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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

O hexacampeonato abecedista esquecido pela mídia

As estrelas em cima simbolizam os títulos nas quatro categorias na temporada 1954

JOSÉ VANILSON JULIÃO

É divulgado pelos quatro cantos do mundo que o ABC soma a maioria dos campeonatos estaduais do Rio Grande do Norte (52 e não 57 como alardeado).

Também é de conhecimento que entre estes títulos está os dez seguidos entre 1932/41 na fase do amadorismo marrom.

Mais o pentacampeonato (1958/61) e dois tetra (1970/73 e 1997/2000). Alem de dois tri e os bi. E avulsos.

Usurpa cinco da década de 20: 1920 (torneio vencido pelo América: há datas e placares), 1921 (Centro Esportivo Natalense), 1923 (sem ocorrência), 1925 (o Alecrim reclama) e 1926, pertencente ao América (com todas as fontes exibindo datas e placares).

A série de seis título dos aspirantes começa na temporada de 1954. Quando ABC, além da faixa do elenco principal, ganha as taças do juvenil e infantil. São estes quatro troféus numa mesma temporada que são lembrados no escudo e bandeira: as estrelas amarelas.

Mas há uma façanha pouco conhecida ou bem menos divulgada: a conquista dos seis títulos seguidos na categoria de aspirantes, objeto da manchete desta inédita reportagem.

A histórica sequência na competição que envolvia suplentes ou reservas (extinta em 1964) era assunto guardado a sete chaves para uma pauta exclusiva.

E finalmente chega o momento de expor o tema. Causado pela pesquisa sobre o veterano João Tavares de Morais, o "Tidão", que recentemente completou 99 anos.

No levantamento também apareceu um juvenil abecedista com o mesmo apelido e posição (atacante) do antigo craque que veio de Mossoró e esteve no futebol maranhaense.

O jovem e novato "Tidão", ao participar de pelo menos uma partida nas três decisivas, pode e deve ser considerado dono de faixa.

As finais aconteceram entre o tricolor Santa Cruz (vencedor de dois turnos) e o ABC (ganha o terceiro).

O Santa Cruz então perde a partida final: 0 a 2 (sábado, 13/2/1960). Provocando a série com uma vitória tricolor e duas derrotas.

 

Clone no apelido ("Tidão") coloca faixa no peito

Globo (1961): Zózimo (massagista), Dico, Candão, Damião, Cuca, Zé Rodrigues, Jácio Salomão, José Djalma, o “Tenente” (técnico), Poti (veio do Santa Cruz para o clube fabril), Talvanes, Buru, Oliveiro e Ferreira

DECISÃO DO CAMPEONATO DE ASPIRANTES DE 1959 ENTRE O ABC E O SANTA CRUZ/RN

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Como foi dito antes o juvenil com apelido e posição do antigo craque João Tavares de Morais, o novato “Tidão”, além da competição da categoria no ano anterior (vencida pelo América/RN com decisão no ano seguinte), começa participando da decisão do campeonato de aspirantes.

Ele entra no primeiro jogo das finais, com vítoria do tricolor pela contagem mínima, gol de Wilton (quinta-feira, 18/2/1960). O alvinegro vence a segunda da série, também por placar magro, marcando Jorginho II (sábado 20).

Nesta segunda partida o alvinegro forma com Bigode, Piaba (Osvaldo Carneiro), Orlando, Oliveira, Miro “Cara de Jaca”, Aluízio, Tidão, Jorginho, Romildo, Ivan e Paulo Isidro; o tricolor: Castilho, Aníbal, Toninho, Hugo, Wilton, Bebeca, Poti, Dedé, Mano, Adeildo e Gilvan.

E ganha o terceiro (3 x 1): Tiquinho (Francisco Balbino da Costa), Bebeca (contra), Oliveira, descontando Poti, pai do futuro zagueiro americano e abecedista Sérgio (Quinta-feira, 25 de fevereiro de 1960).

Tudo isso em paralelo ao quadrangular final do campeonato de 1959 – turno e returno – envolvendo também o América.

 

FONTES/IMAGEM

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Blog No Ataque

Acervo José Ribamar Cavalcante

Juvenil com mesmo apelido e posição do veterano

O "velho" tricolor no "super - super" de 1959

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Enquanto o time dos veteranos, o “Milionários” não dá liga, o “misterioso” juvenil com o mesmo apelido e posição tem duas oportunidades no quadro de cima do ABC no campeonato da categoria.

Ainda no segundo semestre é aproveitado em dois jogos oficiais na principal competição oficial: 2 x 2 Alecrim (sexta-feira, 25/9/1959) e 6 x 0 Atlético (quarta-feira, 30).

Este segundo jogo pelo titular era um dos complementos do segundo turno. O América havia vencido o primeiro e o Santa Cruz já era campeão antecipado do returno.

Restava ao alvinegro ganhar o terceiro turno para entrar na parada e foi o que aconteceu. Os três clubes decidiram o campeonato em janeiro/fevereiro de 1960.

O triangular final recebe a denominação de "super – super" e o alvinegro termina bicampeão (1958/59).

E também em paralelo o novo “Tidão” já entra em janeiro de 1960 no elenco dos aspirantes que disputa o campeonato dos suplentes da temporada anterior contra o tricolor Santa Cruz.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Um craque potiguar no futebol maranhense (XXXI)

Montagem com o "Milionários" sulista

TIME DOS VETERANOS “MILIONÁRIOS” NATALENSE DESAPARECE DO NOTICIÁRIO LOGO DEPOIS DA ESTREIA EM PRELIMINAR

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Depois da estreia com vitória (5 X 1) e uma promissora e risonha entrevista do antigo centromédio do Santa Cruz, ABC e América, Antônio Acácio do Nascimento (pai do treinador Hélio Lopes), em que revela o desejo da compra do material, e a notícia de uma provável diretoria, o time de veteranos "Milionários" desaparece, como por encanto, do noticiário.

O redator acredita que o nome do time dos “endinheirados” antigos jogadores dos tempos áureos do amadorismo marrom ou do semiprofissionalismo tenha surgido como inspiração com o famoso clube homônimo da época da “liga pirata” ou “El Dorado” colombiano do final dos anos 40 meados da década seguinte, quando tinha no elenco conhecidos jogadores argentinos, como Alfredo Di Stefano, Nestor Rossi e Adolfo Perdeneras.

Até porque o conhecido “Milionários” dos anos 60/70 é fundado (1964) no Rio de Janeiro e transferido para São Paulo pelo fundador, um funcionário da TV Bandeirantes, o porteiro João Mendes Toledo. Com o falecimento deste assume o comando Marco Antônio Rodrigues (irmão do lateral da Portuguesa de Desportos, Corinthians e selecionado Zé Maria).

Marco Antônio como atleta passou pelo Timão, Paissandu, Noroeste (Bauru), Comercial (Ribeirão Preto), Internacional (Limeira) e Araçatuba, todos no interior do estado de São Paulo. Muitos craques de outrora desfilaram com o time na várzea. O mais famoso deles: Manoel Francisco dos Santos, o “Garrincha”.

 

FONTES

Diário de Natal

O Poti

Futebol das Antigas

História do Futebol

Um craque potiguar no futebol maranhense (XXX)

Aspecto da Avenida Rio Branco (anos 40): Cinema Rex e ao lado a sede da Cruz Vermelha

JOSÉ VANILSON JULIÃO

“MILIONÁRIOS” DOS VETERANOS ENTRA EM CAMPO E SE REÚNE PARA ELEGER DIRETORIA

Diferentemente do que anunciou o "Diário de Natal" o parceiro Associado – "O Poti" – informa que o adversário do time de veteranos, "Os Milionários", é uma equipe formada por componentes do quadro de árbitros da Federação Norte-rio-grandense de Desportos.

O time dos “endinheirados” inicialmente faria a preliminar do primeiro clássico do ano, mas foram substituídos pelos juvenis dos dois clubes (domingo, 22/3/1959). Assim fazem o “esfria sol” do segundo ABC x América do ano pela Taça Cidade de Natal (domingo, 29).

Os “Milionários” entraria em campo com a camisa do clube “suburbano” amador “Internacional”, mas acaba usando a tricolor do selecionado potiguar. A partida, no clima de saudosismo, tem antigos craques ou árbitros: como João Acioli da Silva (Cabo João), ex-atacante alvinegro e alvirrubro; o dirigente Alberto de Souza Cortez de Amorim; e o presidente da FND, Salatiel Silva.

No “time” dos sopradores de apito: Didico, Campinas, Amaral, Zé Moura, Raimundo Harry da Costa Ramos, José Augusto Machado, Zilson Eduardo Freire, Luís Meireles da Silva (o conhecido e falecido “cobra preta” foi inscrito como jogador americano no começo dos anos 50) e Jader Correia da Costa.

No segundo semestre os veteranos são convocados para comparecer à sede do time amador "Mercúrio" – anexo da FND – no "Grande Ponto" (Cidade Alta), no centro da urbe e confluência da Avenida Rio Branco com a Rua João Pessoa. O objetivo é eleger a diretoria do "Milionários" (terça-feira, 25/8).

Justamente no terceiro endereço da entidade esportiva, no terceiro andar do Edifício Melilo, de frente para o antigo Cinema Rex (Av. Rio Branco), a esquerda de quem segue pela avenida em direção ao bairro da Ribeira. Antes, neste mesmo trecho, ficou um tempo no casarão que servia de sede também para a Cruz Vermelha (ao lado do cine).

A imprensa divulga: Antônio Acácio do Nascimento, Jeronimo Felipe (Jerin), José Brígido Ferreira, Zé Moura, Artemio Gonçalves, Harry da Costa Ramos, Zé Lins Aranha, Jaime Ubarana, Pedro Humberto, Francisco Canindé do Nascimento (Tico), Albano Pereira Nunes, Pernambuco, José Pinheiro Veiga e João Tavares de Morais (Tidão), Abel, Tatá, Euclides, Djalma, Nivaldo, Freitas, Ivanaldo e Teodósio.

Um craque potiguar no futebol maranhense (XXIX)

Mário Dourado e o
ídolo Jorginho no
"Castelo Branco"

APARECE JUVENIL NO ABC COM O MESMO APELIDO E IGUAL POSIÇÃO DE JOÃO TAVARES DE MORAIS. OS BASTIDORES DA RENOVAÇÃO DO CONTRATO DE JORGINHO

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Após a participação no último clássico e vestir a camisa alvinegra pela derradeira vez em amistoso doméstico o apelido “Tidão” reaparece na imprensa durante a renovação de contrato, por três meses (dezembro de 1958), do irmão Jorginho, com a promessa de que seria aproveitado na futura “boite” do clube (como ocorreu com o mano).

Curioso: em janeiro de 1959, o América, como campeão juvenil da temporada anterior, vence um “selecionado” da mesma categoria de base, com um zagueiro apelidado de “Tidão” (depois aparece como “Tião” no título do torneio início da categoria em decisão com o ABC (10/5). Ainda na festa dos campeões de 1958 o ABC vence também um combinado. E também com o elenco principal.

Na última semana de março ocorre uma série de clássicos na decisão de uma “Taça Cidade do Natal”. A primeira partida tem como preliminar um encontro de veteranos, com um tal de “Milionários" enfrentando um amontoado de radialistas.

São mencionados Nenê, Jerin (goleiros), Zé Lins, Ubarana (zagueiros), Dão, Tidão, João Pinheiro Veiga (o coronel do Exército), Albano Pereira Nunes, e o ex-ponta-esquerda alvinegro e americano, com passagem pelo Sampaio Corrêa na época de Tidão no Moto, o “Tico” (Francisco Canindé do Nascimento).

O aparecimento de um jogador com o mesmo apelido e posição do antigo craque, também no ABC, toma nova forma no Torneio Início (domingo, 10/5/1959), quando entra numa eliminatória com esta formação: Canindé, Didica, Manoel, Vicente, Chico, Carlos, Chiquinho, Tidão, Ronaldo, Gelo e Bebel.

Um craque potiguar no futebol maranhense (XXVIII)

América (1957): Chico, Mauricio, Papagaio, Edvaldo, Marçal, Mauro, Gilvandro, Juarez, Cezimar Borges, Saquinho e Wallace Costa

APÓS TÉRMINO DA TEMPORADA 1957 ATACANTE “TIDÃO” SE DESPEDE DO ALVINEGRO EM AMISTOSO

JOSÉ VANILSON JULIÃO

Disputa o último clássico América 2 – 0 ABC (domingo, 29/4/1956) em torneio quadrangular também envolvendo o Tuna Luso Comercial (Belém do Pará) e Riachuelo Atlético Clube, em disputa a “Taça Júlio César de Andrade.” Entra 1957 sem participar de jogos oficiais até maio por uma suspensão do Tribunal de Justiça Desportiva por incidentes na final do campeonato do ano anterior.

Também não está na decisão do campeonato estadual, quando se destaca o centroavante Rivaldo de Oliveira Paula, o “Saquinho” (dois gols), no terceiro título do treinador gaúcho Álvaro Barbosa (dois pelo alvirrubro e um pelo alvinegro) e uma criança ferida por um rojão na arquibancada do “Juvenal Lamartine”. São os detalhes principais escolhidos pelo pesquisador da final: América 2 x 1 ABC (domingo, 15/12/1957)

Antes do jogo nota na imprensa rebate a insinuação da mídia da prática de “extorsão” pelo aumento no valor dos ingressos ou bilhetes para o clássico. Os presidentes assinam comunicado (12/12) – Ernani Alves Silveira (ABC) e Rui Barreto de Paiva – e qualificam a majoração: “um auxílio, ajuda, cooperação perante as despesas para manter os dois maiores planteis da cidade.”

Depois da final da principal competição oficial local (que deu o bicampeonato ao alvirrubro) – enquanto o “Diário de Natal” (sábado, 21/12/1957) dá nota sobre a festa na boite americana – também noticia o amistoso do vice-campeão: ABC 3 x 2 Santa Cruz/RN (domingo, 22). João Tavares de Morais faz, sem alarde, faz a última apresentação com a camisa alvinegra.

No decorrer da semana a imprensa procurar atrair o torcedor abecedista para o encontro amigável caça-níquel. “Com contas a saldar desde o campeonato os dois clubes podem realizar um bom jogo” (DN, quinta-feira 19).

 

FONTES/IMAGEM

Diário de Natal

O Poti

Tribuna do Norte

Anotando Futebol

Acervo José Ribamar Cavalcante