
Recorte de
"A Notícia"
com obituário
do jornalista
Baldomero
Carqueja Y
Fuentes
A partir da página 144 livro “Deodoro: Subsídios para a História”, editado
no começo do século XX como coletânea de artigos na imprensa carioca e reeditado
em 1981 pelo Senado, o jornalista Ernesto Augusto de Sena Pereira (Rio de
Janeiro, 1858 – 1913) descreve como ocorre o testemunho do jornalista português
Baldomero Carqueja Y Fuentes, pai, no episódio da Proclamação da República.
O trecho em questão reproduzido a seguir refere-se ao depoimento de outro
contemporâneo do “Repórter espanhol” do diário carioca Jornal do Commercio, para
o qual o pai do goleiro do ABC, José Maria Carqueja e Fuentes, escrevia sobre
política na corte do monarca do Pedro II. (José Vanilson Julião)
TESTEMUNHO
OCULAR DA HISTÓRIA
“Para melhor orientar a opinião acerca desse assunto acrescentarei ainda
o que ouvi do senhor Baldomero Carqueja y Fontes, repórter do Jornal do
Comercio, que se achava no dia 14 de novembro na Secretaria da Guerra.
Assegurou-me ele que presenciou o general Deodoro dizer ao Ouro Preto,
que tinha no bolso a lista dos ministros que levaria a Sua Majestade para
substituir o Ministério e que, por essa ocasião, o doutor Benjamim, julgando de
mau efeito aquelas palavras do general, interrompeu-o declarando que Sua
Majestade, como todos, será garantido e acatado.
Efetivamente, para quem, como o senhor Baldomero, ignorava o que tinha
se passado e ficara assentado na reunião de 11 entre o general e os chefes
referidos, pareceria que Deodoro, assim se exprimindo, não deixava dúvida a
respeito dos intuitos da revolução, isto é, que se tratava unicamente de uma
mudança ministerial.
Conhecidos, porém, os precedentes, não se pode admitir que fosse esse o
pensamento do chefe da revolução, tanto mais quanto a organização ministerial
combinada, como vimos, não era decerto para servir como monarquia.
A ignorância, pois, do verdadeiro sentido das palavras de Deodoro, se
deve atribuir, provavelmente, a errônea versão dos aludidos vivas, quando na
realidade o aclamado era o próprio general.”
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