Consulta

domingo, 28 de dezembro de 2025

O aparecimento do Sport Club Natalense (FINAL)

Os soldados guarnecem a casa do deputado federal Alberto Roselli logo após a Intentona Comunista (novembro/1935). A residência ficava na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua João Pessoa, no bairro da Cidade Alta (Centro). O quarteirão é ocupado, desde 1974, pelo antigo prédio do Hotel Ducal. A rara imagem faz parte do acervo de João Gothardo Dantas Emerenciano ("Natal não há tal").

JOSÉ VANILSON JULIÃO

São encontrados os registros de pelo menos as duas últimas corridas de cavalo no "prado" da Praça Pedro em 1909.

Organizadas pelo “Sport Clube Natalense” a primeira corrida do ano acontece no domingo, 7 de fevereiro. Com cobertura do jornal Diário do Natal.

Pertencia ao Coronel Elias Souto. Era redator-chefe o bacharel Augusto Leopoldo Raposo da Câmara e redator-secretário Vital Cavalcanti.

- A concorrência foi grande não só de senhoras e senhorinhas, como de cavalheiros. O jogo de poules (apostas) estava muito animado.

E segue: “Tocou durante as corridas a banda de música do Batalhão de Segurança.” Finaliza com o resultado dos cinco páreos.

O periódico (antigo O Nortista) – o segundo com este nome é ligado ao Partido Republicano – informa a última corrida (domingo – 15/11).

Registre-se que um outro Sport Club Natalense havia aparecido em 12 de outubro de 1904 para a prática do futebol. Em ação dos irmãos Pedrosa. Não durou muito.

Alberto Roselli, um dos incentivadores das corridas, em 1910 se envolve de corpo e alma no surgimento do Natal Futebol Clube, de camisa rubra, dedicada somente ao futebol.

O NFC faz o primeiro clássico com o Potyguar Futebol, clube de camisa cinza, organizado em seguida, pelo dentista Nizario Gurgel, pai do jornalista Romildo Gurgel.

ABC Futebol Clube com raridade da camisa negra

ABC (1971): Erivan, William, Preta, Edson, Anchieta, Josemar, Petrucio, Alberi, Edvaldo Araújo, Nunes e Josenildo.

O redator apela, novamente, para o torcedor completar a escalação da imagem. Agora para definir a linha atacante alvinegra. No Estádio Juvenal Lamartine com a arquibancada "Frasqueira" lotada!

A fotografia do ABC com camisa toda preta é mais uma raridade encontrada e pescada na rede. Houve tempo, no começo, da faixa horizontal negra, semelhante ao Maguari de Fortaleza e Rio Negro de Manaus.

Em 115 anos o clube usou estampas variadas. A maioria toda branca, como o Santos, São Cristóvão do Rio de Janeiro e Real Madrid da Espanha, ou listrada verticalmente, das mais comuns, vide Botafogo de Futebol e Regatas.

Mas também teve a fase imitação do Clube de Regatas Vasco da Gama com a faixa diagonal branca (1954) ou preta (1969/70), e do suburbano Campo Grande do Rio de Janeiro, com listras horizontais escuras.

Estas no final dos anos 60 e começo da década de 70 no campeonato estadual e na primeira participação em competição nacional, exatamente em 1972 (José Vanilson Julião).

sábado, 27 de dezembro de 2025

O aparecimento do Sport Club Natalense (II)

Cartão postal com o carimbo com o nome de Alberto Roselli de "Boas Festas e Feliz Ano Novo" na virada 1905/06/Acervo: João Gothardo Dantas Emerenciano

José Vanilson Julião

A República publica o estatuto em seis capítulos do Sport Club Natalense, em duas edições (27 e 31 de janeiro de 1907), com data de 27 de dezembro do ano anterior.

Ocasião em que aparecem os nomes de outros signatários: os estrangeiros Nicolau e João Bigois, austríacos, e Miguel Barra, italiano.

Além dos patrícios Jeremias Pinheiro da Câmara (pai dos irmãos e futuros jogadores do América: Eugenio Pinheiro e Jeremias Filho, conhecidos como Pinheirão e Pinheirinho), coronel Avelino Alves Freire (pai dos três irmãos fundadores do ABC), Dioclecio Duarte, Philadelfo Lyra, Mário Lyra, Francisco da Câmara Cascudo, Odilon de Amorim Garcia...

Corridas no “prado Sport Club” (2 de junho) para cotações de cavalos e são convidados amadores que queiram fazer parte.

No primeiro domingo de setembro são inauguradas as corridas. Em novembro acontece o maior evento com quatro páreos envolvendo cinco animais em três e seis em outro.

As senhoras não pagam ingresso. Entrada geral $500 (quinhentos réis) e arquibancada 1$000 (um conto de réis).

O aparecimento do Sport Club Natalense (I)

Alberto Roselli, o ítalo-brasileiro

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O jornalista, professor, político e advogado Alberto Roselli (Natal/RN, 1886 – Rio de Janeiro/RJ, 1966) começa janeiro de 1907 envolvido na consolidação do recém fundado “Sport Club Natalense”, em dezembro, com a participação da nata masculina da provinciana capital do Rio Grande do Norte.

Este jovem de 20 anos, filho do imigrante italiano e rico comerciante Ângelo Roselli – um do grupo de meia dúzia de estrangeiros que assinam a ata da proclamação da República em Natal – estava metido com o esporte deste 1903, quando retornara de um curso comercial na Suíça e toma conhecimento do futebol.

Este grêmio, porém, nada tem a ver com o esporte desenvolvido pelos ingleses em meados do século XIX, pois destina-se, essencialmente, para as corridas de cavalo de raça no “prado” que viria a ser criado para tal fim durante os próximos três anos, com a participação dos animais pertencentes a criadores da fina flor da sociedade.

A República (quinta-feira – 17/1/1917) publica a ata de fundação da sociedade anônima em reunião realizada pela manhã ao meio-dia no salão das sessões da Junta Comercial (dia 13), com as presenças de 86 acionistas, quando assume a presidência dos trabalhos Afonso Moreira de Loyola Barata, secretariado por Sérgio Paes Barreto e João Juvenal Pedrosa Tinoco.

Aprovados os tramites legais foram eleitos diretores “doutor” Afonso Barata, Sérgio Barreto, João Tinoco, além dos vice-presidente, coronel João Chrysostomo Galvão, Ezequiel Lins Wanderley (suplente de secretário), Jorge Barreto de Albuquerque Maranhão (sub tesoureiro) e conselheiros fiscais: coronel Olympio Tavares, João Gurgel de Oliveira e o coronel Pedro Soares de Araújo.

Entre os associados o Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, José Mariano Pinto (gerente do jornal), Joaquim Lustosa Raposo da Câmara, Abel Jovino e Pio Barretto, Romualdo Lopes Galvão, Alfredo Adolpho de Mesquita, Manoel Dantas, Eloy e Henrique Castriciano de Souza, Evaristo Leitão (o proprietário do famoso Hotel Internacional), Afonso Saraiva Maranhão Filho, Alberto Maranhão, Juvenal Lamartine, Antônio Pereira Simões...

 

FONTES/IMAGENS

A Ordem

A República

Diário do Natal

Diário de Pernambuco

Câmara dos Deputados

Natal não há tal

Quem são os jogadores do ABC na fotografia?

Tito, Cláudio Oliveira, Jorge Luiz, Arié, Caetano, Marinho Apolônio, Tinho, Gelson, Mirandinha, Noé "Macunaíma" Soares e Carpinelli

RODAPÉ DE PÁGINA

José Vanilson Julião

(coluna semanal)

 

PARA COMPLETAR A LEGENDA: O redator-chefe do blog pede a ajuda dos competentes internautas para indicar a época e nominar os atletas alvinegros da imagem acima. Mãos a obra pessoal!


TABELAS DAS COMPETIÇÕES: abaixo os próximos jogos oficiais dos clubes potiguares para o torcedor acompanhar no começo da temporada.

 

COPA SÃO PAULO DE FUTEBOL JÚNIOR

GRUPO 3 - TANABI

3 de janeiro, 15h15: Goiás x América-RN

6 de janeiro, 13h: Tanabi x América-RN

9 de janeiro, 13h: América-RN x Sobradinho

GRUPO 29 - OSASCO

4 de janeiro, 19h15: Audax-SP x QFC

7 de janeiro, 21h: QFC x Atlético-MG

10 de janeiro, 18h45: União-MT x QFC

 

CAMPEONATO POTIGUAR

PRIMEIRA RODADA

10/1 - 15h - Santa Cruz x Potiguar (Nazarenão)

10/1 - 16h - América-RN x Potyguar Seridoense (Arena América)

11/1 - 15h - Globo x QFC (Barrettão)

11/1 - 16h - ABC x Laguna (Frasqueirão)

SEGUNDA RODADA

14/1 - 15h - Laguna x QFC (Frasqueirão)

14/1 - 15h - Globo x América (Barrettão)

14/1 - 19h30 - Potyguar Seridoense x Santa Cruz (Bezerrão)

14/1 - 20h - Potiguar x ABC (Fião)

TERCEIRA RODADA

17/1 - 15h - QFC x Potiguar (Ninho das Águias)

17/1 - 16h - ABC x Santa Cruz (Frasqueirão)

18/1 - 16h - América x Laguna (Arena América)

18/1 - 16h - Potyguar Seridoense x Globo (Bezerrão)

QUARTA RODADA

24/1 - 15h - Santa Cruz x QFC (Nazarenão)

24/1 - 16h - América x ABC (Arena das Dunas)

25/1 - 15h - Laguna x Globo (Frasqueirão)

25/1 - 16h - Potiguar x Potyguar Seridoense (Fião)

QUINTA RODADA

31/1 - 15h - Laguna x Potiguar (Frasqueirão)

31/1 - 16h - QFC x América (A definir)

1/2 - 15h - Globo x Santa Cruz (Barrettão)

1/2 - 16h - Potyguar Seridoense x ABC (Bezerrão)

SEXTA RODADA

4/2 - 15h - QFC x Potyguar Seridoense (Ninho das Águias)

4/2 - 15h - Santa Cruz x Laguna (Nazarenão)

4/2 - 20h - ABC x Globo (Frasqueirão)

4/2 - 20h - Potiguar x América (Fião)

SÉTIMA RODADA

7/2 - 16h - ABC x QFC (Frasqueirão)

8/2 - 15h - Laguna x Potyguar Seridoense (Frasqueirão)

8/2 - 16h - Potiguar x Globo (Fião)

8/2 - 16h - América x Santa Cruz (Arena América)

 

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

A controversa participação do presidente no Alecrim (II)

As garotas da faixa preta são do ABC; as meninas da faixa de duas cores mais claras são do Centro Esportivo Natalense. Neste "bololô" se encontra a "senhorinha" Jandira Carvalho, futura esposa do presidente da República, o advogado provisionado e político potiguar João Campos Café Filho

Jandira Café: primeira-dama

A IMPRENSA NÃO CONTOU...?

Arthur Pierre dos Santos Medeiros

(colunista semanal)

 

As equipes femininas do ABC e Centro Esportivo Natalense praticam handebol!

 

- Não há registros, mas, provavelmente, João Café Filho foi fundador do Centro Sportivo Natalense e não do Alecrim.

Segundo o jornal A Imprensa (18/7/1918) Café foi eleito diretor de esportes da primeira diretoria do clube da Rua Santo Antônio (Cidade Alta).

No cargo, junto com o ABC FC, promove uma partida de handebol (não futebol como mencionam) entre as equipes femininas dois clubes em outubro de 1919.

Na oportunidade a equipe tricolor venceu a alvinegra pelo placar de 12 a 0. No time "Assis Bandeira" do Sportivo estava uma senhorita chamada Jandira Carvalho de Oliveira, que veio a ser a esposa de Café Filho e a primeira-dama do Brasil.

Também não há registros que Café tenha atuado como goleiro pelo Alecrim. Um dos poucos registros do time do Alecrim dessa época é do Diário de Pernambuco (15/6/1918), que traz Ricardo como goleiro do Alecrim.

A edição do jornal A República (9/6/1918) também traz o mesmo nome como arqueiro da equipe do Alecrim.

João Café Filho também não aparece como goleiro do Centro. A primeira escalação oficial para um jogo do tricolor também foi registrada pelo impresso recifense (24/8/1918).

A confusão pode ser explicada pelo escritor Luís da Câmara Cascudo no semanário dominical O Poti (267 - 17/6/1955), por ocasião das comemorações dos 40 anos do América, de que Café defendeu as redes de outra equipe.

Justamente aquele caso do jogo com a maior goleada americana, entra as cinco do Brasil, sobre o Atheneu Norte-rio-grandense, 22 a 0 (a maior: Botafogo de Futebol e Regatas 24 x 0 Mangueira).

Café havia sofrido seis gols, sendo substituído pelo coleguinha identificado como Pita (Joaquim Lustosa Pita). O pesquisador José Procópio Filgueiras Neto aponta Napoleão Ferreira como autor de 11 gols.


NOTA DA REDAÇÃO: a primeira parte do conteúdo exclusivo está publicada no sábado (22/11/2025). Sugere-se a leitura para melhor compreensão da sequência do competente pesquisador responsável pelo espaço.

 

A primeira passagem de Baltazar pelo América/RN (IV)

O goleiro Floriano Fernandes Pimenta começou no Cruzeiro de Macaíba (Grande Natal), foi campeão do Torneio Início (1970) pelo CAP. Atuou também no Riachuelo, Baraúnas (Mossoró), Tiradentes e River, ambos de Teresina, capital piauiense


JOSÉ VANILSON JULIÃO

A Tribuna do Norte (domingo – 1/3/1970) assim refere-se ao Riachuelo Atlético Clube para a participação no Torneio Início, a tradicional promoção anual da Associação dos Cronistas Esportivos do Rio Grande do Norte (ACERN):

- O Riachuelo voltará a mostrar aos torcedores os bons valores que já levou ao Juvenal Lamartine, como o lateral Irany, o meia Gastone e o ponta-de-lança Adilson, e terá o comandante de ataque Baltazar cedido pelo ABC.

Ele aparece no segundo jogo do TI: 0 x 0 Força e Luz. Porém não comparece ao quinto encontro (1 x 1), perante ao rubro-negro Clube Atlético Potiguar, que repete a façanha de 1943, de 1968 e acaba campeão diante do ABC.

A décima partida do TI é a decisiva, com Creso Guanabara de Souza, antigo atacante do Globo, Alecrim e América, marcando o gol solitário aos dois minutos do segundo tempo de 15 minutos.

Creso foi alvo da série de reportagens inéditas envolvendo a família Canuto, os três tios irmãos jogadores americanos (dois atacantes e um zagueiro), da família de marceneiros mossoroenses, radicados na capital desde o final dos anos 20.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Vaza capa do livro sobre história do semanário

Ascensão do S. Gonçalo FC coincide com a existência do impresso: Pantera, Clécio, Kel, André, Romildo, Júnior Baday, Bem-te-vi, Flaviano, Hernando, Paulinho, Erivan e Adriano

Periódico ficou na história

José Vanilson Julião

O jornalista, escritor, historiador e professor Rômulo Stanrley, já está com os preparativos para o lançamento, em janeiro, do livro em que conta a história do semanário O Grande Natal.

Já vazou em rede social a capa da excelente obra literária não ficcional que relata a trajetória do impresso fundado pelo jornalista Paulo Tarcísio de Albuquerque Cavalcanti, chamado carinhosamente pelos amigos de "PTC".

O jornal O Grande Natal circulou entre 1994 e 2003, se não me falha a memória, dando voz aos municípios, como o nome diz, da região metropolitana da capital do RN: Ceará-Mirim, Extremoz, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Parnamirim, Nísia Floresta e São José do Mipibu.

O leitor fiel ou ocasional deste blog não tem a obrigação de saber, mas o nome é uma homenagem aos dois semanários que colaborei nos anos 90/2000.

Fiz a junção dos nomes: Jornal de Natal, fundado no final dos anos 80 pelo empresário gráfico Ivanaldo Bezerra; e O Grande Natal.

O livro de Rômulo tem depoimentos dos antigos colaboradores do OGN. E segundo o autor, farto material com imagens: fotografias, gráficos, reprodução de páginas com as mais importantes reportagens e os textos considerados especiais.

Enfim, o livro, com 500 páginas ou mais, está na fila de impressão na gráfica e circula um vídeo que antecipa a chamada do lançamento (ainda sem data definida).

A primeira passagem de Baltazar pelo América/RN (III)

BALTAZAR

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A edição do Diário de Natal (segunda-feira – 9/3/1970) faz a cobertura da primeira rodada dupla do campeonato estadual e como recheio do bolo oferece ao torcedor e leitor a tabela do turno.

O jornal da cadeia Associada diz que o Alecrim passou por um susto no jogo principal ao derrotar o Força e Luz (Cosern) pela contagem mínima, gol de Zé Maria, aos 41 do primeiro tempo.

Na partida inaugural da tarde dominical o Riachuelo vence pelo mesmo placar o Ferroviário, gol do ex-abecedista Rômulo Lima, aos 18. Segundo o impresso do condomínio o tricolor merecia sorte melhor.

O interessante na reportagem é a menção ao jovem atacante – ora ponta-direita, ora centroavante ou meia-esquerda – que não aparece na imprensa nos dois primeiros meses do ano.

“Baltazar foi ponteiro durante alguns minutos, foi para o meio, ninguém ordenou que voltasse a posição primitiva e foi substituído”. Está na súmula pelo RAC emprestado pelo ABC.

Participa de seis, começando ou sendo substituído no decorrer dos 90 minutos, dos 12 jogos (cinco vitórias e sete derrotas) na competição, sendo a estreia oficial justamente na rodada de 8 de março.

Entra em campo pela última vez na competição da temporada anual na derrota (0 x 2) para o América (24 de maio).

Permanece no clube “naval” e retorna ao elenco alvinegro ao menos em maio de 1971, a tempo de constar no elenco do bicampeonato (1971/72).

 

FONTES/IMAGENS

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Baêa na História

Esporte do Vale

Federação Internacional de Estatísticas de Futebol 

Futebol Nordestino

Futebol 80

Globo Esporte

Jornal da Grande Natal

No Ataque

O Gol

Saiba Mais

Só Esporte

Súmulas Tchê

Diogo, Júlio Bovi; Trindade, Marcos Avelino; Júnior, Rodolfo Pedro Stella – “História do Riachuelo no Campeonato Potiguar – 1949/1993”

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

A primeira passagem de Baltazar pelo América/RN (II)

Baltazar, José Ribamar Cavalcante e o uruguaio
Danilo Nuñes Menezes em evento social

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A dupla rodada em homenagem a “Semana do Marinheiro” é a última partida da temporada do América/RN após a segunda conquista do campeonato estadual depois do retorno do licenciamento de 1960 – com a campanha invicta do Alecrim no meio (1968) – quando derrota o Riachuelo (4 x 2) na principal (domingo – 7/12/1969).

Na preliminar o ABC perde para o Alecrim (1 x 2) no penúltimo jogo da temporada, pois ainda entraria em campo contra o mesmo adversário no dia 17, agora com vitória magra, um dia depois de levantar o “caneco” do Torneio Olavo Bilac em final com o alvirrubro, gol de João Batista de Almeida, o “João Galego”, alvo de inédita série perto de ser concluída.

A competição não oficial com jogos eliminatórios não é considerada tão importante para efeito de estatísticas, já que o foco principal é a estreia com bola correndo os 90 minutos do centroavante juvenil alvinegro, Baltazar Germano de Aguiar, então com 19 anos, que já havia treinado no titular com o comando do treinador gaúcho Álvaro Barbosa.

Na segunda-feira (8) o Diário de Natal veicula a manchete secundária: - Alecrim venceu um ABC que ainda não encontrou seu jogo. E quem está em campo? Resposta: como ponta-direita Baltazar Germano de Aguiar (acaba substituído por Cesar aos 35), ao lado de Alberi, João Galego e Burunga na linha de ataque.

A primeira passagem de Baltazar pelo América/RN (I)

Baltazar: treinador Potengi/Arthur Barbalho

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Não sei se é o mesmo jogador, mas lá está o nome Baltazar como centroavante do juvenil do Alecrim no empate com o América (2 x 2) na preliminar da vitória esmeraldina sobre o alvirrubro (2 x 1) na noite da quarta-feira, 23 de abril de 1968.

Em todo caso é certo que a categoria juvenil americana vive a mesma situação, ao se tornar tricampeão da base ao vencer (2 x 1) o alvinegro na preliminar dos titulares (1 x 0), com o famoso gol de Alemão na primeira partida da série final (domingo, 23/11/1969).

Os gols do time da garotada vermelha foram de Canhoto e do currais-novense Gomes, descontando o conterrâneo Ludemário, ambos com passagem no Benfica de Currais Novos, um dos rivais do Potiguar local (ainda com Y), na década de 60.

Se no América havia no elenco jogadores que chegaram a atuar no time principal – Pimentel (apelidado de Batata), Tito, Mariano, Gomes, George e Canhoto – no ABC o destaque é para apenas um jovem atleta, Baltazar Germano de Aguiar.

O Diário de Natal (sábado – 6/12/1969) ainda o coloca no treino abecedista com vista a rodada dupla dominical com vista aos amistosos em homenagem a “Semana da Marinha”: ABC x Alecrim e América x Riachuelo.

O elenco principal faz o preparativo com: Erivan (Floro no gol reserva), Batista, Piaba, Gaspar, Marinho (Cido), Arandir, Beto (Gonzaga), Baltazar, Alberi, João Galego (ainda não terminamos o assunto com ele) e Burunga.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O artilheiro de uma única temporada pelo ABC (X)



"Petinha" veio do Paraná, foi campeão no ABC (1970), vendido ao Náutico, com Marinho de contrapeso, retornou a Natal pelo América (1971), e fez parte da grande equipe do Cosern (Força e Luz)

JOSÉ VANILSON JULIÃO

O perfil traçado pela reportagem da Tribuna do Norte (23/5/1969) foca no começo da carreira, desempenho e dados pessoais do centroavante João Batista de Almeida, o “João Galego”, descoberto no campeonato da Liga das Rocas.

Mas a característica do jogo ou pela atuação em campo quem dá o pontapé inicial é o tópico com ele no semanário dominical O Poti (27/4), mesma data do clássico ABC 1 x 1 América pelo campeonato estadual.

A reportagem “Quem é quem do clássico dos milhões” o classifica: - Tem mais raça do que técnica. Mas que começou a perder espaço com a chegada do atacante paulista “Esquerdinha” (Sérgio Depercia).

O que é corroborado pelo jornal concorrente no segundo semestre do ano seguinte: “Um cara de futebol feio, duro, desengonçado, mas que fazia gols à beça.” Almeida renova o contratado na virada de fevereiro para março.

Sequer entra nas partidas do alvinegro pelo Torneio Início (1/3), inclusive na final contra o Clube Atlético Potiguar, que acaba campão pela segunda vez desde 1968. Dia 6/3 participa do amistoso com o Palmeiras (1 x 1), o primeiro clube da capital paulista no Rio Grande do Norte.

E durante a campanha do título alvinegro de 1970 João Galego entra em campo apenas duas vezes sem marcar gols. E desde o começo da competição perde a posição de vez para o parnamirinense Ilson Peres de Farias, o “Petinha”, vindo do São Paulo londrinense, no interior do estado do Paraná (Região Sul).

Após o encerramento do campeonato em julho começa a cogitação da saída dele e os possíveis destinos. No segundo semestre treina no Riachuelo Atlético Clube, a agremiação de origem, para a temporada do ano seguinte. Em 1972 joga pelo rubro-negro CAP.

Mas antes, em abril, participa de um torneio quadrangular, no campo do 16 Regimento de Infantaria, envolvendo as seleções das três armas, Exército, Marinha e Aeronáutica, mas a equipe da Polícia Militar, conforme informação do memorialista José Ribamar Cavalcante, o ponta-direita da Base Aérea.

 

 

Abecedista com apelido do anão do desenho animado

Ronaldo Damacio Sé Siqueira, o "Dunga", no "Enxuga-Rato" de Teresina, capital piauiense. O goleiro Batista foi do Potiguar de Mossoró e América de Natal nos anos 70

JOSÉ VANILSON JULIÃO

A mais famosa alcunha do mundo pertence ao homenzinho do conhecido desenho animado do cinema, do filme de longa-metragem “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937), uma produção do norte-americano Walter Elias Disney (1901 – 1966).

Em segundo lugar vem o ex-jogador e ex-treinador gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri (Ijuí/RS, 31 de outubro de 1963), o “Dunga”, o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo (1994), ano do tetracampeonato, e ex-técnico do selecionado nacional.

A manchete principal do Diário de Natal (terça-feira – 6 de abril de 1965): - Pinheiro, Dunga e Genaro vão ser mostrados hoje à ‘frasqueira”. Com subtítulo: “As vinte horas o coletivo alvinegro.” Com urna colocada no “Juvenal Lamartine” pelos diretores do departamento autônimo.

O jornal relaciona os reforços contratados para recuperar o título perdido para o Alecrim no bicampeonato (1963/64): Genaro (lateral ou quarto-zagueiro), Pinheiro (interior esquerdo) e Dunga como centroavante. Todos a disposição do treinador Dario Souza, antigo jogador do América/PE e do Sport Recife.

O quarto-zagueiro mato-grossense Ronaldo Damácio Sé Siqueira (Cuiabá/MT, 24/1/1941), o “Dunga”, jogou no ABC na segunda metade dos anos 60. É inscrito pelo alvinegro para a participação na Taça Brasil 1966 como campeão do ano anterior.

Entra em campo na primeira fase em duas derrotas nas partidas eliminatórias com o Campinense: 2 x 0 (quinta-feira, 14/7), no Estádio Municipal Plínio Lemos (Campina Grande) e 1 x 2 (domingo, 24/7), no “Juvenal Lamartine”. Os dois jogos apitados pelo árbitro cearense Louralber Pereira Monteiro.

Currículo: Goiânia (1965), ABC (1965/66), Sergipe de Aracaju (1966), Quixadá/CE, Piauí (Teresina), São Cristóvão/MS e Dom Bosco (Cuiabá/MT) e Operário de Várzea Grande/MT (1969).

Podem existir algumas contradições entre as informações das fontes primárias e secundárias, pois o Dunga é relacionado na imprensa como oriundo do futebol pernambucano, a posição é diferente da colhida na rede e que seria irmão de um dos reforços (merece uma investigação com mais calma).

PS: a provocação para a pesquisa partiu do poeta, músico (tocador de gaita), articulista eventual e torcedor americano, Graco Medeiros, irmão do jornalista e publicitário Alex Medeiros, colunista do diário matutino Tribuna do Norte.

Dom Bosco de Goiânia (1969)Dunga, Nenê, Saldanha, Luiz Carlos, Ramão, Gonçalo, Edmundo (repórter), Lino Pinheiro (repórter), Célio, Ferreira, Pinheiro, Dindão e Josias


FONTES/IMAGENS

Diário de Natal

Tribuna do Norte

Craques do Rádio

Museu da Pelada do Piauí

O Gol

Súmulas Tchê