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sábado, 17 de abril de 2021

O treinador que perdeu o torneio seletivo

Ivan Navarro (terceiro em pé à esquerda) integrou linha de defesa do Olaria A.C no campeonato carioca de 1962

José Vanilson Julião

Aconteceram as desistências dos campeões mundiais Zózimo Alves Calazans (Salvador, 19/6/1932 – Rio de Janeiro, 21/9/1977) e Orlando Peçanha de Carvalho (Niterói, 20/9/1935 – Rio de Janeiro. 10/2/2010). Quem acaba contratado: o paraense Ivan Luiz de Carvalho Navarro (Oriximiná, 6/1/1931 - Curitiba, 7/5/2018).

Deixou o Clube de Regatas Brasil/CRB (Maceió/AL) e chegou na noite de 18/1/1974 indicado pelo empresário Daniel Pinto. O presidente Aluísio Bezerra (junta governativa) acerta contrato por Cr$ 10 mil de luvas e seis mil mensais. Para treinar o ABC primeiro no torneio seletivo imposto pela CBD para apontar o representante potiguar no Brasileiro.

Apesar do tetra estadual do ano anterior, porém com o castigo a excursão no final do ano como alternativa por ficar de fora da competição, devido à punição e suspensão de dois anos por entrar em campo com três jogadores irregulares no Brasileiro de 1972 na vitória sobre o Botafogo carioca. A boa participação do substituto e vice no Nacional foi a deixa para a competição. Navarro assiste o alvinegro contra o Riachuelo, no Torneio Apern, e assume com derrota no amistoso contra o Náutico fora.

Ivan Navarro
O alvirrubro empata (0 x 0 - quarta-feira, 6) com 27.188 pagantes, vence o segundo (3 x 1 - domingo, 10), com gols de Washington (2), Nilson (contra) e Danilo Menezes, diante de 29.511 torcedores. Na decisão perde no templo complementar, mas ganha a prorrogação com um gol de cabeça por cobertura do jovem ponteiro esquerdo aos oito minutos do tempo complementar (2 x 2 - quarta-feira, 13/2), com este público: 35.983.

O filho de João de Deus Navarro e Lydia de Carvalho e irmão de Alberto, Argemiro, Marluce, Argemiro Fernando, Cláudio Moacir, Ivete, Sérgio Alexandre e Anna Maria - a única viva no ano em que Ivan falece - foi casado com dona Ivete Ferreira, com quem não teve filhos. Começa pelo selecionado local, Trombetas e Santo Antonio.

Nos anos 50 o zagueiro Navarro aparece no elenco do Bangu (54/56), o alvirrubro do bairro homônimo da Zona Oeste carioca, pelo qual atua 17 vezes, com nove vitórias, cinco empates e três derrotas. Está no elenco banguense que enfrenta o Remo (2 x 0 - 24/4/55) em Belém. E provavelmente no time paraense em preparação para o Campeonato Brasileiro de Seleções contra o Remo (1 x 1 - 6/1/1954). Serve o selecionado carioca em 1956.

Sobre a foto o leitor mineiro José Eustáquio Rodrigues Alves, de Patos Minas, informa no blog do Milton Neves, mais se parece um combinado “carioca” América/Bangu, com a camisa da CBD: Nadinho (Bangu e Bahia), Rubens (América e Esportiva/Guaratinguetá), Navarro (Olaria e América), não identificado, Osvaldinho (América e Sporting/Lisboa), Nilton dos Santos (Bangu), Calazans (Bangu, América e Fluminense), Hilton Porco (América, Bangu e Guarani/Campinas), Paulo Valentim (Botafogo e Boca Junior), não identificado e Décio Esteves (Bangu e Campo Grande).

"Correio da Manhã" informa amistoso do América na Venezuela

Madureira em 1958. Pelo Flamengo estreia em 7/5/1959 e faz o último jogo em 24/4/1960, com um total de 17 partidas, nove vitórias, quatro empates e quatro derrotas. A melhor participação ocorre quando defende o Olaria, quando termina em sexto lugar no Carioca (1962) entre 13 competidores, abaixo do Bangu e acima do América, posição que leva o clube suburbano ao Torneio Rio - São Paulo do ano seguinte. No elenco "bariri": Murilo (posteriormente no Flamengo), Haroldo, Casemiro, Nelson, Walter Cané (fez sucesso no exterior) e Rodarte.

Encerra a carreira no venezuelano Tiquiri Flores com registro de derrota para o América (1 x 2) na segunda partida da excursão do clube carioca em 1965. Em Caracas faz a faculdade de Educação Física e começa a trabalhar como técnico. Passa pela Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes. No currículo, não necessariamente pela ordem, estão: Olaria, América/RJ, Fluminense (Feira de Santana), Londrina, Criciúma, Botafogo/PB e Atlético/PB.

Na segunda-feira do desaparecimento um blog da terra natal reproduz texto do "parente" Fernando Jares Martins (Blog "Pelas Ruas de Belém" - 8/7/2014), "Reencontro com sabor de Gol", no qual o autor conta as peripécias para encontrá-lo e informar do paradeiro a família, o que acaba acontecendo.

No clima da Copa do Mundo uma senhora que cuidava de um idoso em apartamento de Copacabana, com o auxílio de um neto, conseguiu encontrar entre as coisas dele um telefone. Com o número de contato com uma sobrinha do antigo atleta. - Ivan é irmão de minha sogra, o tio de quem a Rita falava de vez em quando, que conhecera na infância...

Ivan Navarro é o terceiro em pé (à esquerda) no combinado carioca que representou a Seleção Brasileira

FONTES

Bangu.net

Blog do Marcão

Espoca Bode

Flaestatística

Terceiro Tempo


O "Coveiro" do alvirrubro potiguar

O goleiro "Coveiro" no Central de Caruaru, interior de Pernambuco

José Vanilson Julião

Em qualquer artigo sobre apelidos de jogadores de futebol sempre aparecem os nomes engraçados, estranhos ou diferenciados.

Sobre o assunto li nos livros dos falecidos jornalistas potiguares José Procópio Neto e Everaldo Lopes Cardoso.

E mais recentemente uma jocosa crônica do colunista Kolberg Luna no site GRANDE PONTO.

Entre estes atletas do passado o goleiro 'Coveiro' do Galícia (1947) de Salvador. E foi campeão do torneio início maranhense pelo Sampaio Correa (1949). Participa de amistoso contra o ABC, no domingo, 18/1/1951, sem abertura de contagem.

No sábado anterior o elenco granadeiro soteropolitano havia empatado (2 x 2) com o América, gols de Franklin (20 e 32) e Macedo (13/2 e 35). Renda de 11.140,00 cruzeiros.

Na arbitragem um dos dois primeiros narradores esportivos, Francisco Lamas, irmão de Carlos Lamas, um dos fundadores da Rádio Educadora de Natal (REN), depois Poti.

Ainda em1951 pelo clube da colônia espanhola divide posição com Burguês (seis jogos) e José (nove). Nos 18 jogos do campeonato baiano participa em 2 x 1 Vitória (12/8), 5 x 0 São Cristóvão (30/9) e 1 x 2 Vitória (8/12).

Cinco anos depois Coveiro já não é mais adversário. Substitui com bola rolando o arqueiro mossoroense Jeronimo Felipe, o Jerim, na baliza americana. Em amistoso contra o ABC.

O jogo aconteceu no domingo (22/1/1956) com gols de Macau (19 e 4/2) e Gilvandro (16). Arbitragem de Eugenio Vieira Barros, que fora treinador americano no começo da temporada de 1948 e 50, além do extinto Globo (1960). Em 1957 está no Central de Caruaru (interior pernambucano.

Na Literatura

Escritor Arthur Carvalho

O jornalista Woden Coutinho Madruga (TRIBUNA DO NORTE, 10/06/2015) inclui nota na coluna: "Hoje tem a posse de Arthur Carvalho na Academia Pernambucana de Letras.

O baiano de Salvador passou a adolescência na capital potiguar, onde o pai, o engenheiro Carlos Koch de Carvalho, dirigia o Departamento Estadual de Saneamento nos governos José Augusto Varela (Ceará-Mirim, 28/11/1896 - Natal, 14-6-1976), Dix-Sept Rosado (Mossoró, 25/3/1911 - Aracaju, 12/7/1951) e Silvio Piza Pedrosa (Natal, 12/3/1918 - Rio de Janeiro, 19/8/1998).

Cronista do JORNAL DO COMMERCIO no Recife montou escritório de advocacia na Rua da Aurora.

O escritor Arthur Carvalho na crônica "O cigano", no livro "A menina e o gavião: 200 crônicas escolhidas", publicado em 2017.

- Eu morava com meus pais e irmãos em Natal, quando o Galícia desceu em excursão no Norte, proveniente de São Luís do Maranhão, trazendo o comentarista e locutor esportivo Barbosa Filho em sua embaixada.

Em Natal o Galícia empatou com o ABC, cujo presidente era João Ferreira de Souza, pai de Ezequiel Ferreira de Souza. A partida foi no Juvenal Lamartine, onde joguei muitas vezes pelo Guarany, de camisa branca, faixa diagonal verde e com uma cara de índio como emblema, time infanto-juvenil que fundei no verão de 49 com Levi Caminha e meu irmão Carlos Aloysio. Tenho, ainda hoje, a foto dos dois quadros, antes do jogo, com minha irmã, Maria Lúcia, madrinha do Galícia, meu pai, Carlos Koch, presidente de honra da delegação, e João Ferreira de Souza.

Dos granadeiros só me lembro do goleiro coveiro, que quase era preso porque discutiu com uma mulher da Pensão 15, na Ribeira, que não quis ficar com ele, do beque, Bacamarte, e do ponta-direita, Tombinho, emprestados ao alviazulino, pelo Bahia e Vitória, respectivamente

FONTES

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Futebol Nacional

História do Futebol

Lenivaldo Aragão


quinta-feira, 15 de abril de 2021

O primeiro treinador uruguaio do ABC

Ex-jogador e ex-treinador Ariel Longo fez quatro livros sobre futebol do Uruguai
O pioneiro Emiliano Graciano Acosta Torres treinou três vezes o América

José Vanilson Julião

O ponto de partida é a menção em um dos livros do falecido jornalista Everaldo Lopes Cardoso. No Youtube existe um vídeo (18/3/2012) com duração de um minuto recheado com raras fotografias (seis recortes de jornais).  E como fundo musical a canção, iniciativa de uma filha, identificada como “Suyane princesa”.

A postagem tem 375 visualizações. E um comentário, feito há seis anos, com solicitação de pormenores pelo internauta Roberto Lourenço. Foi preciso uma garimpagem na internet para obtenção de dados mais precisos. Mesmo assim há um vácuo de como apareceu e saiu do Brasil.

O ex-jogador e treinador Eric Eduardo Longo de Caterina (Montevidéu, 7/8/53), da Associação de Treinadores da República Oriental, até pede informações a pelo menos dois blogs. Autor de quatro livros (os últimos "Campeões: muita glória esquecida" e “Ramon Platero, o rei oculto”) organizou pesquisa sobre técnicos uruguaios.

Luís Comitante
Depois de Graciano Acosta, natural de Tacuarembó, e antes do meio-campo Danilo Nunes Menezes (Rivera, 17/2/1945), nos anos 90, Luís Comitante (16/12/1912) é o segundo uruguaio no RN. Chega para comandar o elenco alvinegro. Mas história começa com contratação pelo presidente César Aboud (1944) e no Moto (São Luís) conquista sete estaduais, mais o título de Papão do Norte.

Passa em intervalos pelo Nacional/AM, Tijuca e Tuna Luso – assim noticia como a saída do Maranhão Atlético Clube (MAC) e a contratação pelo Auto Clube (Belém), fundado nos anos 30 e conhecido como “clube dos motorizados” e “fantasma dos grandes, participa de seis paraenses e vence o torneio início (49).

Santos (51/52) é o 16º estrangeiro (oito vitórias, três empates e duas derrotas). No Amadorismo: Harold Cross (1912 – Irlanda) e os uruguaios Juan Bertone (1916/19) e Ramón Platero (1919).

Profissionalismo: Pedro Mazullo (Uruguai), Caetano di Domenica (Itália), Franz Gaspar (Hungria), Isaac Goldenberg (Áustria), Dario Letona (Peru), Ricardo Diez (Uruguai), Abel Picabéa (Argentina), Diego Ayala (Paraguai), Luiz Comitante (Uruguai), Giuseppe Ottina (Itália), Ramos Delgado (Argentina) e mais recentemente o argentino Jorge Sampaoli (2019) e o lusitano Jesualdo Ferreira (2020).

Pelo Ceará o título primeiro turno (1957): 18 jogos, nove vitórias, cinco empates e quatro derrotas. A campanha: 2 x 2 Usina Ceará (30/3), 2 x 1 América (7/4), 2 x 1 América, 5 x 1 Gentilândia (27/4), 0 x 0 Calouros do Ar (5/5), 5 x 1 Ferroviário (19/5), 0 x 1 Fortaleza (2/6). Treinadores posteriores na campanha do título: Antonino (dois jogos) e Sá Pinto.

No sábado (6/6/57) acompanhado do dirigente José Alflan de Queiroz, contratado por 20 mil cruzeiros de luvas e oito mil mensalmente. Dirigente e profissional desembarcam do avião da ‘Aerovias’, no Aeroporto Augusto Severo, no então distrito de Parnamirim, emancipado da capital no ano seguinte.

O intermediário fora o comentarista Barbosa Filho (Rádio Clube da capital pernambucana), durante excursão do Santa Cruz a Fortaleza, a pedido do presidente do ABC, Ernani Alves da Silveira. A passagem termina, com certa surpresa pelo reconhecimento do trabalho pela diretoria, em janeiro do ano seguinte, com América bicampeão.

Na América Central comanda o selecionado de El Salvador (61/63), pela qual conquista um vice-campeonato centro-americano em final contra Honduras (27/3/63). Neste país treina: Marathon (63/65), Bronco (66), Juventude (67) e Desportiva Vida (68/70).


Luís Comitante (último à direita) como treinador da seleção de El Salvador


FONTES

Acervo do Santos

Diário de Natal

Diário de São Luís

Gazeta Esportiva

Agora Notícia

Blog do Marcão

Centro Esportivo Virtual

Diário do Peixe

El Balon Cusclateco

Futebol Maranhense Antigo

História do Futebol

O Gol

Terra

Vovopedia

Wikipédia

Centro de Memória e Estatísticas/Santos

O Poti

Almanaque do Santos


As primeiras temporadas fora de casa

Irmãos Carvalheira (Fenando, Zezé e Artur) jogaram em Natal pelo Náutico
Após a Paraíba e Pernambuco é a vez de enfrentar times do Ceará

José Vanilson Julião

Depois de protagonizar o primeiro amistoso interestadual e enfrentar o primeiro paraibano o ABC torna a se bater com outros dois forasteiros no Torneio Coronel Murad, em homenagem a Aeronáutica, nesta capital.

Os jogos foram realizados em rodada dupla e o principal rival, o América, é o campeão. O jornal A REPÚBLICA publica uma quarta rodada, mas os resultados não são encontrados nos dias posteriores.

O Asas era pernambucano. O Calouros, o segundo colocado, não é o mesmo tricolor (vermelho, verde e branco) cearense fundado em 1952

Primeira rodada (9/9/1927): América 6 x 1 Asas e ABC 2 x 2 Calouros do Ar. Segunda rodada: ABC 0 x 4 América e Asas 1 x 2 Calouros do Ar.

Em maio de 1929 o alvinegro parte para a primeira excursão fora do Rio Grande do Norte. Surpreende e vence, pelo mesmo placar (3 x 1) o alvinegro Ceará e o tricolor (vermelho, azul e branco) Fortaleza.

Novamente em casa enfrenta pela primeira vez o Clube Náutico Capibaribe (24/4/1934 - 4 x 2) com João Manoel (2), Fernando Carvalheira e Zezé Carvalheira marcando para o alvirrubro.

Cinco dias depois surpreende e vence o Sport (5 x 3) fora de casa, com gols recifense de Alemão (2) e Marcílio Aguiar. Assim completa o ciclo de atuar contra o trio de ferro local.

Dois dias depois do América perder para o Santa Cruz (1 x 2), no feriado da Independencia, a segunda partida entre o alvinegro e tricolores ocorre em 9/9 do mesmo ano, quando vence por 4 a 3, com os gols pernambucanos de Lauro Monteiro (2) e Tará.

Ainda em 1934 o ABC retribui a visita e vence o Santa Cruz dia 30 de outubro com os mesmos jogadores adversários repetindo o número de gols cada um e perde por 3 a 1.

No campo da Associação Riograndense de Atletismo (ARA), que ainda não se chamava Estádio Juvenal Lamartine, a quarta partida entre eles acontece em 18/10/1936 (3 x 3) com gol pernambucanos Tará, Zé Orlando e Pequeno.

O Timbu volta a enfrentar o alvinegro, fora, e empata (22/11/1936 - 3 x 3) com gols recifenses de Artur Carvalheira (2) e Zezé.


Fontes

Campeões do Futebol

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol

Futebol 80

Jornal da Grande Natal

Navegos


quarta-feira, 14 de abril de 2021

O alvinegro é pioneiro em amistoso interestadual

Convite parte do estudante de Direito e futuro presidente da República

José Vanilson Julião

Antes de enfrentar o Cabo Branco (ver postagem anterior) em 15/11/1916, feriado da Proclamação da República, ocorre o primeiro amistoso interestadual, tanto para o ABC como para o Santa Cruz, considerando clube em atividade, pois o extinto Minas Gerais Football Club foi o primeiro pernambucano a atuar fora, contra o América paraibano (4 x 0 - 13/10/1912).

Cafe Filho 
O estudante de Direito João Fernandes Campos Café Filho (Natal, 3/2/1899 - Rio de Janeiro, 20/2/1970) acorda com o Álvaro Ramos Leal. O elenco viaja dia 13 em trem da Great Western e se aloja no Hotel Internacional, no bairro da Ribeira. Acompanhava a delegação o comandante do 49 Batalhão de Caçadores, major Arsênio Borges, pai de um dos atletas e presidente de honra, além do diretor Heitor Costa.

As 13 horas daquele dia o alvinegro recebeu a embaixada coral na Associação Comercial, em "sessão cívica" com a presença do vice-governador, o professor Henrique Castriciano. Um dos jornais da capital potiguar noticia: - O resultado do jogo é difícil prever, entretanto, todos os meios e recursos superiores, que dispõem em Pernambuco e que nos faltam por completo, as possibilidades de vitória pendem para o visitante.

A banda de música do Batalhão de Segurança abrilhanta os momentos preliminares na Vila Cincinati, onde hoje funciona a Escola Estadual Anísio Teixeira, entorno da atual Praça Pedro Velho. Como árbitro Alberto Roselli, recém chegado de estudos na Suíça, e com os auxiliares Luiz Potiguar Pinheiro e Antonio Freire a postos, o primeiro tempo é movimentado, com Júlio Meira e Sá abrindo a contagem e o tricolor empatando, mas vira na etapa complementar com Pitota, Tiano e Américo.

Pitota

ABC: Avelino Alves Freire Filho (Lili), Cor de Rosa, Zé Pinheiro, Arari de Brito e Silva, Manoel Gomes, Deão (Tarugo), Zé Barreto, Júlio Meira e Sá, Zé dos Santos, Alemão e Rochinha; Santa Cruz: Ilo Just, Mangueira, Nelson, Valença, Arsênio, Teófilo, Manoel Pedro, Zé Castro, Pitota, Tiano e Américo Dória

A pesquisa encontra pequenas divergencias nas escalações, mas entre os jogadores estão os reservas locais Bigois, Moura e Aurino, mais Otávio e Fausto (pelo tricolor) com reservas: Antonio Almeida, Mário Rosas, Gastão Sá e Manoel Gonçalves.

Entre os atletas o estudante de engenharia Teófilo Batista de Carvalho, o Lacraia, primeiro negro a jogar e responsável pelo desenho do escudo estilizado de uma ancora branca, representando firmeza e tranquilidade, com gomos em vermelho e preto. E também o futuro médico Martiniano Fernandes, o Tiano. Além de Alcindo Wanderley, o Pitota, considerado o primeiro artilheiro e ídolo tricolor.

A noite os rapazes participam de baile no Natal Club. No dia seguinte banda de música da Escola de Aprendizes Marinheiros faz a despedida dos pernambucanos, que desembarcaram na estação ferroviária das Cinco Pontas, ocasião em que a torcida acompanha o grupo em bonde ornamentado até a sede da Rua da Gloria, no bairro Boa Vista. A noticia, por telegrama, da vitória, mereceu enorme cartaz a entrada do Cine Guarany, em Olida.

O Associado "Diário de Pernambuco" (11/5/2009) conta tudo sobre um dos mais de 5.200 jogos do Tricolor na quinta reportagem da série "Paixão Traduzida em Cores" (Primeiros Passos - Futuro presidente da República leva Santa Cruz para jogar em Natal).

Fontes

Diário de Pernambuco

Campeões do Futebol

Curiozzo

Coral Jampa

Futebol 80

Memórias do Santa Cruz

Só Sumulas

Tricolor do Arruda

Verminosos por Futebol


terça-feira, 13 de abril de 2021

A primeira temporada do Cabo Branco na capital potiguar

Sede do Cabo Branco na atualidade, em João Pessoa (PB)
 

Clube alvirrubro da capital paraibana enfrenta duas vezes o ABC

José Vanilson Julião

Cinco anos após a fundação o time da então Paraíba do Norte, atual João Pessoa, excursiona ao RN para jogar contra o alvinegro no mesmo campo em que foi construído o Estádio Juvenal Lamartine, inaugurado oito anos depois com uma terceira partida entre ambos.

As primeiras partidas aconteceram no domingo (25/7/1920) e na segunda-feira (26) com vitória do “team” abecedista (5 x 2) e um empate (2 x 2) com o elenco “misto”. O curioso é que o placar da derrota do visitante é repetido no enfrentamento de abertura do estadinho do bairro do Tirol em 12 de outubro de 1928, com o primeiro gol feito pelo jogador Deão (ABC).

Os jogos daquele início de semana foram alvo de amplo noticiário, para os padrões da época, em A IMPRENSA (1914/37), pertencente ao coronel (Batalhão de Segurança, Força Pública e atual Polícia Militar) e comerciante Francisco Justiniano de Oliveira Cascudo (1863 – 1935), pai do jornalista, advogado, historiador, folclorista e escritor Luís da Câmara Cascudo (30/12/1898 – 30/7/1986).

O jornal não dá as escalações, mas alguns atletas são citados, inclusive os autores dos gols do último embate e o desfalque no elenco norte-rio-grandense do tenente Aníbal Leite Ribeiro, por sinal presidente do alvinegro Centro Náutico Potengi, agremiação dedicada ao remo e fundada cinco anos antes (novembro/1915), antes do rival rubro-negro Sport Club Natal.

O primeiro embate ocorreu dentro da normalidade, mas o seguinte é encerrado antes do fim do segundo tempo, em comum acordo dos dirigentes das representações em campo, após incidentes não detalhados pela reportagem. Os resultados das disputas foram noticiados pelo correspondente local dias depois no DIÁRIO DE PERNAMBUCO.

Sede do Cabo Branca nos anos 50
SURGIMENTO

O Esporte Clube Cabo Branco foi criado por um grupo de jovens no bairro do Altiplano (13/12/1915), sendo um dos fundadores de duas três primeiras ligas (LDP e LEP). Ao todo são dez títulos estaduais: 15, 18, 20, 24, 26, 27, 29, 31, 32 e 34. Licenciou-se em 1943 para não mais voltar. Atualmente é clube social e esportivo amador com ampla sede no bairro Miramar: Rua Coronel Souza Lemos, 167.

Foi o primeiro levantador da taça na terceira organização e maior campeão antes do surgimento do Botafogo pessoense (1931 – 30 canecos) e da dupla de Campina Grande, Campinense (1915 – 20), a partir da segunda metade dos anos 50, e Treze (1925 – 16). E ainda tem quatro campeonatos a mais do que o também alvirrubro Auto Esporte (1936) da capital, sendo, portanto, o quarto maior em número de troféus.

Com cinco títulos abaixo clubes pioneiros desde a liga inicial (1908/18) vários times, entre eles extintos – Paraíba (dois com estes nomes), Palmeiras, Pytaguares,  Red Cross e América de João Pessoa –ou em atividade, como o Souza, Confiança/Sapé e Atlético/Cajazeiras.

FONTES

Tribuna do Norte

Campeões do Futebol

Bola na Área

Diário de Pernambuco

Guia do Esporte

Jogos Perdidos

 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Há 50 anos surge a Taça Cidade de Natal

 

João Machado (atrás de João Havelange) idealizou torneio semelhante à Taça Guanabara

Torneio preenche calendário antes do campeonato estadual

José Vanilson Julião

A justificativa lógica partiu da Federação. O jornal Associado DIÁRIO DE NATAL (sábado, 6/2/1971) publica resolução administrativa do presidente João Cláudio de Vasconcelos Machado (11/07/1914 - 20/02/1973) e assinada pelo secretário Salatiel Silva, ex-presidente da FNF e ex-árbitro.

O Ato (20 de janeiro) diz que a necessidade do aproveitamento racional do espaço de tempo ocioso entre o término das férias regulamentares e o inicio da temporada oficial "via de regra preenchido com amistosos inconsequentes e desprovidos de qualquer atrativo."

O documento também vem com a tabela da nova competição com jogos na quarta-feira e no domingo. A primeira rodada do turno envolve América 4 x 0 Ferroviário e ABC 4 x 2 Força e Luz.

Na última rodada América 2 x 0 ABC (domingo, 28/2). O importante neste jogo, com arbitragem de Luiz Meireles da Silva, renda de Cr$ 24.718,50, gols de Zé Ireno e Valdeck, foi a quebra do tabu.

Na temporada anterior o alvirrubro não vencera o alvinegro em amistosos, torneio e estadual (oito jogos: cinco empates e três derrotas). As últimas vitórias haviam ocorrido na decisão de 1969: 1 x 0 (Alemão) e 2 x 0. No returno ocorre empate sem abertura de contagem (domingo, 4/4).

Nunes depois jogou no América
A decisão (domingo, 11/4): ABC 1 x 0 América, gol de Nunes (15). No primeiro título a formação abecedista: Erivan, Preta, Edson, Josemar, Valdecy, William, Nunes (Gonzaga), Maia, Edvaldo (Gilson), Alberi e Josenildo. treinador: Manoel Veiga

A competição foi realizada entre 1971 e 1980. Exceto em 1981, 1989 e no triênio 91/93. Volta a ser disputada em 2008 como turno do campeonato estadual. Em 1978 e entre 83/90 como primeiro turno. Em 90 correu paralela a Taça Cidade de Mossoró.

Em 1980 correspondeu a Segunda Divisão (antiga divisão amadora), ocasião em que o título, pela primeira vez, ficou com um time "pequeno". Os times do interior do Estado comparecem com quatro títulos: Mossoró, Currais Novos, Caicó e Santa Cruz.

Títulos por equipe: América (nove), ABC (oito), Alecrim (três) e Potiguar-M, Potyguar-CN, Coríntians e Santa Cruz (um cada). Além do tricolor Ferroviário. Foram vice ABC, Alecrim, Potiguar, América.

A partir de 2013 começa outra história: Copa Cidade do Natal e Copa Rio Grande do Norte. primeiro e segundo turnos do Estadual.

 

CAMPANHA (1971)

Turno

ABC 4 x 2 Força e Luz (24/1)

ABC 2 x 0 Riachuelo (31/1)

ABC 1 x 0 Ferroviário (3/2)

ABC 4 x 1 Alecrim (14/2)

ABC 0 x 2 América (28/2)

Returno

ABC 4 x 1 Força e Luz (7/3)

ABC 2 x 1 Alecrim (14/3)

ABC 2 x 0 Ferroviário (17/3)

ABC 2 x 1 Riachuelo (28/3)

ABC 0 x 0 América (4/4)

Final

ABC 1 x 0 América (11/4)

 

CAMPEÕES

ABC - 1971

América - 1972

América - 1973

América - 1974

América - 1975

ABC - 1976

América - 1977

ABC - 1978

Alecrim - 1979

Ferroviário - 1980

ABC - 1981

Alecrim - 1982

1983 - ABC

1984 - ABC

1985 - América

1986 - Alecrim

1987 - América

1988 - América

1989 - América

1990 - ABC

2008 - Potiguar-M

2009 - Potyguar-CN

2010 - Corintians

2011 - Santa Cruz

2012 - ABC