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| Zagueiro do ABC, Waldemar Wraae, não aparece na lista do Esporte Clube Cabo Branco, da capital paraibana, mas é relacionado como um dos fundadores do alvirrubro tradicional em dezembro/1915 |
JOSÉ VANILSON JULIÃO
Como o repórter não localizou o primeiro jogo do triangular do Torneio Início de junho de 1920 o "quem é quem" possível se resume aos atletas que participaram das duas últimas rodadas ou foram mencionados pelo correspondente potiguar em duas edições do Diário de Pernambuco.
A leitura superficial delimita alguns jogadores que participaram das fundações de pelo menos dos clubes mais conhecidos até hoje, ainda em atividade ou não, pela ordem de surgimento, ABC, América, Alecrim e Centro Esportivo Natalense (CEN), que depois virou Clube Atlético Potiguar (CAP).
Na ocasião do torneio preliminar de abertura da temporada já contava exatos cinco anos do aparecimento de três deles (o alvinegro, o alvirrubro e o alviverde), todos em 1915, e o mais novo (de 1918) o tricolor Centro, fruto da fusão do também tricolor Alecrim com um Flamengo, da Cidade Alta, de cor desconhecida.
A soma dos atletas que aparecem ou são mencionados nos lances e autorias dos gols nos jogos de primeiro quadro (América 2 x 1 ABC e ABC 2 x 3 CEN) chega ao menos a 20 nomes ou apelidos independente da relação clubística ou cor da camisa:
Zacarias (goleiro centrista), Joaquim Carneiro, Alemão (João Sérgio Cordeiro), Gentil de Oliveira (fundador do Alecrim), José dos Santos, Noel, Wraae, Avelino, Farache, Oliveira, Carqueja, Uruguai, Pequeno, Pinheiro, Barreto, Jaime, João Ricardo, Canela de Ferro, Américo e Cazuza (goleiro americano).
Alguns são identificados nominalmente pela história, identificação com o clube e participações em diretorias: Noel Miranda (secretário do CEN), José Avelino Freire (presidente do ABC), Vicente Farache (conselheiro e treinador), José Luís Barreto (dirigente abecedista) e Jaime dos Guimarães Wanderley (fundador do alvinegro).
Outros do grupo dos jogadores pioneiros: Cazuza (José da Silva), Canela de Ferro (Francisco de Paula Melo) e os forasteiros: o paraibano Waldemar Wraee e o carioca José Maria Carqueja e Fuentes (irmão e pai com o mesmo nome: Baldomero Carqueja Fuentes).
Muitos merecem atenção especial pelo que vieram a ser depois do futebol. Caso do Jaime dos Guimarães Wanderley, o jovem que passou a intelectual, autor de peças teatrais e radionovelas para a pioneira Rádio Educadora de Natal (REN), depois Poti, dos Associados, e que virou Clube.
Waldemar Wraee, fundador do alvirrubro Esporte Clube Cabo Branco (13 de dezembro de 1915), na então Filipeia, capital paraibana, João Pessoa a partir de 1930, já foi alvo da reportagem "O misterioso jogador do ABC em suposto elenco campeão" (quarta-feira, 21/6/2023).
O engenheiro Carqueja e Fuentes, que permaneceu ao menos até 1922/23 nas obras do porto de Natal, também já foi alvo de reportagens seriadas sem que o tema se esgotasse. Inclusive participa da busca do aviador cearense criado no Rio Grande do Norte, Euclides Pinto Martins, acidentado no litoral potiguar.

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