  Ezequiel Piretti, Humberto Gama, Manoel Filizzola  e  Alcides Lima (primeiro presidente).

Disputa o Estadual em sete oportunidades, 1929, 1930, 1931, 1932, 1933, 1934 e 1935. Com oito participantes na maioria e 11 apenas numa delas. Inclusive na frente do tradicional América, conhecido como o “Alviverde da Estrada do Arraial”.

Time base (1928): Ismael, Machado, Pedro Sá (capitão), Cunha, Lima, Pedrinho, Tóta, Jacy, Motta, Lyla, Pital e Almeida.

CAMPANHAS

1929: duas vitórias, três empates e oito derrotas (sétimo)

1930: cinco vitórias, um empate e três derrotas (terceiro)

1931: quatro vitórias, um empate e cinco derrotas (nono)

1932: uma vitória, um empate e seis derrotas (sexto)

1933: quatro vitórias, um empate e nove derrotas (sexto)

1934: quatro vitórias, quatro empates e seis derrotas (sexto)

1935: duas vitórias, três empates e nove derrotas (sétimo)

 

FONTES

A Província

Diário de Pernambuco

Jornal de Recife

História do Futebol

Wikipédia

domingo, 9 de maio de 2021

ABC inaugura estádio na capital pernambucana (I)

Atacante Francisco Rodrigues dos Santos, o "Xixico" era uma das atrações abecedistas

José Vanilson Julião

É público e notório que o alvinegro participa das inaugurações do Juvenal Lamartine (1928), Castelo Branco (1972) - depois João Machado - e do Maria Lamas Farache (2006), mas nenhum jornal da capital potiguar, antigos e atuais, cita a abertura do "ground com medidas regulamentares" no Recife.

O DIÁRIO DE PERNAMBUCO (sexta-feira, 26/10/1934) relata: - As últimas exibições potiguares em nossos campos tiveram a propriedade de agradar ao público com acentuado interesse. Na edição sabatina informa a chegada, a noite, em trem da Grest Western, da delegação base do elenco norte-rio-grandense no Brasileiro de Seleções.

O DP (terça-feira, 30) noticia a inauguração dos "remodelamento e melhoramentos internos" do campo (Rua Castro Alves) do alviverde Centro Esportivo da Encruzilhada (domingo, 28), com a distribuição de bilhetes aos "cavalheiros, senhoras e crianças não acompanhadas de sócios, militares e automóveis."

O centenário periódico aponta: "Falha de técnica, orientação e entusiasmo dos locais regularmente disputada pelos visitantes, controlando melhor as jogadas não encontraram dificuldades para vencer."

- Não fosse mesmo a excepcional atuação do goleiro Gouveia a contagem provalmente teria se elevado muito mais em favor do visitante. Os demais componentes da defesa e do ataque não acertaram em conjunto.

Dos visitantes Xixico apareceu com algum destaque, produzindo jogadas de mérito. Os demais no mesmo nível técnico. Com entendimento em vários setores e rapidez na locomoção.

Aos dois minutos Xixico marca aproveitando passe de Osvaldo e este, no começo da etapa complementar, faz o segundo. Aos 28 Gondim desconta. A 13 minutos do apito final do árbitro Zezé Fernando Xixico amplia.

SEGUNDO JOGO

O clube potiguar havia enfrentando em Natal o Tricolor em 1916. O segundo jogo no recém inaugurado campo da Veneza brasileira: Santa Cruz 3 x 1 ABC (quarta-feira, 31). O árbitro Manoel Pinto, com atuação "geralmente apreciada" encerra nos minutos finais devido incidente.

Tricolor: Dadá, Marcionilo, Martins (Orlando), Zezé, Sebastião, Ernani, Valfrido, Lauro, Tará (Limoeiro), Sidinho e Estevão. Alvinegro: Nenê, Dorcelino, Nezinho (Paulino), Osvaldo, Mário, Acácio, Augusto, Simão, Hemetério, Xixico e Raimundo.

Na preliminar, o segundo quadro do Santa Cruz venceu o time do Encruzilhada por quatro a dois.

domingo, 2 de maio de 2021

O “lusitano” que jogou pelo América e ABC

 

O barbudo Luís Rodrigo é no ataque do ABC em 1974

José Vanilson Julião 

Em rede social o ex-jogador do ABC, Jorge Calaça, coloca uma rara fotografia do ABC, ocasião em que o pergunta se aquele atacante barbudo é mesmo o "lusitano" Luís Rodrigo dos Santos (Porto Seguro/BA, 6/5/1949), contratado após sair do América.

No alvirrubro o centroavante filho de portugues faz quatro partidas (uma oficial e três amistosos) e participa de jogo-treino contra o Força e Luz. A estréia ocorre no amistoso no Rei Pelé: 0 x 1 Centro Sportivo Alagoano (quinta-feira, 24/5/1973). Entra na revanche no Castelo Branco: 1 x 0 CSA (sábado, 26)

Marca uma vez no campeonato potiguar: contra o Ferroviário (7 x 0 – 4/6/1973). A última partida em amistoso no “Castelão”: 2 x 0 Fortaleza (quarta-feira, 11/7).

Do correspondente Rosalvo Nazareno de Aguiar a revista semanal Placar (172 - 29/6/1973) publica a reportagem "O excesso de jogadores do América", entre eles o baiano Luiz Rodrigo. Um problema para polêmico treinador carioca Maurílio José de Souza (14/9/1918 - 14/6/1998), o "Velha".

No alvinegro marca oito vezes. Estréia no amistoso ABC 3 x 1 Treze (6/3/1974), no Presidente Vargas, que interrompe invencibilidade (12 jogos) do Galo de Campina Grande.

Marca dois gols ABC 4 x 2 Ferroviário (20/3). E um em cada jogo: 1 x 0 CRB (amistoso –6/4), 1 x 0 Potiguar (10/4), 1 x 2 Campinense (amistoso – 24/4), 2 x 0 Baraúnas (8/5), 3 x 2 Alecrim (16/6) e 6 x 1 Ferroviário (29/6). Contra os clubes domésticos os resultados pelo torneio estadual.

Pelo alvinegro ainda ronda a área no amistoso contra um selecionado pernambucano (3 x 2 – 30//8), depois de entrar no lugar do serelepe centroavante Jorge Demolidor.

De positivo mesmo a Taça João Machado levada para a precária sede, um casarão ao lado de um campo de terra batida, no bairro de Morro Branco, na zona leste da capital potiguar.

Fratura a clavícula no campeonato estadual contra o Potiguar em Mossoró (domingo, 6/10/1974) fica inativo por 30 dias.

Carreira: Bahia (69/71), Leônico (71), Galícia (71/72), Sport (70), Ilhéus (72), América (73), ABC (74) e Alecrim (75).

Pelo Sport dois gols: 1 x 1 CRB (Norte/Nordeste - 11/10/1970) e 3 x 0 Itabaiana (24/10). Fora e na Ilha do Retiro. No Bahia marca um gol: 5 x 1 São Cristovão de Salvador (13/9/1970).

O jornalista Rubens Manoel Lemos Filho lembra dele no artigo "Mãe de malandro", replicado na Tribuna do Norte (21/3/2021) e pinçado do original "As mães de Hipólito": site Museu da Pelada (17/1/2019).

 

Fontes

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Placar

Almanaque do Futebol Brasiliense

Futebol 80

Museu da Pelada

 

 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Bececê – o ‘canhão’ mossoroense (III)

No alviverde da capital paulista Bececê entrou em campo 18 vezes e marcou quatro gols

Ponta-esqueda fez parte da primeira Academia palmeirense

José Vanilson Julião

Depois de ser contratado pelo alviverde da capital paulista a estréia no amistoso SEP 1 x 0 Vila Nova (28/1/1961) em Goiânia. Último jogo do ano no amistoso Náutico 2 x 1 nos Aflitos (21/6). Ao retornar para o Palmeiras em 1964: 4 x 1 Sport na Ilha do Retiro (29/3) com o último gol.

Com a aposentadoria nas horas vagas treina o Avicultura Colorim da Rua Caiowaá, 324, na zona oeste da metrópole paulistana. E participa de jogos entre os veteranos e encontros ao lado de antigos atletas palmeirenses, um deles em 2012.

Por 40 anos foi funcionário no Liceu Coração de Jesus (Alameda Dino Bueno), no bairro de Campos Elísios, centro da capital paulistana. Lá era o seu Chico, auxiliar administrativo.

A origem do apelido surge no Exército: - O sargento ensinava a tropa para aprender o ABC. Só que, quando eu ia falar, só saia "abcc".

Bececê: apelido veio do Exército


Não havia meio de falar certo. O sargento então passou a me chamar de "Abecece". Até que ele mandou me chamou e disse que era melhor tirar o A e ficar só o "becece". E aí pegou!

É casado com Rosa Debre, filha de italiano, com quem tem as filhas Simone, Sirlene e Adrea. Revelações da mais recente entrevista concedida ao jornalista Helvídio Mattos (Blog Ultrajano – 6/4/2021).



Bececê na  extrema-esquerda da Esportiva de Guaratinguetá, interior de São Paulo